Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

A Poesia do Drible

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

A Poesia do Drible

12
Fev24

Tudo ao molho e fé em Deus

Muita largura de banda e mobilidade 5G


Pedro Azevedo

O Braga é uma equipa que futebolisticamente foi montada de frente para trás, o que na construção, sector caro para o seu presidente (e possivelmente caríssimo para os credores da Britalar), significa edificar uma casa pelo telhado, sem fundações. Improvisando, Artur Jorge procurou limitar o prejuízo ao colocar 2 ou 3 pilares como escora a fim de evitar que o furacão Gyokeres soprasse e o tecto ao cair lhe reabrisse a moleirinha já fechada em bebé. Ora, já diz o povo na sua infinita sabedoria, quando a manta é curta, tapa-se a cabeça e descobrem-se os pés. E o Braga, ao proteger-se da acção superior de Gyokeres, ficou exposto à intensa ventania produzida pela restante equipa do Sporting que lhe escancarou o hall de entrada. Na verdade, foi um suicídio, como nos livros do Ásterix quando o chefe dos piratas afunda o navio só para não sofrer com a abordagem do Óbelix. É que o Gyokeres parece ter caído no caldeirão da poção mágica em pequenino, tal a sua potência, e o medo que inspira nos adversários ficou bem expresso na forma como mobilizou a atenção do treinador dos bracarenses, dando razão a John Locke quando disse que "as acções dos homens são as melhores intérpretes dos seus pensamentos". Pelo que, sagaz e consciente, o Artur Jorge, na preparação do jogo, perante a inevitabilidade da derrota, escolheu a forma como quis perder. Deixando assim o aviso à navegação, restando tentar entender de que forma quererão os treinadores nossos adversários perder no futuro: se fazendo brilhar o colectivo do Sporting ou se promovendo mais uma epopeia do nosso deus sueco. A mim, dá-me igual.

 

Com o Artur Jorge em modo de "onde vai o Gyokeres, vão todos" - ainda assim o todo não chegou para impedir que o sueco marcasse o 27º golo da época -, não houve grandes obstáculos às transmissões de bola entre os restantes jogadores. Porém, a vitória leonina só começou a consolidar-se através de uma pressão fortíssima sobre o portador da bola, estratégia que viria a resultar no primeiro golo, marcado pelo Trincão. Depois, o Quaresma imitou o Beckenbauer ou o Baresi e foi campo adentro, começando por fintar dois bracarenses com a maestria de um extremo. continuando a tebelar com o Trincão como se de um médio se tratasse e terminando a cheirar uma bola perdida com o instinto de um matador - um hat-trick de predicados num único golo! Para o segundo tempo o Amorim decidiu esperar pelo Braga. Longa se tornou a espera: o resultado foi que durante longos minutos viu-se Braga por um canudo, que o medo dos minhotos de destapar as costas se sobrepôs à ambição de ser feliz. Como eles não vinham com tudo, houve algum adormecimento dos nossos. Até que numa bola parada o Adán mostrou que não era um holograma a fazer figura de corpo presente. E depois o Álvaro Djaló desperdiçou a única grande oportunidade dos bracarenses no jogo. Tal teve o condão de despertar os leões da letargia, voltando ao ataque. Logo, o Quaresma descobriu o Trincão na ala direita. Este flectiu para dentro e levantou por cima da defesa. O Gyokeres agradeceu a liberdade condicional ou saída precária e atirou à meia-volta sobre o Matheus. De seguida, o Pote serviu o Bragança para o quarto. E ainda houve tempo para um bonito golo de trivela do "Puskas" Santos que passou o risco de baliza do Braga antes que o seu guarda-redes se mexesse. 

 

Com muita largura de banda dada por Nuno Santos e o Geny(o) Catamo, o Sporting conseguiu uma mobilidade 5G (cinco golos) que facilitou as comunicações de Trincão, Quaresma, Gyokeres, Bragança e Nuno Santos com a baliza do Braga. Entretanto, no outro jogo que fez parte da cimeira de Domingo entre Lisboa e o Minho, o Benfica empatou em Guimarães. Ainda que contra 10, como é impositivo nos jogos que envolvem a equipa da águia. [Tal como as Top Models dos anos 80, que não saíam da cama se o cachet não atingisse um determinado faraónico valor, enquanto a todas as outros equipas do campeonato se aplicam as regras do jogo, aos benfiquistas são concedidas "rules of engagement" sem as quais nem pensem que eles ousam meter os pés num relvado. É o Benfica, o glorioso, o PIB e coiso, pá!] 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Eduardo Quaresma. Trincão seria a minha alternativa. 

quaresma scp.jpg

6 comentários

Comentar post

Mais sobre mim

Facebook

Apoesiadodrible

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2024
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2023
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub