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A Poesia do Drible

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

A Poesia do Drible

19
Dez25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

A Modernidade Líquida de Bauman


Pedro Azevedo

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Sob o impulso de uma cabeça brilhante (Pedro Proença), o Renascimento Tuga voltou ontem a dar ao mundo um glorioso exemplo de como por cá brotam em catarse as ideias mais inovadoras: nos Açores, a Taça de Portugal ganhou um toque de modernidade com a introdução mundial dos três prolongamentos (em bom rigor, um "varlongamento" a anteceder dois prolongamentos). A concorrer para essa novidade esteve uma unha (en)cravada de um jogador do Santa Clara no pescoço sensível do Hjulmand. Dada a proximidade com a carótida esquerda do dinamarquês, dizem as más línguas que a delicada operação terá sido entregue à precisão do bisturi de um reputado cirurgião, mas "A Poesia do Drible" está em condições de garantir ao Leitor que a intervenção foi tão só conduzida por uma manicure de Ovar, o que justificará os 15 minutos de tagarelice perdidos e a coscuvilhice que se lhe seguirá durante semanas, com o clube da mão de Vata, da Taça da Carica, dos vouchers, Mala Ciao e das toupeiras logo a emitir um comunicado onde se queixou da desventura (e não Boaventura) e aquele italiano que fala "ingalês" em Portugal (é sempre curioso ouvir um italiano a falar "ingalês" em qualquer parte do mundo) a dar uma alfinetada na Modernidade Líquida de Bauman, em que a ciência e a técnica se sobrepõem à incessante busca da verdade consubstanciada em ancestrais tradições como as do "Golden Whistle", sendo esta um último resquício da Modernidade Sólida que em Portugal perdurou até ao primeiro lustro do novo milénio (em Portugal há tradições que demoram sempre mais um bocadinho a serem erradicadas).  

Todos aqui sabem que sou um grande defensor do trabalho do nosso treinador, mas ontem Rui Borges fez quase tudo o que estava ao seu alcance para perder o jogo. Comecemos pelo fim (para variar): nas últimas semanas, vários adeptos do nosso clube vêm-me sugerindo que lançar o Flávio de início seria queimar o jogador, que o mais recomendado seria pô-lo em campo só quando os jogos já estivessem resolvidos a nosso favor, de preferência após as torres de iluminação se apagarem e tudo (acrescento eu). Pois bem, depois de desperdiçar mais de uma hora com aquele electrizante sósia do James Brown que desconhece por completo a razão pela qual os ingleses (que criaram o jogo) designam o futebol pelo termo "association" (é mais um réu do solo do que um rei do soul) e de ter perdido o controlo do jogo com a troca de Simões por Kochorashvili, Borges decidiu finalmente mandar o Flávio para o relvado como o salvador da pátria, aos 90 minutos e com a equipa em desvantagem no marcador. Não foi um queimanço qualquer, mas sim um crematório inteiro, o que demonstra como todos os considerandos sobre o tema partiram de um pressuposto errado, que na verdade a gestão de Rui Borges obedece a uma burocrática pirâmide vertical de múltiplas hierarquias onde na base se encontra a Formação (foi preciso perdermos 7 pontos no campeonato para o Simões ser indiscutível para o treinador). Contudo, como a verdade é tal qual o algodão, o jovem logo se destacou com 2 passes açucarados para golo, um evitado in-extremis por um açoriano, outro ingloriamente desperdiçado pelo Ponytailshvili, entre outras combinações interessantes com o Ioannidis (com o Mangas não há combinações possíveis, apenas arranjos ou remendos, que ele só obedece a estímulos como o da lebre mecânica nas corridas de galgos). 

Mas não foi só o Borges que esteve em dia não. O Inácio, por exemplo, entrou em campo com uma bomba relógio no lugar do GPS, ameaçando fazer-se explodir (e tudo à sua volta) de cada vez que a bola se acercava de si. Pelo que o Quaresma teve de ser um Ministro da Defesa actuante, que liderou pelo exemplo, saindo do gabinete para no terreno tratar de desmontar a maioria das múltiplas minas e armadilhas que o Inácio lhe colocou pelo caminho. Com o Trincão a evidenciar toda a sua classe... turística, a nossa esperança residia ainda assim no Maxi, só que este viu-se obrigado a jogar fora da sua posição, produto de um arranjo táctico de Rui Borges que privilegiou que o Alisson mantivesse a sua posição na esquerda (não admira que a esquerda esteja como todos sabemos). 

Do jogo retira-se de positivo um grande golo de Simões, numa acção de "campião" (campeão já ele é) em que primeiro amorteceu a bola e depois inverteu o seu movimento para rodar no sentido dos ponteiros do relógio e meter a bola à hora certa dentro da baliza do Santa Clara. E depois houve a confirmação de Ioannidis como temível goleador de cabeça, marcando o golo que nos deu a passagem à próxima eliminatória. O resto expôs à saciedade a razão pela qual um brilhante táctico como Rui Borges ainda não é consensual, qual general preso no seu próprio labirinto de hierarquias com que procura manter o balneário satisfeito (e a Formação na cave). 

Tenor "Tudo ao molho...": João Simões 

22
Nov25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

In vitrum, veritas


Pedro Azevedo

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No meu tempo de criança, os miúdos sonhavam jogar em grandes palcos como o José Alvalade. Como são mais as vezes em que se sonha com os olhos fechados do que aquelas em que eles estão bem abertos, havia momentos em que a bola se transviava e acertava numa montra. A ocorrência permitia treinar questões de segurança como a rápida evacuação do improvisado recinto "desportivo" (nesse tempo denominado de "rua"), bem como praticar o sprint na fuga ao dono da loja. Lembrei-me desses sonhos de criança ao tentar captar o sentimento da maioria dos jogadores do Marinhense na antevisão da visita a Alvalade, muitos deles a pisarem a relva de um estádio grande pela primeira vez. 

 

O Marinhense trouxe o autocarro até Alvalade e o Sporting cedo procurou fazer a bola atravessar o seu pára-brisas. O Trincão conseguiu-o em duas ocasiões, mas, como a reposição do vidro não é um problema na Marinha Grande, os leirienses nem necessitaram de ir à Carglass. Salvador Blopa e Quaresma, respectivamente, foram os assistentes do primeiro e segundo golo: enquanto o Quaresma esteve majestoso a defender, o Salvador evidenciou-se pela qualidade do cruzamento, levantando a dúvida se não será já hoje uma alternativa vantajosa a Vagiannidis e a Fresneda para a posição de lateral direito.

 

Um outro jogador em destaque foi o Rodrigo Ribeiro, um miúdo com pés de veludo e compostura de craque, que se movimentou muito bem na frente do ataque e acabou por ser uma vítima da ausência do VAR (golo aparentemente mal anulado). Em contraposição, o Morita está absolutamente fora dos níveis mínimos exigíveis de rendimento. O que se passa com o nosso "Tsubasa"?

Quanto ao Marinhense, o seu dia teve tudo a ver com o material cerâmico que é ex-libris da cidade onde o clube se insere: o vidro é frágil, sim, mas tem brilho, e brilhante foi a resistência de um clube do quarto escalão do futebol português contra o bicampeão nacional. 

Tenor "Tudo ao molho...": Trincão 

19
Out25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Conta-me histórias…


Pedro Azevedo

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Houve um tempo em que visitar Paços de Ferreira era um sinal de mau agoiro. Aí, enquanto campeões em título, chegámos a ser goleados por 4-0 (2002/03), por exemplo. O Paços já não é o que era e o Sporting actuai é bem mais consistente do que nesses tempos, mas ontem foi preciso bater três vezes na madeira (uma delas com a ajuda de um "Castor") para sairmos da Capital do Móvel (faz sentido!) com a qualificação para a próxima eliminatória. 


Mais do que contrariar a lógica, o futebol destrói até o mais elementar silogismo aristotélico. Senão vejamos: há cerca de mês e meio atrás, a equipa B do Sporting espetou três golos (as tais 3 pancadinhas que dão sorte...) sem resposta nos pacenses, em jogo a contar para a Segunda Liga. Tomemos essa como a primeira proposição. Ora, se é só senso comum que a nossa equipa principal é teoricamente superior à B (segunda proposição), logo o jogo de ontem deveria ter terminado com uma goleada dos Leões (mais de 3 golos de diferença). Mas não... 

 

Fala-se muito da mudança de sistema como explicação para os piores desempenhos do Sporting. Rui Borges defende-se com as estatísticas, que mostram um Sporting que cria mais e concede menos oportunidades. O problema é que essas oportunidades que concede, geralmente produto de erros individuais, são normalmente fatais. Desde logo porque já não há o central extra que escondia melhor os erros individuais que hoje saltam mais à vista e prejudicam o colectivo. Não se pense porém que o sistema é a origem de todos os males, porque não o é. Os erros de casting de Rui Borges têm sido mais do que muitos, com especial incidência no meio campo, e esse é o maior problema. Não é só a opção de prescindir de um central para fazer entrar um lateral que não faz a diferença (e o Travassos mesmo ali ao lado... Vagiannidis não faz a diferença para Fresneda, o que quer dizer que não faz também a diferença num jogo), o ostracismo a que vem confinando o Simões é um caso de estudo de como o estatuto pode influenciar as escolhas de um treinador. Um distúrbio psicológico conhecido por Martinice, por afectar primeiramente o actual Seleccionador nacional. Sem um meio campo que filtre e com uma defesa ad-hoc, que não respeitou a linha de fora de jogo e raramente esteve alinhada (o que não acontecia com Ruben Amorim), com Vagiannidis nesse particular a abusar do mau posicionamento e Quaresma e Diomande a excederem-se nos erros individuais, o Sporting mostrou muito pouco rigor e expôs-se ao que o Paços ofensivamente conseguisse fazer. Por isso, os Castores, ainda sem vencerem esta época, estiveram por duas vezes em vantagem no marcador, ainda que as suas limitações fossem por demais evidentes. Valeu-nos então o grego Ioannidis, herdeiro de um tipo de jogo que nos valeu três campeonatos, que tanto soube explorar a profundidade como servir apoios a quem vinha de trás. Por isso esteve nos 3 golos, com uma acção preponderante no primeiro (houve um penalty sobre ele antes de a bola sobrar para Pote), um cabeceamento mortal no segundo (um "plus" face a todos os nossos avançados neste último triénio)  e estando na linha da bola na assistência de Fresneda para o terceiro, que um pacense tentou até à última impedir sem  conseguir evitar introduzir a bola na sua própria baliza. 

Foi pobre o jogo do Sporting e paupérrima vem sendo a nossa ideia de participação na Champions, encarada como uma forma de ganhar uns cobres, com a concomitante ideia peregrina de poupar jogadores na maior competição planetária de futebol, nesse transe relegada para um plano inferior a uma "Taça da Carica" (Taça da Liga). Algo inadmissível (e insólito) num clube que tem como lema "Tão grandes como os maiores da Europa" e que bem precisaria de fazer valer a sua marca na grande montra do futebol. Porém, tanto disparate vem produzindo uma virtude: é uma oportunidade para vermos em acção o João Simões, um miúdo, tal como outros miúdos como o Flávio Gonçalves ou o Mauro Couto, com quem efectivamente Rui Borges não conta, o que dá razão àquela expressão de William Bruce Cameron, quando disse: "Nem tudo o que pode ser contado, conta". E sobre Simões, não houve até hoje ninguém capaz de nos contar tantas histórias como o mister Rui Borges. Histórias que acabam com uma moral: o miúdo a assistir na bancada (Braga) ao jogo dos mais velhos - "É o que é!"

Tenor "Tudo ao molho...": Fotis Ioannidis

26
Mai25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Dobradinha para o jantar


Pedro Azevedo

Em Portugal, o inho e inha não são meros diminutivos, usam-se essencialmente como demonstração de carinho ou válvula escapatória de culpa. Assim, é com o mesmo propósito de tirar o ar a um balão que um português trata uma pratada de cozido, que daria para alimentar uma família inteira durante uma semana, como um cozidinho. Ao mesmo tempo que lhe mostra o seu amor. O mesmo ocorre com a feijoadazinha, as favinhas ou... a dobradinha. Esta leveza que opomos propositadamente ao peso é muito portuguesa de Portugal. No Brasil são usados aumentativos como "ão" para sublimar e vender o peso, em restaurantes do tipo Chimarrão ou Porcão e shows televisivos como o Faustão, mas cá não. Pelo que no Domingo, em Portugal, houve festa rija de Taça nas matas do Jamor. E para o jantar, uma dobradinha, assim mesmo, com sufixo a jeito de um oxímoro, como quem quer a todo o custo evitar uma indigestão após mais de duas horas e meia a enfardar. Também porque, esta época, as coisas boas para o Sporting vieram aos pares: bicampeonato  e campeonato e taça na mesma temporada. O que o Benfica procurou denodadamente evitar, no seu Jamor de Perdição, que bem poderia ser um romance melodramático do Camilo Castelo Branco. 

O Sporting começou bem e durante um quarto de hora conseguiu ligar o seu jogo por dentro. Mas depois veio um penalty contra, revertido pelo VAR por fora de jogo anterior, e com ele a dúvida. Dividido entre continuar a atacar ou melhor guarnecer a sua defesa, o Sporting descompactou-se, alongou-se no campo e abriu brechas no meio campo por onde o Benfica foi sempre encontrando espaços. E assim, durante os restantes 75 minutos, o nosso rival foi sempre superior. Valeu-nos então o Rui Silva, excelente contratação do inverno do nosso contentamento em que também chegou o Rui Borges. Sofremos um golo e poderíamos ter sofrido outro logo de seguida, se não tivesse havido uma falta prévia sobre o Trincão. Sem na altura se perceber, o Trincão começava a deixar o seu nome na Taça: primeiro a evitar que o adversário se destacasse ainda mais no marcador, mais tarde a fazer a diferença a nosso favor. Com o aproximar do fim do jogo, o futebol foi substituído pelo circo, o Benfica montou a tenda e foram mais os números de palhaçadas de quedas no relvado do que de jogadas. O jogo parava constantemente, e por cada interrupção entravam em campo os maqueiros do INEM, voluntários do Instituto de Socorros a Náufragos, avaliadores de sinistros de companhias seguradoras e médicos legistas, em suma, um sem número de não intervenientes directos no jogo. Todos à espera de mais uma palhaçada de Otamendi, sempre expedito a pedir as boas graças do árbitro, qual foca perante a audiência do Zoomarine. Até que durante uns segundos ninguém caiu e o Trincão viu uma nesga de terreno por onde se escapulir até servir o Gyokeres. Arrancou o sueco e logo se pensou que o António Silva faria contenção ou o mandaria para o chão. Mas não, o António não resistiu a ir ao encontro da bola e assim ficou fora dela. Veio então o Renato, qual elefante em loja de porcelana, e partiu a louça toda. Penalty! - assinalou o árbitro. Logo o Gyokeres converteu. Sem fazer o suficiente para isso, o Sporting empatava, mesmo no finzinho, um jogo que merecia perder. Veio o prolongamento. 

O tempo extra trouxe-nos uma equipa destroçada psicologicamente (Benfica). A cara disso mesmo era o Di Maria, que não teria jogado o seu último jogo doméstico pelo Benfica, caso o Sporting não tivesse igualado. Acresce que, quando o argentino entrou, os encarnados já perdiam: foi na sequência de um canto, após Samuel Soares ter evitado novo golo do Gyokeres, que Trincão centrou e Harder cabeceou com força e colocação para a baliza. O jogo aproximava-se do fim e Di Maria era já a única ameaça benfiquista em campo. Era preciso pará-lo e Rui Borges não hesitou em fazer entrar o jovem David Moreira, que passou no teste com distinção. E de um seu roubo de bola se originou uma triangulação entre Gyokeres, Harder e Trincão que permitiu a este último obter o terceiro golo dos leões, não sem antes fazer passar a bola entre as pernas de António Silva, que já que o tempo é para números circenses ao menos que não fiquem atrás de um Cirque Du Soleil. Sol que parece acompanhar este Sporting iluminista e muitíssimo renascentista. Em oposição ao clube curiosamente da Luz, hoje caminhante nas trevas. Como se vítima de um qualquer mau-olhado ou de um pé frio, onde antes até houve uma mão de Vata (ou "vaca" para ultrapassar aquele Marselha).

 

Tenor "Tudo ao molho...": Francisco Trincão. Rui Silva, Harder, Maxi (o primeiro a dar a cara nos duelos individuais) e Inácio (excelente nas dobras) merecem uma menção honrosa. 

 

"Em Abril, águas mil. Em Maio, ganhamos com paio"

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28
Fev25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Pirâmide de Maslow, nesse sentido


Pedro Azevedo

Quis o destino que o Sporting visitasse a cidade que viu nascer Gil Vicente em plena época carnavalesca. Dado o contexto duplamente favorável para uma atitude teatral, os leões cedo representaram um cansaço inexplicável para quem ainda não tinha tido tempo para sujar os calções, apresentando uma farsa durante o primeiro acto de uma peça em que Trincão foi protagonista a actuar como um presidente de câmara orgulhoso das inúmeras rotundas que deixou como obra pífia. Em 4 ocasiões, o Gil poderia ter inaugurado o marcador, mas, por acção inspirada de Rui Silva e/ou azelhice dos seus avançados, o intervalo chegou com uma igualdade. No início do segundo acto, Rui Borges lançou Gyokeres. Ainda que visivelmente condicionado, só a presença do sueco intimida, entendendo-se essa presença como física ou mera projecção cinematográfica de um holograma (uma ideia de como fazer descansar Gyokeres e ainda assim, recorrendo a efeitos especiais, apoquentar os nossos adversários). Pelo que o Gil desconfiou, tornando-se menos afoito e concentrando atenções na marcação ao nosso ponta de lança goleador. Com isso, o jogo equilibrou-se, passando o Gil a atacar a medo, com receio de no processo perder a bola e assim soltar a fera sueca, deixando de posicionar dois ou três homens entre-linhas como durante o primeiro acto. Libertado de maiores preocupações defensivas, o Debast começou a subir no terreno, iludindo vários gilistas no drible como um Maradona belga ou combinando com os avançados em acções atacantes. Até que Gyokeres o viu solto no centro do campo e o belga recepcionou orientadamente com categoria e foi feliz na deflecção do subsequente remate num defesa que tirou a bola do alcance da acção do seu guarda-redes. Como um mal nunca vem só, as Parcas do destino logo trataram de deixar o Gil reduzido a 10 quando Zé Carlos abalroou Maxi, que caminhava isolado para a baliza. Pensou-se que o jogo teria terminado aí, mas após a farsa viria o drama. Felix Correia, um ex-jogador leonino que partilha com Nuno Moreira o único senão de não ser proveniente de Salvador da Baía, bailou com pagodinho sobre a defesa do Sporting e cruzou para Rúben Fernandes encostar com a cabeça para golo. Entrou então em cena o CarnaVAR de Barcelos, e 3 minutos depois o golo seria anulado por 3 centímetros. Com esse cenário digno de uma alegria dos cemitérios pré-quaresmal, o jogo chegaria ao fim com o triunfo do Sporting, que assim se qualificou para as meias-finais da Taça de Portugal, onde defrontará, a duas mãos, o Rio Ave. Com uma onda inaudita de lesões, o Sporting de Rui Borges depara-se perante a Pirâmide de Maslow: primeiro, necessita de saciar a fome (de vitórias), depois de melhorar a segurança (defensiva), para mais tarde recuperar a interacção ou coabitação entre os sectores e aumentar a auto-estima, até que finalmente possa estimular a criatividade a fim de voltar a ter o reconhecimento dos amantes do futebol. Passo a passo, "nesse sentido" (ascendente). 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Debast

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19
Dez24

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Brunilda, Siegfried e "Os Amigos de Alex"


Pedro Azevedo

Caro Leitor, a esperança de Frederico Varandas resume-se a que o presente dilema em que se encontra o futebol do Sporting (o treinador deve ser substituído?) possa ser resolvido da forma como ontem marcámos os golos, ou seja, primeiro empurrar com a barriga a sua concretização (golo de Harder) para depois vir a beneficiar do atraso (golo de Gyokeres, após um atraso de bola de Frederico... Venâncio).  


Descontrolo emocional (expulsões de Esgaio e St Juste), falta de rigor na adopção da linha de fora de jogo (aos 77 minutos, Debast voltou a afundar, não respeitando a linha e colocando um açoriano em jogo, permitindo um cruzamento do Santa Clara que só não deu golo por acção de um Quaresma milagreiro; em cima da hora, Simões pôs em jogo o jogador que empata a partida), tomadas de decisão criticas (muitos passes errados a meio-campo, St Juste a encolher-se e a dar uma grande oportunidade de golo ao Santa Clara), jogadores fora da sua posição (Quenda como interior e pela esquerda), pouco jogo entrelinhas (os interiores voltaram a jogar de dentro para fora e não o seu inverso, ocupando previamente o espaço que de outro modo poderia ser descoberto), gestão de esforço incompreensível (Quaresma estava em dúvida para o jogo e foi o último central a ser substituído, acabando por sair visivelmente lesionado), um treinador graduado que faz lembrar o ministro de propaganda do Iraque a vender uma realidade alternativa (insólita conferência de imprensa de TT) e outro estagiário que mostra uma humildade no discurso que não encontra correspondência na tentação de apressadamente procurar dar um toque pessoal naquilo que antes estava perfeito, tudo isto fez parte do menu ontem apresentado por João Pereira em Alvalade.

 

Eu imagino que não seja fácil para um estagiário ser graduado em CEO e lançado às feras num mercado aberto, fortemente mediático, competitivo e nem sempre concorrencialmente leal. A pressão é ainda maior quando estamos a falar de uma grande empresa, naturalmente muito escrutinada pela opinião pública. Para que a aprendizagem se vá fazendo sem grandes ondas, é fundamental que haja resultados. E quando os resultados não aparecem e tens a árdua tarefa de substituir um antigo CEO que teve muito sucesso, então esse tempo de aprendizagem pode esgotar-se rapidamente e seres convidado a sair. Porque se antes foi criada a percepção de que tinhas um Aston Martin nas mãos, não podes ter a prestação de um Mini. Precisas de tempo, mas esse tempo só se ganha com vitórias. Se não ganhas e não consegues transmitir onde está o problema, então quem te observa chega imediatamente à conclusão que também não saberás encontrar a solução. Porque uma coisa é teres poder, outra é seres reconhecido como uma autoridade por aqueles que lideras. E se nunca é bom haver colaboradores a medir o pulso ao novo líder, no futebol, com o mercado de Janeiro à vista, ainda é pior. Também por isso, os resultados são muito importantes, e nesse sentido, ontem, João Pereira voltou a ganhar tempo. O que fará com ele, ninguém sabe, sendo certo que parece ter havido um retrocesso no processo desde o jogo com o Boavista. O que nos leva à probabilidade de ocorrência futura de um Complexo de Brunilda: este, que assente na velha lenda alemã de Brunilda e Siegfried (ver Caixa de Comentários), aparece quando num relacionamento um dos parceiros vê no outro um super-herói, produzindo sobre ele expectativas e ilusões demasiado altas, irrealistas, para ao fim de um longo tempo começar a ver os seus defeitos e perceber que afinal ele não era assim tão perfeito, acabando por o desvalorizar por completo. A bem do Sporting, esperemos que Frederico Varandas e restantes defensores da solução João Pereira nunca venham a sofrer deste complexo. 

 

Enfim, as coisas não estão fáceis, mas também não era preciso "A Lei da Desvantagem de Malheiro" para as piorar, promovendo o anti-jogo e a falta de intensidade com que se jogou. Como não é suposto que um jogador tenha de andar a fintar um árbitro que corta sistematicamente linhas de passe a quem ataca por mau posicionamento ou que um vídeo-árbitro não consiga descortinar uma cotovelada na boca de Gyokeres dentro da área do Santa Clara, mas também isso ocorreu ontem, em Alvalade. Pelo que uma coisa é o nosso titubeante João Pereira, outra é a percepção, que espero seja errónea, de que há um sistema a reerguer-se que aproveita o nosso mau momento para definitivamente nos enterrar.  Nesse sentido, um VAR avariado não é natural, o que é natural é o Restaurador Olex (e não Alex). E de restauro bem está precisada a arbitragem portuguesa, que o que se passou em Alvalade foi inadmissível para todos com excepção dos "Amigos de Alex", saudosistas de um outro tempo que não queremos que volte. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Vik Thor Gyokeres. Harder marcou um golo importante na primeira vez em que tocou na bola. Debast esteve muito bem até ao momento em que o Santa Clara foi atrás do resultado.

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23
Nov24

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Encontros imediatos do terceiro grau


Pedro Azevedo

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Com um treinador certificado do quarto nível, o Amarante vinha a Alvalade defrontar um adversário cujo treinador ainda aguarda a chegada do diploma do terceiro grau, pelo que, seguindo a cartilha da ANTF e seu presidente, os amarantinos seriam à partida os grandes favoritos. Mas Taça é Taça, e a história da Taça de Portugal tem sido feita de Davides que batem o pé a Golias e às vezes até lhes acertam com uma boa fisgada. Pelo que havia a esperança de que a diferença de habilitações literárias entre os comandantes se pudesse esbater e que em Alvalade emergisse o Sporting como um dos tomba-gigantes que ancestralmemte animam a competição. Ao contrário do senhor José Pereira, o João Pereira ainda não é suficientemente conhecedor. Mas começa a dar provas de que é muito mais sábio do que o homónimo José, na medida em que, já dizia o velho Sócrates, sábio é  aquele que conhece os limites da sua própria ignorância. Nada porém que abale as convicções do senhor José Pereira, que assentam no seguinte silogismo aristotélico: "Não há conhecimento sem certificação" - primeira proposição; "João Pereira não tem certificação" - segunda proposição; "logo, João Pereira não tem conhecimento" - conclusão. E assim, entre um discípulo de Aristóteles, que foi discípulo de Platão que por sua vez foi discípulo de Sócrates, e um discípulo directo de Sócrates, estabeleceu-se a dicotomia entre conhecimento e sabedoria, que conhecimento é saber que o tomate é um fruto, sabedoria é não misturá-lo numa salada de frutas. Depois, há também a questão de saber-se se ao menor conhecimento se devem aplicar restrições de mobilidade: sem conhecimento, o João Pereira pode estar no banco. Todavia, não se pode levantar ou dar instruções. José Pereira revela aqui uma visão do mundo tipo colégio interno "brutânico", onde coabitam o ponteiro na cabeça, a reguada na mão e o isolamento do aluno não certificado numa cadeira junto ao quadro, imóvel, em silêncio e se possível ostentando umas orelhas de burro. Ora, isto denota um grande desconhecimento da complexidade do ser humano.  Se, para José Pereira, o não conhecimento obriga ao imobilismo, a psicologia clínica doutrina que há pessoas, e não só seres hiperactivos ou dislexicos, que se expressam melhor pelo movimento, que necessitam do movimento para melhor compreenderem o mundo e o que as rodeia. São os casos dos bailarinos, actores de teatro e cinema ou... jogadores e treinadores de futebol. Ou seja, para eles menor movimento significa menor conhecimento (e não o seu contrário). 

Seja porque o plantel quis marcar uma posição pós-Ruben Amorim ou porque os jogadores sentiram a necessidade de mostrar a sua solidariedade com João Pereira neste diferendo com a ANTF, a verdade é que o Sporting surgiu muito motivado em campo. A revolta tem dessas coisas, e muitas vezes acontece-nos estarmos sozinhos contra o mundo e isso ainda dar-nos mais força. Foi o que aconteceu com o Edwards, que vinha jogando menos e viu aqui uma oportunidade. E lá foi sozinho, contra o mundo, fintando para a esquerda e para a direita, naquele seu jeito de quem mói o sentimento (obrigado, Carlos Tê), de quem questiona o que faz aqui e para onde vai, muitas vezes perdendo-se no caminho, absorto nos seus próprios pensamentos e desligado de tudo o resto. Não desta vez, porque não só encontrou o caminho como escolheu o mais difícil, não recorrendo ao atalho de procurar o seu melhor pé na altura da conclusão. E saiu bomba, abrindo o marcador. Logo de seguida veio uma jogada de laboratório, uma daquelas que para qualquer espírito atento seria motivo de doutoramento de um treinador: aproveitando a actual lei do fora de jogo, Harder expôs-se à profundidade. A defesa do Amarante ficou imóvel, feliz pelo dinamarquês ter caído na armadilha. Só que atrás dele veio o Bragança, que recebeu o passe do Matheus Reis e cruzou para a entrada da pequena área onde Esgaio apareceu a desviar subtilmente para golo. Simples e eficaz. E ao quarto de hora o Sporting fazia surpresa na Taça, ganhando por 2-0 ao treinador licenciado do Amarante. Entretanto, o Trincão estava num turbilhão, rodopiava entre os adversários como se não houvesse amanhã e ia causando os estragos habituais da presença de um furacão. De um desses lances resultou o estrondo de um poste a abanar, o que até fez o Harder trocar os pés. Lívido, o dinamarquês não esperou pela demora: nova bola de Trincão e o Harder a colocá-la fora do alcance do guarda-redes do Amarante. E antes que chegasse ao fim da primeira parte, o Bragança desviou do guardião o suficiente para que o Edwards aparecesse a bisar. 

O Amarante perdia 4-0 ao intervalo e pior terá ficado quando os seus jogadores viram o Gyokeres a aquecer. Antes que entrasse, o Trincão combinou com o Harder pelo centro e rematou para o 5-0. Depois, o sueco entrou naquele seu jeito de que ou vai ou racha. E começou por rachar... no poste, duas bombas executadas de livre directo, para logo facturar na sequência de um penalty. Em cima do minuto 90, o Sporting continuava a pressionar o Amarante e a não deixá-lo respirar, a tónica de todo o jogo. No fim foram 6, mas podiam ter sido muito mais. Não sei se Jose Pereira terá ficado incrédulo ao ver um treinador sem nível golear um encartado, mas nestas coisas talvez seja melhor citar o William Blake: "Há o conhecido, o desconhecido, e no meio estão as portas da percepção". Trocando por miúdos, na antecâmara do jogo era conhecimento de todos que o João Pereira não tinha nível. Adicionalmente, desconhecia-se o que poderia mostrar quando tivesse a oportunidade. Acabado o jogo, a percepção geral é a de que João Pereira poderá ter unhas para tocar esta guitarra. O que nos leva a Einstein e este seu pensamento: "É mais fácil desintegrar um átomo do que destruir um preconceito". O futuro dirá se Jose Pereira, à semelhança de idêntica polémica criada com Ruben Amorim, não começou ontem a engolir o preconceito. Preconceito que é um pré-conceito das coisas, e como tal não valoriza a experiência. Não deixa por isso de ser intrigante que quem quer fazer do futebol uma ciência não valorize a experiência, sujeitando-se assim a encontros imediatos do terceiro grau. Imagine-se quando for do quarto...

 
Tenor "Tudo ao molho...": Trincão

21
Out24

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

We try Harder


Pedro Azevedo

O jogo de Portimão provou que o staff técnico do Sporting precisa de ser urgentemente reforçado. Não, não se trata da necessidade de contratar mais um adjunto, médico ou fisioterapeuta, o que Amorim precisa mesmo é de um perito em linha de montagem/desmontagem de autocarros, de um operário da Auto-Europa ou assim. 

Em rodagem para tentar compreender este novo requisito do futebol português, na sexta-feira o Sporting foi visitar a Empresa de Viação do Algarve (EVA), cujos autocarros se encontravam estacionados em Portimão. Ou não se tratasse da Eva, a falta do tal operário qualificado fez-se sentir qual pecado original, o que inviabilizou a desmontagem dos referidos autocarros. Como último recurso, recorreu-se então a uma "grua" oriunda da Dinamarca, que a custo lá removeu os autocarros. Já se sabe, não se fazem Hamlets sem ovos e este príncipe nórdico (Harder) foi chocado para vir a ser o delfim do rei Gyokeres. No fim, chocados ficarão os nossos adversários, que, com o Conrad, "We Try Harder". 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Conrad Harder

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26
Mai24

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

O sobe e desce do Elevador de St Juste


Pedro Azevedo

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(Pela sombra projectada por guarda-redes e bola, parece-me golo.)

 

Potemkin, Trincone e Santorini estão em campo. Potemkin beija a bola, marca um canto a que St Juste corresponde com uma cabeçada indefensável para Diogo Costa ! Na Tribuna, pálido e com os olhos embaciados, Bob lamenta a sua sorte: infelizmente, o ucraniano, o italiano e o grego têm em comum não serem elegíveis para a nossa Selecção, e Martinez sente-o com uma grande desolação. Ao seu lado, Fernando Gomes pocura animá-lo, consolá-lo de tanto azar, mostrando-lhe o outro lado, o copo meio-cheio, a oportunidade de com Chico Conceição internacionalizar o arraial tuga ou com Pedro Neto promover o nosso Serviço Nacional de Saúde, para não falar do efeito positivo para a nossa balança comercial (e orgulho luso) de exportação de um agora beduíno, recém-naturalizado, de faca permanentemente nos dentes, como contraposição aos nómadas digitais que anualmente de mansinho invadem o nosso país e nos encarecem o custo de vida. Bob parece ganhar de novo cor, ao visualizar o seu papel nessa exótica mostra europeia. Sedento de partilhar essa visão, logo se apressa a ligar ao Horta. 

 

Enquanto isso, no relvado, Potemkin lidera a rebelião Sportinguista contra os czares que dominam o futebol português. Mas o Porto começa a pôr a bola nas costas dos centrais do Sporting e Geny, com os apoios trocados, amortece-a em forma de assistência para Evanilson. Pouco depois, St Juste, que marcara um golo inesperado, falha onde não é expectável: é ultrapassado em velocidade por Galeno e depois abalroa-o à entrada da área. O árbitro ainda dá penalty, depois revertido pelo VAR, mas o holandês não se livra da expulsão e o Sporting de ficar a jogar com 10. Quaresma, que deveria ter sido titular e acabou por ser o melhor dos nossos, entra, mas sai Morita (o único capaz de dar à substituição uma expressão de olhos em bico) e não um interior e com isso o Sporting entrega o jogo ao Porto. 

 

O que se segue são vagas constantes de ataque do Porto que só Quaresma e/ou Diogo Pinto vão conseguindo repelir. O jogo, de sentido único, vai para prolongamento. O Porto nada consegue fazer do lado direito da nossa defesa, mérito indiscutível de Quaresma, mas no flanco oposto Chico Conceição cria sucessivo perigo. Até que chega mais uma previsível bola nas costas do nosso lado esquerdo e Diogo Pinto primeiro hesita e quando sai da baliza abalroa Evanilson. Penalty e 2-1. Até ao final o Sporting ainda esboça uma reacção que fica à porta da rulote onde o VAR bebe a essa hora umas bejecas, pelo que o resultado não sofre alteração. 

 

Vitória justa do Porto, hoje claramente a melhor equipa, com José Pedro como o melhor homem em campo em virtude de ter secado Gyokeres. E assim a dobradinha não veio para Alvalade, o que em matéria de culinária nos põe em inferioridade com um Porto sobejamente conhecido pelas tripas e um Benfica que há muito se alimenta da mão de vaca (quando não de Vata). 

 

Enquanto os portistas já festejam nas imediações do Jamor, Bob abandona o estádio. Não evita porém uma última paragem no seu gabinete na sede da Federação, antes do regresso a casa. Com nostalgia contempla a sua secretária de trabalho. As viagens pelo mundo haviam-lhe trazido mais olheiras do que propriamente actividade de olheiro. O cansaço inerente a um jogo a cada 3 meses deixara-o exausto. O que vale é que para arrepio de algum esgotamento já tinha a convocatória para o Euro pronta mesmo antes de aceitar o cargo de seleccionador em Portugal. Era então chegado o tempo de tirar umas férias. Consulta o mapa e escolhe. Destino: Alemanha. Liga o piloto automático, que é como quem diz, ao Cristiano Ronaldo e ao Bruno Fernandes, e marca a viagem. 

 

Boas Férias (de bola) !!!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Eduardo Quaresma (por uma milha de diferença)


23
Mai24

Aí Leões !!!


Pedro Azevedo

É tempo de atalhar caminho, deixar o tema da Selecção para mais tarde e recuperar o foco no Jamor. O que não nos mata, torna-nos mais fortes, e a melhor resposta que Pote, Trincão e Nuno Santos podem dar face aos "azares" de que padeceram recentemente é dentro do campo. Como diria o saudoso António Silva: "Aí Leões !!!". Estamos todos convosco, unidos contra a arbitrariedade e, por que não assumi-lo, a injustiça. 

pote-braganca-trincao-hjulmand-nuno-santos-gyokere

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