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A Poesia do Drible

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

A Poesia do Drible

24
Dez25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Vertigens


Pedro Azevedo

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Depois da ameaça de participações à FIFA, UEFA, ONU, Comissão Europeia, Instituto de Socorros a Náufragos, Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) e Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (organismo responsável pela protecção da Águia-Real), que teve continuidade numas quantas visitas de Rui Costa ao Muro das Lamentações - tudo embrulhado na emissão ininterrupta de quantidades de CO2 ("COMUNICADOS") suficientes para poluir inapelavelmente o ambiente desportivo nacional -, o clube da Luz recebeu de presente um penalty com a assinatura do Pai Natal do VAR.  Um ponto (ou melhor, três) a favor de Rui Costa, que fiel ao ditado de que "Quem não chora, não mama" foi capaz de deixar todos os funcionários do seu clube à sua espera para jantar enquanto ele via, com a habitual gula comunicativa, um jogo do rival Sporting. Chorassem! [Para estimular o apetite do Rui, um Comunicado duas vezes ao dia produz-lhe o efeito placebo equivalente à toma de Complexo B(enfica) Forte.] 

 

Confesso que esta coisa de ter o Rui Costa com binóculos de infra-vermelhos em punho sempre a espreitar para nossa casa me incomoda um bocadinho. Desde logo porque se associa muito o Benfica a vouchers mas não tanto a voyeurs (se excluirmos as solícitas "Toupeiras", claro). Por isso, a ideia de sentir o presidente das águias do outro lado da Segunda Circular a fazer-nos vigilância, enquanto fuma dois maços de Marlboro encarnado e rói uns torresmos bem durinhos que o Mourinho lhe preparou num Tupperware para as vigílias nocturnas, faz-me lembrar umas cenas do "Vertigo", do Hithcock, com um Rui Costa muito obcecado e cheio de medo (e de vertigens) do patamar alto em que o Sporting tem estado neste último triénio. 

Para continuar em alta, o Sporting precisava de entrar no Natal com uma vitória em Guimarães. Sem Pote e com Rui Borges renitente em apostar num jogador com características semelhantes (Flávio Gonçalves), preferindo assim mudar a forma de jogar da equipa (inclusão de mais um ponta de lança) enquanto espera também ele por um presente do Pai Natal Var...andas que objectivamente será um castigo de Sísifo aplicado ao trabalho da Formação. 

Como bom grego que é, Ioannidis não é homem para se pensar que não parte um prato. Pelo contrário, se o deixarem, quebra mesmo a louça toda. Dizem que dá sorte! Vai daí, esteve em 3 golos do Sporting, mostrando que não é só um jogador de procura de "profundidade" (o Júlio Verne e as suas 20.000 Léguas Submarinas são uma inspiração para o jornalismo desportivo, também ele à míngua de um Capitão Nemo que o salve do naufrágio) mas também tem técnica e visão de jogo para actuar atrás do ponta de lança. Além de que há anos que não tínhamos um ponta de lança tão bom de cabeça, o que é uma valência que acumula com uma frieza na hora da finalização que não tem comparação com a de Suarez (enquanto a baliza para o grego é o Rossio, ao colombiano, em tudo o resto um bom jogador, assemelha-se à Rua da Betesga).

 

Com Rui Borges mais uma vez a surpreender através de uma dinâmica nova, com Maxi mais por dentro e Mangas como "cavalo à solta a galopar contra a ternura" (Ary dos Santos) em todo o corredor esquerdo, o Sporting conseguiu uma superioridade numérica no meio campo através do uruguaio e de Simões, Trincão e Ioannidis, havendo sempre um homem livre a encontrar espaço dentro do bloco do Vitória. Isso, associado ao bar aberto que constituiu o lado direito da defesa do Vitória, esteve na origem da vitória gorda do Sporting, que, quando parecia que tudo estava na paz dos céus, chegou a ser ameaçada por um Arcanjo dissidente e com um nome (Telmo) que nem consta na Bíblia, certamente por não ser portador de boas notícias. Também não ajudou ao Sporting o facto de Rui Silva ter aberto a capoeira... 

 

Esta coisa de um Arcanjo desavindo pôr em causa a vontade de Deus deu logo azo à aplicação da Lei do Talião: olho por olho, frango por frango, a punição ao Vitória surgiu através de uma punição exactamente proporcional ao dano a nós causado. Um caso de Justiça Retributiva, mas sem a participação da AT. Tempo ainda houve para Maxi colocar o 4-1 final no marcador, num jogo em que o mago Trincão encantou no esplendor de toda a sua fantasia.  

Entretanto, na Luz, sozinho no seu gabinete e de televisor já arrancado intempestivamente da ficha, por entre sinais de fumo enviados a Mourinho a pedir explicações para os 11 golos de diferença face ao rival lisboeta (estas coisas fazem-se em código), Rui Costa prepara a redação de mais um Comunicado para a noite de Consoada. Para consumir com o bacalhau (mas já sem o Brás para lhe fazer companhia)...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Trincão 

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