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A Poesia do Drible

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

A Poesia do Drible

22
Jul25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Ser diferente ou fazer a diferença?


Pedro Azevedo

Coco Chanel um dia afirmou que para se ser insubstituível é imperativo ser-se diferente. Mas ser diferente não é necessariamente igual a fazer a diferença, e Rui Borges percebeu isso muito bem quando meteu para já o 4-3-3 no congelador, ressuscitando o 3-4-3 no jogo de ontem à noite, contra o Sunderland, com Quaresma, Debast e Gonçalo Inácio como centrais e Quenda e Matheus Reis investidos de alas. [Chamo a atenção do Leitor que na TVI(nácio) disseram que jogámos em 4-2-3-1, mas é sabido que o (ontem comentador) Augusto Inácio tem a fama de ver jogos pirateados.]

 

Se não inovou em termos de sistema ofensivo, Rui Borges criou algo de novo em termos defensivos, alternando o 3-5-2 com o 4-4-2, o primeiro ainda pouco trabalhado e razão que justificou os espaços nas franjas dos nossos centrais de lado que o Sunderland tanto procurou durante o primeiro tempo, valendo então a serena excelência de Rui Silva para que o resultado não descambasse a nosso desfavor. Até que Debast lançou Harder nas costas dos ingleses e este assistiu Trincão para o único golo da noite. 

Com os jogadores ainda muito presos de movimentos dada a elevada carga de trabalho de pré-época, o jogo valeu essencialmente pelos aspectos tácticos. O resto foi desolador: Pote passou o jogo quase todo com um piano amarrado às costas, trocando-o no fim por uma tábua de engomar, não resistindo assim à tentação de passar um inglês a ferro; Quaresma deixou o cérebro no hotel e decerto só o recuperará depois de fazer um ó-ó retemperador. Tudo produto do cansaço extremo que nos traz à evidência que Rui Borges e a sua equipa técnica não brincam em serviço e a carga física neste estágio em Lagos tem sido intensa. Seguir-se-á o jogo dos Cinco Violinos, contra os espanhóis do Villareal, e depois o desejável desanuviar da extrema intensidade de treinos que nos permitirá chegar ao jogo da Supertaça com o corpo a obedecer à cabeça e esta a pensar melhor. 

Tenor "Tudo ao molho...": Zeno Debast

 

PS: Para esta equipa do Sporting, o 4-3-3 (em vez do 3-4-3) é como uma sopinha de gaspacho: sabe bem e é refrescante em tempos de Verão, mas o futebol é um desporto de Inverno e nesse período é aconselhável algo mais quente e aconchegante para o corpo. 

trinc1.jpg

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