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A Poesia do Drible

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

A Poesia do Drible

02
Jan26

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Modelo de Formação centrado no mercado


Pedro Azevedo

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Não se entende porque se gastam tantos recursos na Formação e se cria um modelo centrado no jogador, se depois o treinador prefere um Alisson Bolt a um Flávio Gonçalves. O paradoxo da coisa é a palavra-chave da Formação ser "centrado" e o treinador da equipa principal preterir um jovem em função de um jogador que lá para 2028 é capaz de vir a realizar um centro, tão incapaz é de entender o jogo colectivo (talvez porque não se desenvolveu na nossa Formação). Não havendo Pote, o substituto natural seria o Flávio, mas Rui Borges preferiu um velocista com pinta de cromo da Motown a um jogador de futebol e foi "compensado" com o golo do empate quando Alisson se atirou para o chão e abriu uma passadeira vermelha para um gilista marcar à vontade. 

O jogo começou logo mal com a opção de Rui Borges por dois laterais inoperantes no jogo ofensivo (Mangas ausente por lesão). Sem "carrileros" nas alas que atraíssem marcações para libertar Maxi e Trincão no jogo por dentro, o Sporting ficou totalmente dependente do seu jogo interior. Dada a enorme concentração de jogadores gilistas na faixa central, apenas um passe muito preciso poderia isolar alguém no comprimento. E isso aconteceu, quando Quaresma acionou o gps e fez a bola chegar ao destino que Suarez pretendia para a um só toque colocar a bola dentro da baliza do Gil. Como o golo aconteceu mesmo em cima do apito para o intervalo, o Sporting regressou ao balneário em vantagem no marcador. 


No segundo tempo, Suarez desperdiçou um penalty em movimento após boa movimentação de Trincão. Como Maxi não estava a ter bola, Rui Borges pensou em recuá-lo para lateral, a ver se a equipa conseguia ter comprimento e largura. Mas com isso veio o equívoco: em vez de escolher um jogador interior, Borges optou por Alisson. Se a ideia era ter espaço nas alas, a entrada do brasileiro atraiu mais um adversário para o marcar, o que significou que o corredor ficou sobredotado de jogadores, sem nenhum benefício para o jogo interior porque Maxi havia recuado no terreno. É que o futebol é tempo (execução) e espaço (destino), e a esse espaço deve chegar-se à hora certa, não antes (lá estacionado) nem depois (atrasado). Para complicar ainda mais as coisas, Inácio fez-se expulsar por défice de velocidade e a Alisson foi pedido que passasse para a direita. Com o Gil sempre a despejar bolas para o segundo poste e a tirar muitos centros da esquerda para a direita da nossa defesa, tal opção foi desastrosa, até porque já antes Fresneda (jogo péssimo) havia falhado a marcação e só por milagre Rui Silva conseguira evitar o golo. Mas, ainda assim, Rui Borges decidiu-se por esse verdadeiro hara-kiri e o resultado foi o que se viu. 

Com este tipo de opções do seu treinador, o Sporting não perde só o campeonato, perde também o futuro. Por muito que Tomaz Morais apresente modelos de Formação centrados no desenvolvimento do jogador jovem, o treinador da equipa principal vai sempre pedir uns presentes no sapatinho de Natal (que, dada a dimensão requerida, é feito sob medida nos estaleiros da Lisnave). E o presidente anui, dando a imagem para dentro (sócios e adeptos) de que deu tudo ao seu treinador para ele ganhar. Então vêm o Luís Guilherme e depois o Faye, a Formação é colocada numa gaveta ou mesmo mandada às urtigas, Frederico Pilatos lava as mãos ou assobia para o lado  e no fim do campeonato dá-se mais uma voltinha ao mercado. Para disfarçar, no defeso far-se-ão mais umas obras em Alcochete, nomeadamente com a construção de uma ladeira, do alto da qual se poderá projectar esse pedregulho chamado Formação, que na verdade não é mais do que um Castigo de Sísifo imposto aos Sportinguistas. A Centrai de Comunicação logo ecoará umas lendas&narrativas (uma "cava" de cave, que não é Alexandre Herculano quem quer) e tudo continuará na paz ido Senhor. Bater-se-ão umas palminhas, que Alcochete é uma casa bonita e com "cachet" para mostrar aos amigos, e mudar-se-á somente o essencial para que tudo fique exactamente na mesma. Como no Leopardo, do Lampedusa, ainda que nós sejamos leões. Fica tudo em família...

Nota complementar: o Barcelona tem na sua equipa principal doze jogadores sub-23 formados em La Masía já utilizados esta época em La Liga, seis deles ainda sub-18 (dois com apenas 17 anos). E não são visitas esporádicas, para "inglês ver". 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Eduardo Quaresma (o melhor defesa por uma milha de diferença e o jogador que mais acções com critério realizou em todo o jogo)

24
Dez25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Vertigens


Pedro Azevedo

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Depois da ameaça de participações à FIFA, UEFA, ONU, Comissão Europeia, Instituto de Socorros a Náufragos, Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) e Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (organismo responsável pela protecção da Águia-Real), que teve continuidade numas quantas visitas de Rui Costa ao Muro das Lamentações - tudo embrulhado na emissão ininterrupta de quantidades de CO2 ("COMUNICADOS") suficientes para poluir inapelavelmente o ambiente desportivo nacional -, o clube da Luz recebeu de presente um penalty com a assinatura do Pai Natal do VAR.  Um ponto (ou melhor, três) a favor de Rui Costa, que fiel ao ditado de que "Quem não chora, não mama" foi capaz de deixar todos os funcionários do seu clube à sua espera para jantar enquanto ele via, com a habitual gula comunicativa, um jogo do rival Sporting. Chorassem! [Para estimular o apetite do Rui, um Comunicado duas vezes ao dia produz-lhe o efeito placebo equivalente à toma de Complexo B(enfica) Forte.] 

 

Confesso que esta coisa de ter o Rui Costa com binóculos de infra-vermelhos em punho sempre a espreitar para nossa casa me incomoda um bocadinho. Desde logo porque se associa muito o Benfica a vouchers mas não tanto a voyeurs (se excluirmos as solícitas "Toupeiras", claro). Por isso, a ideia de sentir o presidente das águias do outro lado da Segunda Circular a fazer-nos vigilância, enquanto fuma dois maços de Marlboro encarnado e rói uns torresmos bem durinhos que o Mourinho lhe preparou num Tupperware para as vigílias nocturnas, faz-me lembrar umas cenas do "Vertigo", do Hithcock, com um Rui Costa muito obcecado e cheio de medo (e de vertigens) do patamar alto em que o Sporting tem estado neste último triénio. 

Para continuar em alta, o Sporting precisava de entrar no Natal com uma vitória em Guimarães. Sem Pote e com Rui Borges renitente em apostar num jogador com características semelhantes (Flávio Gonçalves), preferindo assim mudar a forma de jogar da equipa (inclusão de mais um ponta de lança) enquanto espera também ele por um presente do Pai Natal Var...andas que objectivamente será um castigo de Sísifo aplicado ao trabalho da Formação. 

Como bom grego que é, Ioannidis não é homem para se pensar que não parte um prato. Pelo contrário, se o deixarem, quebra mesmo a louça toda. Dizem que dá sorte! Vai daí, esteve em 3 golos do Sporting, mostrando que não é só um jogador de procura de "profundidade" (o Júlio Verne e as suas 20.000 Léguas Submarinas são uma inspiração para o jornalismo desportivo, também ele à míngua de um Capitão Nemo que o salve do naufrágio) mas também tem técnica e visão de jogo para actuar atrás do ponta de lança. Além de que há anos que não tínhamos um ponta de lança tão bom de cabeça, o que é uma valência que acumula com uma frieza na hora da finalização que não tem comparação com a de Suarez (enquanto a baliza para o grego é o Rossio, ao colombiano, em tudo o resto um bom jogador, assemelha-se à Rua da Betesga).

 

Com Rui Borges mais uma vez a surpreender através de uma dinâmica nova, com Maxi mais por dentro e Mangas como "cavalo à solta a galopar contra a ternura" (Ary dos Santos) em todo o corredor esquerdo, o Sporting conseguiu uma superioridade numérica no meio campo através do uruguaio e de Simões, Trincão e Ioannidis, havendo sempre um homem livre a encontrar espaço dentro do bloco do Vitória. Isso, associado ao bar aberto que constituiu o lado direito da defesa do Vitória, esteve na origem da vitória gorda do Sporting, que, quando parecia que tudo estava na paz dos céus, chegou a ser ameaçada por um Arcanjo dissidente e com um nome (Telmo) que nem consta na Bíblia, certamente por não ser portador de boas notícias. Também não ajudou ao Sporting o facto de Rui Silva ter aberto a capoeira... 

 

Esta coisa de um Arcanjo desavindo pôr em causa a vontade de Deus deu logo azo à aplicação da Lei do Talião: olho por olho, frango por frango, a punição ao Vitória surgiu através de uma punição exactamente proporcional ao dano a nós causado. Um caso de Justiça Retributiva, mas sem a participação da AT. Tempo ainda houve para Maxi colocar o 4-1 final no marcador, num jogo em que o mago Trincão encantou no esplendor de toda a sua fantasia.  

Entretanto, na Luz, sozinho no seu gabinete e de televisor já arrancado intempestivamente da ficha, por entre sinais de fumo enviados a Mourinho a pedir explicações para os 11 golos de diferença face ao rival lisboeta (estas coisas fazem-se em código), Rui Costa prepara a redação de mais um Comunicado para a noite de Consoada. Para consumir com o bacalhau (mas já sem o Brás para lhe fazer companhia)...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Trincão 

14
Dez25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

O melhor do mundo e de Mirandela


Pedro Azevedo

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Se um treinador se medisse só pelo seu modelo de jogo e qualidade das dinâmicas nele empregues, o Rui Borges seria provavelmente o melhor treinador do mundo e arredores e também de Mirandela (o pleonasmo aqui usado foi só para que a Sofia Oliveira não se chateasse, que ela tem o preconceito de que atrás dos montes há um micro-cosmos onde só existem tabernas e uma obsessão com a imagem do Rui Borges à mesa a escrevinhar tácticas em toalhas de papel manhoso enquanto manda abaixo uns penáltis... de verde). Sendo isso o essencial, não é tudo. Há depois que fazer correctas escolhas de jogadores (o elenco para a época e para cada jogo), manter a personalidade da equipa independentemente da adversidade (ou adversário, ou currículo do treinador adversário) e saber comunicar para dentro e fora [no caso do Sporting implica ser muitas vezes treinador-presidente, as mesmas em que o presidente se ausenta para tratar da fisiatria dos portugueses ou para servir o país, na Junta de Freguesia, em Kandahar ou simplesmente jogando à sueca (fomento das relações bilaterais entre 2 países).]


Durante a semana acalentei a esperança de que o Flávio Gonçalves ocupasse o lugar do Pote. Fi--lo não olhando ao bilhete de identidade, mas tão somente à semelhança de características que unem o Flávio ao Pedro e às boas prestações recentes do primeiro na B, Youth League e selecções jovens de Portugal. Mas o Rui Borges não me fez a vontade (raramente a faz quando se trata de jovens) e apresentou Mangas de entrada. Ora, toda a gente sabe que Mangas nem para entrada, nem para prato principal, só mesmo para sobremesa, pelo que logo aí se percebeu que a escolha foi bizarra. Não contente, o Rui lançou mais tarde aquele rapaz que fomos desencantar à "(Mo)town" de Leiria, o desconcertante Alisson, que, pelo razoável desconhecimento do jogo e simultaneamente forma electrizante como se entrega ao mesmo, a gente vê mais a entoar o "What's Going On?" do Marvin Gaye ou a fazer de duplo do James Brown no frenético "Night Train" do que efetivamente a jogar à bola. E assim, num jogo que dava para tudo, desperdiçou-se a oportunidade de também dar mais minutos ao Salvador. O Kochorashvili também jogou. Se o futebol para Javier Marías é a recuperação semanal da infância, a utilização do georgiano serve o propósito de nos recordar semanalmente porque perdemos 5 pontos contra o Porto e o Braga. Não é mau jogador, claro, mas ou evolui muito ou será sempre curto para o Sporting, qual Kocho amputado do "rashvili" (só sobrou o rabo de cavalo). 

 

Quando não lhe esfregam durante uma semana o currículo do Mourinho na cara, o Rui Borges pode concentrar-se naquilo que é muito bom: aprimorar o seu formidável modelo  de jogo e preparar a próximo encontro. Foi o que aconteceu antes da recepção ao AVS, um clube com um nome em forma de assim, que em forma de assim também é um campeonato em que o Casa Pia joga em Rio Maior e onde um nome sem clube lá dentro (B SAD) jogou durante anos no Estádio Nacional, assim mesmo, Nacional, para que o paradoxo da situação fosse inequivocamente bem português. E assim, contra um clube com um nome feito na hora, à hora de jogo já o seu desfecho estava mais do que feito. Na verdade até antes, que os primeiros golos vieram em trio, como nas corridas de touros, com um picanço inicial sob a forma de tércio de varas, seguido por um tércio de bandarilhas, para terminar num tércio de capa e espada. Tudo em acelerado, que, como consequência, o AVS morreu na arena (relvado) em 5 minutos. A coisa poderia ter ficado por aí, mas quando se tem um jogador como Maxi Araújo todos os jogos são para serem levados a sério, não há tempo para brincadeiras. (O uruguaio por vezes parece um bebé com raivinha nos dentes, num desassossego permanente, nesse transe não deixando dormir quem esteja à sua volta.) Suarez, Maxi e Catamo marcaram na primeira parte e voltaram a fazê-lo no segundo tempo, ao jeito de uma peladinha que muda aos três e acaba em meia-dúzia. E mais não foram porque Rúben Semedo, outro produto da nossa Formação, não permitiu, deixando-nos a amarga sensação do seu presente (em Aves) não ser mais aquilo que o passado chegou a augurar para o seu futuro. Por falta de cabeça, como outros com igual ou até superior talento. 

Tenor "Tudo ao molho...": Maxi Araújo 

05
Dez25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Mortos de sono


Pedro Azevedo

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Durante a semana puxou-se tanto o lustro aos galões de Mourinho que faltou alguém na nossa Estrutura Técnica que dissesse o óbvio ululante: o rei vai nu, vamos para cima deles que nem "tarzões". Bom, para cima deles até fomos. Durou foi pouco, mais exactamente 20 minutos, sensivelmente o tempo que demoraram os sedativos a fazer efeito. Sim, porque este derby entre o Sport Lexotan e Benfica e o Sporting Xanax de Portugal, a contar para a Primeira Liga Vallium, foi um óptimo combate... contra as insónias. Senão vejamos: tecnicamente, o jogo foi de uma pobreza franciscana, envolvendo um número apocalíptico de recepções péssimas sem pressão e de passes constantemente mal calibrados. Fisicamente, o ritmo de jogo foi digno de uma peladinha entre prisioneiros famintos de um campo de concentração nazi na II Guerra Mundial. Finalmente, do ponto de vista mental, viram-se duas equipas cheias de medo de perder. Apesar de tudo isto, o Sporting teve tudo a seu favor para ganhar o jogo: marcou cedo e o Benfica tardou a conseguir trocar dois passes sem perder a bola, tal a ansiedade revelada. Mas depois, inexplicavelmente, o Sporting começou a baixar no terreno, a não fechar as linhas de passe na saída de bola dos encarnados e sofreu um golo patético, de carambola. Tal como uma máquina de lavar roupa quando se interrompe a secagem, o Sporting, depois de deixar esfriar, não conseguiu reiniciar o programa que tinha(?) para o jogo em tempo útil, limitando-se a controlar, aquela ilusão que faz parte do jargão de futebolês de todo o treinador até levar um golo. Por acaso não aconteceu, que o remate de Rios saiu ligeiramente ao lado, mas se tivesse ocorrido castigaria o respeito em demasia que Rui Borges ontem demonstrou por Mourinho, em tempos o melhor treinador que Portugal alguma vez produziu, mas hoje um homem cansado de tantas exigentes batalhas travadas pela Europa fora e por isso um treinador (como um boxeur) conformado em ir perdendo aos pontos em vez de correr o risco de enfrentar um KO prematuro. Enfim, haveria mais a dizer, mas a sonolência como sabem é contagiosa e os bocejos no relvado tornaram-se também meus, pelo que está na hora de fechar esta crónnnniiiiccccaaaa. Zzzzzzzzzzzzzzzz...

 

"Não há dor que o sono não consiga vencer" - Honoré de Balzac

 

Tenor "Tudo ao molho...": Maxi

30
Nov25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

“Mas que nada”


Pedro Azevedo

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Não sei se elogio demais aqueles jogadores que fazem a diferença. Creio até que nessa abundância exaltativa sou pouco português, que por cá o que não sai de moda é elogiar ao melhor estilo do cinema mudo e insultar de megafone em punho. Vem este arrazoado a propósito de Francisco Trincão, um jogador que faz-me lembrar aquele slogan escrito pelo Fernando Pessoa para a Coca-Cola: "Primeiro estranha-se, depois entranha-se". Por isso, ele foi tudo menos consensual nos seus primeiros tempos em Alvalade. E confesso que chegou até a ser uma das minhas irritações de estimação (as irritações, tal como os canários, os cães ou os gatos, não só são alimentadas diariamente como nos fazem muita companhia, daí serem muito estimadas, demasiadamente até na sociedade actual), como o arquivo deste blogue inequivocamente ilustrará. Mas, depois, tal como aquelas crianças que têm um desenvolvimento tardio gerado na hipófise, ele acelerou o seu processo de crescimento enquanto outros o estabilizaram, tornando-se um dos jogadores mais influentes do plantel. Hoje, voltou a ser decisivo: os nossos dois primeiros golos foram originados nos seus pés. Não esquecendo aquele slalom curto que fez um jogador do Estrela assemelhar-se àquelas bandeiras (portas) que existem no ski e servem para delimitar o percurso, infelizmente concluído com um remate torto. Bom, mas se o Trincão não se pode queixar de falta de atenção deste blogue, hoje a noite foi de Quaresma. Que maravilha! Não foi só ter inaugurado o marcador, o que é sempre importante. Não, o Quaresma deu um festival de bem defender, rápido quanto baste para fazer face aos velozes avançados do Estrela e sempre no sítio certo, no ar ou pelo chão, para evitar sobressaltos maiores. O Quaresma é um excelente jogador, todavia carrega com ele o peso do "mas". Na boca de cada um dos adeptos Sportinguistas, mais do que a pasta medicinal Couto, a constatação da sua evidente qualidade como futebolista vem sempre acompanhada por um "mas". É um "mas" essencialmente preconceituoso, porque advém de erros próprios da juventude e cometidos no tempo em que os animais ainda falavam. Só que, como um dia disse Einstein: "É mais fácil desintegrar um átomo do que destruir um preconceito". Pelo que o Quaresma há-de ser um veterano e alguém ainda recordar-lhe-á uma falha ocorrida no tempo do paleolítico inferior. Talvez tenha a ver com o seu feitio extrovertido e jeito sorridente, coisa que o português pretere a quem tenha cara de enterro (o que causa uma sensação de seriedade e por isso faz parte do personagem criado pelos burlões mais requintados), ou então faz justiça ao Oscar Wilde quando sentenciou: "A cada bela impressão que causamos, criamos um inimigo; para se ser popular é indispensável ser-se medíocre". Para mim, o Quaresma foi indiscutivelmente o melhor em campo. Brilhantismo e zero erros. 

Voltando ao jogo, o nosso segundo golo fez-me lembrar o Brasil de 82. O Trincão parecia o Zico ou o Sócrates, primeiro a procurar o apoio frontal do Suarez, depois a isolá-lo com um toque de magia. Só faltou o lance ser acompanhado na bancada pelos batuques dos Vapores do Rego para um regresso ao passado: aos ecos de Sevilha, no tal Mundial, e ao ambiente da Superior Sul, no Sporting de Allison desse mesmo tempo. Nem de propósito, logo a seguir, o Quenda teve um remate a tirar tinta ao poste que mimetizou a "patada atómica" do Éder, outra grande figura dessa "Canarinha" do Mundial de Espanha. O terceiro, porém, acabaria por chegar ainda antes do intervalo, com Fresneda a cabecear para as redes após livre marcado por Geny. Seguiu-se uma etapa complementar de serviços mínimos, que na sexta-feira há ida à Luz e havia que poupar energia e salvaguardar o registo disciplinar. Deu ainda para Suarez bisar e para Morita figurar na assistência, um regresso aos números que se saúda de quem ultimamente parecia configurar uma qualquer anomalia estatística. Ainda bem, mas na Luz espero ver o João Simões. E assim terminou um jogo do campeonato português com um clube que em si mesmo é um oximoro, ou não houvesse uma equipa Amadora num escalão iminentemente profissional. 

Venha então o Benfica, que há uma derrota amarga na Supertaça para tirar a desforra...

Tenor "Tudo ao molho...": Eduardo Quaresma

 

P.S. Ah, será que quem desvaloriza a riqueza táctica que Rui Borges traz ao futebol do Sporting reparou naquele pormenor do Fresneda subir uma linha e encostar a um médio e ser o Geny a fechar como lateral? 

03
Nov25

A estrelinha do Porto


Pedro Azevedo

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O resultado de um jogo de futebol é inquestionável, assim não se verifiquem forças estranhas ao mesmo como o enviezamento flagrante das regras do jogo causado por uma equipa de arbitragem ou um golo marcado, por exemplo, por um apanha-bolas. Nesse sentido, há que dizer que a vitória do Porto sobre o Braga foi justa, na medida em que marcou mais 1 golo do que o adversário. A matemática é uma ciência exacta, os números não podem ser questionados. Todavia, quem viu o jogo não pôde deixar de sentir que o Porto teve sorte. Se foi circunstancial ou já estrelinha de campeão será prematuro dizer, mas que a vitória portista pareceu obedecer a um plano superior escrito nas estrelas disso poucos terão dúvidas. Não me recordo nesta temporada de uma equipa ter manietado tanto o Porto como o Braga o fez. É certo que o Forest ganhou ao Porto, mas não dominou com tanta expressividade como o Braga. E no Dragão, o que realça ainda mais o que ocorreu. Com as linhas de passe bloqueadas, os portistas perderam inúmeras bolas e estiveram quase sempre a ver o Braga jogar. Com uma posse de bola avassaladora (69%), os minhotos não se limitaram a trocá-la em zonas recuadas. Não, foram-na circulando de fora para dentro e de dentro para fora do bloco portista, com os seus jogadores sempre em circulação, ameaçando constantemente o último reduto dos comandados por Farioli, manietando por completo as zonas de pressão do seu adversário. O Porto chegava sempre tarde à bola e com o tempo foi baixando o seu bloco até procurar defender o melhor possível a sua baliza, naquele espírito de que é melhor perder os anéis do que os dedos. Estávamos a chegar ao final do primeiro tempo quando um remate de longe e condenado ao fracasso de Samu defiectiu no jovem Rodrigo Mota e traiu Hornicek. Aconteceu futebol, talvez o desporto mais democrático e mais atreito a sortilégios capazes de desafiar a lógica. Pensou-se que um golo sofrido na compensação da primeira parte iria destruir o moral dos bracarenses e reforçar o dos portistas, mas não foi isso que ocorreu na etapa complementar. Bem pelo contrário, o Braga intensificou ainda mais a pressão e sufocou o Porto. Empatou o jogo e teve uma soberana oportunidade de passar para a frente quando Fran Navarro falhou um remate na pequena área. Mérito porém seja dado ao Porto que foi sempre resiliente, não se desorganizou por ser obrigado a correr constantemente atrás da bola, procurou e conseguiu fechar espaços na sua área e assim evitar males maiores. Foi realista e a substituição operada por Farioli, ao retirar William por Rosário, disso foi ilustrativa. Não podendo ganhar, o treinador portista afirmou assim que pelo menos queria garantir 1 ponto. Até que um erro defensivo bracarense - Victor Gomez não atacou um bola chutada na sua direcção , ficou expectante e deixou-se antecipar por Borja Sanz - permitiu ao Porto vencer um jogo que já ficaria satisfeito por empatar. 

Não sei se a história final deste campeonato ficará escrita pelo que foram os jogos dos grandes contra o Braga. Sei, isso sim, que o Sporting perdeu dois pontos com os bracarenses nos descontos e que o Porto obteve contra eles pelo menos mais 2 pontos do que deveria, o que produz uma diferença de 4 pontos entre os dois que é superior ao actual "gap" verificado no campeonato. Sem querer tirar mérito ao Porto, que é uma equipa organizada e difícil de bater, os campeonatos não se vencem sem estrelinha de campeão. Evidentemente, não há estrelinha se não houver uma boa preparação que permita aproveitar uma oportunidade concreta, e este Porto está bem preparado. Perante este tipo de sortilégio que parece levar o Porto ao colo deve o Sporting baixar os braços? Não, de todo, bem pelo contrário. A máquina portista não parece tão bem oleada nesta fase da época e o facto de tanto necessitar do elemento sorte neste período ainda prematuro da temporada deve ser visto como um sinal de esperança de que a qualquer momento os ventos da fortuna poderão mudar e a ordem estabelecida inverter-se. Assim continuemos o nosso percurso sem vacilar, acreditando no processo e não perdendo de vista a competência em tudo o que dependa exclusivamente de nós. Há que não perder o ânimo e acreditar sempre. Se o fizermos, tarde ou cedo o momento de darmos o xeque-mate neste campeonato chegará, estou certo disso. 

01
Nov25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Ioannidis contra a Manobra de Heimlich


Pedro Azevedo

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Esta semana, a Reserva Federal americana (FED) baixou as taxas de juro em 25 pontos base e logo as cotações subiram nas principais bolsas internacionais. Curiosamente, na bolsa de valores de Alvalade,  as condições mais relaxadas inerentes à política monetária (e à visita a Turim) não evitaram que a cotação do Alverca descesse dos cinco golos (mercado de terça-feira) para os dois golos (sexta-feira), uma queda de 60% em apenas 3 dias. 

A explicação para o ocorrido é simples: se por um lado os juros ficaram mais acomodatívos, no fim prevaleceu a primeira lei da economia que estipula que os recursos são escassos e como tal há que geri-los de forma eficiente, no caso recorrendo à poupança. Tal foi o paradigma do primeiro tempo, período em que tanto se valorizou a procrastinação e o relax que o Trincão até exagerou no brushing. 

No segundo tempo a atitude foi outra. Suarez cedo marcou, mas o VAR interveio para aplicar a já costumeira Manobra de Heimlich a árbitros que incautamente engolem o apito. Recuperado o fôlego, António Nobre lá soprou no sentido de anular o golo. Em processo acelerado de adaptação a Portugal, Vagiannidis continuou a "não partir um prato", contrariando assim a cultura do seu país natal. Quem não esteve pelos ajustes foi o seu compatriota Ioannidis, que mal entrou quebrou a resistência do Alverca, usando tão somente a cabeça. Por falar em ter cabeça, pouco tardou até que o inteligente Pote marcasse um golo Dolly, clone de um outro que fizera ao Nacional. Pouco mais houve a registar. 

Terminado o jogo, "vade Metro, Satanás!": com milhares de pessoas em fila, sete dos onze pórticos de acesso às carruagens do Metro encontravam-se fechados, parábola perfeita do que foi a noite em Alvalade, onde só Rui Silva, Diomande, Suarez e Ioannidis cumpriram os serviços mínimos. 

 

Venha a Juventus. A dinastia Tudor acabou, mas consta que o clube de Turim já foi à Norauto pedir a substituição. Não se esperem por isso facilidades. 

Tenor "Tudo ao molho...": Ioannidis. 

27
Out25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

O Colosso de Rodes no nosso museu


Pedro Azevedo

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Caro Leitor, um grupo de arqueólogos ontem reunidos em Tondela revelou ter encontrado numa primeira fase vestígios que indicam a existência de uma réplica do Colosso de Rodes na cidade,  evidências essas mais tarde confirmadas numa peritagem observada no estádio João Cardoso. Um Colosso que afinal não foi um tributo ao deus sol (Hélios) mas sim uma homenagem a Bernardo Fontes, um gigante com 33 metros de altura e uns braços tão longos quanto os tentáculos de um polvo. Alertado para o facto, há rumores de que o Sporting prepara-se para o transferir para a capital a troco de 225 milhões ou assim, emitindo para tal um conjunto de obrigações proporcional aos pedaços de bronze (resquícios de um Verão mais largo do que o habitual) que o nosso terramoto de futebol atacante foi capaz de finalmente desmembrar. Esses fragmentos em bronze serão entregues em Alvalade através de um "private placement" do JP Morgan a fim de que o puzzle (de Fornecedores) possa ser montado e o Colosso reconstruído e apresentado como principal atração no futuro museu do clube, justificando-se assim o forte investimento. 

Com João Simões como dínamo de um futebol de grande fluidez atacante, "comendo" espaços outrora só cobertos através do passe, o Sporting cedo encostou o Tondela às cordas. Durante a maior parte do tempo, o jogo pôde resumir-se a um duelo particular entre o colombiano Suarez e o brasileiro Fontes, uma batalha sul-americana que o guarda-redes foi vencendo aos pontos. Não obstante, Suarez logrou desferir um golpe que deixou Fontes à beira do K.O.,  porém a rede abanou mais do que o guarda-redes e este acabou por chegar ao fim dos 15 assaltos (à sua baliza), um número equivalente ao dos antigos combates profissionais de boxe (entretanto reduzido para 12), ou não fosse o Colosso de uma outra era. E se o Colosso bem pode ser considerado uma das 7 maravilhas do mundo, o que dizer da Art-Deco do nosso Pote? O Pote foi tantas vezes à Fonte(s) até que a partiu, uma subtil mudança de desfecho de enredo que se ficou a dever ao génio do jogador português, primeiro tirando dois adversários do caminho através de um misto de simulação e finta, depois finalizando com um remate indefensável até para um Colosso. Vencida a resistência tondelense, tempo ainda houve para que 4 dos 5 jogadores com que Rui Borges refrescou a equipa combinassem para o terceiro golo, num lance pensado por Alisson, Kocho e Matheus e concluído por Quenda, com o treinador do Sporting a mostrar pelo segundo jogo consecutivo o seu toque de Midas nas substituições. 

Tenor "Tudo ao molho...": Suarez

06
Out25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Um ocaso nada por acaso


Pedro Azevedo

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Um elemento essencial da cultura corporativa de qualquer empresa é a sua identidade, pelo que, quando os leões vão a campo disfarçados de panteras (cor de rosa), um dos seus símbolos identitários está a ser posto em causa, não havendo causa por mais nobre que seja (e a da prevenção do cancro de mama indiscutivelmente assim o é) que o justifique. Coincidência ou não, o Sporring foi sempre muito meiguinho, não explorou os 30-40 metros existentes nas costas da subida defesa bracarense, nem conseguiu trocar dois ou três passes seguidos sem perder a bola. Foi assim uma exibição arco-íris, paz e amor, "woke" até dizer chega (Chega?), sempre em defesa das minorias (Braga). Para tal também contribuiu a inexistência do nosso meio campo, com Simões a passar de titular a não-convocado sem razão conhecida (admito que o cor de rosa não lhe assente bem), Morita mais a pensar no hara-kiri do que disponível para a batalha no miolo e Hjulmand abaixo do melhor que já lhe vimos, sem ninguém capaz de transportar a bola em progressão e assim encontrar uma forma alternativa de contornar a zona de pressão do Braga. Com Inácio e Debast sempre à beira do abismo, a permanentemente oferecerem a bola ao adversário, o que deixa à beira de um ataque de nervos um ser fleumático. Ainda assim os deuses da fortuna estiveram connosco. É que já se sabe que no fim do arco-íris há um Pote, e Suarez por caminhos sinuosos encontrou o ouro. Antes do intervalo, Rui Silva evitou que o Braga arrombasse o cofre, após Lelo ter aplicado um pé de cabra (a bola elevou-se quase na perpendicular, como se tivesse levado uma marrada).

 

No segundo tempo, não se registaram melhorias significativas. Borges trocou Morita pelo "Ponytailshvili", mas o rabo de cavalo ("chonmage") não faz um samurai (dos bons tempos do japonês), a sua bravura sim. Já a entrada de Alisson (por Trincão, cujo holograma foi projectado no relvado durante 1 hora) deu mais velocidade e capacidade no 1x1 à equipa, mas Suarez, já muito cansado, disso não beneficiou. Entrou então Ioannidis, um jogador com maior potência e que se julgaria ideal para finalmente aproveitar o muito espaço existente nas costas dos bracarenses. Paradoxalmente, o Sporting nunca o solicitou dessa forma, antes pedindo-lhe um jogo associativo. Incapaz de exercer a mesma pressão sobre a saída de bola que é uma das grandes virtudes de Suarez, o não aproveitamento das melhores qualidades do grego acabou por ser um "loose-loose" para o Sporting. E assim o Braga foi continuando a acreditar, até que Hjulmand puxou a camisola de um adversário numa bola parada e o VAR assistiu o árbitro no sentido de este marcar o competente penalty. Zalazar não perdoou (o que é uma características dos Zalazares, seja em que país fôr) e assim voaram 2 pontos que nos teriam permitido simultaneamente aproximar do Porto e distanciar do Benfica. "É o que é",  dirá o Rui Borges naquele seu jeito sincero e conformista de quem não esconde a realidade mas também não a contraria, e "nesse sentido" talvez seja melhor pôr-se a pau, porque o treinador parece preso a estatutos, não está a aproveitar as melhores características dos seus jogadores, claramente menosprezou na antecâmara da época a importância da posição "8" e não está a conseguir suster a instabilidade exibicional que faz a equipa descer do 80 até ao 8 no espaço de duas semanas. Já não há Gyokeres, para esconder o que está menos bem, pelo que Borges hoje trabalha sem rede. E também não há St Juste, o que se calhar não é o melhor para o ambiente do balneário. Não há coincidências, nada acontece por acaso. E quem acredita no acaso, cedo ou tarde acaba por deparar-se com o ocaso. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Suarez 

28
Set25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Comte, Conte e contos


Pedro Azevedo

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Mozart destacou-se pelas suas composições para viola, violino e violoncelo, por isso não foi de admirar que na sua cidade natal, Salzburgo, o Porto tivesse passado a maior parte do tempo encostado às cordas. Na Luz, a diferença entre o sucesso e o fracasso foi um dedinho (6 cm). A novidade é que esse dedo não foi ainda do treinador, como Mourinho prometera, mas sim do VAR, que antes Mourinho renegara. Ironias da vida...

Quem não esteve para recitais nem para arriscar 1 milímetro foi o Rui Borges, que cedo viu a sua equipa entrar em modo cruzeiro e nada fez ao leme para alterar o rumo dos acontecimentos, por muito que agora se queixe de facilitismo. Na Amoreira a pensar no San Paolo (Diego Maradona), o Sporting portou-se como aquele homem que está presencialmente com uma mulher, mas espiritualmente tem o pensamento noutra. Claro, podia-se ter escolhido um padrão de homem diferente, por exemplo um jovem a viver o seu primeiro grande amor e totalmente empenhado nesse sentimento: um Sporting à imagem de João Simões. Mas não, na hora da verdade imperou o pragmatismo absoluto e lá entrou o burocrata número 1 do reino do leão (Kochorashvili), aquele de quem Rui Borges diz estar um pouco aquém mas ainda assim nunca deixa além. E depois veio o Fresneda (dele já pode dizer-se que foi à linha... de Cascais), para assegurar que o dia no escritório não escaparia mesmo da madorra, pelo que os únicos sobressaltos vieram mesmo da imensidão de passes falhados por Inácio, o que já vem sendo recorrente nos últimos tempos. O problema dos serviços mínimos é que para se saber se são suficientes, primeiro é necessário ter a noção do que é demais, e o Sporting nem perto esteve do demais, arriscando assim a que o entendido por suficiente se pudesse ter traduzido em insuficiente e dois pontos tivessem voado. Não aconteceu, mas, a repetir-se a experiência, é certo que um dia acontecerá. "É o que é" - ouvir-se-á então, quando na verdade o que for será exclusivamente porque o quisemos assim, "deixando correr o marfim" para depois ficarmos de "trombas". Ontem também perdemos a oportunidade de dar minutos que se vissem a jogadores que nos sobressaltam o coração, como o Quaresma e o Simões (à espera que o Kocho tenha um traumatismo no rabo de cavalo, a fim de jogar), da nossa Formação, ou o Ioannidis, este último com a "oportunidade" de ir finalmente a campo num momento em que a equipa tinha já abdicado totalmente de jogar à bola. Depois, queixamo-nos de que o nosso campeonato não é competitivo e espalhamos o conto de que assim não temos ritmo para a Europa, quando somos nós os primeiros a tirar o pé do acelerador, por opção. Os que o tiraram, porque Trincão não chegou sequer a aproximar-se do pedal em nenhum momento. Fica porém a ideia de que com tanta poupança, menos do que uma vitória em Nápoles soará a derrota. Já dizia o Comte (o Auguste), que tudo na vida é relativo, e esse é o único valor absoluto. Veremos se o Conte (o Antonio) estará pelos ajustes...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Maxi Araújo 

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