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A Poesia do Drible

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

A Poesia do Drible

27
Mai25

Os 7 Mandamentos


Pedro Azevedo

Não é que o Benfica não tenha razão de queixa naquele lance disputado entre Matheus Reis e Belotti, mas tomar a árvore pela floresta e reagir com um enunciado tipo "Os Sete Mandamentos" (no Benfica destas últimas épocas é natural que 3 pontos fiquem pelo caminho quando o oponente é o Sporting, razão pela qual o "Moisés" de Carnide há muito que anda a dividir o Mar Vermelho) não só é excessivo como visa essencialmente tapar hoje o sol com a peneira para mais tarde ver cumprido o direito peneirento, de quem se acha ungido à nascença, de ter o único lugar ao sol disponível só para si. Nesse sentido, não deixa de ser curioso que praticamente ao mesmo tempo que saiu o Comunicado, um conhecido adepto benemérito do Benfica como César Boaventura tenha apresentado uma queixa-crime contra Matheus Reis. Em nome da verdade desportiva referida no tal Comunicado, crê-se. Só falta mesmo outro buliçoso adepto benfiquista, de seu nome Paulo Gonçalves, denunciar o VAR Tiago Martins para o ramalhete ficar completo e todos ficarmos sossegados e de consciência tranquila quanto ao futuro cumprimento de regras e de procedimentos, bem como a comportamentos éticos irrepreensíveis. Se bem que, na verdade, quase todas as pessoas têm memória, excepto Rui Costa que se lembra muito pouco do período em que fez parte da administração de Vieira, embora o presidente do Benfica pense que nós é que fomos todos intervencionados com uma lobotomia. Daí partir para um Comunicado onde objectivamente o Benfica se julga maior do que o país, na circunstância representado pelo Estado, arrogando-se ao direito de unilateralmente suspender negociações que visam o oumprimento do estipulado numa lei portuguesa e auto-determinando a interdição do seu estádio aos jogos do seleccionado português até a "verdade desportiva" ser reposta segundo o julgamento do clube, claro está.  Como diria o William Blake: "Como saberes o que é suficiente, se não souberes o que é demais?". Objectivamente, o Benfica foi longe de mais no tal Comunicado e sabe-o. Não obstante, acha-se impune, o que não constitui novidade. Assim como não é nova a construção de uma narrativa de vitimizaçáo por parte de alguém que sente o chão a fugir-lhe dos pés e necessita de um spin comunicacional para desviar as atenções dos seus apaniguados, procurando assim transformar uma derrota no Jamor numa vitória futura, nesse transe vendo o desvario de Matheus Reis como uma oportunidade caída da céu ou uma boia salva-vidas lançada pelo Instituto de Socorros a Náufragos. 

moises.jpg

09
Set23

Oval da Verdade


Pedro Azevedo

Começou ontem o Campeonato do Mundo de Rugby, o segundo maior evento desportivo à escala mundial. Para aperitivo tivemos um luxurioso França-Nova Zelândia, em Paris, como jogo inaugural. Os gauleses venceram (27-13), o que se traduziu na primeira derrota dos míticos All Blacks numa fase de grupos em mundiais. Portugal também está presente, naquela que é apenas a sua segunda participação em campeonatos do mundo. Curiosamente, a primeira igualmente ocorreu em França, em 2007. Os "Lobos" estrear-se-ão no próximo Sábado, dia 16, contra o País de Gales. 

 

Ao contrário do que acontece no campeonato português, no rugby a este nível as comunicações do VAR podem ser escutadas (e escrutinadas) por todos os espectadores, no estádio ou por via da televisão, em tempo real. Não consta que haja motins à conta disso... Pioneiro na introdução na Europa da ferramenta do vídeo-árbitro, no que acompanhou uma prática antiga da NFL, o rugby cedo se destacou na procura da verdade desportiva, transparência e credibilidade das competições (a que se associa o fair-play dos jogadores). Infelizmente, por cá, no futebol, a revolução vai-se fazendo aos soluços, sempre com as habituais reticências, hesitações e desrespeito por quem paga: o espectador. Se no futebol a luta pela verdade desportiva é um embate permanente contra uma montanha, no rugby encontramos um vale da verdade. Ou uma oval da verdade. (No futebol a bola é redondinha, mas essa é a única perfeição que correntemente se pode associar a este desporto.)

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