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A Poesia do Drible

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

A Poesia do Drible

11
Mai25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

A Última Tanga na Luz


Pedro Azevedo

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Desde que o Marlon Brando - é favor não confundir com aquele que numa das originalidades tão típicas do povo brasileiro foi baptizado como Marlon Brandão e jogou por nós, que igualmente tinha queda para a representação, ou melhor, representava bem a queda (na área), mas não necessariamente devido a escorregar na manteiga - contracenou com a Maria Schneider em O Último Tango em Paris que se tornou comum apelidar exibições fora do comum de jogadores argentinos em pré-reforma como "O Último Tango". E, para não se confinar à Argentina e ao tango, a coisa depois generalizou-se à dança, como é exemplo o excelente "The Last Dance", da Netflix, que tem como foco Michael Jordan e os Chicago Bulls (de Pippen e Rodman, também). Mas falava-vos do Último Tango porque, na antecâmara do Benfica-Sporting, a imprensa agitou muito a possibilidade de o Di Maria se poder despedir em glória ou beleza. E, caso não o conseguisse, ainda lá estaria o Otamendi para ser o protagonista. Já sobre o Sporting, a mesma imprensa concentrou os seus prognósticos quanto a herói no Gyokeres. Por cinquenta e duas razões, o que me pareceram razões mais do que suficientes para suportar a visão de tais cassandras. 

Bom, mas uma coisa são previsões, outra, bem diferente, é um jogo em si. Veio então o jogo que podia decidir tudo e para qualquer um dos lados. E a primeira coisa que há que contar é que o Di Maria saiu ao intervalo sem glória e que o Otamendi devia ter saído ainda mais cedo, por volta do quarto de hora, fizesse o inefável João Pinheiro um bom uso do apito. Por outro lado, o Gyokeres também não conseguiu fazer muita diferença, embora o lance do golo madrugador do Sporting tenha sido todo fabricado por si até ter sido entregue a Trincão para ser transformado. Pelo que dos parágrafos supra se conclui que não houve Último Tango, ao mesmo tempo que se deduz ter havido, sim, uma última tanga protagonizada pelo melhor árbitro de Portugal Continental, Madeira e Açores, que mais uma vez se mostrou à altura do cartel que o país inteiro consagrou e a UEFA e FIFA teimosamente insistem em não querer ver. Uma má vontade, certamente, que o apagão arbitral na Luz deveu-se a um pico de tensão motivado pelo excesso de produção de renováveis (é impressionante a forma como o Conselho de Arbitragem renova de derby para derby, de Clássico para Clássico, a aposta num mesmo árbitro).

Se os rivais tentassem a sorte no Totobola, o Benfica jogava para uma aposta simples na vitória e o Sporting apostava numa dupla X2. Poder realizar uma aposta múltipla era uma vantagem para os leões, mas as águias tinham o factor casa do seu lado, pelo que cedo se percebeu que o jogo seria decidido nos detalhes: o Trincão marcou no seu estádio talismã aquilo que tarda em fazer no seu próprio estádio, o Diomande e o Quaresma escorregaram e o Benfica empatou, o João Pinheiro engoliu o apito na lance de Otamendi sobre o Pote no exactíssimo momento em que o VAR precisou de ir à casinha e o Sporting não matou o jogo e o campeonato aos quinze minutos na Luz. Reclama porém o Benfica um daqueles penáltis da tanga, formal e informalmente. Formalmente, porque não seria crível que um jogador expulso pudesse ser ressuscitado para o jogo a tempo de que sobre ele viesse a ser cometido um hipotético penalty. De forma informal, na medida em que a encenação de queda do Otamendi foi mais digna de um canastrão de filme de série B(enfica) sul-americano do que de um com todo o mérito campeão do mundo. 

No final, o jogo que tudo decidiria deixou tudo em aberto para a última jornada. Salvou-se o Benfica de um match-point no seu serviço e safou-se o Sporting de entrar no tie-break em profunda desvantagem. Agora fica tudo adiado para o Vira minhoto, com Braga e Guimarães a irem decidir a sorte dos dois rivais de Lisboa. Apesar de tudo, o Vira sempre tem mais mérito do que o Tango, perdão, a tanga... 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Hjulmand. Menção honrosa para Quaresma 

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