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A Poesia do Drible

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

A Poesia do Drible

09
Nov25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Faixa de Ga(n)za


Pedro Azevedo

IMG_5709.jpeg

Santa Clara, ou Clara de Assis (originalmente Chiara d'Offreducci, uma nobre da cidade de Assis), foi uma santa milagreira que seguiu São Francisco e dedicou a sua vida aos pobres. Ontem, durante larga parte do encontro, pareceu que João Gonçalves quis muito juntar-se à causa de Santa Clara, pelo menos a avaliar pelo ar amarelado de João Simões e de Ivan Fresneda, que a esta hora ainda estarão a interrogar-se da razão para esse súbito ataque de icterícia que foi uma cortesia do árbitro da AF do Porto. Em especial, o amarelo ao médio leonino condicionou muito o nosso jogo, principalmente a partir do momento em que Rui Borges o retirou ao intervalo, com medo que a inexperiência do jovem o levasse a cometer uma imprudência que o fizesse expulsar. Com isso, o Sporting, depois de uma exibição avassaladora no primeiro tempo, perdeu chegada à área, facto reforçado após a saída, por lesão, do infortunado Pote. Antes, na primeira parte, o Sporting dominou mas não conseguiu mais do que repor o empate no marcador após um passe de cabeça à baliza executado por (quem mais?) Pote. Isto porque, cedo no jogo, Diomande aliviou mal uma bola à entrada da área e Fresneda mostrou que provavelmente Quaresma teria sido uma melhor opção para lateral direito e deixou Vinicius marcar o seu já habitual golo ao Sporting. 

Na etapa complementar, o futebol foi trocado pela pastorícia. [Um "back to basics", no sentido em que o futebol indústria voltou a ser (sector) primário.] O prado era abundante e com o tempo foi curiosamente ganhando altura (teriam sido as condições ideais para Cristiano Ronaldo, mas o GOAT já não mora cá). O "pastor" também não ajudou, apitando a qualquer mínimo desencontro entre o rebanho, assim causando um desnecessário alvoroço. Em compensação, Ioannidis sofreu trinta e uma faltas para amarelo na mesma jogada, mas João Gonçalves só tirou do bolso um. Até que Quenda acertou simultaneamente na bola e num tufo de relva e árbitro e auxiliar deram um canto ao Sporting. Foi o escândalo no parque de estacionamento do Seixal, até porque obviamente se tratou de um jogo de hóquei em campo onde já se sabe que um canto curto é meio golo. O mesmo ocorreu no parque de campismo e caravanismo (duas linhas de caravanas estacionadas a obstruir os caminhos para a baliza) de São Miguel, como se a cabeça de Hjulmand estivesse a prémio (e não a desconto... de tempo). 

Nas lendas e narrativas associadas aos "Herculanos" que elaboram cartilhas com que os adeptos são comidos de cebolada, a actividade é frenética. É sempre assim, nomeadamente quando o desempenho da actividade das equipas desses cartilheiros em campo é inversamente proporcional ao frenesim que invade os gabinetes onde se produzem os comunicados. Nesse particular, Benfica e Porto são hoje mais clubes de comunicados do que clubes de futebol. O Porto ganha com "vaca" ao Braga e logo alguém rumina um comunicado (estranhamente, pós-Utrecht nem um traque, que o respeitinho uefeiro é muito bonito e aquela expulsão do guarda-redes neerlandês até deu algum jeito), o Benfica produz comunicados sobre o comunicado e um comunicado sobre comunicados. Já não é um clube, mas sim uma empresa de seguros e resseguros (procurando que o prémio fique sempre em casa). Perante isto, o que deve o Sporting fazer? Sendo o Sporting composto por Sportinguistas, não haverá um leão no universo global de sócios e adeptos do nosso clube com sanidade comprovada que acredite que em algum momento na história do futebol português o Sporting tenha beneficiado, esteja a beneficiar ou venha a beneficiar de alguns favores de árbitros. Dá até imensa vontade de rir. Pelo que, perante tanto ruído, o silêncio será de ouro. O Benfica que continue a ganhar só os jogos em que a arbitragem o brinda com um penalty para abrir o marcador, que é para o lado em que dormimos melhor (a dormir não se elaboram comunicados). E o Porto que continue a impressionar na Europa com a sua "fisicalidade", perdendo e empatando com gigantes continentais como o Forest ou o Utrecht (sobre este último jogo, na SportTV, perguntaram ao Carvalhal o que lhe cheirava ir acontecer e ele respondeu que lhe "cheirava a haxixe", "a ganza"). No fundo, o Carvalhal teve parcialmente razão porque, se nos Países Baixos cheira muito a haxixe, em Portugal anda tudo "pedrado" e por isso estão a querer transformar o futebol doméstico numa Faixa de Ga(n)za. E a verdade é que, ao pé deles, o João Gonçalves, hoje com muitos erros, é um menino de coro, não se acreditando que dele venha desonestidade intelectual ou vontade de fazer mal ao futebol 

Benfica e Porto são hoje agências de comunicados ou de Comunicação com clubes lá dentro. No caso portista, alegadamente, as televisões também estão lá dentro... na cabine do árbitro. No que concerne ao Benfica, o recorde (impressionante) do Guinness dos 93 081 votantes não é nada quando comparado com o número de comunicados que se aguarda até ao final da temporada. Não se dê porém uma conotação negativa: estou em crer que se trata do embrião de uma ideia tão democrática que é até pouco comum num clube de futebol: atribuir 1 Comunicado a cada sócio pagante (e nas próximas eleições, os sócios poderão votar por comunicado). 

Tenor "Tudo ao molho...": Hjulmand 

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