Tudo ao molho e fé em Gyokeres
Génio à solta em Alvalade
Pedro Azevedo

Sobre Rui Borges justo será dizer-se que é um paizão que tem os filhos (jogadores) indiscutivelmente com ele (vê-se nos "beijinhos e abracinhos" e também na alegria estampado no rosto dos jogadores que estão no banco), a sua equipa apresenta uma dinâmica ofensiva e uma variabilidade táctica super interessantes e a atitude (do treinador) perante o jogo evoluiu bastante, querendo agora sempre mais golos após colocar-se em vantagem. Mas tem um problema: quer demasiadamente ter razão, isto é, quer provar que os jogadores contratados neste mercado foram uma boa escolha. É natural e humano que se queira ter razão, mas quando essa razão não serve um bem colectivo, das duas uma: ou não se tem assim tanta razão (o momento pontual do jogador não ser o melhor, jogar numa posição desajustada para ele ou ainda não conhecer bem as movimentações da equipa, para dar alguns exemplos), ou essa razão não serve para nada. Vem este arrazoado a propósito da preferência ad-nauseam por Kochorashvili no meio campo, que, não deixando de ser um jogador interessante e uma razoável alternativa para a posição 6, como 8 não só não dá aproximação à área adversária como entra nos terrenos de Hjulmand e lhe retira protagonismo. Valha a verdade que apesar disso podíamos ter chegado ao intervalo a ganhar por 2 ou 3, o número aproximado de oportunidades que o Luís Suarez perdeu na cara do golo. Suarez que combinou bem, lutou imenso (uma das suas finalizações resultou de um desarme que fez a um defesa), mas não marcou durante a primeira parte, um período onde se pôde observar que Vagiannidis é mais rápido e defende bem melhor do que Fresneda.
Na segunda parte, a equipa teve alguma dificuldade no primeiro quarto de hora. Mas depois o Maxi rendeu o Mangas e o Morita o Kocho, e o nosso jogo melhorou substancialmente. O japonês está longe da sua melhor forma (por azar chegou até a impedir um golo de Pote), mas só o facto de se posicionar à frente e não a par de Hjulmand já ajuda a melhorar o colectivo. E depois a dinâmica da trindade formada por Pote, Trincão e Quenda faz o resto, dinâmica essa que gera um carrossel que constitui um pesadelo para qualquer adversário. E há ainda Suarez e Maxi, ambos sempre em movimento - o colombiano por dentro e o uruguaio tanto por dentro como por fora -, e em combinações sistemáticas com os colegas, que se juntam a este tridente, Hjulmand e Morita a funcionarem como caixas de ritmos e os "Quarterbacks" (Debast e Inácio) a porem as bolas milimetricamente entrelinhas, todos juntos a operarem em órbitas como os 9 círculos do inferno (como Dante os via) para qualquer adversário. Então, as oportunidades foram-se sucedendo, Pote igualou Suarez nos golos desperdiçados (muito mérito do guarda-redes) e Maxi concluiu um grande detalhe individual com um remate a rasar o poste, até que Trincão pegou na bola e dentro de duas caixas de fósforos acendeu o rastilho de dois penáltis, que Suarez e Pote (o colombiano já havia saído) converteram. Refrescando consecutivamente a equipa, Rui Borges veria ainda Alisson explorar inteligentemente o espaço e servir o grego Ioannidis para o primeiro golo de leão ao peito. É verdade, o Alisson esteve muito bem nesse lance, com processos simples e eficazes. E o Leitor dirá: "Então, Pedro, ainda pensa que o brasileiro é poucochinho?" Sem problema, embora ainda tenha algumas dúvidas, nomeadamente acerca da sua qualidade no 1x1, não faço questão de ter razão. Melhor, prefiro não a ter e ela assistir inteiramente ao nosso Sporting. Como deve ser. Como faz todo o sentido. E o Simões? Nessa não me convencem: "Ó Mister, meta o Simões para sermos tricampeões" (acredito piamente que com ele de início não teríamos perdido com o Porto). Rima e tudo. [Seja como for, o Sporting hoje produziu um "statement" que deve ter deixado Mourinho (e Farioli) com a pulga atrás da orelha. Temos campeonato.]
Como diria o Sérgio (Godinho), que por acaso até é Sportinguista, hoje soube-me a pouco (podiam ter sido 8!!!), contra uma equipa ainda por cima muito bem arrumada no campo e com princípios muito interessantes montados por Vasco Botelho da Costa, um treinador muito promissor.
Tenor "Tudo ao molho...": Trincão
