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A Poesia do Drible

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

A Poesia do Drible

28
Ago25

Maneater United


Pedro Azevedo

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Alex Ferguson, aquando da sua reforma (2013), deixou-a presa numa bigorna em Old Trafford e nenhum treinador até agora foi capaz de levantar a Excalibur como um facho e afirmar-se como o herdeiro legítimo do escocês. Atraídos pela vaidade e ambição de serem o escolhido, os putativos sucessores ("Artures") têm vindo, um a um, a cair, triturados pela devoradora  máquina do Manchester United. Que já foi um Ferrari, mas hoje é um Mini. Todo artilhado, com pneus de perfil baixo, jantes de competição, motor aditivado e estofos de pele de zibelina com acabamentos a ponto de pérola, mas sem deixar de ser um Mini. Ruben Amorim é a mais recente vítima desse logro competitivo que é o Man U. Também por culpa própria, que o timing que escolheu para se associar ao projecto foi desastroso. Não foi por falta de aviso sobre os riscos de abraçar a equipa a meio da época, sem tempo para treinar uma mudança de sistema táctico, que o tecnico português deu o sim aos ingleses. Mas, impulsivo e com medo que a oportunidade não voltasse a passar-lhe pela frente, tomou o risco. O resultado está à vista: depois de uma época desapontante, uma das piores da história do clube, o início desta temporada não está a ser melhor, com um empate e uma derrota na Premier, a que se soma a humilhante eliminação de ontem à noite, para a Carabao Cup (Taça da Liga), aos pés do Grimsby Town, um clube da League 2, o quarto escalão competitivo inglês, que curiosamente equipa à "Varzim". Não é só o facto de a equipa partir-se muitas vezes em campo, os erros individuais subsistem desde o primeiro dia. E parecem faltar jogadores capazes de fazer a diferença, o que intriga face aos milionários valores de transferência de Matheus Cunha, Mbeumo e Sesko. Além disso, a atitude colectiva é deplorável, os jogadores parecem descrentes e a equipa precisa constantemente  de encaixar 1 ou 2 golos para ter uma postura competitiva minimamente admissível. A inferioridade numérica a meio campo também não ajuda, mas disso Amorim teimosamente não está disposto a abdicar. Depois, produz-se o paradoxo quando, após elevadíssimo investimento em avançados, o mais letal atacante da equipa é um defesa (Maguire) que nem sequer é particularmente bom. Enfim, um pesadelo sem fim à vista e que nos alerta para a importância do timing nas decisões que tomamos na vida. Deixando aqui o meu lamento, porque não só simpatizo com Amorim como o United é o meu clube em Inglaterra desde que o Best me apareceu à  hora de almoço de um Sábado ou Domingo (não consigo precisar a esta distância) a ensinar futebol através do ecrã da televisão (RTP), era eu ainda um menino de babete. 

06
Mar25

Manchester United, por Joy Division


Pedro Azevedo

O Manchester United tem Malcolm Glazer como accionista maioritário e Sir Jim Ratcliffe (CEO da INEOS e detentor de 25% das acções do clube) como responsável pela operação do futebol. O clube foi marcado profundamente por 2 treinadores, que em conjunto obtiveram 18 dos 20 títulos de campeão inglês que fazem parte do seu palmarés. O primeiro foi Sir Matt Busby, que venceu 5 troféus nos anos 50 e 60, apresentando ainda o imenso mérito de ter reconstruído uma equipa a partir dos escombros do acidente de aviação ocorrido em Munique, onde pereceram, entre outros jogadores, as suas duas principais vedetas (Tommy Taylor e Duncan Edwards). A partir de um sobrevivente do desastre (Bobby Charlton), que esteve dias em coma entre a vida e a morte, Busby lançou a primeira pedra de uma edificação que incluiu também George Best e Denis Law (United Trinity), foi pela última vez campeã inglesa em 1967 e chegou a conquistar a Europa (Taça dos Campeões de 1968). Seguiu-se um longo hiato de vitórias até que Sir Alex Ferguson devolveu a grandeza ao clube. Para se ter uma ideia, antes de Ferguson ter ganho o seu primeiro título de campeão de Inglaterra (1992/1993, época que marcou o início da Premier League), o Liverpool detinha 18 títulos de campeão nacional, só voltando a ganhar o troféu (2020) após o treinador escocês se ter retirado (2013). No seu período no United, Ferguson acrescentou 13 títulos de campeão inglês ao palmarés do clube, perfazendo assim o total de 20 troféus com que o Manchester United destronou o Liverpool como o clube mais vezes campeão de Inglaterra. Adicionalmente, na Europa juntou duas Champions ao museu do clube. Tal como já havia ocorrido aquando da sucessão de Busby, após a saída de Ferguson o clube entrou em declínio. São já 10 os treinadores que lhe sucederam e nenhum conseguiu um rácio de vitórias (por jogo) na Premier League semelhante ao de Alex Ferguson (65,2%). Ainda assim, o melhor até agora é português (José Mourinho). Infelizmente, o pior também é luso (Rúben Amorim). Por curiosidade, aqui fica a estatística (Mou 53,8%, Ten Haag 51,8%, Solskjaer 51,4%, van Gaal 51,3%, van Nistelrooij 50%, Carrick 50%, Giggs 50%, Moyes 50%, Rangnick 41,7% e Amorim 31,3%). Perante este cenário, os adeptos do United estão dilacerados, o que nos traz à memória uma canção de uma banda local (Joy Division) cujo título era "Love will Tear us Apart", que expressa bem o sentimento dos "supporters" do clube para com a gestão da família Glazer pós-reforma de Ferguson. Não é esta porém a única associação do Manchester United aos Joy Division, havendo uma outra bem mais concreta: no início da temporada 2020/21, o clube anunciou uma parceria com o designer Peter Saville na produção dos novos equipamentos de jogo, equipamentos esses que incluíram desenhos baseados na capa de um LP dos Joy Division que havia sido obra do famoso designer gráfico. Curiosamente, esse álbum levou o nome de "Unknown Pleasures" (Prazeres Desconhecidos), como serão os da nova geração de adeptos do clube perante a ausência de títulos. Estes seguramente esperarão que seguir-se-á uma nova ordem ("New Order"), o nome do grupo que sucedeu aos Joy Division pós-morte do seu vocalista Ian Curtis.

 

#manchesterunited

#futebol

#joydivision

07
Dez24

Loose-loose


Pedro Azevedo

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Manchester United - Nottingham Forest 2-3 

(Rúben Amorim perde o duelo com Nuno Espírito Santo)

 

Até pode acontecer que o presente seja cinzento e o futuro venha a ser brilhante, mas para já o Sporting caiu a pique e o Man U não dá francos sinais de melhoria (4 pontos em 4 jogos, na Premier), dando a impressão de que nenhum dos 2 clubes ficou a ganhar com a saída extemporânea de Amorim de Alvalade. Um risco que "A Poesia do Drible" havia antecipado aqui.

29
Out24

Amorim deve continuar


Pedro Azevedo

A ida de Ruben Amorim para o Manchester United, a concretizar-se neste momento, será um "loose-loose" para ele e Sporting. Primeiro, porque o Man Utd é presentemente um cemitério de treinadores, um clube sem uma estratégia de longo prazo e cujas vagas de contratações são como espuma de ondas que prometem muito até rebentarem com estrondo e assim morrerem na praia. Nesse sentido, é impossível não ver um nexo de causalidade entre o recrutamento de Cristiano Ronaldo e agora a preferência por Ruben Amorim, como se o objectivo fosse apenas o de antecipação ao rival da cidade, o Manchester City, agora que Viana já está certo em Maine Road e Guardiola não é seguro que continue. Ora, todos sabemos como acabou o folhetim Ronaldo em Old Trafford...

 

Para o Sporting, a saída prematura de Amorim, agora que ultrapassámos apenas o primeiro quarto do campeonato, também não seria nada boa. A equipa está muito mecanizada no sistema de jogo que o treinador aportou a Alvalade e embora tal pudesse ser replicado com João Pereira, por exemplo, o carisma e a facilidade de comunicação demonstrados por Amorim dificilmente seriam clonados, assim como os graus de liberdade para a formação do plantel de acordo com as ideias exclusivas do treinador seriam necessariamente diferentes. Acresce que Ruben assumiu no Marquês perante os Sportinguistas o desafio de ganhar o bicampeonato e posteriormente zelou pela manutenção dos principais activos, pelo que a sua saída prematura soaria como uma traição face a um objectivo/compromisso com que Amorim quis propositadamente marcar a agenda leonina para 2024/25.

 

Não sendo de desprezar, obviamente, a ambição do treinador de treinar na Premier League, algo que ficou bem claro e patente aquando do interesse de Liverpool e West Ham, o timing para ele não será o melhor. Desde logo porque terá de esperar por Janeiro para adequar o plantel do United às suas ideias, depois também porque esse reforço poderá passar pelo desfalque do clube que o catapultou para o estrelato. Por todos os motivos, seria mais lógico e prudente que Amorim fizesse essa opção no verão, saindo de Alvalade pela porta grande e dando tempo ao clube para organizar o seu mercado. Mesmo o atractivo de pegar num clube na mó de baixo, correntemente décimo quarto classificado na Premier, não me parece ser sedutor o suficiente. Porque dificilmente Amorim terá a autonomia, poder de decisão e respaldo da administração que tem em Alvalade e ainda terá de contar com alguma desmotivação dos jogadores do United agora que o objectivo principal da época parece perdido e mesmo a qualificação para a Champions se afigura muito complicada. E isso será um risco muito sério, passado o efeito positivo que uma chicotada psicológica sempre tem nos primeiros tempos. 

Claro que Amorim estará agora a pensar que há comboios que não param duas vezes, mas também deverá reflectir se para a sua carreira será melhor apanhá-lo na gare de origem ou num qualquer apeadeiro. Especialmente num clube com tantas estações em que há sempre alguém com vontade de entrar, o que suscita um arranca-e-para cíclico que não permite que se anda à velocidade de um TGV. 

 

P.S. O ciclo vicioso do United pós-Ferguson não é novo: após a saída de outra figura marcante do clube (Sir Matt Busby), o Man U esteve 26 anos sem ganhar o campeonato inglês. E mesmo Ferguson necessitou de 7 anos para vencer, manutenção no cargo que só foi possível porque tinha créditos acumulados pela conquista da Taça dos Vencedores das Taças no Aberdeen (final contra o sempre poderoso Real Madrid). Ora, o último título de campeão do United data de 2013 e desde aí já por lá passaram 7 treinadores...

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