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A Poesia do Drible

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

A Poesia do Drible

07
Jan26

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

As Causas dos “Acasos”


Pedro Azevedo

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Rui Borges finalmente deu a titularidade a Flávio Gonçalves, que mostrou bons pormenores técnicos e inteligentes movimentações nem sempre aproveitadas pelos colegas. Depois, no segundo tempo, aceitou com brio uma missão de sacrifício e que até não assentaria bem a um jogador inexperiente que não tivesse um entendimento tão grande do jogo como ele, recuando no terreno para ajudar Maxi a estancar o lado direito do ataque do Vitória. Saiu com o Sporting a ganhar por 1-0, rendido por Morita que não teve mais um dia não porque foi mesmo péssimo, desperdiçando um golo cantado (não acertou bem na bola) e dando o toque imprudente que possibilitou a reviravolta no marcador. Com a saída do Flávio, o Sporting entregou o jogo ao Vitória, aparecendo na frente só pontualmente, em transição, e deixando de impor a melhor qualidade dos seus jogadores e a superior dinâmica colectiva, jogando como equipa pequena. Uma reprise de Barcelos, mas com danos ainda maiores. Evidentemente, as lesões complicaram a nossa vida, especialmente a que vitimou o Quaresma (a saída de Ioannidis também implicou a perda de um jogador capaz de esticar o jogo). Mas o Flávio não saiu por lesão e o Simões e o Trincão também não, este último substituído pelo treinador quando já se sabia que iriam ser jogados 11 minutos adicionais de compensação. Para o seu lugar entrou o Luís Guilherme, recém-chegado, sem ritmo de jogo, conhecimento dos colegas e das dinâmicas da equipa. Estava a leste quando o Vitória entrou pelo nosso lado direito (um bar aberto) e marcou o segundo golo, tal como Alisson no lance do primeiro golo em que o Sporting permitiu um 2x1 no seu lado esquerdo. Antes, mesmo a acabar o primeiro tempo, a 2 metros da baliza e quando o bom senso aconselharia um toque suave na chicha para desviá-la do guarda-redes, o Alisson tentou assassinar o Charles, usando a bola como o móbil (e que "móbil"!!!) do crime. (Há adeptos de futebol, muito apreciadores das correrias do Alisson, que nos dias dos nossos jogos deviam ir para o Estádio Universitário bater palmas aos atletas que evoluem nas pistas de tartã.)

A ideia que tudo acontece por casualidade ou por azar, devendo-se ao aleatório ou ao mau-olhado, faz tão pouco sentido quanto o discurso deprimente (des)conexo do nosso treinador na conferência de imprensa que se seguiu ao jogo, em que não faltou uma pergunta muleta de um jornalista a dar o ar que o que correu mal deveu-se a ter de se apostar na Formação e bom mesmo seria ir ao mercado. A resposta de Rui Borges foi o único momento dessa conferência que fez sentido, mostrando a esse jornalista que não se pode ter um plantel de 40 jogadores quando se recuperarem os lesionados. Não, a casualidade (ou contingência) não tem necessariamente de acontecer, tem a ver com o livre-arbítrio do decisor e é uma construção da mente que resulta da ignorância da suas causas, como defende Leibniz. E o azar, se entendermos que a sorte é quando a oportunidade encontra a preparação correcta,  então ocorre quando surge uma ameaça e não estamos suficientemente preparados para a enfrentar. Como foi o caso de ontem, com substituições essas sim feitas de modo aleatório, cujo eventual único critério foi dar minutos a jogadores e que em cascata produziram o efeito de carambolas de bolas de snooker todas a caírem no nosso saco. Nesse sentido, expressão cara a Rui Borges, fica a nota que todos os jogos que o Sporting não ganhou domesticamente ocorreram com Simões fora do campo (não jogou com Porto e Braga, entrou tarde na Luz e com o jogo já empatado, saiu em Barcelos e com o Vitória com o Sporting na frente). Será por acaso ou porque é preciso insistir em Morita e em Kochorashvili até à morte (à nossa morte, entenda-se)? Aliás, mesmo as escolhas de jogadores da B, excluindo Flávio e talvez Blopa (se este puder ser adaptado a lateral), fazem pouco ou nenhum sentido. Felicíssimo, por exemplo, esta época nunca foi chamado e talvez não perdesse a bola como Kocho num lance que desequilibrou totalmente a equipa. Rayan Lucas impressionou na pré-época, mas desde aí seguiu-se um apagão. E o Mendonça, pilar da B, simplesmente não conta, assim como o Mauro Couto, que, em vez de evoluir face ao muito bom ano anterior, está a regredir, porque demorou-se uma eternidade a chamar o Flávio à equipa principal e assim este tapou-lhe o lugar. Quem parece contar é o Romulus (e não o Muniz, nosso desde sempre), com nome de legionário do Império Romano (talvez por isso lhe pesando as botas), que fomos desencantar ao mercado. O mercado do nosso descontentamento, aquele da "Feira do Relógio" (ou das vaidades), onde não moram os Gyokeres, Hjulmands ou Maxis (ontem, excepcionalmente, com um jogo muito mau). É a nossa atração pelo abismo, mas também a vaidade e sobranceria de uma Direcção que assim vai minando tudo o que de bom anteriormente foi feito. Até ao dia em que se conclua que as boas ideias afinal não passaram dos power-points. O momento "é o que é", e não há narrativa que o possa negar. Mas podemos arrepiar caminho, reconhecer os erros próprios e dar a volta (e não a narrativa) por cima. Haverá vontade e ânimo? Ou o fantasma de Amorim já anda por aí? 

Tenor "Tudo ao molho...": Quaresma (depois dele, o marasmo). 

 

24
Dez25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Vertigens


Pedro Azevedo

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Depois da ameaça de participações à FIFA, UEFA, ONU, Comissão Europeia, Instituto de Socorros a Náufragos, Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) e Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (organismo responsável pela protecção da Águia-Real), que teve continuidade numas quantas visitas de Rui Costa ao Muro das Lamentações - tudo embrulhado na emissão ininterrupta de quantidades de CO2 ("COMUNICADOS") suficientes para poluir inapelavelmente o ambiente desportivo nacional -, o clube da Luz recebeu de presente um penalty com a assinatura do Pai Natal do VAR.  Um ponto (ou melhor, três) a favor de Rui Costa, que fiel ao ditado de que "Quem não chora, não mama" foi capaz de deixar todos os funcionários do seu clube à sua espera para jantar enquanto ele via, com a habitual gula comunicativa, um jogo do rival Sporting. Chorassem! [Para estimular o apetite do Rui, um Comunicado duas vezes ao dia produz-lhe o efeito placebo equivalente à toma de Complexo B(enfica) Forte.] 

 

Confesso que esta coisa de ter o Rui Costa com binóculos de infra-vermelhos em punho sempre a espreitar para nossa casa me incomoda um bocadinho. Desde logo porque se associa muito o Benfica a vouchers mas não tanto a voyeurs (se excluirmos as solícitas "Toupeiras", claro). Por isso, a ideia de sentir o presidente das águias do outro lado da Segunda Circular a fazer-nos vigilância, enquanto fuma dois maços de Marlboro encarnado e rói uns torresmos bem durinhos que o Mourinho lhe preparou num Tupperware para as vigílias nocturnas, faz-me lembrar umas cenas do "Vertigo", do Hithcock, com um Rui Costa muito obcecado e cheio de medo (e de vertigens) do patamar alto em que o Sporting tem estado neste último triénio. 

Para continuar em alta, o Sporting precisava de entrar no Natal com uma vitória em Guimarães. Sem Pote e com Rui Borges renitente em apostar num jogador com características semelhantes (Flávio Gonçalves), preferindo assim mudar a forma de jogar da equipa (inclusão de mais um ponta de lança) enquanto espera também ele por um presente do Pai Natal Var...andas que objectivamente será um castigo de Sísifo aplicado ao trabalho da Formação. 

Como bom grego que é, Ioannidis não é homem para se pensar que não parte um prato. Pelo contrário, se o deixarem, quebra mesmo a louça toda. Dizem que dá sorte! Vai daí, esteve em 3 golos do Sporting, mostrando que não é só um jogador de procura de "profundidade" (o Júlio Verne e as suas 20.000 Léguas Submarinas são uma inspiração para o jornalismo desportivo, também ele à míngua de um Capitão Nemo que o salve do naufrágio) mas também tem técnica e visão de jogo para actuar atrás do ponta de lança. Além de que há anos que não tínhamos um ponta de lança tão bom de cabeça, o que é uma valência que acumula com uma frieza na hora da finalização que não tem comparação com a de Suarez (enquanto a baliza para o grego é o Rossio, ao colombiano, em tudo o resto um bom jogador, assemelha-se à Rua da Betesga).

 

Com Rui Borges mais uma vez a surpreender através de uma dinâmica nova, com Maxi mais por dentro e Mangas como "cavalo à solta a galopar contra a ternura" (Ary dos Santos) em todo o corredor esquerdo, o Sporting conseguiu uma superioridade numérica no meio campo através do uruguaio e de Simões, Trincão e Ioannidis, havendo sempre um homem livre a encontrar espaço dentro do bloco do Vitória. Isso, associado ao bar aberto que constituiu o lado direito da defesa do Vitória, esteve na origem da vitória gorda do Sporting, que, quando parecia que tudo estava na paz dos céus, chegou a ser ameaçada por um Arcanjo dissidente e com um nome (Telmo) que nem consta na Bíblia, certamente por não ser portador de boas notícias. Também não ajudou ao Sporting o facto de Rui Silva ter aberto a capoeira... 

 

Esta coisa de um Arcanjo desavindo pôr em causa a vontade de Deus deu logo azo à aplicação da Lei do Talião: olho por olho, frango por frango, a punição ao Vitória surgiu através de uma punição exactamente proporcional ao dano a nós causado. Um caso de Justiça Retributiva, mas sem a participação da AT. Tempo ainda houve para Maxi colocar o 4-1 final no marcador, num jogo em que o mago Trincão encantou no esplendor de toda a sua fantasia.  

Entretanto, na Luz, sozinho no seu gabinete e de televisor já arrancado intempestivamente da ficha, por entre sinais de fumo enviados a Mourinho a pedir explicações para os 11 golos de diferença face ao rival lisboeta (estas coisas fazem-se em código), Rui Costa prepara a redação de mais um Comunicado para a noite de Consoada. Para consumir com o bacalhau (mas já sem o Brás para lhe fazer companhia)...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Trincão 

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