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A Poesia do Drible

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

A Poesia do Drible

16
Jul25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

No tubo de ensaio de Borges


Pedro Azevedo

IMG_5479.png

A rentrée futebolística pode ser encarada como um ensaio laboratorial que visa observar o que ocorre quando o resto do corpo é desligado do cérebro. Nessa experiência, os neurónios transmitem e processam informação entre células como sempre, mas é como se o corpo se encontrasse trancado numa sauna com um sistema de contra-inteligência equipado com inibidores de sinal de neurotransmissores. Como resultado, os atletas não executam o que o cérebro pensa e produz-se a hiperidrose: o suor envolvido emula a camisa encharcada de um antigo treinador do Benfica (Camacho) numa tarde de Verão.  

O Gyokeres era a nossa Segurança Social. Eu explico: os seus golos, assistências e influência geral constituíam um sustento do leão equivalente ao nosso abono de família. Mas o sueco não volta, o que pode ser um grande problema. Mandaria assim a providência que não se complicasse ainda mais a nossa tarefa, o que pode ocorrer quando em cima da ausência de Gyokeres se quer mudar um sistema táctico perfeitamente adequado às características dos actuais jogadores do plantel, como o comprova o bicampeonato. Mas, enfim, a pré-época serve exactamente para experiências e não vem mal nenhum ao mundo por isso, excepto se a experiência passar futuramente a ser o padrão e se perderem as referências antes perfeitamente entranhadas, que uma coisa é o Mister Borges, outra o Professor Pardal. Até porque já não há Gyokeres para disfarçar erros conceptuais.

O jogo com o Celtic deu algumas pistas: o melhor de Quaresma não se realça em qualquer sistema onde só haja 2 centrais, St Juste comete erros cruciais que são mais sublimados se o sistema não for o 3-4-3, Fresneda tem lacunas como lateral de um grande, Trincão perde quando amarrado a uma ala, Rodrigo Ribeiro mostrou pouco faro de golo (ex: cruzamento/remate de João Simões). Pela positiva, Hjulmand foi o patrão do costume, Pedro Gonçalves regressou com a magia de Harry Pote ("Art-Deco"), Simões consolida-se como uma boa opção e Kochorashvili revelou dinâmica, dotes de liderança e qualidade de passe.  

Este foi o meu Faro deste jogo disputado no Estádio do Algarve. De Rui Borges não espero menos do que ter Olhão!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Hjulmand

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