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A Poesia do Drible

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

A Poesia do Drible

10
Set25

Sozinho


Pedro Azevedo

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"Onde está você agora?" - cantava o Caetano, em "Sozinho". Lembrei-me desta música a propósito do que tem sido o caminho solitário de João Almeida na Vuelta 2025, com um conjunto de ciclistas à sua volta cheios de egos individuais e sem o sentido de solidariedade que deveria caracterizar uma equipa. Hoje tivemos mais um exemplo disso mesmo, com Soler (perdeu mais de 17 minutos) e Ayuso (chegou com os sprinters, a mais de 23 minutos) em parte incerta quando no sopé da última montanha o João olhou em todas as direcções. Os mesmos Soler e Ayuso que quando é para tratarem da sua vidinha mostram uma saúde invejável, mas depois, quando é preciso trabalharem para o João, metem baixa. Pelo que a etapa de amanhã, um contra-relógio individual em Valladolid, será uma parábola daquilo que tem sido o abandono a que a UAE e o seu director desportivo Matxin têm submetido o João: sozinho e já muito desgastado, contra o asfalto e o cronómetro. Porque independentemente da classe ímpar de Vingegaard, que aliás não está na sua melhor forma, os grandes adversários do João residem onde ele nunca ousou procurar, ou seja, dentro da UAE. A começar num Director Desportivo cheio de tibiezas e que achou por bem. imediatamente antes da Vuelta começar, dividir a liderança de João Almeida com Ayuso, e a acabar na dupla Soler&Ayuso que anda a gozar o pagode perante a complacência de um Matxin com mentalidade de director de uma equipa pequena, para quem vitórias em etapas são o máximo que se pode alcançar. Tanto desperdício de recursos em bravatas individuais teve como consequência a falta de disponibilidade física (e vontade) para se unirem em torno do João, que tantas vezes se viu sozinho perante o comboio da Visma e, mais recentemente, da Red Bull. Visma que tem somente 5 ciclistas em redor de Vingegaard que valem pelos 7 (além do João) que a UAE tem dispersos quando toca a mostrar sentido colectivo. Por muito que Ivo Oliveira, Bjerg e Nowak dêem uma ajuda no plano e Grosschartner na montanha, que as excepções também confirmam a regra. 

05
Set25

Tudo ao molho e fé em Deus

O Momento da Verdade


Pedro Azevedo

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Hoje é o Dia D na Vuelta com a escalada do Angliru, cujo cume coincide com a meta. Uma contagem de montanha de categoria especial, com gradientes que vão até aos 23%, com duas subidas de primeira categoria como aperitivo para os corredores. 

Este será o momento da verdade para o português João Almeida. Mas sejamos realistas: vai ser quase impossível bater o comboio da Visma e o seu líder Vingegaard. Desde logo porque a UAE não se tem portado como uma verdadeira equipa em redor do seu líder, antes se tem dispersado em brilharetes individuais que mostram que o seu foco não está na classificação geral. Nesse sentido, como se poderá esperar que Almeida tenha hoje o melhor apoio no Angliru, quando aqueles que poderiam ser as suas muletas (Ayuso e Soler) se desgastaram imenso numa fuga durante a etapa de ontem? Com Grosschartner em défice de forma e Jay Vine a correr para o prémio da montanha, nem sequer é certo que o João tenha alguém a seu lado quando se chegar ao sopé do Angliru, não sendo mesmo de desprezar, observadas as estranhas tácticas(?) da equipa - um "Tudo ao molho e fé em Deus" que dá sentido ao título deste Post -, que alguns dos homens da UAE venham a integrar fugas durante a etapa ao invés de ficarem junto do seu líder. Essa possibilidade, que não deixa de ser real, além de uma facada a mais na liderança de Almeida, seria um trabalho de Sísifo, um supérfluo desperdício de energia, na medida em que estaria condenado ao fracasso porque a Visma fará tudo para dar a vitória nesta etapa a Vingegaard. Pelo que uma eventual vitória de João Almeida no Angliru, face a todos as contrariedades e desproporção de meios, seria um dos acontecimentos mais épicos da história do desporto português. Logo, por volta das 17h, se saberá. 

P.S. E não é que o João Almeida concretizou um dos feitos mais impressionantes do desporto nacional, batendo o galáctico Vingegaard no mítico Angliru? Soler e Ayuso não estiveram no sopé da última montanha como já era esperado dado o dispêndio de energia no dia de ontem, mas Jay Vine e Grosschartner foram impressionantes a pôr ritmo e Ivo Oliveira, que descaiu de uma fuga, deu também uma importante ajuda em dia de aniversário (29 anos). Grande vitória pessoal de Almeida, o qual parece ter convencido definitivamente a equipa da UAE, com Matxin no final a deixar a seguinte frase: "Todos com o João", uma espécie de "Onde vai um, vão todos", mas sem Amorim na liderança (antes fosse). 

01
Set25

O Tractor das Caldas


Pedro Azevedo

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A estratégia "ad-hoc" da UAE na Vuelta, que merecia mas era umas interjeições ao jeito do Capitão Haddock (Tintin), teve hoje o seu clímax na chegada montanhosa a Valdezcaray. Mal se iniciou a escalada final, logo a Visma se alinhou na frente com uma mão cheia de ciclistas no apoio a Vingegaard. Com Jorgenson a sprintar montanha acima, imediatamente o dinamarquês criou a plataforma ideal para se isolar. Ciccone foi o único a apanhar a sua roda, mas cedo cedeu. Na UAE, mal se deu o ataque, Vine ficou imediatamente para trás, consequência provável de andar a lutar pela classificação do prémio da montanha,, Soler mostrou não ter pernas para a perseguição e Ayuso cedo desligou em concordância com a sua agenda pessoal (no final da jornada afirmou que não fazia sentido forçar porque não está na corrida à geral, como se a figura de Almeida para ele fosse indiferente), pelo que João Almeida teve de ir para a frente impor ritmo. A sua cadência logo fez estragos: Ciccone, Hindley, Bernal, Jorgenson e o camisola vermelha não aguentaram o ritmo e ficaram para trás. Apenas Pidcock e Gall o seguiram. Com a sua aceleração, Almeida logrou ficar a apenas 7 segundos de Vingegaard e chegou a dar a sensação de que o iria apanhar. Mas o gradiente mais íngreme da montanha foi atingido antes que Almeida lograsse alcançar o dinamarquês. A falta de ajuda fez o resto e Vingegaard logrou chegar isolado à meta. Atrás dele, o português fez descolar Gall e pediu a Pidcock para ir para a frente puxar em alternância. Só que o inglês estava exausto e cada ida sua para a frente eram mais 5 segundos que Vingegaard ganhava para respirar. Não restou assim alternativa a Akmeida que não fosse voltar a marcar o ritmo, o que permitiu ao duo chegar a apenas 24 segundos de Vingegaard, recuperando cerca de 10 segundos no último Km. Atrás, de forma inacreditável, Soler rebocou nos últimos Kms todos os adversários de Alneida, o camisola vermelha incluído, o que permitiu a  Torstein Traeen manter a liderança na geral e poupar o desgaste da ida diária ao pódio a Vingegaard. O esforço do "Bota Lume" viria a ser reconhecido no fim por Pidcock, que, por entre uma alusão metafórica envolvendo tomates, epítetou o luso de "Tractor", tal a força que demonstrou ao longo da subida. Já o português não deixou de lamentar a falta de pernas dos seus companheiros de perseguição, mas finalmente deu um murro na mesa e apontou essencialmente as baterias para a ausência de apoio por parte dos seus colegas da UAE. Segue-se um dia de descanso onde certamente estas declarações serão discutidas internamente na UAE. Mas a esperança de que algo mude é escassa: Matxin é um líder fraco - irresponsavelmente trouxe Ayuso para a Vuelta com o estatuto de co-líder - porque na verdade com os seus actos nunca soube transmitir a um seu subordinado (o João) a confiança de que este necessita para vencer a Vuelta. E essa confiança só poderia ter sido transmitida ao pôr toda a equipa da UAE a trabalhar desde o primeiro dia para o seu único chefe-de-fila, o português João Almeida. Em vez de ter trazido um Ayuso que o próprio Pogacar consta não querer voltar a ter perto de si nas grandes voltas depois de no Tour da época passada se ter destacado por se posicionar na traseira do grupo da frente, deixando todo o trabalho de sapa em prol de Pogacar ao cuidado do João Almeida. Ayuso, que na mesma entrevista mencionada acima declarou que não teria feito sentido forçar durante 5 minutos no início da subida final porque já não tem ambições à geral, como se não devesse solidariedade ao seu líder na estrada e essa mesma solidariedade não lhe fosse pedida pelo seu director desportivo e equipa. Gente assim justifica aquela expressão antiga que nos elucida que o nosso maior inimigo se esconde onde nós nunca pensamos procurar, trocando aqui inimigo por adversário porque é de desporto que falamos. 

29
Ago25

Almeida e a UAE


Pedro Azevedo

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As tácticas da UAE, nas competições em que não tem Pogacar como líder, são o equivalente em oculto terreno aos mistérios que o espaço ainda encerra. Ontem, numa etapa com chegada a Andorra, lançaram Jay Vine na frente e deixaram o seu chefe-de-fila João Almeida sozinho no meio do mini-pelotão da Visma de Vingegaard. Hoje, na escalada a Cerler, em vez de ficarem no pelotão a impor um ritmo forte que permitisse ao João descolar os seus adversários, optaram por novamente pôr Vine numa fuga (a lutar pelo prémio da montanha), no que foi acompanhado por Juan Ayuso, que é de facto um fenómeno. Não propriamente do ciclismo, mas da ressurreição, pois. se Jesus Cristo precisou de 3 dias, o espanhol só necessitou de 1, recuperando miraculosamente de um empenanço na jornada anterior que o levou a ficar "morto" a meio da subida para Andorra. Pelo que faz sentido a pergunta: como é que uma equipa que quer ganhar a Vuelta se permite desgastar assim os ciclistas que poderiam ajudar João Almeida? O que vale é o João estar em grande forma, como hoje voltou a provar-se quando atacou e só Vingegaard e Ciccone o conseguiram seguir na roda. Com apenas 1 elemento da UAE (Soler) a preparar a jogada e sem ajuda da dupla que se lhe juntou, Almeida acabou por abdicar e ir no ritmo dos outros, mas ficou claro que poderia ter feito muito mais. E agora, o que nos reservará o futuro? Será que a UAE continuará a querer ganhar etapas ou reunir-se-á à volta de Almeida? E será Ayuso um fiel "domestique" ou dará razão àqueles que o acusam de ter uma agenda própria? Os próximos dias certamente darão resposta a estas questões, mas estou em crer que ou o "Bota Lume" dá um murro na mesa ou então a chama que neste momento tem dentro de si nunca passará de um fogão, durável mas sem a erupção de uma vida de um vulcão que a sua actual óptima forma justifica. Se acontecer, pode ser que UAE passe a significar "United Almeida Équipiers"...

12
Jul25

Todos na roda e fé em João Almeida

Levantado do chão


Pedro Azevedo

IMG_5476.jpegCaro Leitor, o João caiu e nessa queda deitou por terra as expectativas de toda uma nação, que há quedas que são colectivas e esta foi tanto dele como nossa. Sentimos assim as suas dores, até porque todos nós temos uma costela de João Almeida. Mas o João prontamente levantou-se, parábola que nos cumpre mimétizar, ou não fossemos nós, portugueses, um povo habituado a recomeços. O presente não é assim aquilo que o passado augurava para o futuro, não haverá pódio em Paris nem escaparates na imprensa escrita. A vida por vezes é cruel e cria-nos desafios inesperados como este de fazer um Homem tocar no sol somente para depois se despencar como Ícaro (a Red Bull é que te dá asas e ele está na UAE). Voltará, e nós também, até porque a sua vida (literalmente), e nossa (metaforicamente), é andar às voltas, qual hamster numa roda. Até que esta rebente ou fure. 

09
Jul25

Todos na roda e fé em João Almeida

Pogacar no topo e o João a subir


Pedro Azevedo

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Auguste Comte, fundador da corrente (tem tudo a ver com bicicletas) do Positivismo, disse um dia que tudo na vida é relativo, sendo esse o único valor absoluto. Percebo a ideia: um colaborador de uma empresa fica satisfeito com o bónus que recebeu no final do ano, mas após tomar conhecimento de que um colega auferiu um prémio maior logo o sentimento muda radicalmente. Mas há excepções: por exemplo, os princípios e valores comportamentais são absolutos. Adicionalmente, os mercados financeiros ensinam-nos que o relativo pode ser uma serpente envenenada se não cuidarmos de saber o valor absoluto dos activos. E depois surge o ciclismo enquanto parábola desportiva do equilíbrio entre o relativo e o absoluto. Quer dizer, na maioria das vezes os ciclistas estão a pedalar uns contra os outros, mas depois chega aquele dia em que pedalam sozinhos contra o asfalto e o tempo e têm de impor um ritmo de acordo com as suas capacidades e não em função de outrem. A essa prova, dita da Verdade (existe algo de metafísico, no sentido do conhecimento do ser e da sua essência e capacidade de sacrifício, no conceito de pôr o Homem em cima de uma bicicleta durante horas, dia sim, dia sim, subindo e descendo montanhas), chama-se contra-relógio.  Hoje foi dia de contra-relógio no Tour de France. 

À partida, o grande favorito era Remco Evenepoel, com capacete de Hermes e bicicleta dourados e camisola arco-íris, símbolos de campeão olímpico e mundial na especialidade. Depois surgiam Pogacar e Vingegaard, os outros grandes candidatos à camisola amarela em Paris. E, de seguida, os especialistas e os "wanna be" à geral, estes últimos representados à cabeça pelo nosso João Almeida. No fim, não houve grandes surpresas: Evenepoel ganhou, Pogacar foi segundo e Almeida não esteve bem nem mal, esteve ao seu nível (oitavo no c/r e quarto entre os pretendentes à geral). Surpresas, pela positiva, foram Vauquelin (quinto) e Lipowitz (sexto), e pela negativa o Vingegaard (apenas décimo terceiro). O perfil plano não ajudou os ciclistas mais leves, ainda por cima estando o vento pela frente, o que justifica em parte a má prestação do dinamarquês. Na geral, Pogacar é agora o camisola amarela e Evenepoel é o segundo. A sensação Vauquelin completa o pódio, à frente dos Vismas Vingegaard e Jorgenson, e o João subiu para sétimo, uma posição abaixo do que eu aqui prognosticara, à frente do candidato Roglic e dos competentes Lipowitz, Skjelmose, Onley e Mas, candidatos ao Top 10 final. Seguem-se mais umas etapas estilo Clássica, um novo c/r (décima terceira etapa) com um perfil diferente (escalada) e depois o pináculo da coisa, Alpes e Pirinéus, a prova dos 9 que tudo clarificará.

 

Vai bom o Tour, emocionante. E o João continua lá, entre os melhores, sempre vindo de menos a mais (no c/r foi vigésimo no primeiro ponto intermédio, décimo quinto no segundo, décimo segundo no terceiro e oitavo no fim), que no final, em Paris, pode significar um pódio. Aguardemos...

08
Jul25

Todos na roda e fé em João Almeida

O João bem em semana de Clássicas


Pedro Azevedo

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Ontem atravessei-me aqui ao prognosticar que no final do dia de amanhã o João Almeida figuraria no Top 6 do Tour. Hoje redobrei a crença nesse acontecimento. E acrescento que estará no sexto lugar da classificação geral. Com naturalidade. Tudo o que for acima disso será de sonho, mas é preciso dizer que o João está numa forma fantástica, a melhor da sua ainda relativamente curta carreira. Pelo que foi uma pena que hoje tenha tido que trabalhar intensamente nos últimos Kms para o Pogacar, quando, se tivesse podido poupar-se, teria discutido até ao fim a etapa. Ainda assim, além de Pogacar e de Vingegaard, não vejo ninguém em melhor condição que o João. Por exemplo, o Remco (Evenepoel) e o Jorgenson não aguentaram o seu ritmo e cederam nos metros finais, e o Roglic e o Lipowitz perderam mesmo muito tempo. Ora, isto foi extraordinário sob diferentes pontos de vista. Primeiro, porque o João, uma vez mais mal posicionado no pelotão, precisou de recuperar terreno na sequência de um bloqueio motivado por uma queda à sua frente. Depois, na medida em que não só voltou como ainda conseguiu chegar a tempo de ajudar Pogacar a tentar fazer a diferença sobre Vingegaard na última colina do dia. Finalmente, levando em conta que após ter sido rebocado por Remco, em conjunto com Jorgenson, Onley e van der Poel, de volta para o grupeto composto por Pogacar e Vingegaard, assumiu a liderança e impôs um ritmo forte que inibiu praticamente todos os contendores de o tentarem passar (Jorgenson tentou e "queimou-se", tendo o João rapidamente fechado o espaço) até preparar o sprint de Pogacar. Pelo que, se tivesse ido tranquilamente na roda, outro galo cantaria...

 

Se a minha previsão para amanhã é a de que o João saltará de oitavo para sexto na geral, ultrapassando Onley, Mas e Vauquelin e sendo ultrapassado por Remco, começo a acreditar que é mais forte candidato ao terceiro lugar final do que o Remco ou o Roglic. Ainda que tenha de trabalhar para o Pogacar, que aliás hoje, no final da etapa, desfez-se em elogios ao português. Se está melhor do que Remco e Roglic e se os outros que o precedem na classificação além de Pogacar e Vingegaard à partida não terão hipóteses (van der Poel, Vauquelin, Onley, Jorgenson), por que não acreditar? É que no confronto entre os dois "domestiques" de UAE e Visma, o João parece estar melhor do que o Jorgenson, embora a este pareça estar reservado um papel de maior liberdade do que aquela que a equipa dos Emirados está a dar ao português, este chamado a trabalhar na frente do pelotão enquanto o americano vai lançando ataques na esperança de isolar Pogacar. Por outro lado, Vauquelin (segundo na Suíça e quinto lugar actual) e Onley (terceito em terras helvéticas e sétimo no momento) foram recentemente batidos por Almeida na Volta à Suíça, o mesmo tendo acontecido com Gall (quarto no Tour de Suisse e actual décimo nono). Ademais, os bons desempenhos destes últimos no Tour só revelam como precipitados foram os comentários de quem desvalorizou a prova suíça em função do Dauphine, o que só enaltece o excelente desempenho que o João ali teve. 

Aguardemos então pelo contra-relógio de amanhã, plano e como tal menos apropriado para o João fazer maiores diferenças. Ainda assim os seus dados recentes de potência por kilo são impressionantes, assim como os seus resultados na "Prova da Verdade". E, assim sendo, temos de estar optimistas! 

P.S. O ciclismo é tudo menos um "desporto para meninos". É duro, e o Tour é o pináculo dessa dureza, sendo que o termo pináculo (cume) usado aqui não foi nada inocente, ou o Tour não nos reservasse para as próximas semanas ascensões nos Alpes e Pirinéus. De referir ainda que o João Almeida já bateu este ano 
o Remco (geral da Volta à Romandia) e o Jonas Vingegaard por duas vezes (Fóia/Volta ao Algarve e numa etapa igualmente de montanha no Paris-Nice). Hoje, o João foi o maestro da "centésima sinfonia" (vitória) de Tadej Pogacar. 

07
Jul25

João Almeida no Tour (1)


Pedro Azevedo

Não sendo chefe de fila no Tour, as hipóteses de João Almeida chegar ao pódio na melhor corrida por etapas do mundo são reduzidas. Muitas vezes é-lhe apontada a lacuna da má colocação no pelotão, mas é exactamente aí que mais se nota a falta de estatuto na equipa nesta prova específica. Porque Pogacar tem toda uma equipa a guiá-lo por entre o pelotão e a assegurar que a sua colocação é sempre a melhor, o que Almeida não tem. Tal como Lipowitz, na Red Bull, que teve de, sozinho, regressar a um pelotão que rodava a grande velocidade, após uma avaria ou furo que o obrigou a recorrer ao carro de apoio durante a primeira tirada. Por isso, para mim, Pogacar, Vingegaard (Visma), Evenepoel (Soudal) e Roglic (Ref Bull) são os grandes candidatos ao pódio final do Tour, sendo os dois primeiros aqueles que lutarão pela camisola amarela até ao fim. Quer isto dizer que João Almeida não terá as suas hipóteses? Não, o corredor português está em grande forma e disso deu ontem mostra ao recuperar de uma má colocação no início de uma subida íngreme e curta, bloqueado numa estrada bastante estreita, para depois ser ele próprio a fazer a junção com o grupo de 8 ciclistas que se isolara, fechando mais tarde o espaço quando o segundo ciclista da Visma (Jorgenson) atacou Pogacar, tendo ainda forças para no fim lançar o sprint do corredor esloveno. Almeida que recuperou assim inúmeras posições na geral, ocupando agora a décimo terceiro lugar. Acredito assim que, após Quarta-feira (Contra-relogio individual plano), João Almeida figurará entre os 6 primeiros da geral. Depois, uma maior progressão dependerá de vários factores, nem todos dependentes da sua condição física. Por exemplo, a má forma de Adam Yates poderá implicar que Almeida entre ao trabalho de apoio ao seu líder mais cedo do que o previsto nas etapas de alta montanha, o que reduzirá significativamente as suas hipóteses na geral. Seria uma pena porque além de Pogacar e de Vingegaard não se vislumbra ninguém que se encontre em melhor condição que o corredor português. Nem mesmo Enric Mas, Jorgenson ou Vauquelin (a quem bateu na Volta à Suíça), os únicos ciclistas além de Pogacar, Vingegaard e Mathieu van der Poel (corredor de Clássicas) que ainda não perderam tempo (Almeida, tal como Evenepoel, Roglic ou Lipowitz, ficou atrasado num corte motivado pelo vento que o fez perder 39 segundos na primeira etapa). 

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06
Jul25

MV(d)P


Pedro Azevedo

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Com iniciais de MVP, Mathieu van der Poel (Alpecin) é o novo camisola amarela do Tour de France após a realização da segunda etapa, sucedendo ao belga Philipsen, seu colega de equipa. O neerlandês aliás fez o pleno, pois também venceu na chegada a Boulogne-Sur-Mer, batendo os super favoritos Tadej Pogacar e Jonas Vingegaard (Visma) sobre a meta, todos integrantes de um grupo de 25 unidades que aproveitou duas contagens de montanha (terceira e quarta categoria) para se isolar do pelotão. Desse lote também constou o português João Almeida, que esteve em particular destaque nos derradeiros quilómetros: primeiro ao recuperar de uma má colocação no início das duas subidas quasi-consecutivas, depois ao lançar o sprint do seu chefe de fila da UAE, o esloveno Pogacar. Na geral, Pogacar é agora segundo e o dinamarquês Vingegaard é terceiro classificado. Almeida está agora em décimo terceiro lugar, a 49 segundos do líder, diferença que se deve a bonificações e ao corte que se verificou no pelotão na fase final da primeira tirada, consequência do forte vento cruzado que se fez sentir e da concomitante aceleração cirúrgica das equipas da Alpecin e Visma. Não foi, todavia, o único a perder tempo, chegando num grupo que integrava Evenepoel e Roglic, outros candidatos ao pódio da "Grande Boucle".

12
Mar25

Very Nice, Almeida!!!


Pedro Azevedo

Pela primeira vez na história do lendário Paris-Nice, um português venceu uma etapa. Na chegada a La Loge des Gardes (1077m de altitude), que coincidiu com uma contagem de prémio de montanha de 1ª categoria (6,7Km a 7,1% inclinação média), João Almeida não se limitou a ganhar, bateu em cima da meta o dinamarquês Jonas Vingegaard, duas vezes vencedor do Tour de France e membro do "Rat Pack" (dá todo um novo significado à expressão "A montanha pariu um rato") que domina a modalidade na vertente de corrida por etapas e é composto também pelos eslovenos Tadej Pogacar e Primoz Roglic e o belga Remco Evanepoel. Com este triunfo, Almeida ascendeu ao quinto posto da classificação geral, uma subida apreciável após um contra-relógio por equipas que o penalizou e deixou na décima sexta posição. 

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