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A Poesia do Drible

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

A Poesia do Drible

25
Set25

Nureyev e Baryshnikov


Pedro Azevedo

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Há muito tempo que Rui Borges percebeu que os jogos se ganham naquela trincheira que faz o futebol moderno paradoxalmente assemelhar-se à guerra convencional, a que se dá o nome de espaço entrelinhas. E se não faltam jogadores capazes de meter a bola nessa zona, como por exemplo Inácio, Debast ou Hjulmand, depois de ela chegar ao espaço é necessário haver quem a consiga manobrar numa área de dimensões exíguas. Tal só é possível porque tanto Trincão como Pote têm pezinhos de bailarino, muito rápidos a executar,, ora mostrando ou escondendo a bolinha, como no "Jogo dos 3 Copos" . Os estilos, porém, são diferentes: Trincão é um Nureyev, intenso e dramático, enquanto Pote faz lembrar um Baryshnikov, preciso e gracioso nos seus movimentos. Em Alvalade, como no Bolshoi, ambos buscando uma escapatória (exílio) face à indolência. 

25
Ago25

A Aliança


Pedro Azevedo

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Não deixa de ser curioso que por muita evolução a múltiplos níveis que tenha havido até chegarmos àquilo que se designa sofisticadamente como "futebol moderno", a disposição táctica das equipas se assemelhe cada vez mais à forma antiga e convencional de se fazer a guerra. Nesse sentido, hoje, o espaço entrelinhas é como uma trincheira, que importa conquistar para servir de posto avançado para o último ataque às linhas de defesa do inimigo, que no futebol é revestido só semanticamente (o que é infeliz) de adversário. No Sporting, esse espaço entrelinhas é coabitado por Pote e Trincão. A união que se estabelece entre estes dois não  é tanto feita de afinidades como de desagrados. Não, eles são complementares na sua acção e aquilo que os aproxima é a desconsideração pelas mesmas coisas: o óbvio, a rotina e o tédio. Um pouco como a Aliança entre Portugal e a Inglaterra, cuja génese obedeceu ao princípio de "inimigo do meu inimigo, meu amigo é", mas sem um Tratado de Windsor para a regular. No resto, um é pé direito e o outro é pé esquerdo, um vê melhor ao longe, o outro ao perto, um remata como quem passa, o outro finta para passar. Estilos diferentes, mas ambos desequilibradores. Porém, é na solidariedade e sentido colectivo que ambos demonstram que se equilibra o futebol do Sporting. Sempre em movimento, Pote e Trincão são a velha aliança, que em conjunto com Hjulmand, sustenta a equipa. Sim, porque mesmo uma Aliança não prescinde de um estratega, venha ele de Castelo Branco (Nuno Álvares Pereira) ou da Dinamarca. 

27
Mar25

Longa se torna a espera


Pedro Azevedo

A 10 de Novembro, em Braga, Pote teve uma recidiva de uma lesão muscular e abandonou o terreno de jogo. Ninguém imaginou na altura este tempo de ausência. Pensou-se que 1 mês seria suficiente para o recuperar, mas estamos a chegar a Abril e longa se torna a espera. Tenho muitas saudades da sua classe, inteligência e influência estatística na produção de golos da equipa. Por muito que Gyokeres permita disfarçar muita coisa, haver um jogador como Pote ausente dos relvados é um crime de lesa-futebol. Porque o Pote é arte, filigrana, uma extravagância fina para o boçal campeonato português, um oxímoro apropriado a quem usa como pseudónimo o nome de um objecto incapaz de reter o seu talento transbordante. O William Blake dizia: "Como saberes o que é suficiente, se não souberes o que é demais?" Pote está há demasiado tempo fora dos relvados. Faz falta ao Sporting e a quem gosta verdadeiramente de futebol. Um dia regressará, aos chutos e pontapés. Até lá, resta-nos o lamento à Xutos&Pontapés.

 

"Longa se torna a espera (oh-oh-oh-oh)Na névoa que cobre o rio (oh-oh)Lenta vem a galera (oh-oh)Na noite quieta de frio (oh-oh)"

03
Dez24

Pote, o explorador do espaço


Pedro Azevedo

Primeiro o Sputnik, depois a cadela Laika, por fim um homem a estrear-se no espaço, o astronauta Yuri Gagarin. O espaço é um vácuo quase perfeito, sem ar, mas contendo muitas formas de radiação, algumas partículas de gás, poeiras e outras matérias que flutuam nesse vazio. Como explica a Teoria da Relatividade, o tempo passa mais depressa no espaço do que na Terra, formando uma entidade denominada espaço-tempo que é influenciada pela gravidade e velocidade. 

 

Não sei se o Pote é admirador de Gagarin e dos astronautas em geral, mas nos relvados do futebol português ele é o descobridor de espaços por excelência. Motivado pelas dinâmicas criadas por Rúben Amorim, que privilegiavam um conjunto de movimentos que se destinavam a encontrar o espaço livre, Pedro Gonçalves conjuga a inteligência e a velocidade de execução perfeitas para se mover como ninguém na direcção dessa zona onde o ar é rarefeito e não há tempo a perder. 

 

Ao contrário de João Pereira, que tem a obsessão do preenchimento prévio do espaço, Rúben Amorim sabe que o espaço não se ocupa, descobre-se, surpreendendo o adversário exactamente por o encobrir até ao último momento, como se antes o disfarçasse entre uma nuvem de poeira. Ou seja, Amorim tem a noção de que o espaço está lá, onde se esconde, e conduz as suas peças de forma a criar um engodo que afaste o oponente desse espaço. Para tal, necessita de um génio que entende a relatividade e conheça na perfeição o conceito de espaço-tempo que é tudo no futebol: Pote. 

 

Partindo habitualmente de uma ala, Pote vai em busca do jogo interior, promovendo simultaneamente o "overlap" dos alas. Assim fica com pelo menos duas opções de passe, associando-se a um terceiro elemento para criar um jogo de triângulos que visa encontrar um espaço entre lateral e central adversários. Esse terceiro elemento pode ser o ponta de lança em apoio frontal ou um médio que entre pela esquerda (Morita ou Bragança). A qualidade da sua execução faz o resto, poupando-lhe o tempo suficiente para que o adversário não descubra o espaço livre antes que a bola aí chegue a um seu colega de equipa. É de dissuasão que falamos, e isso é bem mais eficaz do que o jogo posicional que arrasta com ele a concentração de múltiplos adversários. Ou como o modelo de Amorim gera uma dinâmica de equipa e o de João Pereira depende mais da inspiração individual de dribladores como Edwards ou Trincão. A diferença será só Pote? Não me parece, porque a ideia do João é dissuadir e concentrar no meio para libertar nas alas e a mais-valia do Pote é a exploração dos espaços interiores que só ele é capaz de vislumbrar, o que só é possível na medida em que se serve da ala para partir de frente para o jogo e não de costas para ele, mais central e demasiado perto do ponta de lança (como Edwards, actualmente).

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30
Ago24

Trocar o cântaro pelo Pote


Pedro Azevedo

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"Bob, o Construtor" finalmente constatou o óbvio, que de tão claro e inequívoco se diria ululante. Vai daí, depois de reflexão pós-Europeu, o senhor concluiu que há cântaros que de tantas vezes que vão à fonte acabam por partir-se, preterindo-os agora em função de um bem mais maneirinho Pote, que anteriormente esteve à bica, à bica do (pedregulho no) sapato. Como não há fome que não dê em fartura, com o Pote vão também o Trincão e, pasme-se(!), o Quenda (chamada merecida da revelação desta temporada). Só faltou o Quaresma, mas, como a prioridade agora é o ritmo de jogo - razão pela qual Cancelo ou Matheus Nunes ficaram de fora - , avançou o António Silva. Para momento de humor só ficou a faltar o Vasco Santana. Juntos fariam uma dupla imbatível. 

31
Jul24

Bragança e Pote


Pedro Azevedo

O grande escritor português e autor de "O que diz Molero", Dinis Machado, dizia que "O jogador sem adjectivos, não desmontável, com os pés voltados para todo o lado, a sujeitar os adversários e a bola à sua qualidade inconsciente, é tão difícil de explicar como o mistério da luz de Rembrandt". É isso que me ocorre ao me deparar com o talento inato, seja ele expresso no pé canhoto de Bragança, esquerda a uma só mão de Federer, "glamour" de (Bryan) Ferry, dedilhar de (Keith) Jarrett ou Di Meola e comprimento vocal de Bocelli. Além, claro, da luz de Rembrandt. O talento natural, a habilidade inata, é algo que se abate sobre nós, comuns mortais, como uma bigorna, é esmagador. Ao contrário, por exemplo, da inteligência, que é mais subtil e demora mais tempo a ser compreendida. interiorizada e requer uma maior atenção. Como a que Pote alardeia e suscita a quem o olhe com olhos de ver e sem filtros: aquele seu jogo de entre-linhas, desde as várias mutações na forma como se posiciona para receber até aos múltiplos cenários que idealiza sobre o que fazer a seguir, parece mais próprio de um Grande-Mestre de xadrez com máximo rating ELO (Ranking FIDE) do que de um jogador de futebol. Pode não criar o elo emocional que a facilidade de execução inerente ao talento inato e inconsciente desperta em todos nós, mas a boa tomada de decisão associada ao consciente não pode também deixar ninguém indiferente. 

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05
Abr24

A estética do Pote


Pedro Azevedo

O espaço onde ele vive poderia ser definido por uma folha de papel pautado. Na sua mente vai imaginando traços paralelos horizontais por onde se posicionar para melhor ler o que o que os adversários "escrevem" no campo. Nessas entre-linhas, ele é rei e senhor, sempre à espera de dar a mesma continuidade à bola que vem de trás que uma palavra caída de cima dá a uma frase. Como quem pauta o que virá a seguir, que até podem ser umas belas notas musicais. Porque é de um maestro e de uma estética que estamos a falar. E de magia. Do "Harry" Pote.  

 

P.S. O meu singelo contributo para dar moral para Sábado, por muito que o(s) artista(s) nem precise(m) de motivação extra para deixar(em) tudo no campo.

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08
Fev24

Tudo ao molho e fé em Deus

O Estádio Policial e os Calcanhares de Aquiles


Pedro Azevedo

O jogo de futebol era muito simples na minha meninice: num rectângulo, nem sempre relvado, dispunham-se duas equipas de 11 jogadores, 1 trio de árbitros, duas balizas e uma bola. À medida que fui crescendo, adicionou-se complexidade: o nº de jogadores, de balizas e de bolas curiosamente permaneceu o mesmo, contudo a equipa de arbitragem foi aumentando, primeiro com o 4º árbitro, depois com VAR, AVAR, técnicos especializados, cabos hertzianos, equipamentos vídeo e uma roulotte anormalmente não nómada porque sita na Cidade do Futebol. Até que na semana passada me dei conta de que, em Portugal, o XV da Polícia também ia a jogo. Ou, mais precisamente, que quando o XV não quiser, não haverá jogo. Conclusão: o futebol português vive num "Estádio Policial". [Um dia o ladrão, sindicalizado, entrará em greve por falta de condições de trabalho e todos acharão bem que lute pelos seus direitos e lhe sejam facultadas melhores condições. Até que, com tanto respeito pelos direitos de todos, no fundo nada nem ninguém no país será respeitado, sendo esse o calcanhar de Aquiles de um mal (perda de autoridade do Estado) sem direito a protesto.]

 

 

Aquiles era filho de Peleu, o rei dos mermidões (Tessália). Um dia, sua mãe, Tétis, banhou-o no rio Estige a fim de torná-lo imortal. Só que ao segurá-lo pelo calcanhar, este ficou vulnerável. Em consequência, morreu na Guerra de Tróia após uma flecha disparada por Páris lhe ter acertado aí. Gyokeres tem a mesma pinta de guerreiro mítico, tanto que muitas vezes é comparado a Thor, o filho do deus nórdico Odin. A sua vulnerabilidade é o jogo de cabeça, diz-se, mas ontem marcou 2 golos com a testa que mostram que o sueco está gradualmente a transformar essa fraqueza numa força. Pelo que tendo nós o nossa Tróia, que curiosamente se situa na mesma península (de Setúbal) que Alcochete e o Seixal, para o futuro cresceu a esperança de que esse calcanhar de Aquiles não se venha a tornar mortal às nossas aspirações ao triunfo nesta "Guerra  Peninsular" que se perspectiva até ao final da temporada. 

 

 

O Sporting ganhou ao União de Leiria por três bolas a zero. Desses três golos, o Gyokeres marcou 2 e assistiu em outro. Mas não ficou satisfeito. Pelo menos a avaliar pelos seu protestos para com o árbitro na sequência deste só ter dado 1 minuto de desconto e assim violado o seu direito de correr mais e de tentar obter um hat-trick. Com trabalhadores destes, arriscamo-nos a ganhar sempre o próximo jogo. Ou o outro a seguir, se a Polícia não deixar fazer o primeiro. (Vamos jogo-a-jogo que a Polícia deixar fazer.)

 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Viktor Gyokeres. (Pote muito bem, Hjulmand idem e Quaresma também. Nuno Santos esteve em 2 golos e Morita regressou ao seu nível.)

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10
Jan24

Tudo ao molho e fé em Deus

Jogar à sueca


Pedro Azevedo

Um jogo de Taça entre um grande e um pequeno dá sempre uma oportunidade a este último de jogar a cartada do tomba-gigantes. Nessa conformidade, o Tondela não quis ser uma carta fora do baralho e foi a jogo. Só que no "pano" verde de Alvalade agora joga-se à sueca e o Sporting tem sempre o Ás de trunfo. Acrescentar o Ás a outros trunfos importantes que o clube sempre teve, ajuda muito a que as vazas não terminam em "palha". E não terminando em "palha", vão-se somando pontos importantes para se ganharem campeonatos e outras competições. É preciso porém não olvidar que esse Às não deixa de ser um "Joker(es)", pelo que se o nosso adversário quiser especular com o jogo (Póquer) ou jogar as cartas todas que tem na mão (Canasta e Gin Rummy), as probabilidades continuarão a tombar para o nosso lado, havendo um "Joker(es)" que se pode fazer passar por qualquer outra carta para desempatar.  

 

Aquilo que mais impressiona no Gyokeres (chamemos-lhe assim), é mesmo a forma como substitui qualquer carta do baralho: que ele era um Ás na finalização, poucos teriam dúvidas. Mas também é um rei, para os adeptos do Sporting, como foi rainha para os ingleses do Coventry, ainda no tempo da outra Senhora. E um valete, ao serviço de Amorim. Ou uma manilha, quando acelera pela ala direita como um "7". E pinta com cada "sena"... Umas vezes vestindo traje de gala (terno), outras esfarrapando-se todo como se fosse a carta menos valiosa do baralho (duque). No fim, o adversário invariavelmente quina, pelo que sobre ele alguém ainda há-de escrever uma bela quadra. (Se quiserem que ele seja "8" ou "10", também se arranja, além de "9" como bem sabemos.)

 

Todavia, subsistiam ainda algumas dúvidas sobre o Gyokeres. É que por muito que se tenha algumas das melhores cartas do baralho, ainda assim os jogos ganham-se por vezes com a cabeça. Creio porém que desde ontem algumas dessas dúvidas se começaram a dissipar. "Ó Diacho!", dirão os seus adversários, pasmando-se ao vê-lo tanto correr, sem se esgotar ou lesionar. Pelo que se deverão sentir como os funcionários daquela Estação de Serviço retratada no célebre anúncio do Citroen Dyane: "E eu a vê-lo passar. Gasolina não precisa, oficina nem pensar!...". 

 

Não terminam porém em Gyokeres as boas notícias: ontem, o Pote voltou a atinar com o golo. Agora imaginem a cena: o Schmidt e o Conceição estavam à cata de Janeiro, a rasgarem os olhos à espreita da Taça da Ásia e com vontade de verem o Diomande e o Geny no CAN-can africano e pelas costas, e agora, já não bastava aparecerem de repente todos viçosos o Bragança e o Quaresma, ainda o Pote desata a marcar e o Gyokeres até o faz de cabeça. Ganda melão, pá!!!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Viktor Gyokeres

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22
Dez23

Sem Extremos


Pedro Azevedo

Leio no blogue "Fora-de-Jogo", que faz uma colectânea do que se escreve na imprensa desportiva portuguesa, uma notícia, segundo o blogue atribuída ao jornal Record, em que é referido que o Sporting anda à procura de uma alternativa a Pote. Até aí, tudo bem. O problema surge quando associam o perfil desse jogador ao de um extremo. Sejamos claros, Pote não é um extremo no sistema táctico de Rúben Amorim, é, sim, um interior. Da mesma forma que Albano e Jesus Correia eram extremos e Travassos e Vasques eram interiores, sendo Peyroteo (o melhor goleador mundial de todos os tempos) o Gyokeres desses tempos. No tempo dos 5 Violinos o Sporting adoptou o famoso WM, sistema táctico inventado por Herbert Chapman no Arsenal. Nesse sistema, a equipa dispunha-se no terreno num 3-2-5, com 3 defesas, 2 médios e 5 avançados, sendo a linha atacante composta por 2 extremos, 2 interiores e 1 avançado-centro (ponta de lança). A diferença para o nosso sistema actual, o que Rúben Amorim criou no Sporting e entra em ruptura com os tradicionais 4-3-3 e 4-4-2 do nosso tempo, é que os 2 extremos foram trocados por 2 alas, que tanto podem ser laterais como se desdobrarem como extremos. Assim, convencionou-se que o Sporting de Rúben Amorim joga num 3-4-3, com 3 centrais, uma linha de 4 no meio-campo formada por 2 médios centro e 2 alas e um ataque a 3 constituído por 2 interiores e 1 ponta de lança, pelo que não existem formalmente extremos. Ainda assim, se a eles se quisessem referir, então os extremos/alas seriam Geny e Nuno Santos, considerando-se Esgaio e Matheus Reis mais como laterais/alas. Todavia, os 4 deverão ser teoricamente denominados como alas, capazes de subir e descer constantemente no terreno como se um iô-iô se tratasse, ainda que não tão completos quanto Porro e Nuno Mendes, que permitiam que o 3-4-3 se desdobrasse mais facilmente tanto em 5-4-1 (defensivamente) como principalmente em 3-2-5 (ofensivamente). Evidentemente uma coisa é o sistema, outra as suas dinâmicas: embora conceptualmente aos alas seja pedido que dêem comprimento, na prática pode acontecer estes atacarem por dentro enquanto os interiores procuram a largura. E também podem existir nuances tácticas do género de a Pote ser pedido que desça e forme um triângulo com os dois médios centro, algo do género do que a Hungria adoptou nos anos 50 e surpreendeu a Inglaterra no Jogo do Século, baixando Hidegkuti para o meio campo, o que viria a ser replicado no tempo dos 5 Violinos por Cândido de Oliveira, quando fazia recuar Travassos para o meio campo a fim de organizar o jogo ofensivo dos leões. Ou rodar a linha defensiva para a direita, com o central pela direita e o ala esquerdo a assumirem-se como laterais, permitindo a Geny jogar em linha com Edwards e Pote, desdobrando-se o Sporting num 4-2-3-1.

 

É fácil constatar que o Ruben Amorim não pede a Pote ou Edwards que procurem a linha de fundo a fim de cruzarem para Gyokeres, como se de extremos se tratassem, antes quer que ambos promovam combinações interiores entre eles ou com o ponta de lança (daí jogarem de "pé trocado") que originem no imediato ocasiões de golo ou sirvam como engodo para concentrar o adversário ao meio e libertar os corredores para os alas entrarem.

 

Espero com este esclarecimento ter modestamente contribuido para um melhor entendimento do jogo do Sporting.

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