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A Poesia do Drible

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

A Poesia do Drible

23
Ago25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Um Pote de 3 na Taberna do RB


Pedro Azevedo

Entre os estados de alma mais comuns num português destaca-se a melancolia. Nesse sentido, nada lhe suscita tanto esse sentimento como uma visita a Sintra. Ou à Choupana, caso o indivíduo em questão seja um jogador de futebol da Primeira Liga (o Sintrense ou o 1º de Dezembro jogam em divisões inferiores). As brumas da memória são suscitadas pelo denso nevoeiro que habitualmente aí se faz sentir e logo por encantamento se ergue um súbito e sebastiânico desejo de regresso às origens. Se em Sintra esse vazio presente é também um sinal de fome e será compensado com a ingestão de um Travesseiro da Piriquita, na Choupana, o regresso às origens é muitas vezes sinónimo de viagem de volta até à Portela (ou outro aeroporto do país), sem que um jogo se possa disputar, havendo uma solução alternativa, envolvendo também um travesseiro, mas de um quarto de hotel no Funchal, caso haja a suspeita de que o manto de neblina se possa dissipar com brevidade. Na Choupana, tentar concertar a hora do jogo com um dia de céu aberto é como jogar à roleta russa com um revólver com um tambor para 6 balas em que 5 estão na câmara. É por isso probabilisticamente mais fácil um banheiro (nadador-salvador) na Antártida ter trabalho do que um jogo começar à hora marcada no estádio do Nacional. Por isso, vai-se à Choupana com a mesma convicção que se visita o Monte Olimpo, quase seguros de que não haverá ninguém para nos abrir a porta, que certamente estará reservada só para os deuses. O exotismo de uma realidade assim no nosso campeonato é uma singularidade lusa. Acresce ao misticismo associado a Rio Maior, onde Casa Pia e agora também o Tondela jogam (atendendo à especificidade do local escolhido, os jogos devem dar uma grande moca), àquele pântano jamorense que no inverno serve de base a um campo de golfe de bem mais do que 18 buracos que já foi domicílio da B SAD e ao AVS ou AFS que um ciclone em Vila Franca fez levantar vôo até aterrar na Vila das Aves. Como prémio por toda essa criatividade, Proença chegou a presidente da Federação, em trânsito para a UEFA, onde será de esperar que fique responsável pela organização da final da Champions no rochedo de Gibraltar, com a ilha da Armona como segunda hipótese. 

 

Por sortilégio, houve jogo. Talvez pelo inesperado da situação, entrámos mal e cedo sofremos um golo numa desatenção de Morita, na sequência de um pontapé de canto. Após o golo, o Nacional recuou ainda mais as linhas e procurou fechar todos os espaços. Mas o Sporting tem jogadores capazes de desequilibrar e logo Pote fez a bola estrelar na barra. Mangas deu duas assistências para Trincão e Hjulmand, mas a bola não entrou. Perto do fim da primeira parte, o Nacional viu-se reduzido a 10 unidades. No Sporting, Pote ficou coxo e estabeleceu assim um interessante dueto homófono com Kocho, que entretanto substituiu o lesionado Morita. Após o intervalo, Trincão recuperou uma bola no seu meio campo, tocou para Geny, este para Fresneda, Suarez deu de calcanhar e Pote venceu a malapata e empatou a partida. Pouco depois, novo golo, mas o recém-entrado Vagiannidis estava em fora de jogo depois de Suarez ter executado um passo típico do bailado clássico sob a forma de um "pas-de-deux" em que o par (a bola) ficou para segundas núpcias. O locutor dizia que Pote coxeava, e a coxear tirou dois do caminho e fez gala daquele tipo de passe social que dá direito ao uso das redes nacionais. O passe, entrelinhas, foi de Inácio. Harder viajou de avião até à Madeira, mas foi de carrinho que fez o terceiro. Na assistência em viagem esteve o Pote, sempre ele. Para quem diz que o futebol do Sporting é um tiqui-tasca (ou Taberna Mecânica), hoje não se serviram penáltis. Em compensação, houve copo de 3, ou melhor, um Pote de 3, na medida em que o Pedro Gonçalves ainda viria a assinar o quarto golo do Sporting, coroando assim uma exibição soberba, pelo que a lamentar apenas o Quenda se ter deixado levar pela nostalgia, o que teve como consequência a sua mente ter andado ausente do relvado, facto para o qual tambem não contribuiu positivamente "O Mistério da Estrada de Sintra" de ter reaparecido como lateral esquerdo ("Oh m'Eça!!!").

Tenor "Tudo ao molho...": Pote

poten.jpg

 

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