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A Poesia do Drible

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

A Poesia do Drible

20
Jan26

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Suarez contra o saco de dinheiro


Pedro Azevedo

IMG_5798.jpeg

Numa perfeita recuperação da alegoria de David e Golias, Suarez desferiu duas fisgadas no saco de dinheiro dos qataris patrões do todo poderoso PSG, campeão europeu em título. Com esses dois golpes, o saco rompeu-se, pareceu subitamente haver uma redistribuição da riqueza e o jogo democratizou-se, recordando-nos nostalgicamente a Europa de futebol do final dos anos 70, início dos 80, com os "underdogs" Forest, Anderlecht ou Aberdeen, onde até não faltaram (há sempre exageros próprios de uma época) as permanentes de cabelo "à Grease" do Mangas. 

 

Cruijff, um génio do futebol mundial (como jogador e treinador), disse uma vez que nunca tinha visto um saco de dinheiro ganhar um jogo. As equipas podem ter orçamentos exponencialmente diferentes, mas dentro do campo são 11 contra 11 e num jogo tão democrático como o futebol tudo pode acontecer (inclusive uma equipa com um Kocho vencer). E aconteceu, ontem, em Alvalade. 

 

O saco de dinheiro, apesar de muito pesado, revelou-se muito móvel, obrigando os jogadores do Sporting a correrem para trás e para a frente e da esquerda para a direita (e vice-versa) a fim de o acompanharem. A manobrá-lo no "joystick", um português: Vitinha, o homem da PlayStation do jogo do Monopólio (do PSG). O Sporting tentou durante todo o tempo ligar o jogo com Suarez. Quando o elástico não se partia pelo caminho, a bola chegava lá, mas durante o primeiro tempo faltou quase sempre o desdobramento nas costas do colombiano, papel que estaria destinado essencialmente a Geny (mais explosivo que Maxi e Trincão, estes mais organizadores), que foi sempre muito bem marcado pelo "nosso" Nuno Mendes. 

Suarez é astuto como uma raposa e sabe posicionar-se muito bem nas bolas paradas, sempre furtivamente em busca de espaços desocupados. Ontem, dessa forma, assaltou em duas ocasiões o galinheiro francês. Na primeira, beneficiando de uma bola de ressaca deflectida em Vagiannidis, de seguida numa recarga após defesa do guarda-redes gaulês a um remate de Trincão. Se após o primeiro golo, os parisienses tremeram (mas Kvaratskhelia serenou-os), o segundo produziu-lhes um efeito de "knock-out" semelhante ao que Marques Mendes experenciou quando tomado de assalto por Gouveia e Melo. Como resultado, até ficaram a ver estrelas (no Céu). Não descobrindo a Polar, jamais voltariam a encontrar o norte. 

Rui Borges mostrou de novo à saciedade aquilo que não nos cansamos aqui de referir: tacticamente é um treinador brilhante. Falta o resto: um melhor aproveitamento dos diamantes lapidados em Alcochete em detrimento da aposta em zircónio comprado na Feira do Relógio do futebol europeu. Ontem, vários desses diamantes estavam lá, no banco, metaforicamente mostrando-nos que a aposta neles é dinheiro no banco. E, bem geridos, um saco bem gordo de dinheiro. Como nos mostram os Ronaldo, Figo, Nani, Simão, Quaresma, Viana e Quenda, mas também Simões, um miúdo de 18 anos que joga como gente grande, embora, para jogar assim nos grandes palcos, primeiro tenha tido que se mostrar nos terrenos baldios e quintais das nossas provas domésticas, oportunidade que Flávio Gonçalves e os demais ainda aguardam por acontecer e já deveria ter ocorrido consistentemente em tantos jogos antecipada ou prematuramente ganhos. É por isso uma pena que Rui Borges ainda não tenha dado esse passo, que também seria um passo em frente na nossa sustentabilidade, porque de resto é um treinador de enormíssima qualidade, que imprime às suas equipas dinâmicas difíceis de contrariar até para um campeão europeu. Sem Diomande (ou Quaresma), Hjulmand, Quenda ou Pote, é bom relembrar. Para não falar em Nuno Santos, "O Desejado", raça de leão num émulo de D. Sebastião que numa manhã de nevoeiro esperamos voltar a ver em Alvalade (o jogo até deverá ser antecipado festivamente para uma hora matinal e tudo). 

Com esta vitória, o Sporting garantiu o apuramento para a próxima fase da Liga dos Campeões. E pode até apurar-se directamente para os oitavos de final da prova milionária, assim vença em Bilbau, o que nos leva à pergunta: iremos lá vestir o traje de gala ou quedar-nos-emos em "pelota" (basca)?

 

Tenor "Tudo ao molho...": o "cafetero" Suarez 

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