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A Poesia do Drible

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

A Poesia do Drible

03
Mar26

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Xeque ao Rei


Pedro Azevedo

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O Sporting entrou no jogo como em tantos outros jogos quando do outro lado está outro grande: o Leitor imagine uma dona de casa que liga a máquina de lavar, coloca lá dentro a roupinha de algodão, põe a temperatura a 60 graus, acciona o ciclo de lavagem mais longo e posteriormente a secagem à temperatura mais elevada possível. Como consequência, a roupa encolhe. Assim também tem sido o Sporting de Rui Borges nestes jogos: encolhido (o algodão não engana). Aqui fica um exemplo: a primeira linha de pressão costuma situar-se à saída da área do adversário. Pois neste jogo ela estava pouco acima da linha divisória do meio campo, como se estivéssemos a jogar com o PSG, o City, o Bayern ou o Barcelona. Mas estes clubes que referi não queimam tempo, não procuram quebrar o ritmo de jogo, não o param mesmo para que os seus treinadores possam chamar os jogadores à linha lateral para proceder a ajustes tácticos como o Porto faz abundantemente, jogam à bola. Por isso, na minha opinião, o Sporting deveria preocupar-se mais com os seus princípios de jogo e menos com a falta de princípios do jogo que Farioli implementa no Porto. Um Porto de combate, sem dúvida, mas que joga poucochinho, se não quisermos confundir futebol com wrestling. Assim, além das acções individuais de William Gomes, pouco mais Porto houve a nível ofensivo. Por isso, a partir do momento em que Maxi (estrondosa segunda parte) acertou a marcação ao brasileiro, o ataque do Porto desapareceu, com a honrosa excepção de uma "bisca" de longe de Alan Varela. Antes, o Porto deveria ter ficado reduzido a 10 elementos quando Alberto Costa entrou num "tackle" deslizante sobre Geny e lhe acertou em ambas as pernas de uma só vez. O árbitro não viu e o VAR não accionou o mesmo expediente usado na época passada em Aves para expulsar o Diomande com um segundo amarelo, uma chico-espertice à portuguesa que consistiu numa violação do protocolo à conta de uma alegada infracção para cartão vermelho que toda a gente na altura viu que seria excessiva. Adiante...


Se no primeiro tempo pouco se jogou, na etapa complementar o Sporting conseguiu impôr o seu jogo. Com Hjulmand e Morita a controlarem as operações a meio campo, Trincão finalmente a encontrar espaço entrelinhas e Suárez a conseguir libertar-se da marcação apertada dos centrais do Porto, os leões tomaram conta do jogo. E, apesar de uma definição sofrível dos lances no último terço do campo, chegariam ao golo depois de uma exuberante jogada de Suárez pelo lado esquerdo ter visto Fresneda conseguir acertar no poste a 1 metro da linha de baliza. Felizmente, a bola sobrou para Hjulmand e este foi abalroado por Fofana, pelo que não restou opção ao árbitro que não assinalar um penalty que Suárez converteu em golo. Até ao fim, o Sporting poderia ter ampliado a vantagem, mas, mesmo partindo à frente, o motor do Mini de Bragança afogou-se perante os cavalos a mais de Pêpê e a oportunidade perdeu-se. 

Perdido o jogo, logo André Villas-Boas e Farioli se destacaram pelo seu mau perder. Sobre o treinador italiano, que goza das boas-graças da boazinha e subserviente imprensa portuguesa, abro uma excepção para dizer o seguinte sem meias palavras: é um sonso, um "pintoso" armado ao fino, um "pinga a azeite" cujo Princípio de Peter ficou evidenciado quando trocou a profissão de treinador de guarda-redes (na equipa técnica de De Zerbi) pela de treinador principal. Porque enquanto treinador de guarda-redes estimulava o jogo à mão que é comum a modalidades como o andebol ou o basquetebol onde os descontos de tempo fazem parte das regras do jogo. No futebol profissional, não fazem (como caso de estudo sobre a hipocrisia ficou a distinta lata de se ter pronunciado sobre os alegados 5 minutos adicionais que o Sporting se terá demorado a mais no balneário ao intervalo). Rui Borges pode ter origens humildes, mas ao pé de Farioli é um senhor. E também bem menos provinciano do que aqueles que aceitam como bom o comportamento execrável deste italiano que veio para Portugal falar "ingalês" apoiado numa suposta ironia "brutânica" com que vai criticando árbitros, jogadores. os seus pares treinadores e instituições deste país que lhe dá guarida, ele que de fracasso em fracasso pelo mundo veio encontrar no norte do nosso país um último Porto de abrigo. Até ao dia em que lhe acenem com um "Arribederci", com sotaquezinho nortenho e trocando os "v" pelos "b", assim que o oxigénio acabe, a superioridade física da sua equipa se desvaneça (tomem nota do que ocorreu em Nottingham) e fique ainda mais evidente para todos a vacuidade da proposta futebolística que trouxe consigo para Portugal. Joguem à bola!!!

Ja o Sporting, mesmo que a jogar xadrez por muito mais tempo do que eu gostaria, acaba por sair deste "match" com um xeque ao rei (líder actual do campeonato). No Dragão haverá mate (nem que o Maxi o traga de casa). [O mate é uma bebida típica do Uruguai.]

Tenor "Tudo ao molho...": Hjulmand

28
Fev26

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

O Futebol regressa dentro de momentos


Pedro Azevedo

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Em Portugal, um jogo de futebol é tudo aquilo que acontece depois do jogo propriamente dito terminar e enquanto não começa um outro. Nesse sentido (não proibido, mas sim absolutamente obrigatório para os amantes do futebol em Portugal), os doutores da bola reuniram-se em fora (a Edite Estrela não foi convidada, o que justifica que muitos editores não saibam que o plural do sufixo do latim "um" é "a" e não "uns") televisivos a fim de discutirem se a inovação técnico-táctica  "maricón" adicionaria leveza ou peso ao desenho táctico "mono" que alguns juram ter existido em campo. A suportar a discussão, ao fundo ouvia-se aquela musiquinha do Ney Matogrosso, que reza assim:

"O que a gente fazÉ por debaixo dos panoPrá ninguém saber (...)
É debaixo dos panoQue a gente não tem medoPode guardar segredoDe tudo que se temÉ debaixo dos panoQue a gente fala do fulano E diz o que convém 
É debaixo dos panoQue eu me afogoQue eu me danoSem ver meu bem
É debaixo dos panoQue eu me afogoQue eu me danoSem ver meu bem (...)
É debaixo dos panoQue a gente esconde tudoE não se fica mudoE tudo quer fazerÉ debaixo dos panoQue a gente comete um enganoSem ninguém saber."
 
 
Não sei se os doutores terão lido Kundera e o seu "A Insustentável Leveza do Ser", mas a Direcção do Benfica certamente não o leu porque se o tivesse lido saberia que o excesso de leveza no presente conduz a um enorme peso no futuro (em sentido contrário, o Luisão leu-o, o que credibiliza as teorias de Darwin sobre a girafa e o seu papel na evolução das espécies). Bom, a discussão ia rica e intensa como sempre que o assunto (não) é futebol ou em que o futebol é usado apenas para nos mostrar a fragilidade da natureza humana. Eis então que chega uma nova jornada do campeonato nacional e para grande enfado dos tais doutores o assunto do momento tem de ficar a marinar em alhos, vinho e limão num saco hermético colocado no frigorífico de cada estação de TV. É chegada a hora da recepção do Sporting ao Estoril, uma daquelas estopadas burocráticas que quem gosta de futebol em Portugal tem de aturar até poder voltar a pronunciar-se sobre temas que verdadeiramente interessam. 

 
O Estoril é uma equipa dissimulada, camaleónica: apresenta-se com o apelido Praia, o que faz pressupor um time de veraneantes, mas os seus melhores resultados foram obtidos neste Inverno. E para o reforçar ainda usa como apodo o termo "Canarinhos", para que os tomemos em Copacabana ou no Leblon, ou imaginemos uma escola de samba, embora do seu onze base não conste nenhum brasileiro. Tem também um Guitane cujos impostos são retidos na fonte, só para contrariar a narrativa do Ventura, o que demonstra uma forte propensão de combate ao arrivismo, bem corroborada na atitude sensata do seu treinador, um homem sereno e cheio de boas ideias, que tem subido a pulso na carreira e sem se pôr em bicos de pés, pisar ou necessitar de favores de alguém. 


Se a sina do Sporting vinha sendo ganhar com golos decisivos no fim, o enredo da noite passada foi o inverso do que vinha sendo costume. Foi assim um Sporting à Benjamim Button aquele que se apresentou em Alvalade, maduro o suficiente para marcar a dobrar logo de início e assim sentenciar o jogo. Para tal muito contribuiu Suárez: se Estoril lembra costa, o colombiano soube espraiar-se nas costas estorilistas, estendendo-se por uma vasta área insuficientemente vigiada, que é sabido que o Instituto de Socorros a Náufragos só presta apoio em época balnear. Se cedo marcou, logo o Sporting procrastinou. Foram vários os avanços estorilistas até à nossa área, mas o nosso quarteto defensivo irredutível tudo conseguiu controlar. Até que o jogo acabou como começou, com novo golo do Sporting, com Bragança investido como a fénix (não confundir com Félix) que renasce das cinzas, superando as adversidades e mostrando-se mais forte e renovado - uma celebração da resiliência. 


Entretanto, o Porto ganhou, na sequência de uma oportuna biqueirada de Fofana no tornozelo de um jogador arouquense, e não haveria melhor parábola para descrever um dos calcanhares de Aquiles do futebol português. Por isso, acima de tudo, convém que não levemos esse futebol a sério, propósito aliás plenamente satisfeito pela existência dos tais programas de TV. Perdoem-nos então esta avaria, este breve interlúdio, o futebol português segue dentro de momentos. 


Tenor "Tudo ao molho...": Suárez
 
22
Fev26

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

O Desanuviamento após a Guerra Fria


Pedro Azevedo

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Depois da reedição do clássico Fischer-Spassky, em ambiente de Guerra Fria, transferido do Laugardalshöll (Reykjavik) para o Dragão (ainda assim o Dragão mais islandês de sempre, ou não existisse uma crença popular na Islândia que atribui aos Huldofólk o desaparecimento de bolas), o Sporting deslocou-se a Moreira de Cónegos para defrontar uma equipa com um xadrez estampado no peito. O Moreirense com a vantagem de jogar em casa, o Sporting a jogar de (camisolas) pretas. E o que se pode dizer é que o jogo correu muito bem ao Sporting. Aliás, os 2 jogos com o Moreirense foram porventura os mais conseguidos do Sporting neste campeonato. Essencialmente porque foram jogos de 90 minutos e não de 60, 45 ou 30, em que os Leões tiveram uma irrepreensível atitude competitiva. No jogo de ontem, com uma única excepção: aquele louco minuto à Pink Floyd (o Sporting vencia já por 2-0), de momentâneo lapso de razão, em que de uma assentada concedemos 3 oportunidades à equipa de Moreira de Cónegos.

A ala esquerda formada por Maxi e Luís Guilherme foi tão instrumental no desempenho colectivo do Sporting quanto o conhecimento que o Grande-Mestre Rui Borges tem de um adversário que treinou até há 1 ano e meio atrás. Pressionando a saída de bola de Gilberto Baptista, um possante antigo central das nossas camadas jovens cuja carreira não evoluiu ainda para outros patamares por um histórico de acumulação de desconcentrações comprometedores durante os jogos, o Sporting recuperava rapidamente a bola para depois lançar essencialmente a ala esquerda. Aí, a raça de Maxi misturada com a velocidade com bola de Luís Guilherme, ambos suportados numa excelente habilidade com bola, cedo fizeram a diferença apesar da boa luta que Dinis Pinto deu. E se na primeira parte três excelentes oportunidades foram desperdiçadas por Trincão (duas vezes) e Suárez, no segundo tempo outras três acabaram no fundo da baliza do Moreirense. Primeiro, por Trincão, após exímia jogada colectiva que teve em Luís Guilherme e Maxi os seus criadores. Depois, por Geny, num golo que seria digno de  correr o mundo se tivesse sido apontado por um daqueles proto-craques made-in Seixal, que, qual Mousse Alsa, instantaneamente valem muitas dezenas de milhões nos jornais até desaparecerem com igual velocidade para nunca mais ninguém ouvir falar deles. Finalmente, por Suárez, após um seu já habitual surgimento furtivo ao segundo poste.  

Com 3-0 no marcador e minguos 15 minutos por jogar, pensou-se que seria desta que Rui Borges daria uma oportunidade ao Flávio Gonçalves, mais uma vez pregado (com estacas) no banco. Mas não. Na verdade ele só lá está por ser membro de uma geração habituada a conviver com a tecnologia. E assim poder dar formação a Rui Borges em manuseamento de tablets. Do plano consta uma hora e meia ao fim de semana, com um quarto de hora de intervalo para o treinador ir fazer um xi-xi.  Em compensação, Rui Borges ensina-lhe nos treinos um jogo tradicional leonino: pegar num pedregulho, subir com ele uma ladeira e de lá de cima lançá-lo ladeira abaixo. De forma repetitiva, que já se sabe ser da repetição no treino que vem a excelência. 

Boa vitória do Sporting que no entanto revelou que neste tipo de jogos Quaresma pode dar muito mais à equipa do que Diomande. Quanto ao apagão de Simões, a REN e a E-Redes ainda estão a investigar as suas causas, esperando-se que não se esteja a dever a um qualquer súbito aumento de tensão. 

Tenor "Tudo ao molho...": Trincão. Luís Guilherme, Suárez e Maxi estiveram igualmente em bom plano. 

16
Fev26

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Ir à guerra sem um “sniper”


Pedro Azevedo

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Um tipo (Nel) fazer escola nas forças armadas, especializar-se como "sniper" e na hora de ir para a guerra ser substituído pelo maestro da banda sinfónica do exército (Pote) não é natural, o que é natural é "cada macaco no seu galho" ou "o seu a seu dono", como o povo, na sua infinita sabedoria, não se cansa de dizer. O mesmo povo, aquele que clama por mais justiça social e valorização profissional, a que Rui Borges tanto reivindica pertencer, ainda que demasiadas vezes faça ouvidos moucos ao eco das suas palavras. 

O "povo" a que Rui Borges pertence é afinal a mesma nova burguesia do mestre Jorge Jesus, com gosto por compras em mercados requintados, que também tem os seus provérbios, como aquele que nos dizia que um jovem da Formação precisaria de nascer 10 vezes para substituir um Matic (na realidade, apareceu logo a seguir o Renato Sanches, que ironicamente ajudou a roubar um campeonato ao JJ), servindo aqui o sérvio de paradigma da titularidade num grande. "É o que é", e nesse sentido mais valeria arrendar Alcochete à ANA para servir de alternativa à Portela. Assim como assim, os jovens da nossa Academia já andam a ver passar os aviões há muitos tempo...

 

O problema de Rui Borges não foi nem nunca será o Casio, mas sim o "quart(z)o de hora" que foi dado ao Nel, que deveria ter jogado de início, não perdendo a equipa a referência de ataque. Entretanto, o Flávio voltou a passar o tempo todo sem sair do banco. A continuar assim, ainda chega a gerente...

 

Por ironia do destino foi o Daniel Bragança, produto da nossa Formação e em boa hora aposta de Ruben Amorim não como titular absoluto mas como jogador da rotação, quem nos deu a vitória. É essa a nossa sorte: apesar dos desequilíbrios evidentes de qualidade no plantel, a qualidade extra dos nossos melhores jogadores destaca-se tanto da dos de outros clubes, outros grandes de Portugal incluídos, que no fim não ganhar é quase impossível. Por muitas asneiras que se cometam. Ora, isso é estimulante, na medida em que, podendo ser cometidas asneiras, o desafio passa a ser inventar novas todas as semanas. 

Tenor "Tudo ao molho...": Daniel Bragança. Gostei também de Luís Guilherme no primeiro tempo e de Maxi, Inácio e Diomande no tempo todo. 

10
Fev26

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

O medo sobrepôs-se à ambição


Pedro Azevedo

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O Oscar Wilde, que ainda conseguiu viver o suficiente para ver nascer o futebol, disse um dia ironicamente que a ambição é o último recurso do fracassado. Tal bem que podia ser aplicado à exibição do Sporting no Dragão, primeiro especulando com o jogo à italiana, preferindo a segurança à ousadia e assim evitando os habituais envolvimentos de jogo interior, depois arriscando tudo já a perder, procurando evitar uma derrota comprometedora que deixasse o campeonato já arrumado. O facto de não termos entrado com tudo demonstra que tivemos mais medo de perder do que vontade de vencer, preferindo depender de terceiros que nos ajudem a anular a desvantagem na classificação do que sermos competentes no que dependa exclusivamente de nós. E a verdade é que perdemos uma enorme oportunidade de encurtarmos a distância para o Porto para 1 ponto porque o rival pareceu uma equipa cansada e a acumular lesões, e o Sporting não soube aumentar a intensidade e pressionar o Porto no campo todo para expor assim ainda mais essas limitações. Para jogar à italiana e ter sucesso, não correndo riscos no meio, o Sporting precisaria de ter jogadores nas alas que fizessem a diferença. Só que Maxi ficou sacrificado em tarefas defensivas e Fresneda desperdiçou todas as liberdades para atacar que teve no seu flanco, comprometendo também no golo portista (a sua constrangedora exibição acabou salva por uma mão de Moura). Assim, o Sporting limitou-se a controlar o Porto, ao invés de o procurar desequilibrar. Sendo certo que a manterem-se os 4 pontos de diferença, o Porto só será campeão no final da penúltima jornada do campeonato, não é menos verdade que se estranha que Rui Borges não tenha pensado ser um fracasso sair do Dragão sem encurtar essa desvantagem. Assim, o Sporting só arriscou quando se apanhou a perder. E ainda foi a tempo de minorar o prejuízo face a uma equipa de muito trabalho mas pouco talento e que se dá ao luxo de deixar de fora durante largos períodos um dos poucos jogadores que efectivamente desequilibra individualmente neste campeonato. Refiro-me a Rodrigo Mora, o tal que é pequenino e impróprio para o Inverno (dizem os "entendidos") e ontem venceu um duelo aéreo com Fresneda antes de sobre ele fazer gato e sapato e estar na origem do golo portista.  Foi então o tempo para Rui Borges deixar de lado a "riqueza táctica" e as preocupações com anular o adversário. E, nos últimos 15 minutos, o Sporting fez muito mais do que nos primeiros 75, levantando a questão sobre o porquê de não o tentar ter feito desde o início.

 

A auto-limitação a que Rui Borges se impôs não teve a ver com jogar com mais ou menos avançados, mas sim com o receio que demonstrou de tentar jogar o seu habitual futebol, evitando ao máximo os passes entrelinhas por receio de perdas de bola comprometedoras no centro do terreno. Também me pareceu que a substituição de Morita por Simões foi retardada ad-nauseam (ao ponto de já não ocorrer), o que mais uma vez evidenciou a dificuldade que o nosso treinador tem em apostar nos jogadores formados em Alcochete. Simões que continua a manter a impressionante estatística de ter estado presente em todos os jogos do campeonato em que o Sporting não perdeu pontos (ausente com Porto e Braga na primeira volta e Porto na segunda, substituído antes do Gil ter empatado), com a excepção do jogo da Luz, em que não foi titular e entrou já com o empate final no marcador. 

Tenor "Tudo ao molho...": Maxi 

06
Fev26

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Angústia para o jantar


Pedro Azevedo

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A insistência pode ser vista como persistência inteligente ou como resistência (teimosia) cega. Para encaixar Luís Guilherme de uma forma produtiva e assim justificar o elevado investimento na sua contratação, Rui Borges colocou-o à direita. Foi a quarta titularidade do brasileiro em outros tantos jogos domésticos, o que indica bem a aposta do treinador leonino nele, uma coisa impensável de acreditar poder ocorrer com um jogador da nossa equipa B (em que as convicções são ténues). Individualmente a coisa correu bem, mas colectivamente não. E porquê? Porque Trincão, o melhor jogador do Sporting neste momento (Pote ainda está a recuperar a melhor forma), foi deslocado para a ala esquerda, perdendo assim o Sporting aqueia porta giratória de onde o antigo jogador do Barcelona parte para atacar o adversário pelo centro do terreno. No centro jogou Bragança, também ele deslocado da sua posição de médio. E voltou a não correr bem, à semelhança do já ocorrido em Bilbau. Refiro-me à fluidez do nosso jogo ofensivo e à sua prestação face ao que Trincão nos costuma dar nessa posição, porque em termos do impacto do Daniel no resultado final as coisas poderiam ter sido bem diferentes, nomeadamente se aquele seu desvio após cabeceamento de Suárez tem entrado na baliza em vez de embatido na barra ou se o VAR tem chamado o árbitro para marcar um penalty a nosso favor e não desvalorizado uma ofensa gritante à masculinidade do médio formado em Alcochete, um facto que escapou a Narciso e nunca deveria ter escapado logo a um Narciso, que já se sabe ser alguém muito preocupado com a sua aparência física. 

Adicionalmente, com Hjulmand muito abaixo do seu valor, Kochorashvili dentro da bitola meã a que nos habituou, Vagiannidis alternando o bom com o péssimo, Mangas num registo menos ofensivo e o sempre vertiginoso Quaresma desta vez claramente limitado no jogo aéreo (condicionado pela máscara), o Sporting nunca conseguiu sufocar o AVS. Pelo que, apesar dos dois golos de vantagem que entretanto havia logrado alcançar, o Sporting foi sempre dando razão aos avenses para acreditarem poder voltar ao jogo. E assim aconteceu, primeiro após uma mão na área de Hjulmand que me pareceu erradamente interpretada pelo VAR, depois na sequência de um abalroamento infantil de Vagiannidis a um avançado avense, lance desta vez muito bem analisado pelo vídeo-árbitro. E assim dos serviços mínimos passámos a um estado de alerta e até de emergência. E a um indesejável prolongamento em vésperas de deslocação ao Dragão. Já sem Trincão, entretanto substituído pelo festejado regresso do infortunado Nuno Santos, repetindo Rui Borges o mesmo erro que cometeu na meia final da Taça da Liga. Até que Catamo, respeitando o AvisoPROCIV que recomendava que os indivíduos se afastassem das margens, "bolinou" para dentro e marcou um golaço de Geny(o). Um alívio tardio, ainda que reconfortante, porque a noite podia ter acabado em sobressalto se em cima do fim do tempo regulamentar um isolado avançado avense tem acertado bem na bola. Mas não acertou, o Sporting ganhou e para o Dragão se moralizou. Foi como terminou um jogo em forma de assim (O'Neill), que em forma de assim também é aquela coisa a que dão o nome de AVS (ou AFS, ou lá o que é). Vamos!!!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Geny Catamo 

04
Fev26

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

O Flávio em terra de Puskas


Pedro Azevedo

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Os U2 cantavam "Where the streets have no name", referindo-se a Manhattan, onde os números substituem o alfabeto. Pois bem, no futebol português há clubes que não têm nome, mas apenas uma daquelas denominações jurídicas de empresas feitas na hora, algumas delas que resultam de se coser atabalhoadamente um amalgamado de letras semelhante ao que podemos encontrar num consultório de oftalmologista. Houve o caso da B SAD e agora temos o AVS ou AFS, que migrou de Vila Franca para a Vila das Aves, não se sabendo se os seus antigos adeptos ribatejanos viraram nómadas e continuam assim a acompanhar o futebol como as corridas de touros. É exactamente contra esse AVS ou AFS - é incrível como, vários anos depois, nem sequer haja ainda na imprensa desportiva um consenso sobre o nome exacto deste clube, variando consoante as estações de televisão e os jornais - que o Sporting vai jogar amanhã, para os quartos de final da Taça de Portugal. Com o golo de classe que marcou à Oliveirense no último Domingo (equipa B), pensei que o Flávio Gonçalves viesse a ter uma oportunidade na Taça. Mas não, que há que justificar o elevado investimento conjunto em Luís Guilherme e em Souleymane Faye, que, desde que respirem, irão sempre ser tão prioritários quanto as senhoras em estado de gestação, ainda que francamente bem menos esperançosos. E assim o Flávio apareceu hoje na Youth League, em jogo na Hungria, contra o Puskas Academy, uma equipa criada para homenagear o famoso esquerdino magiar, também conhecido pelo epíteto de "Major Galopante". Uma equipa que honra um major é sempre de enaltecer, ainda mais numa época de enxurradas em Portugal em que bem falta nos faria um Capitão Nemo e o seu Nautilus, das 20.000 Léguas Submarinas (um nome certamente do agrado dos comentadores desportivos que estão sempre a falar em "profundidade"). Bom, mas então o Flávio lá foi a jogo. E não é que voltou a ser decisivo? Primeiro, num livre venenoso, daqueles que pedem que se penteie a bola ou em alternativa que a deixem despenteada o suficiente para que o guarda-redes não a veja a pisar o risco. Depois, no último minuto, esteve na origem do golo da vitória, que começou a ser materializado numa recepção de bola inacreditável e certamente só ao alcance de uns poucos predestinados. Não sei se o Rui Borges viu isto ou se o Frederico Varandas já está a preparar o próximo mercado, mas se calhar fazia sentido que por uma vez as palavras encontrassem eco na acção, a percepção criada correspondesse à realidade, e a Formação fosse de facto para ser levada a sério. A nossa, e não a do Fluminense (Biel), Palmeiras (Luís Guilherme) ou Galaxy Dakar (Faye), a fim de que os nossos jovens não fossem condenados a um "Castigo de Sísifo"...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Flávio Gonçalves 

 

02
Fev26

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Apocalipse Nau (ou melhor, Arca)


Pedro Azevedo

Todos os que me lêem (contra o Acordo Ortográfico, marchar marchar) sabem que eu sou um defensor da nossa Formação. Não porque ela seja parte integrante do nosso ADN, como demasiadas vezes vejo erradamente escrito por aí (não confundamos as coisas, o que está inscrito no nosso ADN é ganhar - "Tão grande como os maiores da Europa"), mas na medida em que o seu aproveitamento é uma garantia da nossa sustentabilidade. Todavia, temos infraestruturas, equipamentos, técnicos qualificados, a capacidade está instalada, mas depois não consumimos o que produzimos, gerando-se desperdício de talento (o caso Afonso Moreira, por exemplo) muitas vezes devido ao fenómeno da Obsolescência Perceptiva (o marketing e o público "exigem" novidades, e logo vem um Biel). Um exemplo claro do verdadeiro castigo de Sísifo a que está sujeita a Formação ocorreu durante o dia de ontem: de manhã, Flávio Gonçalves regressou à equipa B e marcou um golo de grande classe. Ao fim da tarde, Luís Guilherme e Faye mostraram ter muito menos critério na decisão do que o miúdo nascido em França. Mas são novidades, o treinador pediu, o presidente anuiu, o público entusiasma-se primeiro e depois tolera. Sobre o Luís Guilherme já havia escrito aqui que gosto da sua progressão vertical com bola em drible, mas na definição dos lances faz o Averell Dalton (Lucky Luke) ficar bem na fotografia. E o Faye é potente, mas um pouco trapalhão. Pelo que seria inimaginável para mim trocar o Flávio por qualquer um deles. Ainda por cima, o Flávio partilha características com o Pote que assegurariam um match perfeito com a ideia de jogo do nosso treinador, sendo igualmente muito forte na leitura do jogo e com excelentíssima dinâmica interior. E aos 18 anos já percebe muito melhor o jogo do que esses dois jogadores mais velhos que o Sporting em Janeiro foi buscar ao mercado, prova inequívoca de como falham as convicções sobre a qualidade da nossa Formação, envolvendo eu nessa falta de crença desde o treinador até à Estrutura encabeçada por Frederico Varandas.


Em dia de Apocalipse, não tanto pela chuva (incessante) mas sim porque revelador do pouco estatuto da Formação quando se trata da janela aberta do mercado de transferências, o Sporting recebia o Nacional na sua casa sita no Campo Grande. Se a aventura de chegar ao estádio já me havia deixado molhado até aos ossos, o vento que tocava a chuva e uma insistente goteira proveniente da cobertura da bancada nunca me permitiram secar a roupa e o corpo. Uma loucura, na verdade, como tantas outras coisas que fazemos por pura paixão. O jogo, igualmente cinzento, frio, também não ajudou. No primeiro tempo contei apenas duas oportunidades, uma para cada lado. E a segunda parte não foi muito melhor. De repente, o Pote marcou e escreveu mais um capítulo da Ilustre Casa dos Gonçalves onde o aprendiz Flávio ainda anda infelizmente a lavar o chão. Parecia definitivo, mas o dia não era de Diomande, ontem sempre precipitado nos duelos e assim muitas vezes apanhado fora de posição, e o Nacional empatou. Rui Silva também não ficou isento de culpas, podia ter socado a bola noutra direcção. O jogo caminhava para o fim, o empate parecia mais do que certo, mas eis que do dilúvio surge o Noé e a Arca à qual se agarrou Suárez para nos levar ao Paraíso. Depois de Arouca e de San Mamés, o Sporting salvava-se sobre o gongo, dando razão ao velho provérbio de que não há duas sem três. Haverá quatro? No Dragão poder-se-á escrever um novo adágio popular ilustrado a verde-e-branco [mas se calhar sou eu (ainda) a "meter água"]. 


Tenor "Tudo ao molho...": Luís Suárez (Quaresma foi preponderante no último golo, é ele que cria o desequilíbrio, e Alisson fez o cruzamento... para trás, que o colombiano com uma gama de recursos notável resolveu com o calcanhar).

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01
Fev26

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

A Ilustre Casa dos Gonçalves


Pedro Azevedo

Se do mundo ficcional de Eça de Queiroz irrompeu a Ilustre Casa de Ramires, com Gonçalo e Tructesindo como protagonistas, na realidade do nosso Sporting existe em semi-clandestinidade uma Ilustre Casa de Gonçalves, com o Pedro como estrela e o Flávio ainda como nota de rodapé. O Pedro tem o cognome de Pote e de ouro é revestido, que mesmo nos dias mais chuvosos podemos sempre encontrá-lo, qual Leprechon, no final do arco-íris. E se o Pedro é o Pote, o Flávio é o Cântaro. Só se espera é que não parta, tantas vezes vai à fonte (equipa B), porque a nossa equipa principal precisa de um talento assim. Desconhecido para uma maioria de adeptos que preferem ganhar Faye do que jogar bonito, o Flávio voltou hoje a mostrar de que categoria é feito. O seu golo à Oliveirense foi uma obra-prima de Mestre, o que não deve ser confundido com a prima do mestre-de-obras utilitária que faz as delícias dos treinadores do nosso tempo, cheios de preconceitos sobre atleticidade, homens que sonham ser os protagonistas, de joystick de PlayStation em punho, e trocam facilmente o talento puro desenvolvido em casa por umas aventuras no mercado do Football Manager. Homessa, que falta faz um Eça!!!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Flávio Gonçalves (igualmente eleito pela SportingTV)

 

PS: o Nuno Santos voltou, e essa é uma grande notícia. 

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29
Jan26

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Alisson, o Herói de San Mamés


Pedro Azevedo

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Já aqui escrevi que não acredito em coincidências. Observem o ocorrido ontem: o estádio do Athletic denomina-se "San Mamés". Ora, Mamés em português traduz-se para (como) Mamede. Refere-se a Mamede de Capadócia, um santo e mártir cristão do Século III que tinha uma relação singular com os leões, ao ponto de estes não o terem atacado na arena como os romanos esperariam quando o enviaram para o Circo, obrigando estes a fazer uso de outros expedientes para o executarem. Pois bem, Mamés pode ser reverenciado pelos leões bascos, mas Mamede (Fernando) é o nome do não menos estimado nosso campeoníssimo agora desaparecido, também ele com uma relação de uma vida com os leões. Acreditam por isso que o Sporting ter ido ganhar ao Estádio de San Mamés logo no momento em que choramos a morte do nosso Mamede foi um acaso, ou será que tudo obedece a uma ordem determinada das coisas? Quem sabe se lá no céu o nosso Mamede não começou já a meter uma cunha por nós...!? Ou talvez Deus nos tenha querido compensar por tamanha perda...

Com esta vitória ao soar do gongo, como tal ainda mais saborosa, o Sporting conseguiu o feito histórico de se qualificar automaticamente para os oitavos de final da Champions. Com uma média de 2 pontos por jogo, os leões ficaram dentro das 8 equipas primeiras classificadas (num total de 36). Vale a pena observar quem foram as outras: Arsenal, Bayern, Liverpool, Tottenham, Barcelona, Chelsea e Manchester City. Ou seja, 5 clubes ingleses (dominadores), 1 alemão e 1 espanhol, nenhum italiano, nenhum francês. Uma grande proeza do Sporting e do futebol português, portanto. 

Com Pote a necessitar de ser gerido, o Sporting entrou de início com Bragança. Não resultou bem, não tanto pela presença do Daniel mas porque assim o Trincão teve de ser deslocado da sua posição habitual no centro. Também não ajudou à festa o ressalto infeliz da bola em Hjulmand e a ingenuidade de Matheus Reis que proporcionaram dois golos ao Bilbau. Pelo meio, marcámos um golo, por Diomande após canto de Maxi. 

Se o primeiro tempo nos tinha deixado um travo amargo na boca, a segunda parte não trouxe grandes novidades até às entradas de Pote e de Quaresma (e Morita). Finalmente com um adiantado mental no relvado, alguém capaz de pensar na solução uns décimos de segundo à frente de todos os outros, o Sporting começou a tomar conta do jogo, para o que também contribuiu o facto de termos passado a ter um central capaz de levar a bola para a frente (Quaresma). E foi na sequência de uma arrancada do central formado em Alcochete que Pote combinou a meias com Trincão e um pé (faz sentido!) basco pelo caminho e o Sporting empatou a partida. Depois, Suárez marcou um golo anulado por uma biqueira de uma bota e o VAR reverteu um penalty sobre Geny que numa segunda fase da abordagem do defesa espanhol pareceu mesmo ter existido (primeiro toca na bola, depois aplica uma chave de pernas ao moçambicano). Ainda houve um remate perigoso de Geny que Simon defendeu. Até que Bilbau e Sporting decidiram arriscar tudo: o Athletic porque marcando se qualificaria para os play-offs (à custa do Benfica, sabe-se agora), o Sporting porque se qualificaria directamente para os oitavos de final. E foi o Sporting a consegui-lo, já na fase de desespero dos bascos, beneficiando de um contra-ataque em que primeiro Suárez falhou na cara do golo e depois Alisson acelerou no seu acompanhamento, travou de repente e derrapou um pouco, mas conseguiu não só manter-se de pé como impedir 2 adversários de chegarem à bola e marcar. Alisson, o herói de San Mamés!!! Quem diria? Ou como 3 golos na Champions e nenhum no somatório das outras competições mostra à saciedade que o brasileiro precisa de latifúndios para aplicar velocidade e finta. Mas que remata bem à baliza, lá isso remata. E é uma arma-secreta que pode idealmente ser lançada no decorrer de uma partida, especialmente se melhorar os seus jogo interior e sentido colectivo. 

Entretanto, no seguimento de uma brilhante vitória sobre o Real Madrid, o Benfica conseguiu em cima do gongo classificar-se para os play-offs da Liga dos Campeões. Graças também ao Sporting, porque, se o Athletic nos tem ganho, o Benfica teria sido o vigésimo quinto no final e assim o primeiro dos eliminados. Será que na Luz se prepara um comunicado... de agradecimento?

 

Tenor "Tudo ao molho...": Alisson 

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