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A Poesia do Drible

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

A Poesia do Drible

12
Abr25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

O dia em que a realidade superou a ficção


Pedro Azevedo

Quando, em "Once upon a time in Hollywood", Tarantino mudou o destino de Sharon Tate, na verdade uma vítima mortal do clã de Charles Manson, estava de facto a piscar o olho ao espectador, mostrando-lhe que a ficção podia alterar a realidade dos factos sem que daí resultasse necessariamente qualquer desconforto a quem esperaria um final diferente. Foi surpreendente. Hoje aconteceu o contrário, o Godot (Pote) finalmente apareceu, o que fez com que a realidade tivesse contrariado a ficção de Beckett. Também não houve qualquer desconforto, pelo menos entre os Sportinguistas, o que mostra que a ficção e a realidade podem distorcer-se entre si sem que ninguém se incomode, desde que tal agrade a quem assiste. Algo que os políticos já aprenderam há muitos anos...  

 

Para quem durante 4 décadas teve de conformar-se com ver o seu clube como um underdog, a "Táctica do Cachorrinho", que consiste em ficar em vantagem no marcador e depois desistir do ataque continuado, recuar linhas e lançar a bola na direcção do Gyokeres como se esta fosse um osso e ele um vira-lata, até pode parecer uma promoção. Mas a verdade é que no campeonato tal resultou numa despromoção, com o Sporting a descer de primeiro para segundo na tabela classificativa.  Talvez para evitar mais do mesmo, hoje Rui Borges pareceu querer evitar ficar cedo em vantagem. Por isso, Quenda ficou no banco e entrou Fresneda, o que num jogo onde o m2 estava caríssimo significou abdicar de criar quaisquer desequilíbrios. Assim, a primeira parte foi paupérrima, com Borges a querer personificar aquele lema do Bukowski de que "um gosto precoce de morte não é necessariamente uma coisa má". E de morte de facto se tratava, na medida em que, se o Sporting não vencesse, o campeonato estaria irremediavelmente perdido. O Santa Clara pressionava em cima, o espaço era pouco ou nenhum, mas é nesses momentos em que se solta o geny(o) da lâmpada daqueles jogadores acima da média. E foi o que aconteceu quando, já no segundo tempo, o Trincão meteu um passe nas costas da defesa açoriana e daí resultou um golo do Catamo. A diferença é que desta vez não recuámos linhas, continuámos a atacar e Fresneda até conseguiu finalmente ganhar a linha e centrar para Gyokeres estrelar uma bola na trave.  Ou Diomande marcar um golo que desta vez foi anulado por 13 cm. Pelo que o Santa Clara a partir daí só incomodou através de livres directos saídos do arco da velha apitagem à portuguesa que marca faltas por tudo ou por nada, a não ser que a vítima seja alta e espadaúda como o Gyokeres, o que nesse caso significa que vale tudo menos tirar olhos. 

O Sporting ganhou e o Pedro Gonçalves voltou. Não é só contrariar o Beckett, há qualquer coisa de sebastiânico no regresso do martir Pote de Alcochete-Quibir, no sentido em que a partir deste facto a nossa história pode ser recriada. Agora só temos que disfarçar isto, fingir que nada mudou e tirar a máscara (por enquanto o Gyokeres pode emprestar a dele) na altura certa, na Luz. Assim a jeito de Almeida Garrett, em Frei Luís de Sousa: 

-"Romeiro, quem és tu?"

-"Ninguém!"

 

 

"Quando faltar a inspiração, que não falte a atitude". Hoje batemo-nos como leões, contra ventos (fortes) e marés (enxurrada de Cláudio Pereira em jogos com o Santa Clara).

 

Tenor "Tudo ao molho...": Geny Catamo 

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19
Dez24

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Brunilda, Siegfried e "Os Amigos de Alex"


Pedro Azevedo

Caro Leitor, a esperança de Frederico Varandas resume-se a que o presente dilema em que se encontra o futebol do Sporting (o treinador deve ser substituído?) possa ser resolvido da forma como ontem marcámos os golos, ou seja, primeiro empurrar com a barriga a sua concretização (golo de Harder) para depois vir a beneficiar do atraso (golo de Gyokeres, após um atraso de bola de Frederico... Venâncio).  


Descontrolo emocional (expulsões de Esgaio e St Juste), falta de rigor na adopção da linha de fora de jogo (aos 77 minutos, Debast voltou a afundar, não respeitando a linha e colocando um açoriano em jogo, permitindo um cruzamento do Santa Clara que só não deu golo por acção de um Quaresma milagreiro; em cima da hora, Simões pôs em jogo o jogador que empata a partida), tomadas de decisão criticas (muitos passes errados a meio-campo, St Juste a encolher-se e a dar uma grande oportunidade de golo ao Santa Clara), jogadores fora da sua posição (Quenda como interior e pela esquerda), pouco jogo entrelinhas (os interiores voltaram a jogar de dentro para fora e não o seu inverso, ocupando previamente o espaço que de outro modo poderia ser descoberto), gestão de esforço incompreensível (Quaresma estava em dúvida para o jogo e foi o último central a ser substituído, acabando por sair visivelmente lesionado), um treinador graduado que faz lembrar o ministro de propaganda do Iraque a vender uma realidade alternativa (insólita conferência de imprensa de TT) e outro estagiário que mostra uma humildade no discurso que não encontra correspondência na tentação de apressadamente procurar dar um toque pessoal naquilo que antes estava perfeito, tudo isto fez parte do menu ontem apresentado por João Pereira em Alvalade.

 

Eu imagino que não seja fácil para um estagiário ser graduado em CEO e lançado às feras num mercado aberto, fortemente mediático, competitivo e nem sempre concorrencialmente leal. A pressão é ainda maior quando estamos a falar de uma grande empresa, naturalmente muito escrutinada pela opinião pública. Para que a aprendizagem se vá fazendo sem grandes ondas, é fundamental que haja resultados. E quando os resultados não aparecem e tens a árdua tarefa de substituir um antigo CEO que teve muito sucesso, então esse tempo de aprendizagem pode esgotar-se rapidamente e seres convidado a sair. Porque se antes foi criada a percepção de que tinhas um Aston Martin nas mãos, não podes ter a prestação de um Mini. Precisas de tempo, mas esse tempo só se ganha com vitórias. Se não ganhas e não consegues transmitir onde está o problema, então quem te observa chega imediatamente à conclusão que também não saberás encontrar a solução. Porque uma coisa é teres poder, outra é seres reconhecido como uma autoridade por aqueles que lideras. E se nunca é bom haver colaboradores a medir o pulso ao novo líder, no futebol, com o mercado de Janeiro à vista, ainda é pior. Também por isso, os resultados são muito importantes, e nesse sentido, ontem, João Pereira voltou a ganhar tempo. O que fará com ele, ninguém sabe, sendo certo que parece ter havido um retrocesso no processo desde o jogo com o Boavista. O que nos leva à probabilidade de ocorrência futura de um Complexo de Brunilda: este, que assente na velha lenda alemã de Brunilda e Siegfried (ver Caixa de Comentários), aparece quando num relacionamento um dos parceiros vê no outro um super-herói, produzindo sobre ele expectativas e ilusões demasiado altas, irrealistas, para ao fim de um longo tempo começar a ver os seus defeitos e perceber que afinal ele não era assim tão perfeito, acabando por o desvalorizar por completo. A bem do Sporting, esperemos que Frederico Varandas e restantes defensores da solução João Pereira nunca venham a sofrer deste complexo. 

 

Enfim, as coisas não estão fáceis, mas também não era preciso "A Lei da Desvantagem de Malheiro" para as piorar, promovendo o anti-jogo e a falta de intensidade com que se jogou. Como não é suposto que um jogador tenha de andar a fintar um árbitro que corta sistematicamente linhas de passe a quem ataca por mau posicionamento ou que um vídeo-árbitro não consiga descortinar uma cotovelada na boca de Gyokeres dentro da área do Santa Clara, mas também isso ocorreu ontem, em Alvalade. Pelo que uma coisa é o nosso titubeante João Pereira, outra é a percepção, que espero seja errónea, de que há um sistema a reerguer-se que aproveita o nosso mau momento para definitivamente nos enterrar.  Nesse sentido, um VAR avariado não é natural, o que é natural é o Restaurador Olex (e não Alex). E de restauro bem está precisada a arbitragem portuguesa, que o que se passou em Alvalade foi inadmissível para todos com excepção dos "Amigos de Alex", saudosistas de um outro tempo que não queremos que volte. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Vik Thor Gyokeres. Harder marcou um golo importante na primeira vez em que tocou na bola. Debast esteve muito bem até ao momento em que o Santa Clara foi atrás do resultado.

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01
Dez24

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Momentâneo lapso de razão?


Pedro Azevedo

O Einstein, que aparentemente não era burro nenhum, dizia que insanidade é fazer sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes. Ora, eu espero que o João Pereira não seja louco, por ele e por nós. Talvez só queira contrastar com quem o precedeu, o que é humano mas pouco inteligente e recomendável quando se tem nas mãos um F3 que Amorim evoluiu para um F1 e já tem muita rodagem. Mas quando o João lança de novo de início o Edwards em modo morto de sono eu fico logo a imaginar a alegria dos cemitérios que os Sportinguistas no fim vão sentir...

Uma das coisas que me davam gozo no tempo de Ruben Amorim era o nosso jogo de triângulos. Pois bem, isso ontem esteve ausente. Ou melhor, se houve algum triângulo, ele foi obtuso. Pelo que de geometria euclidiana estamos conversados, deve ser coisa da antiguidade clássica. Sem jogo interior que desbloqueasse a contenda, regressámos ao chuveirinho para a área. Ora, para chuveirinho, logo meter água quando não se tem um avançado cabeceador, também podia eu dirigir do banco o futebol do clube. E se é para criar uma oportunidade flagrante de golo durante todo o jogo, então o José Pereira e a ANTF que esqueçam os treinadores encartados, porque, se o nível III é isto, 3 milhões de Sportinguistas estão habilitados para treinarem a equipa: 

 

Depois, o João ainda agora começou e no arranque para o campeonato já conseguiu vários recordes: perdemos em Alvalade após 31 jogos invictos e não marcámos um golo pela primeira vez em 53 jogos. É obra de Academia!!!

 

Também gostava de saber onde anda o Diomande de antes da CAN. Dão-se alivíssaras a quem souber do seu paradeiro. Ver dois contra um e os nossos dois irem para o vazio e o um deles ir para o lado da bola é coisa para matar do coração qualquer treinador, e disso o João Pereira não tem culpa. Mas foi assim que o Santa Clara ganhou o jogo, contando também com a inação do guardião Kovacevic que confundiu o remate com uma fotografia e ficou a posar. A posar a a pousar... os braços e as pernas. Será modelo fotográfico? Lá altura tem para isso...

Já se sabia que este campeonato tinha de ser para o Benfica. Mas, apre, ao menos que eles façam por o ganhar, ou então que apareça um ou mais árbitros do jeito daquele que os apitou no Mónaco a fim de que vençam. Agora, sermos nós a oferecer-lhes o campeonato de bandeja deixa-me doente. Bem sei, o Natal está aí à porta, mas o Pai Natal desde o tempo da Coca-Cola que não é verde. 

Bom, vamos lá a ver se isto ainda se compõe. Para vos ser franco, não estou muito optimista. Mas, enfim, a esperança é verde, não é verdade? Porém, não faria mal ao João Pereira ler o William Blake quando ele escreve "como saberes o que é suficiente, se não souberes o que é demais?" João, o Edwards é demais, ok? E se o João não entende, vai acabar por perceber tarde e a más horas que está a mais. Para mal dos nossos pecados, embora o pecado original tenha sido do Amorim ao aceitar dar uma dentada na maçã do United que pelo andar da carruagem se traduzirá no Sporting, e não o microfone, ir ao chão. Como a sucessão preparada há meses pressupunha um patamar superior, não sei se há alguma solução externa para fazer com que isto seja levantado do chão, até porque o especialista que tinha o enredo na ponta da língua (Saramago) já não mora aqui. 


P.S. Há alguma lei da República, regra, procedimento, código de conduta ou manual de boas práticas que impeça o Quenda de procurar o 1x1? É que parece que o Amorim levou o seu drible para Manchester... 

 

Tenor "Tudo ao molho...": { }

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