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A Poesia do Drible

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

A Poesia do Drible

05
Out23

Tudo ao molho e fé em Deus

Amorimtro(i)ka e o Muro de Bérgamo


Pedro Azevedo

A Selecção do Brasil nunca foi conhecida pela sua fisicalidade, chegou até a ter craques (Garrincha) que dificilmente seriam dados como aptos em termos médicos nos dias de hoje, mas mesmo num tempo em que a protecção aos jogadores não era a que existe actualmente venceu 3 Mundiais em 4 edições. Porque se tens bola e a sabes esconder do adversário, pouco importa a envergadura do teu oponente (ou a grande envergadura do teu oponente até pode jogar a teu favor, se tiveres um centro de gravidade baixo). Pensei nisso hoje ao ver o Sporting embater constantemente contra um muro que veio de Bérgamo durante a primeira parte. Um jogo que não foi bem preparado estrategicamente, na medida em que, se os italianos defendem homem a homem, então são necessários jogadores com talento e capazes de segurar a bola e de partir para o 1x1. Só que esses jogadores, à excepção de Gyokeres, estavam no banco e quando entraram já perdíamos por 2 golos de diferença. 

 

Na primeira parte notou-se algo que já não é a primeira vez que aqui aponto: Hjulmand não antecipa os lances como um "6", limita-se a cobrir o espaço que muitas vezes não é sequer aquele de que a equipa necessita que seja ocupado, mas sim o que o adversário lhe induz. Conclusão: passou o tempo a cheirar a bola. Além disso, em posse, foi incapaz de decidir rápido, para o que também contribuiu alguns problemas na recepção, tendo sido absolutamente cilindrado pelo meio-campo da Atalanta. Com Paulinho e Pote a não conseguirem segurar a bola, entre maus passes e perdas em duelos directos, a Atalanta esteva sempre a partir para cima da nossa defesa, valendo as intervenções de Gonçalo Inácio (principalmente) e de Diomande para que o resultado não se avolumasse. O jovem internacional luso aliás destacou-se também em inúmeros passes entre-linhas que Pote (essencialmente) foi desaproveitando. 

 

As entradas de Geny e de Edwards (a Amorimtroika ficou completa com Coates) mexeram com o jogo. Finalmente tivemos alguém capaz de partir para cima do adversário directo e superá-lo. Como os italianos marcavam 1x1, qualquer ultrapassagem a essa marcação criava uma situação de desequilíbrio a nosso favor. Elementar, não é? Esse desgaste a que passaram a estar submetidos, associado ao esforço despendido no primeiro tempo, encostou os bergamascos às cordas, valendo então o mau aproveitamento de Edwards e o azar de Geny em dois lances que podiam ter restabelecido a igualdade ao marcador. Antes, Gyokeres já havia reduzido em mais uma conversão imaculada de uma grande penalidade. Houve assim uma janela de oportunidade que se abriu, mas infelizmente fechou-se a partir do momento (últimos 10 minutos) em que a nossa equipa deu o estouro fisicamente, que uma coisa é ser franzino e isso notar-se no choque, outra é não ter pedalada ("endurance") para aguentar ritmos altos durante os 90 minutos. 

 

Deste jogo ficam em síntese 6 notas: 1) Geny Catamo parece bem mais promissor como interior do que como ala; 2) Coates ainda faz falta à equipa, com a sua serenidade, experiência e voz de comando; 3) Precisamos de um médio repressivo, capaz de impôr a sua presença num raio de acção relativamente alargado; 4) À segunda queda que o árbitro não sancionou, Edwards começou a ficar de pé. Necessitamos de uma cultura de jogo que revolucione a mentalidades dos jogadores e aumente o seu nível de exigencia; 5) No momento em que era preciso pôr a carne toda no assador entraram Esgaio e Bragança (os jovens Rodrigo Ribeiro e Tiago Ferreira ou estão preparados ou então não faz sentido que estejam no banco); 6) O Sporting continua a falhar na abordagem de diversos jogos europeus, o que revela mau planeamento e falta de ambição. Hoje parece que nos preocupámos mais com os equilíbrios do que em desequilibrar a Atalanta.

 

Boa arbitragem no geral, mas Tolói devia ter visto um segundo amarelo na parte final do jogo (agarrão a Gyokeres). O Muro? Abanou, mas não caiu.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Geny Catamo

 

PS: Tendo em conta que precisamos de rendimento imediato, já entenderam porque defendi aqui Zanoli como primeira opção para lateral/ala direito?

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