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A Poesia do Drible

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

A Poesia do Drible

11
Nov25

Rui Costa e o julgamento da história


Pedro Azevedo

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Já com o troféu do Guinness de votação nas urnas (parabéns aos militantes benfiquistas) e a caminho de se celebrar como campeão intergaláctico dos comunicados de imprensa, o Benfica está mais para um partido político do que para um clube de futebol. Fazendo-se passar por uma força anti-sistema, permanentemente desafiando o sector de arbitragem e pontualmente hostilizando a própria Federação (os jogos caseiros da Selecção não voltaram a ser disputados na Luz, na sequência das ameaças contidas num comunicado do clube), o Benfica é o mais demagogo dos clubes de futebol: o seu presente lider (Rui Costa), pese a falta de memória recente, veio alegadamente do sistema dos sistemas (vouchers, mala ciao, e-mails, facturas...), mas vende a ideia de ser um reformista e renovador, embora à sua volta se tenham amontoado as demissões numa primeira fase. Julgou-se ser tudo produto da conjuntura eleitoral, mas os hábitos antigos emergiram mesmo com uma nova equipa e assim que reeleito partiu para novos ataques ao poder instituído que ele próprio ajudou a eleger, em nome da melhoria do futebol português (diz ele). Discriminando as minorias no caso dos DireitosTV, o presidente do Benfica não aliviará o tom populista até ter a maioria absoluta... de títulos, a tal sonhada hegemonia que em si própria tem laivos de um tique fascista ("Benfica uber alles") de um grande clube que se julga ungido à nascença e não se conforma com a realidade: a incompetência e erros próprios dos seus dirigentes do futebol que o afastam do sucesso em condições ideias de concorrência leal. Grande jogador de futebol do passado e indiscutível benfiquista, ninguém duvida que Rui Costa sente o clube como poucos. Mas a sua emergência como líder do clube, tal como a de outros, está cada vez mais longe de constituir a lufada de ar fresco que um novo estilo de dirigismo, de gente ligada quase umbilicalmente ao futebol, prometia. O detonador terá sido o Jamor, um (J)amor de perdição para o presidente dos encarnados que a partir daí cresceu em crispação na inversa proporcionalidade das prestações pobres da sua equipa de futebol. Porque é aí que reside o problema do Benfica, problema esse que é agudizado por quem acredita que a solução está em confrontar e condicionar os árbitros. Optando pelo ruído desenfreado, Rui Costa procura nessa estratégia desviar as atenções da indignação dos "índios", gerando assim uma mole de "idiotas úteis" de ocasião potenciadores de violência verbal e física, da qual, no fim, Rui Costa, presumivelmente, lavará as mãos como Pôncio Pilatos. À semelhança do que já ocorre recorrentemente no Pavilhão da Luz, quando entoa o ignóbil silvo do very-light. Conseguirá Rui Costa arrepiar caminho a tempo? Assim vai o futebol português...

12
Set25

Western-Dobradinha


Pedro Azevedo

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No futebol português vêem-se filmes em todo o lado. Por exemplo, o Rui Costa anda a ver em reposição muitos Western-Spaghettis, daqueles com o Eastwood como protagonista e tudo. Como a realização desse tipo de filme habitualmente esteve a cargo de um (Sérgio) Leone, logo o presidente do Benfica também quis dar um tirinho e anunciou que o Sporting mandava nisto tudo. Não é que o nosso futebol não tenha na sua história episódios suficientes que o assemelham ao Faroeste. Todavia, por alguma estranha razão, o ponto mais ocidental dessas manigâncias não foi, como seria de supor, o Cabo da Roca, mas sim Canal Caveira, um nome sugestivo do estado de saúde desta coisa em forma de assim a que se dá o pomposo nome de "Produto Futebol Português". O problema de Rui Costa, especialista em fitas (em túneis) de curta-metragem para o relvado, é que ultimamente a Oeste começou a haver algo de novo que ele primeiro subestimou, com o Sporting a intrometer-se na luta pelo título e a conseguir 3 campeonatos em 5 possíveis. Por isso, talvez o presidente do Benfica ande a ver o tipo de filme errado. Por exemplo, a época passada falhou aquele que esteve em exibição, um Western-Dobradinha com um protagonista sueco e um casting de primeira apanha, condição sine-qua-non de sucesso para quem não tem tanta "massa" (spaghetti). 

10
Jul25

Bandemónio Vermelho


Pedro Azevedo

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Antes eram os Diabos Vermelhos, agora, Rui Costa, no seu anúncio de candidatura à presidência do Benfica, referiu que é preciso "fazer o que ainda não foi feito", recuperando assim o tema (e lema) de uma velha canção de Pedro Abrunhosa e dos Bandemónio. Pelo andar da carruagem, temo que com o ardor típico das campanhas eleitorais se siga o "não posso mais viver assim, olhar para ti sem te ter perto de mim" (dedicado ao João Félix), até que alguém se lembre do "talvez...". 

27
Mai25

Os 7 Mandamentos


Pedro Azevedo

Não é que o Benfica não tenha razão de queixa naquele lance disputado entre Matheus Reis e Belotti, mas tomar a árvore pela floresta e reagir com um enunciado tipo "Os Sete Mandamentos" (no Benfica destas últimas épocas é natural que 3 pontos fiquem pelo caminho quando o oponente é o Sporting, razão pela qual o "Moisés" de Carnide há muito que anda a dividir o Mar Vermelho) não só é excessivo como visa essencialmente tapar hoje o sol com a peneira para mais tarde ver cumprido o direito peneirento, de quem se acha ungido à nascença, de ter o único lugar ao sol disponível só para si. Nesse sentido, não deixa de ser curioso que praticamente ao mesmo tempo que saiu o Comunicado, um conhecido adepto benemérito do Benfica como César Boaventura tenha apresentado uma queixa-crime contra Matheus Reis. Em nome da verdade desportiva referida no tal Comunicado, crê-se. Só falta mesmo outro buliçoso adepto benfiquista, de seu nome Paulo Gonçalves, denunciar o VAR Tiago Martins para o ramalhete ficar completo e todos ficarmos sossegados e de consciência tranquila quanto ao futuro cumprimento de regras e de procedimentos, bem como a comportamentos éticos irrepreensíveis. Se bem que, na verdade, quase todas as pessoas têm memória, excepto Rui Costa que se lembra muito pouco do período em que fez parte da administração de Vieira, embora o presidente do Benfica pense que nós é que fomos todos intervencionados com uma lobotomia. Daí partir para um Comunicado onde objectivamente o Benfica se julga maior do que o país, na circunstância representado pelo Estado, arrogando-se ao direito de unilateralmente suspender negociações que visam o oumprimento do estipulado numa lei portuguesa e auto-determinando a interdição do seu estádio aos jogos do seleccionado português até a "verdade desportiva" ser reposta segundo o julgamento do clube, claro está.  Como diria o William Blake: "Como saberes o que é suficiente, se não souberes o que é demais?". Objectivamente, o Benfica foi longe de mais no tal Comunicado e sabe-o. Não obstante, acha-se impune, o que não constitui novidade. Assim como não é nova a construção de uma narrativa de vitimizaçáo por parte de alguém que sente o chão a fugir-lhe dos pés e necessita de um spin comunicacional para desviar as atenções dos seus apaniguados, procurando assim transformar uma derrota no Jamor numa vitória futura, nesse transe vendo o desvario de Matheus Reis como uma oportunidade caída da céu ou uma boia salva-vidas lançada pelo Instituto de Socorros a Náufragos. 

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