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A Poesia do Drible

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

A Poesia do Drible

19
Out25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Conta-me histórias…


Pedro Azevedo

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Houve um tempo em que visitar Paços de Ferreira era um sinal de mau agoiro. Aí, enquanto campeões em título, chegámos a ser goleados por 4-0 (2002/03), por exemplo. O Paços já não é o que era e o Sporting actuai é bem mais consistente do que nesses tempos, mas ontem foi preciso bater três vezes na madeira (uma delas com a ajuda de um "Castor") para sairmos da Capital do Móvel (faz sentido!) com a qualificação para a próxima eliminatória. 


Mais do que contrariar a lógica, o futebol destrói até o mais elementar silogismo aristotélico. Senão vejamos: há cerca de mês e meio atrás, a equipa B do Sporting espetou três golos (as tais 3 pancadinhas que dão sorte...) sem resposta nos pacenses, em jogo a contar para a Segunda Liga. Tomemos essa como a primeira proposição. Ora, se é só senso comum que a nossa equipa principal é teoricamente superior à B (segunda proposição), logo o jogo de ontem deveria ter terminado com uma goleada dos Leões (mais de 3 golos de diferença). Mas não... 

 

Fala-se muito da mudança de sistema como explicação para os piores desempenhos do Sporting. Rui Borges defende-se com as estatísticas, que mostram um Sporting que cria mais e concede menos oportunidades. O problema é que essas oportunidades que concede, geralmente produto de erros individuais, são normalmente fatais. Desde logo porque já não há o central extra que escondia melhor os erros individuais que hoje saltam mais à vista e prejudicam o colectivo. Não se pense porém que o sistema é a origem de todos os males, porque não o é. Os erros de casting de Rui Borges têm sido mais do que muitos, com especial incidência no meio campo, e esse é o maior problema. Não é só a opção de prescindir de um central para fazer entrar um lateral que não faz a diferença (e o Travassos mesmo ali ao lado... Vagiannidis não faz a diferença para Fresneda, o que quer dizer que não faz também a diferença num jogo), o ostracismo a que vem confinando o Simões é um caso de estudo de como o estatuto pode influenciar as escolhas de um treinador. Um distúrbio psicológico conhecido por Martinice, por afectar primeiramente o actual Seleccionador nacional. Sem um meio campo que filtre e com uma defesa ad-hoc, que não respeitou a linha de fora de jogo e raramente esteve alinhada (o que não acontecia com Ruben Amorim), com Vagiannidis nesse particular a abusar do mau posicionamento e Quaresma e Diomande a excederem-se nos erros individuais, o Sporting mostrou muito pouco rigor e expôs-se ao que o Paços ofensivamente conseguisse fazer. Por isso, os Castores, ainda sem vencerem esta época, estiveram por duas vezes em vantagem no marcador, ainda que as suas limitações fossem por demais evidentes. Valeu-nos então o grego Ioannidis, herdeiro de um tipo de jogo que nos valeu três campeonatos, que tanto soube explorar a profundidade como servir apoios a quem vinha de trás. Por isso esteve nos 3 golos, com uma acção preponderante no primeiro (houve um penalty sobre ele antes de a bola sobrar para Pote), um cabeceamento mortal no segundo (um "plus" face a todos os nossos avançados neste último triénio)  e estando na linha da bola na assistência de Fresneda para o terceiro, que um pacense tentou até à última impedir sem  conseguir evitar introduzir a bola na sua própria baliza. 

Foi pobre o jogo do Sporting e paupérrima vem sendo a nossa ideia de participação na Champions, encarada como uma forma de ganhar uns cobres, com a concomitante ideia peregrina de poupar jogadores na maior competição planetária de futebol, nesse transe relegada para um plano inferior a uma "Taça da Carica" (Taça da Liga). Algo inadmissível (e insólito) num clube que tem como lema "Tão grandes como os maiores da Europa" e que bem precisaria de fazer valer a sua marca na grande montra do futebol. Porém, tanto disparate vem produzindo uma virtude: é uma oportunidade para vermos em acção o João Simões, um miúdo, tal como outros miúdos como o Flávio Gonçalves ou o Mauro Couto, com quem efectivamente Rui Borges não conta, o que dá razão àquela expressão de William Bruce Cameron, quando disse: "Nem tudo o que pode ser contado, conta". E sobre Simões, não houve até hoje ninguém capaz de nos contar tantas histórias como o mister Rui Borges. Histórias que acabam com uma moral: o miúdo a assistir na bancada (Braga) ao jogo dos mais velhos - "É o que é!"

Tenor "Tudo ao molho...": Fotis Ioannidis

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