Tudo ao molho e fé em Gyokeres
I Believe
Pedro Azevedo

Não foi por acaso que de entre todos os activistas negros que surgiram nos anos 60, Martin Luther King foi aquele que mais se evidenciou. Ele repetia incessantemente a frase "I believe", e isso criou um elo emocional com as pessoas. Lembrei-me disso a propósito do nosso técnico Rui Borges, que desde a primeira hora em Alvalade não se cansou de afirmar que acreditava no título de campeão nacional. Não era um título qualquer, era o Bi, algo que não acontecia desde o longínquo ano de 1952 (acabou em tetra em 1954). Com a conquista do Bi, o Sporting saiu definitivamente do armário, trocou a naftalina do passado de museu pela adrenalina do presente de glória, ganhou uma nova vida, com Gyokeres a emular o Peyroteo do tempo dos Violinos.
O jogo com o Vitória era uma final. As finais não se jogam, ganham-se, e o Sporting venceu. Em grande evidência estiveram Quaresma, Debast, Maxi, Gyokeres, mas o melhor foi a equipa. Nervosa de início, progressivamente confiante com o tempo e as notícias que vinham de Braga. E depois apareceu o génio da lâmpada, a art-Deco, a classe nascida em Vidago e aprimorada em Alcochete de um jogador que não precisa de grande condição física, que só necessita do corpo para lhe transportar o cérebro que vê coisas que outros nem sequer imaginam. Falo-vos de Pedro Gonçalves, claro, um pote cheio de magia. E o que dizer de Gyokeres? Uma imagem (a máscara), repetida quase uma centena de vezes. vale mais do que mil palavras. Em resumo, ele foi o justiceiro enviado para devolver ao Sporting a sua grandeza. Uma grandeza que não consiste em receber honras, mas sim em merecê-las. Como um dia enunciou William Shakespeare.
Tenor "Tudo ao molho...": Maxi Araujo
