Tudo ao molho e fé em Gyokeres
Mortos de sono
Pedro Azevedo

Durante a semana puxou-se tanto o lustro aos galões de Mourinho que faltou alguém na nossa Estrutura Técnica que dissesse o óbvio ululante: o rei vai nu, vamos para cima deles que nem "tarzões". Bom, para cima deles até fomos. Durou foi pouco, mais exactamente 20 minutos, sensivelmente o tempo que demoraram os sedativos a fazer efeito. Sim, porque este derby entre o Sport Lexotan e Benfica e o Sporting Xanax de Portugal, a contar para a Primeira Liga Vallium, foi um óptimo combate... contra as insónias. Senão vejamos: tecnicamente, o jogo foi de uma pobreza franciscana, envolvendo um número apocalíptico de recepções péssimas sem pressão e de passes constantemente mal calibrados. Fisicamente, o ritmo de jogo foi digno de uma peladinha entre prisioneiros famintos de um campo de concentração nazi na II Guerra Mundial. Finalmente, do ponto de vista mental, viram-se duas equipas cheias de medo de perder. Apesar de tudo isto, o Sporting teve tudo a seu favor para ganhar o jogo: marcou cedo e o Benfica tardou a conseguir trocar dois passes sem perder a bola, tal a ansiedade revelada. Mas depois, inexplicavelmente, o Sporting começou a baixar no terreno, a não fechar as linhas de passe na saída de bola dos encarnados e sofreu um golo patético, de carambola. Tal como uma máquina de lavar roupa quando se interrompe a secagem, o Sporting, depois de deixar esfriar, não conseguiu reiniciar o programa que tinha(?) para o jogo em tempo útil, limitando-se a controlar, aquela ilusão que faz parte do jargão de futebolês de todo o treinador até levar um golo. Por acaso não aconteceu, que o remate de Rios saiu ligeiramente ao lado, mas se tivesse ocorrido castigaria o respeito em demasia que Rui Borges ontem demonstrou por Mourinho, em tempos o melhor treinador que Portugal alguma vez produziu, mas hoje um homem cansado de tantas exigentes batalhas travadas pela Europa fora e por isso um treinador (como um boxeur) conformado em ir perdendo aos pontos em vez de correr o risco de enfrentar um KO prematuro. Enfim, haveria mais a dizer, mas a sonolência como sabem é contagiosa e os bocejos no relvado tornaram-se também meus, pelo que está na hora de fechar esta crónnnniiiiccccaaaa. Zzzzzzzzzzzzzzzz...
"Não há dor que o sono não consiga vencer" - Honoré de Balzac
Tenor "Tudo ao molho...": Maxi
