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A Poesia do Drible

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

A Poesia do Drible

04
Set23

Tudo ao molho e fé em Deus

Caça Grossa no Dragão e Pedreira


Pedro Azevedo

Começo a escrever esta crónica enquanto aguardo pelo desenlace do jogo no Dragão, confronto que só se iniciou há precisamente 19 horas e 25 minutos, pelo que é muito provável que entretanto o Porto venha a marcar através do 37º penálti assinalado a seu favor na sequência de mais um mergulho do Taremi ou, caso o Arruabarrena continue obstinadamente a não estar pelos ajustes, por via de lance com claro fora de jogo e interferência activa por parte do infractor, assim ultrapassando Sporting e Boavista e isolando-se na liderança do campeonato. A razão do atraso nesta publicação deveu-se a um problema técnico na bateria no meu computador, aVARiada, que afectou a comunicação com os Leitores. Sempre na vanguarda da verdade desportiva, procurei contornar a situação através do uso do telemóvel, mas temi o Vosso protesto devido às partidas que o corrector ortográfico do meu iPhone me costuma inflingir, coisas do género de trocar o farsi (do Taremi) pela farsa. Assim, na esperança de não ter de repetir esta crónica, aqui vai finalmente o meu testemunho sobre Caça Grossa, o safári da moda em que a presa é o Gyokeres, ontem em exibição na Pedreira:

 

Diga-se em abono da verdade que o guia Niakité nos procurou proporcionar belas imagens, cutucando o "Búfalo" no fito de assim suscitar a sua ferocidade. Só que o bom do Gyokeres, mais preocupado com uma bola que andava por ali, não lhe ligou nenhuma, ainda que o Niakité lhe tenha tentado despertar a atenção com malabarismos circenses do género de enrolar-se no chão com ou sem bola como se de uma foca se tratasse e o palco fosse o Zoomarine. Entretanto, aproveitando os radares apontados ao Gyokeres, o Diomande foi progredindo sem marcação pela savana bracarense até encontrar o Pote. O que aconteceu a seguir foi mais um momento de pura magia de um génio a quem um dia talvez venha a ser concedido o privilégio de vestir a mesma camisola das quinas que essa estrela do firmamento futebolístico que dá pelo nome de Toti Gomes, habitual suplente do Wolves, usa. Residem porém dúvidas sobre a legitimidade do lance, na medida em que o Matheus se interpôs com a baliza. Como procurou, mas não conseguiu, evitar a marcha da bola, só podia estar claramente em fora de jogo posicional... De seguida, marcámos o segundo. Foi do Hjulmand, em tiro raso e sem hipóteses. Mas o VAR apontou baterias (uma novidade!!!) à anulação. Justificação: um fora de jogo passivo, o que, dada a jurisprudência do Dragão, ficámos a saber ser bem mais grave do que um fora de jogo activo. Alegadamente, o Matheus não viu a bola partir. Eu diria que nem a viu chegar, tal a potência do disparo. Mas, enfim, aceitar-se-ia em termos absolutos, que não relativos (Dragão). E como uma competição se joga em vários campos... (Sobre o ângulo de visão do guarda-redes talvez não fosse má ideia os árbitros do CA fazerem uma reciclagem com os pilotos de F1, que têm de conduzir com um halo que tem um veio à frente dos seus olhos. Se não aprendessem nada, pelo menos sempre seriam despachados a grande velocidade.)

 

O jogo estava a correr-nos de feição. Ora, quando algo parece bom demais para ser verdade, nós tendemos a complicar. E foi isso que mais uma vez aconteceu. Perdendo-se inúmeras transições com o Braga perfeitamente à nossa mercê. Ligando o complicómetro, com os inefáveis Edwards e Trincão mostrando a sua total inconsequência. E com Amorim a ajudar, nas substituições. Como quando lançou Bragança no relvado. Quer dizer, é impossível não gostar do toque refinado do Daniel, ideal num 4-3-3. Mas nós jogamos só com dois médios centro, razão pela qual se pede físico e intensidade a esses jogadores. O Bragança não os tem e procura compensar esse défice com alma. Já se sabe, a alma faz falta, e o Daniel é useiro em fazê-las, algumas delas à entrada da nossa área. Não é um dado novo. Ontem, de uma delas resultou o golo do Braga. Marcado pelo Álvaro Djaló, que curiosamente entrou mais ou menos ao mesmo tempo que o Trincão, que substituiu o Pote para executar um livre idêntico: concentradíssimo, ajeitou a melena para a esquerda e para a direita num momento Pantene que deixou os Sportinguistas pelos cabelos,  disparando para a bancada. Pelo que o momento do jogo foi o minuto 72, em que o Braga mexeu bem e o Sporting mal a partir do banco. 

 

O CA fez um novo Comunicado. Novamente 3 pontos nesse Comunicado, que a juntar a outros 3 de um jogo do Sporting dão um total de 6. A manter esta média (1,5 pontos/jogo) é natural que não desça de divisão, que é como quem diz de categoria, o que será uma lástima para o futebol português. Depois do Casa Pia, agora o Casa (ou caso) Pilha. Assim vai o futebol português. [No Dragão, o CA esclarece que não havia corrente eléctrica na única tomada acessível na área de revisão do árbitro e o gerador (UPS) não tinha bateria.]

 

Tenor "Tudo ao molho...": Diomande

pote braga.jpg

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