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A Poesia do Drible

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

A Poesia do Drible

19
Mai25

Valeu a pena!


Pedro Azevedo

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Anos e anos habituado a sofrer, um Sportinguista estranha tanto festejar em tão pouco tempo. Apalpa o pulso à procura de sinais vitais, escuta o coração, sente a carótida a latejar e no fim dessa rotina observa estar vivo. Check! Há ainda a possibilidade de tudo ser um sonho, o que apesar de tudo sempre é melhor do que um pesadelo, mas, não, está acordado. Check! Conclusão: isto é real! Para um Sportinguista da minha geração tal não é normal. Ou talvez seja o novo-normal de que um dia falou Alan Greenspan, à época presidente da Reserva Federal americana, aplicado ao futebol. Que se seguiu a um período que começou promissor e terminou em exuberância irracional, para corresponder a outra frase conhecida de Greenspan. Como em tudo na vida das pessoas, a resiliência de um clube é importante. E, como um clube não faz sentido sem os seus adeptos, a resiliência do clube depende da resiliência dos seus adeptos. Devido a eles, foi possível chegar aqui. Não esmorecer e ganhar um suplemento de alma capaz de fazer transportar o facho verde-e-branco de país para filhos. Sem ganhar, o que tornou a tarefa quase heróica. Mas chegámos aqui, e chegámos bem, sem manigâncias, sem perdermos a identidade, princípios e valores. De repente, nada é impossível e imaginamos um futuro brilhante para a relação que os nossos filhos e netos terão com o clube. Estranhando as ocasionais derrotas e considerando normais as vitórias e títulos. Foi difícil a travessia no deserto? Foi, mas moldou-nos o carácter, enrijeceu-nos, tornou-nos imunes a qualquer contratempo. Até que chegou o nosso tempo, o tempo que os nossos avós viveram ao som de Violinos ou pelo menos aquele que os nossos pais sempre celebraram em ano de campeonato do mundo ou talvez, mais propriamente, algo compreendido entre esses dois períodos. Sem hiatos de 18 e de 19 anos que a minha geração viveu e teve de aguentar. Valeu a pena! Tudo vale a pena quando a alma não é pequena, dizia o Pessoa. E a alma de um Sportinguista é tudo menos pequena, é enorme. Como o Sporting Clube de Portugal! 

P.S. Alguém explique aos senhores que vão à televisão dar doutas opiniões sobre a bola e ao Carlos Moedas que o último bicampeonato foi obtido em 1952 (da última vez que vi, matematicamente falando, duplo ainda não era sinónimo de quádruplo, mas milagres de "multiplicação de peixes" só Deus na prática e alguns políticos em teoria). Bem sei, acabou em tetra (1954), mas para lá chegar primeiro foi necessário ser campeão (1951), bi (1952) e tri (1953), esse tri repetindo o antes atingido entre 1947 e 1949, esse sim o período dos 5 Violinos composto por Jesus Correia, Vasques, Peyroteo (encerrou a carreira em 49), Travassos e Albano, tendo Vasques e Travassos aguentado até 1958, sendo os únicos a conseguir 8 títulos de campeões nacionais. 

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