Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A Poesia do Drible

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

A Poesia do Drible

26
Mai24

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

O sobe e desce do Elevador de St Juste


Pedro Azevedo

IMG_3246.jpeg

(Pela sombra projectada por guarda-redes e bola, parece-me golo.)

 

Potemkin, Trincone e Santorini estão em campo. Potemkin beija a bola, marca um canto a que St Juste corresponde com uma cabeçada indefensável para Diogo Costa ! Na Tribuna, pálido e com os olhos embaciados, Bob lamenta a sua sorte: infelizmente, o ucraniano, o italiano e o grego têm em comum não serem elegíveis para a nossa Selecção, e Martinez sente-o com uma grande desolação. Ao seu lado, Fernando Gomes pocura animá-lo, consolá-lo de tanto azar, mostrando-lhe o outro lado, o copo meio-cheio, a oportunidade de com Chico Conceição internacionalizar o arraial tuga ou com Pedro Neto promover o nosso Serviço Nacional de Saúde, para não falar do efeito positivo para a nossa balança comercial (e orgulho luso) de exportação de um agora beduíno, recém-naturalizado, de faca permanentemente nos dentes, como contraposição aos nómadas digitais que anualmente de mansinho invadem o nosso país e nos encarecem o custo de vida. Bob parece ganhar de novo cor, ao visualizar o seu papel nessa exótica mostra europeia. Sedento de partilhar essa visão, logo se apressa a ligar ao Horta. 

 

Enquanto isso, no relvado, Potemkin lidera a rebelião Sportinguista contra os czares que dominam o futebol português. Mas o Porto começa a pôr a bola nas costas dos centrais do Sporting e Geny, com os apoios trocados, amortece-a em forma de assistência para Evanilson. Pouco depois, St Juste, que marcara um golo inesperado, falha onde não é expectável: é ultrapassado em velocidade por Galeno e depois abalroa-o à entrada da área. O árbitro ainda dá penalty, depois revertido pelo VAR, mas o holandês não se livra da expulsão e o Sporting de ficar a jogar com 10. Quaresma, que deveria ter sido titular e acabou por ser o melhor dos nossos, entra, mas sai Morita (o único capaz de dar à substituição uma expressão de olhos em bico) e não um interior e com isso o Sporting entrega o jogo ao Porto. 

 

O que se segue são vagas constantes de ataque do Porto que só Quaresma e/ou Diogo Pinto vão conseguindo repelir. O jogo, de sentido único, vai para prolongamento. O Porto nada consegue fazer do lado direito da nossa defesa, mérito indiscutível de Quaresma, mas no flanco oposto Chico Conceição cria sucessivo perigo. Até que chega mais uma previsível bola nas costas do nosso lado esquerdo e Diogo Pinto primeiro hesita e quando sai da baliza abalroa Evanilson. Penalty e 2-1. Até ao final o Sporting ainda esboça uma reacção que fica à porta da rulote onde o VAR bebe a essa hora umas bejecas, pelo que o resultado não sofre alteração. 

 

Vitória justa do Porto, hoje claramente a melhor equipa, com José Pedro como o melhor homem em campo em virtude de ter secado Gyokeres. E assim a dobradinha não veio para Alvalade, o que em matéria de culinária nos põe em inferioridade com um Porto sobejamente conhecido pelas tripas e um Benfica que há muito se alimenta da mão de vaca (quando não de Vata). 

 

Enquanto os portistas já festejam nas imediações do Jamor, Bob abandona o estádio. Não evita porém uma última paragem no seu gabinete na sede da Federação, antes do regresso a casa. Com nostalgia contempla a sua secretária de trabalho. As viagens pelo mundo haviam-lhe trazido mais olheiras do que propriamente actividade de olheiro. O cansaço inerente a um jogo a cada 3 meses deixara-o exausto. O que vale é que para arrepio de algum esgotamento já tinha a convocatória para o Euro pronta mesmo antes de aceitar o cargo de seleccionador em Portugal. Era então chegado o tempo de tirar umas férias. Consulta o mapa e escolhe. Destino: Alemanha. Liga o piloto automático, que é como quem diz, ao Cristiano Ronaldo e ao Bruno Fernandes, e marca a viagem. 

 

Boas Férias (de bola) !!!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Eduardo Quaresma (por uma milha de diferença)


24
Mai24

Eduardo Quaresma


Pedro Azevedo

Gosto muito do Quaresma, começo por dizer. A sua compostura com a bola e a velocidade com que corre para trás permitem-nos adequar mais o nosso jogo ao da equipa grande que somos. Com a sua saída em progressão há uma alternativa ao passe de Inácio, duas formas diferentes de quebrar linhas que tornam o nosso jogo mais imprevisível para qualquer adversário. Também a sua rapidez nos ajuda e muito, permitindo-nos subir linhas até quase o meio campo adversário. 

Custa muito a entender como um jovem desta categoria, com atributos que podiam fazer dele um Beckenbauer ou um Baresi, ainda não é um titular indiscutível no Sporting. A razão talvez resida num complexo qualquer de Peter Pan de que padecerá: olha-se para ele e parece uma criança. Ainda que um bom menino, note-se. Alguém de bem com a vida, alegre, em suma, feliz. Não sei se isso colide com a imagem que se espera de um "activo" do futebol negócio, cinzento e aparentemente compenetrado da sua tarefa, mas a cor que o Quaresma traz para o jogo é um espectáculo, reconcilia-nos com o futebol dos bancos da escola e com a nossa juventude. Não foi por isso que aprendemos a amar o jogo? Então, muitos parabéns ao Sporting por ter prolongado o vínculo do Eduardo (até 2028), um jogador que, mais do que admirado, precisa de ser compreendido.

quaresma17642747_standard.jpg

23
Mai24

Aí Leões !!!


Pedro Azevedo

É tempo de atalhar caminho, deixar o tema da Selecção para mais tarde e recuperar o foco no Jamor. O que não nos mata, torna-nos mais fortes, e a melhor resposta que Pote, Trincão e Nuno Santos podem dar face aos "azares" de que padeceram recentemente é dentro do campo. Como diria o saudoso António Silva: "Aí Leões !!!". Estamos todos convosco, unidos contra a arbitrariedade e, por que não assumi-lo, a injustiça. 

pote-braganca-trincao-hjulmand-nuno-santos-gyokere

20
Mai24

Bonita homenagem


Pedro Azevedo

Ainda não era nascido quando Fernando Mendes levantou a Taça dos Vencedores das Taças em Antuérpia e no regresso a comitiva do Sporting a veio entregar a casa de Hilário, o capitão, convalescente de uma lesão contraída pouco tempo antes. Foi um momento certamente bonito. Por isso senti-me comovido ao ver Frederico Varandas e Viktor Gyokeres deslocarem-se hoje ao quarto de hospital do grande capitão Manuel Fernandes para lhe mostrar o troféu de campeão nacional, um título que ele tanto viveu. Nesse momento fez-se Sporting, naquilo que representamos enquanto princípios e valores como os de respeito pela nossa história e solidariedade, e isso é o que deve ser pedido a um presidente do clube. Sendo insuspeito de proximidade a Varandas, aqui lhe deixo o meu aplauso. E um forte abraço ao Manel, o capitão da minha adolescência, aquele que basta a menção do seu nome para imediatamente associar umbilicalmente ao Sporting. Eternamente. 

Frederico-Varandas-e-Gyokeres-foram-mostrar-o-trof

19
Mai24

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Festa real em placebo de jogo


Pedro Azevedo

Há jogos de campeonato de fim de época que não estão no calendário para serem jogados, antes são para despachar o mais rapidamente possível a fim de dar lugar à festa. Uns porque são campeões, outros por garantirem a Europa, alguns por obterem a melhor classificação ou recorde de pontos, a maioria por se manter na Primeira Liga, no fim muitos clubes têm motivos de comemoração. Pelo que o jogo em si deixa de ser o prato-forte e passa a ser um aperitivo, um "amouse bouche" que prepara as papilas degustativas - fazendo crecer "água na boca" - do adepto para o que virá a seguir.  Um jogo assim não é para ser levado a sério, como sério não é o VAR intervir em lances de interpretação do árbitro - puxão do braço de Trincão por Vasco Fernandes ou pretensa falta discutível de Coates - ou não ser dada a compensação devida por inúmeras paragens de jogo. Enfim, uma brincadeira em forma de jogo e um árbitro em forma de assim, em consonância. Com uma excepção: Viktor Gyokeres. O homem que não sabe brincar, na observação acutilante de Neto, um dos nossos capitães e voz sábia e filosofante no nosso balneário, que ontem se despediu de nós. Por isso vimos o sueco à beira de uma apoplexia (já não lhe bastava o Pote e o Neto quererem bater o penalty) de cada vez que o jogo tinha uma interrupção e quando foi dado o tempo extra. Porque ele quer sempre mais, tem fome de mais: mais golos, mais assistências, mais correrias, mais suor na camisola. E de gente assim se fez o campeão. (Ou como um "underdog" à partida é à chegada um CÃOpeão, importante escalada numa cadeia alimentar onde não faltam as piranhas.)  

 

Se o jogo foi uma brincadeira, os números de stand-up comedy entre o árbitro anafadito e o inefável VAR Rui Costa foram o ponto alto da diversão: as caretas, hesitações e falta de convicção geral de Manuel Oliveira de cada vez que foi chamado a ver o vídeo constituíram um momento de humor a jeito do sketch "A Ponte da Morte" de "Em Busca do Cálice Sagrado", assim como teve alguma graça a rebeldia demonstrada aquando da expulsão de um flaviense que não foi ao VAR - "Não, não me voltarás a julgar", terá pensado o árbitro enquanto fazia alegadamente ouvidos moucos ao Costa que o azucrinava no auricular pela quarta vez durante a primeira parte. Pelo que o jogo valeu essencialmente por dois momentos característicos de van Basten, curiosamente interpretados por 2 diferentes jogadores: a rotação de costas para o defesa, de Gyokeres, na origem do segundo golo, e o pontapé em volley de Paulinho para o terceiro. No resto do tempo pouco se jogou, entre paragens para entrada do massagista e médico do Chaves, bombeiros, INEM, peritos de avaliação de sinistros e de cotação de salvados e análise das câmaras de vídeo-vigilância. (Ou como trocámos uma época com um ponta de lança que se associava com os companheiros por outra com dois pontas de lança em associação com o golo.)

 

Feitas, as contas, o Sporting terminou este campeonato com uma dezena de pontos sobre o proto-campeão Benfica e dezoito pontos acima do Porto, estabelecendo um novo recorde pontual do clube na competição (90 contra os 86 de JJ). Quem acompanhou a pré-época e leu os jornais da altura,  sabia que o campeonato seria um pró-forma, um caminho que serviria unicamente para glorificar e incensar o Grande Benfica, do Rui Costa e do Schmidt, do Di Maria, Rafa e Otamendi e do puto maravilha. Uma coisa em forma de pescada, que, antes de o ser, já o era. Só que não, o Rúben Amorim, o Gyokeres e todos os nossos ignoraram as "postas de pescada" nas previsões de outros e não o quiseram assim. E embora perdendo de goleada na sondagem junto das cassandras apressadas, no fim levantaram o caneco. Seguir-se-ão a Taça e mais uma pré-época com o Benfica campeão. Depois, rolarão a bola e, quem sabe, algumas cabeças... A caminho do 25 !!! [À semelhança do ocorrido com as Ligas Experimentais, há sempre a hipótese de futuramente a Federação passar a considerar os títulos (de jornais) de pré-época do Benfica. Tudo em nome do PIB nacional, que, já se sabe, ninguém pára o Benfica e, portanto, Portugal.]

 

Tenor "Tudo ao molho...": Viktor Einar Gyokeres (who else ??)

bbb.jpg

14
Mai24

Tudo ao molho e fé em Gyokeres (especial)

Punching Bag


Pedro Azevedo

Desde que o Gyokeres chegou ao Sporting, os jogos que envolvem a nossa equipa passaram a não ser exclusivamente de futebol. Quer dizer, também há futebol, e do bom (entenda-se), nomeadamente nos poucos intervalos da pancadaria a que o sueco é submetido, mas essencialmente praticam-se artes marciais. Tal é aceite com a maior candura por parte de árbitros e comentadores da bola. Por exemplo, no Estoril não faltaram loas na televisão à "compostura" do Pedro Álvaro, após cada intervenção sua ter inevitavelmente terminado com o Gyokeres descomposto (decomposto?) no chão. Para o efeito, o Pedro Álvaro foi-nos apresentado como um gentleman, um ser delicado e até meigo, quiçá um Vicente (o tal que "secou" o Pelé, sem nunca cometer uma falta) dos tempos de hoje. Talvez por isso, envolveu inúmeras vezes os seus braços e cotovelos em redor do pescoço do Gyokeres em fofinhos diplomata-leão. Não obstante, o Pedro revelou-se muito adaptativo e inovador nas artes, usando uma projecção de Gyo-Jitsu ali, uma biqueirada de Vikboxing acoli. E o árbitro deve ter apreciado as suas técnicas, porque nunca o admoestou. O que vale é que o Gyokeres foi muitas vezes ao tapete(?), mas, sem nunca ser nocauteado, acabou por ganhar aos pontos (3). Pelo que agora seguir-se-á o Chaves, a caminho do ringue do Jamor (e do "Dá fundo")...

gp3.webp

14
Mai24

O "Killer Instinct" voltou


Pedro Azevedo

Recordo-me do tempo em que o então nosso treinador Bobby Robson sentenciou faltar ao Sporting "killer instinct". Robson tinha toda a razão. Imagino, pelas estatísticas disponíveis e conversas com os mais antigos, que esse instinto predador era o nosso paradigma no tempo de Peyroteo e dos 5 Violinos, mas foi coisa que nunca tinha realmente visto no Sporting, mesmo quando campeão (exceptuando talvez na época 1973/74, temporada que no entanto não contraria a minha premissa inicial na medida em que foi por mim ouvida na rádio e não vista no estádio). Até que chegou Gyokeres. O nosso jogador Neto, ontem, em bate-boca no programa "Titulares" da SportTV, afirmou que o sueco "não sabe brincar", dando como exemplo as correrias desenfreadas que empreendeu após entrar num jogo de Taça contra o Dumiense, quando o resultado já estava 4-0. Ora, o que Neto nos trouxe, e todos pudemos comprovar com os nossos olhos, é demonstrativo da tal atitude que há muitos anos andava arredada de Alvalade e contraria a esmerada arte de perdoar que era até aí paradigma do Sporting quando o nosso adversário estava de joelhos, o que não só nunca nos trouxe respeito como ainda nos deu alguns dissabores. E isso finalmente alterou-se, muito por causa do empenho contagiante de Gyokeres e da sua fome indomável de (mais) golos. Como consequência, após um primeiro período em que houve mais Gyokeres do que Gyokerismo, a doutrina passou, a máquina oleou e as goleadas apareceram em catarse. Senão vejamos: 8-0 ao Casa Pia e ao Dumiense, 6-1 ao Boavista, 5-0 ao Braga, 5-1 ao Estoril, 4-0 ao Gil Vicente e ao Tondela, 5-2 ao Vizela, além de sete vitórias por 3-0. Foi este querer sempre mais que elevou a capacidade competitiva da equipa e o seu ritmo de jogo, deixando para trás aquelas segundas partes sensaboronas que ao longo das épocas foram o nosso padrão após garantirmos uma vantagem folgada no marcador. Com o prego sempre a fundo, o "killer instinct" regressou, cortesia de um "assassino" sueco que veio do frio para nos aquecer os corações. Parece paradoxal, mas o único paradoxo foi o longo hiato em que o Sporting não se deu ao respeito. 

viktor-gyokeres-sporting-.jpg

13
Mai24

A Champions no hóquei


Pedro Azevedo

O Sporting venceu a Champions de hóquei em patins e cumpre-me escrever algo sobre o assunto. Começo por dizer que o hóquei exerceu um grande fascínio em mim enquanto criança. E tal resultou do sortilégio da rádio. Sim, porque ouvir o hóquei foi um dos raros casos em que a percepção da realidade suplantou a própria realidade que eu mais tarde vi nos pavilhões. Ou seja, o hóquei resultou melhor para mim na rádio do que ao vivo. Talvez porque raros são os ringues de piso suficientemente claro para se ver a bola, que esta talvez devesse ser fluorescente para que a sua trajectória pudesse ser acompanhada. E se a bola não pode ser acompanhada, então só deve ser imaginada, razão pela qual a ausência de visão sublima todos os outros sentidos e realça o papel da rádio. Eu juro que em menino, ao ouvir os relatos, conseguia perceber quando a bola ia à tabela, batia no ferro de uma baliza ou era defendida pela luva do guarda-redes. Porque o som era diferente em cada ocasião, e isso também ajudava a criar uma percepção. E depois havia relatadores como o Fernando Correia e o Jorge Perestrelo (sim, os seus primeiros relatos desportivos em Portugal foram de jogos do Sporting de Tomar) que davam uma cor ao jogo que eu raras vezes observei em pavilhões. A não ser quando o Chana e o Livramento coexistiram no Sporting e o jogo para mim tornou-se um bailado de alto nível e digno de um Nureyev ou uma Fonteyn. Jamais voltei a sentir essa sensação, embora ainda tenta acompanhado de perto as duas gerações seguintes, a primeira do Realista, Cenoura e especialmente do Trindade - o que mais perto esteve do virtuosismo dos meus ídolos do passado, aqueles que com Ramalhete, Rendeiro e Sobrinho trouxeram para Portugal a primeira Taça dos Campeões europeus - , a segunda composta por Paulo e Pedro Alves, Paulo Almeida e Vitor Fortunato. Depois, o hóquei acabou no Sporting e eu também desliguei-me da modalidade, sentimento exorbitado pela constatação de que afinal o hóquei não era global e mesmo em Espanha era mais um costume da Catalunha e pouco mais (na Corunha havia uma equipa de topo), em Itália não merecia mais do que um par de linhas na prestigiada Gazzetta dello Sport, um tipo literal de imprensa cor de rosa que ainda hoje é o único no género que leio. Bem sei, depois o hóquei voltou ao clube, com o Gilberto Borges e o Bruno, tivemos um sobrinho do Paulo Alves como estrela enquanto andámos a comer o pão que o diabo amassou (não foi como no futebol feminino ou no futsal, onde o Benfica começou quase por cima) e mais tarde chegou até nós um guarda-redes tão carismático quanto por vezes desabrido, chamado Girão. E soube que começámos por ganhar uma Challenge ao Réus (um daqueles nomes míticos do hóquei, tal como o Voltregá) e, mais tarde, uma segunda e terceira Champions. Chegou agora a quarta, assente na genialidade entre os postes do Girão e na precisão de relojoeiro do João Souto, que achei um piadão também copiar os festejos do Gyokeres. Está de parabéns a secção do hóquei e o Sporting, é mais uma taça europeia para o nosso museu e um novo título que nos afirma entre as 3 maiores potências desportivas europeias, ecleticamente falando. Mas o hóquei precisa urgentemente de se reinventar, de mudar ou enfrentar a extinção. Tendo já perdido uma grande oportunidade (J.O. Barcelona), não resta muito tempo para lhe ser dado o impulso necessário que o tire de um semi-anonimato crónico, desde logo porque até em Portugal muitos desportos se desenvolveram e lhe retiraram protagonismo.

hoquei.webp

 

11
Mai24

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

O Grande Ano


Pedro Azevedo

Caro Leitor, mais do que um leão, esta época em cada Sportinguista houve um ornitólogo. Um ornitólogo? - perguntará o Leitor. Sim, um zoólogo dedicado ao estudo aprofundado das aves. Senão vejamos: começámos por observar com sucesso uns gansos fora do seu habitat natural, largados em Rio Maior. Mais tarde, quisemos vê-los mais de perto, pelo que os desviámos de Pina Manique e atraímos até Alvalade. Acabámos por os classificar como espécie de... goleada. Seguidamente, contemplámos as águias, sempre muito furtivas, fanfarronas e com nomes como Vitória e assim. Precavidos, já sabíamos de cor os seus costumes e modos de vida. Para as controlar, enviámos um sueco perito em ornitologia, que logo tratou de as anilhar e lhes cortar as unhas. Para o efeito, bastou deixá-las pousar, que no nosso clube não resolvemos os problemas à chumbada e a única coisa que chumbamos mesmo são algumas práticas do futebol português. Com o sucesso desta missão, veio a festa. Que começou no Pombal, onde dezenas de milhares de Sportinguistas se reuniram a testemunhar, e chegou hoje ao lar dos canarinhos. Tudo isto depois de meses e meses a fio a vermos o Adán e o Israel a aviar frangos e perus... E já para não falar dos urubus do apito! Não é incrível? Pelo que nem Aristóteles ou "Plínio, o Velho", Pierre Belon ou Francis Willyghby, ninguém conhece tão bem as aves como um Sportinguista. Bom, talvez o Borda d'Água conheça, pelo que se calhar não era má ideia aproveitarmos outras dicas constantes do famoso almanaque a fim de conseguirmos colheitas anuais estáveis. 

Se um canarinho numa mina de carvão pode ser um sinal de falta de oxigénio, numa mina de ouro (para o imobiliario) como o Estoril é apenas um sinal de prosperidade. Pelo que lá fomos gozar a nossa prosperidade recente ao Estoril. Quem diz Estoril, diz canarinhos, diz Escrete, que é homófono de discreto, condição de quem não é pato-bravo, um tipo de ave diferente que gostaríamos que fosse pelo menos de arribação. Como andar na linha é coisa a que o Sporting se habituou desde a sua fundação, a ida à Amoreira foi como se jogássemos em casa. 

 

O jogo foi uma coisa em forma de assim, como diria o O'Neill. Quer dizer, não foi um jogo mas sim uma batalha. De wrestling. Nesse sentido, o Gyokeres foi várias vezes projectado ao chão pelo Pedro Álvaro e pelo Basso, que não é baço e pelo contrario tem maus figados. Quando não pegado de cernelha pelo Vital. Enquanto isso, do outro lado do campo, o João Marques batia por trás em tudo o que mexia. Paralelamente, o árbitro ia contemporizando, forma de procrastinação que se admite, que o dia era de sol e toda a gente sabe que o Estoril é Praia. Pelo que o jogo andou ali num rame-rame até que o Amorim trocou as pedradas para a área do Matheus pelos cruzamentos precisos do Nuno Santos. E chegámos ao golo, numa cavalgada do Gyokeres terminada com um passe no tempo exacto para o Nuno, que depois centrou para o espaço onde apareceu o Paulinho, também ele em campo há poucos minutos, a concretizar com o pé mais à mão - tempo e espaço, os fundamentos do futebol. Até ao fim, o Sporting esteve sempre mais próximo do segundo golo do que o Estoril do empate.

 

Depois do título da semana passada, agora concretizámos o recorde de pontos (87) do Sporting no campeonato. Pelo que para a semana o objectivo - todos os jogos têm de ter um objectivo, uma forma de motivação a fim da equipa não se perder em festejos e chegar muito relaxada ao Jamor - será atingirmos os 100 golos na competição, ainda que isso obrigue a marcar por 7 vezes a um já despromovido Chaves. Não será fácil, mas a acontecer daria um novo significado à expressão "guardado a sete chaves". 

 

Duas notas finais para a estreia de Pinto (Diogo), que talvez pela sua juventude não deu à luz nenhum frango, e para o debute do menino Menino, o nosso André ao quadrado (Vitória), que no entanto parece já ter guia de marcha. Que um dia possa regressar em beleza!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Francisco Trincão. Nuno Santos e Paulinho seriam boas opções.

 

P.S. Nós já percebemos os pássaros, mas daria jeito termos alguém que voasse sobre os centrais como o Jardel. 

big year.webp


09
Mai24

Opções para o Sporting no mercado doméstico


Pedro Azevedo

Há um provérbio popular que nos diz que nem tudo o que reluz é ouro. Vem esta afirmação a propósito dos jogadores que se destacaram esta época na Primeira Liga, todos com qualidade embora alguns sem as características ideais para integrarem futuramente o plantel do Sporting. Pelo que o exercício que doravante me proponho fazer é o de destrinçar o trigo do joio e apontar aqui os jogadores que nos poderão interessar e aqueles que não, num e noutro caso procurando justificar o racional inerente às minhas escolhas, que não passam de um esboço académico e não têm a pretensão de influenciar as decisões de quem de direito. Então, aqui vai:

 

Jogadores interessantes: 

  1. Cristo González (Arouca, 26 anos): ideal para jogar entre-linhas como interior, tem recepção, passe frontal de ruptura e leitura de jogo suficientes para ser um jogador atractivo para o Sporting. Opção natural a Pote, adicionalmente adaptar-se-ia bem à variante 4-2-3-1 (alternativa ao 3-4-2-1) que Amorim introduziu esta época e que se traduz em Geny avançar para extremo pela direita, o central direito encostar na linha como lateral e o interior direito rodar para uma posiçao mais central. Vejo Cristo a vagabundear nesses terrenos, um pouco ao jeito dos movimentos que Trincão foi fazendo a partir do início deste ano e estiveram na origem da sua subida vertiginosa de produção. Outro ponto positivo é a constatação de que Cristo tem golo. E um número de assistências igualmente muito interessante. Como senão, o facto de só agora ter atingido este patamar exibicional.

  2. Mohamed Belloumi (Farense, 21 anos): mais rapidamente adaptável ao 3-4-2-1 do que ao 4-2-3-1, vejo o argelino (filho de uma grande glória da Argélia e estrela do Mundial de 82) como um interior direito a jogar de pé trocado, ao estilo de Edwards. É um jogador dotado de grande técnica, com velocidade com bola e momentos de genialidade incontestáveis. Embora ainda necessite de desenvolvimento e melhor compreensão do jogo colectivo, é um joker que pode ser lançado para resolver um jogo num detalhe individual, tendo finta e remate forte e colocado para isso. 

  3. Mirko Topic (Famalicão, 23 anos): já o tinha debaixo de olho há algum tempo, mas o jogo assombroso que fez recentemente contra o Benfica tirou-me quaisquer dúvidas que ainda me restassem. É um jogador com um sentido táctico muito apurado, sempre bem posicionado para a perda de bola, que alia com uma qualidade de passe de ruptura (vidé segundo golo ao Benfica) e precisão na gestão da bola em geral que não são muito comuns. Aqui o senão poderá ser não haver vaga para um médio nas necessidades do futuro plantel, mas a sua qualidade não engana. Muitas vezes ofuscado pelo jogo mais vistoso de Zaydou, a meu ver o ouro está aqui. 

  4. Manu Silva (Vitória, 22 anos): estou certo de que esta escolha surpreenderá muita gente dado que ele não é sequer um titular indiscutível do Vitória, mas a verdade é que a sua qualidade de saída com bola rivaliza com os atributos dos melhores defesas centrais do campeonato nesse particular. Devido à sua técnica, algumas vezes foi utilizado como médio, sinal de uma polivalência que geralmente agrada aos técnicos. 

Jogadores não tão interessantes: 

  1. Jota Silva (Vitória, 24 anos): apesar de possuir grande velocidade e de ter indiscutivelmente golo, as suas limitações técnicas ao nível da recepção não o aconselham para a posição de interior no sistema de Amorim. Poder-se-ia equacionar ele jogar na frente como alternativa a Gyokeres, mas, embora a procura da "profundidade" não fosse um problema, tem deficiências no passe de primeira que não o recomendam para os apoios frontais que o sueco também tão bem sabe fazer e estiveram na origem, por exemplo, do recente 2º golo leonino no Dragão.
  2. Rafik Guitane (Estoril, 24 anos): tem muitas semelhanças com Edwards na forma como leva a bola colada ao pé e se esquiva aos defesas, mas é ainda mais inconstante que o inglês. Ora, um campeão faz-se com consistência, prestações individuais regulares e previsibilidade de rendimento, e o argelino deixa vezes de mais o génio dentro da lâmpada.

crito.jpg

belloumi.jpg

topic.jpg

Manu-Silva.jpg

Mais sobre mim

Facebook

Apoesiadodrible

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2024
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2023
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub