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A Poesia do Drible

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

A Poesia do Drible

02
Fev26

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Apocalipse Nau (ou melhor, Arca)


Pedro Azevedo

Todos os que me lêem (contra o Acordo Ortográfico, marchar marchar) sabem que eu sou um defensor da nossa Formação. Não porque ela seja parte integrante do nosso ADN, como demasiadas vezes vejo erradamente escrito por aí (não confundamos as coisas, o que está inscrito no nosso ADN é ganhar - "Tão grande como os maiores da Europa"), mas na medida em que o seu aproveitamento é uma garantia da nossa sustentabilidade. Todavia, temos infraestruturas, equipamentos, técnicos qualificados, a capacidade está instalada, mas depois não consumimos o que produzimos, gerando-se desperdício de talento (o caso Afonso Moreira, por exemplo) muitas vezes devido ao fenómeno da Obsolescência Perceptiva (o marketing e o público "exigem" novidades, e logo vem um Biel). Um exemplo claro do verdadeiro castigo de Sísifo a que está sujeita a Formação ocorreu durante o dia de ontem: de manhã, Flávio Gonçalves regressou à equipa B e marcou um golo de grande classe. Ao fim da tarde, Luís Guilherme e Faye mostraram ter muito menos critério na decisão do que o miúdo nascido em França. Mas são novidades, o treinador pediu, o presidente anuiu, o público entusiasma-se primeiro e depois tolera. Sobre o Luís Guilherme já havia escrito aqui que gosto da sua progressão vertical com bola em drible, mas na definição dos lances faz o Averell Dalton (Lucky Luke) ficar bem na fotografia. E o Faye é potente, mas um pouco trapalhão. Pelo que seria inimaginável para mim trocar o Flávio por qualquer um deles. Ainda por cima, o Flávio partilha características com o Pote que assegurariam um match perfeito com a ideia de jogo do nosso treinador, sendo igualmente muito forte na leitura do jogo e com excelentíssima dinâmica interior. E aos 18 anos já percebe muito melhor o jogo do que esses dois jogadores mais velhos que o Sporting em Janeiro foi buscar ao mercado, prova inequívoca de como falham as convicções sobre a qualidade da nossa Formação, envolvendo eu nessa falta de crença desde o treinador até à Estrutura encabeçada por Frederico Varandas.


Em dia de Apocalipse, não tanto pela chuva (incessante) mas sim porque revelador do pouco estatuto da Formação quando se trata da janela aberta do mercado de transferências, o Sporting recebia o Nacional na sua casa sita no Campo Grande. Se a aventura de chegar ao estádio já me havia deixado molhado até aos ossos, o vento que tocava a chuva e uma insistente goteira proveniente da cobertura da bancada nunca me permitiram secar a roupa e o corpo. Uma loucura, na verdade, como tantas outras coisas que fazemos por pura paixão. O jogo, igualmente cinzento, frio, também não ajudou. No primeiro tempo contei apenas duas oportunidades, uma para cada lado. E a segunda parte não foi muito melhor. De repente, o Pote marcou e escreveu mais um capítulo da Ilustre Casa dos Gonçalves onde o aprendiz Flávio ainda anda infelizmente a lavar o chão. Parecia definitivo, mas o dia não era de Diomande, ontem sempre precipitado nos duelos e assim muitas vezes apanhado fora de posição, e o Nacional empatou. Rui Silva também não ficou isento de culpas, podia ter socado a bola noutra direcção. O jogo caminhava para o fim, o empate parecia mais do que certo, mas eis que do dilúvio surge o Noé e a Arca à qual se agarrou Suárez para nos levar ao Paraíso. Depois de Arouca e de San Mamés, o Sporting salvava-se sobre o gongo, dando razão ao velho provérbio de que não há duas sem três. Haverá quatro? No Dragão poder-se-á escrever um novo adágio popular ilustrado a verde-e-branco [mas se calhar sou eu (ainda) a "meter água"]. 


Tenor "Tudo ao molho...": Luís Suárez (Quaresma foi preponderante no último golo, é ele que cria o desequilíbrio, e Alisson fez o cruzamento... para trás, que o colombiano com uma gama de recursos notável resolveu com o calcanhar).

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23
Ago25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Um Pote de 3 na Taberna do RB


Pedro Azevedo

Entre os estados de alma mais comuns num português destaca-se a melancolia. Nesse sentido, nada lhe suscita tanto esse sentimento como uma visita a Sintra. Ou à Choupana, caso o indivíduo em questão seja um jogador de futebol da Primeira Liga (o Sintrense ou o 1º de Dezembro jogam em divisões inferiores). As brumas da memória são suscitadas pelo denso nevoeiro que habitualmente aí se faz sentir e logo por encantamento se ergue um súbito e sebastiânico desejo de regresso às origens. Se em Sintra esse vazio presente é também um sinal de fome e será compensado com a ingestão de um Travesseiro da Piriquita, na Choupana, o regresso às origens é muitas vezes sinónimo de viagem de volta até à Portela (ou outro aeroporto do país), sem que um jogo se possa disputar, havendo uma solução alternativa, envolvendo também um travesseiro, mas de um quarto de hotel no Funchal, caso haja a suspeita de que o manto de neblina se possa dissipar com brevidade. Na Choupana, tentar concertar a hora do jogo com um dia de céu aberto é como jogar à roleta russa com um revólver com um tambor para 6 balas em que 5 estão na câmara. É por isso probabilisticamente mais fácil um banheiro (nadador-salvador) na Antártida ter trabalho do que um jogo começar à hora marcada no estádio do Nacional. Por isso, vai-se à Choupana com a mesma convicção que se visita o Monte Olimpo, quase seguros de que não haverá ninguém para nos abrir a porta, que certamente estará reservada só para os deuses. O exotismo de uma realidade assim no nosso campeonato é uma singularidade lusa. Acresce ao misticismo associado a Rio Maior, onde Casa Pia e agora também o Tondela jogam (atendendo à especificidade do local escolhido, os jogos devem dar uma grande moca), àquele pântano jamorense que no inverno serve de base a um campo de golfe de bem mais do que 18 buracos que já foi domicílio da B SAD e ao AVS ou AFS que um ciclone em Vila Franca fez levantar vôo até aterrar na Vila das Aves. Como prémio por toda essa criatividade, Proença chegou a presidente da Federação, em trânsito para a UEFA, onde será de esperar que fique responsável pela organização da final da Champions no rochedo de Gibraltar, com a ilha da Armona como segunda hipótese. 

 

Por sortilégio, houve jogo. Talvez pelo inesperado da situação, entrámos mal e cedo sofremos um golo numa desatenção de Morita, na sequência de um pontapé de canto. Após o golo, o Nacional recuou ainda mais as linhas e procurou fechar todos os espaços. Mas o Sporting tem jogadores capazes de desequilibrar e logo Pote fez a bola estrelar na barra. Mangas deu duas assistências para Trincão e Hjulmand, mas a bola não entrou. Perto do fim da primeira parte, o Nacional viu-se reduzido a 10 unidades. No Sporting, Pote ficou coxo e estabeleceu assim um interessante dueto homófono com Kocho, que entretanto substituiu o lesionado Morita. Após o intervalo, Trincão recuperou uma bola no seu meio campo, tocou para Geny, este para Fresneda, Suarez deu de calcanhar e Pote venceu a malapata e empatou a partida. Pouco depois, novo golo, mas o recém-entrado Vagiannidis estava em fora de jogo depois de Suarez ter executado um passo típico do bailado clássico sob a forma de um "pas-de-deux" em que o par (a bola) ficou para segundas núpcias. O locutor dizia que Pote coxeava, e a coxear tirou dois do caminho e fez gala daquele tipo de passe social que dá direito ao uso das redes nacionais. O passe, entrelinhas, foi de Inácio. Harder viajou de avião até à Madeira, mas foi de carrinho que fez o terceiro. Na assistência em viagem esteve o Pote, sempre ele. Para quem diz que o futebol do Sporting é um tiqui-tasca (ou Taberna Mecânica), hoje não se serviram penáltis. Em compensação, houve copo de 3, ou melhor, um Pote de 3, na medida em que o Pedro Gonçalves ainda viria a assinar o quarto golo do Sporting, coroando assim uma exibição soberba, pelo que a lamentar apenas o Quenda se ter deixado levar pela nostalgia, o que teve como consequência a sua mente ter andado ausente do relvado, facto para o qual tambem não contribuiu positivamente "O Mistério da Estrada de Sintra" de ter reaparecido como lateral esquerdo ("Oh m'Eça!!!").

Tenor "Tudo ao molho...": Pote

poten.jpg

 

26
Jan25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Um Braillinho da Madeira


Pedro Azevedo

Há duas máximas sobre massa que o Leitor precisa de recordar: a primeira, diz-nos que é muito importante ou mesmo determinante no futebol; a segunda, adverte-nos de que o que é Nacional é bom. Ainda assim, há clubes com mais "massa" do que outros, mas essa "massa" pode não ser necessariamente de melhor qualidade do que a de um clube com menos "massa". Por exemplo, o clube dos 6 milhões tem muita "massa", massa dinheiro e massa associativa, pelo que é uma maçada quando perde com um humilde mas valente clube-roulotte que tem tão pouca "massa" que anda com a casa às costas quinzenalmente até finalmente a poder parquear em Rio Maior. Logicamente, os adeptos do clube com muita "massa", que se deslocaram em massa ao local onde o adversário parou a roulotte, ficaram amassados com a atitude da sua equipa e logo pediram justificações ao seu treinador, que por sua vez, já que pedir não custa, devolveu o requisito, pedindo ajuda aos adeptos, de forma a que ele pudesse resolver "esta m€rd@", o que pressupõe, sentindo-se ele parte da solução e não do problema, que a ajuda requerida não implica que os adeptos o substituam no banco e assim consigam tirar o mínimo rendimento de um plantel milionário, inferindo-se assim que a cooperação pretendida será do género "somos todos Benfica" e se todos forem Benfica ninguém os parará, até porque não restará ninguém para o fazer (um velho sonho "vieirista"). 


Ora, na noite passada, um clube com "massa", não tanta como a do clube dos 6 milhões mas ainda assim muita "massa", defrontou o Nacional. Além de alertado para o facto de que o que é Nacional é bom, o Sporting tinha bem presente um exemplo de como a sobranceria pode custar caro, que mesmo com massa para o Benfica não foi "canja de galinha". Assim, com o acompanhamento da "massa", meteu a carne toda no assador, não poupando o Gyokeres, o Morita e o Bragança e procurando assim confecionar uma boa bolonhesa (que se espera dure pelo menos até quarta-feira). Por outro lado, o Nacional, ainda que não sendo um clube-roulotte, trouxe um contentor de frio a Alvalade para não estragar a famigerada qualidade da sua massa. E pousou-o em frente à sua baliza. Com um objecto de dimensões tão consideráveis à sua frente, os jogadores do Sporting tiveram sempre muita dificuldade em ver a baliza, pelo que recorreram ao braille para lerem correctamente o que se estava a passar, ao mesmo tempo que foram desenvolvendo outros sentidos: o olfato de Gyokeres, a audição de Hjulmand, o tacto de Diomande e o paladar de Quenda. Mas ainda assim não foi fácil. Pelo que, se o macaco-hidráulico fez oscilar o contentor mas não o retirou da frente, o engenhoso do Trincão acabou por resolver o problema à lei da bala, ou, mais concretamente, a tiro de canhão (rima com Trincão). Ainda assim, os nacionalistas não desarmaram, pelo que só mesmo massa fresca (18 aninhos, João Simões) resolveu definitivamente o problema.

 

Nos últimos 4 jogos do campeonato, o Sporting fez 10 pontos e o Benfica e o Porto (menos 1 jogo) apenas 3, o que quer dizer que Rui Borges, que arrancou com menos 1 ponto que Lage e os mesmos de Vítor Bruno, ganhou um total de 14 pontos (no mínimo 11, caso o Porto vença hoje) aos seus rivais nessas jornadas, aumentando em 1 ponto a diferença que Amorim havia cavado para cada um dos adversários directos quando faltam menos 8 jogos para o campeonato terminar, tendo pelo meio de gerir as lesões prolongadas de Pote e Nuno Santos, as recorrentes de Quaresma, Inácio, St Juste, Matheus Reis, Morita e Bragança, o cansaço muscular de Gyokeres e a falta de compromisso de Edwards. É obra!!! Bom, mas isso é outra loiça, que hoje foi a massa que nos trouxe aqui... 

 

"Deixem passar esta linda brincadeira, que a gente vamos bailar p'ra gentinha da Madeira..."

 

Tenor "Tudo ao molho...": Morten Hjulmand

braille.jpg

30
Out24

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

O Aníbal Amorim


Pedro Azevedo

Aníbal ficou conhecido tanto pelos seus brilhantes dotes de estratega quanto pelos seus elefantes. Todavia, com o caminho aberto para o triunfo (entrada em Roma), optou por mudar de ares, decisão que ainda hoje é considerada como controversa. Em consequência, acabou derrotado. Aquilo que Amorim se propõe fazer agora é semelhante, não deixando de ser figurativamente paradigmático da sua acção que tenha afirmado o seu desejo de retirar o elefante da sala. O problema é que o elefante foi para as bancadas, e agora os Sportinguistas estão de trombas. O ambiente sombrio que se viveu ontem em Alvalade assim o demonstra. A vida de um Sportinguista é do car(t)ago !!!...

A primeira parte do jogo evidenciou um conjunto de hesitações e de desligamentos de ficha que há muito não se viam numa equipa do Sporting. O choque está a ser grande e isso reflectiu-se em menores alegria e concentração. Foi então necessário recorrer a Gyokeres. O sueco não tem estados de alma. Na sua essência, ele é um elefante que, espera-se, não venha a ser retirado das salas de espectáculo onde actue o Sporting. E logo começou a causar estragos na porcelana nacionalista. Primeiro sacando um penalty, depois destruindo "à bomba" a última resistência insular, de forma livre e directa.

 

Os próximos dias dirão se Amorim vai apanhar o avião. A fazê-lo, talvez mais tarde (Janeiro) chegue um outro avião, esse de carga, para a viagem do elefante para o mesmo destino do seu treinador/adestrador, um enredo saramaguiano que permanecerá no sub-consciente de cada Sportinguista até ao início do novo ano. 

E nós? A gente vai continuar. Que remédio !...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Vik Thor Gyokeresexit.jpg

18
Ago24

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Futebol ao Sol e à Sombra


Pedro Azevedo

IMG_3383.jpeg"Futebol ao Sol e à Sombra" é o título de um extraordinário livro do insigne Eduardo Galeano, mas poderia ser também paradigmático de um outro tempo, dos jogos (ao Domingo) à tarde, com os relvados polvilhados de sol e da sombra projectada pela cobertura das bancadas cheias de gente. Foi isso que aconteceu ontem na Choupana, literal mas também metaforicamente: no primeiro tempo, o Sporting não "foi pela sombra" tanto quanto se recomendaria, isto é, não se protegeu, não se cuidou.  É certo que marcou cedo, numa bela iniciativa individual de Pote, mas depois trocou as chuteiras pelas chanatas, sacou do farnel, enterrou (mal) umas cascas de banana, deitou-se na toalha e dormiu uma soneca. Acordou tarde e a más horas, não se sabe se consequência do próprio ressono ou do barulho das gaivotas que entretanto se abeiraram por lhes cheirar a presa, e exposto a uma insolação. Nesse transe, um nacionalista superou o irmão gémeo do Diomande que regressou da CAN e repôs o empate. Para a coisa não se complicar demasiado, valeu o Trincão desafiar milhares de anos de sabedoria popular expressos no almanaque Borda d'Água e antecipar a colheita só prevista para os meses de Janeiro e diante. O golo teve o condão de levar o Sporting à frente no marcador para o intervalo. 

 

No reatamento, o Quenda caiu na área. Quer dizer, houve Que(n)da na área e o árbitro Godinho não teve outro remédio senão assinalar a penalidade provocada por um defesa nacionalista. O Gyokeres aproveitou para "molhar a sopa", que não seria de todo gaspacho tal o caldo quente que se fazia sentir na Madeira. Entretanto, os nacionalistas iam caindo que nem tordos, ao passo que os leões se mostravam frescos que nem a alface de onde a Nike extraiu o pantone da cor das suas camisolas.  Meio perdido, o Nacional ainda depositou a fé no seu Ulisses para que a odisseia não terminasse mal, mas quando este capitulou, não fazendo jus ao herói de James Joyce (Leopold Bloom) ou de Homero, os madeirenses entregaram os pontos: logo, Geny roubou a bola dentro da área e deu de bandeja de prata a Trincão para o quarto golo; depois, Bragança procurou o melhor enquadramento para o seu pé esquerdo e colocou fora do alcance do desamparado guarda-redes nacionalista; finalmente, Gyokeres recebeu um passe do recém-entrado Debast e com um tiro de canhão causou severos danos na rede da baliza dos insulares.

 

O que é Nacional, é bom. Com a vitória garantida, os leões regressaram a banhos na bonita Pérola do Atlântico. Seguir-se-á o fim das mini-férias madeirenses e o regresso a Alcochete. Na liderança do campeonato. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Pote

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