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A Poesia do Drible

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

A Poesia do Drible

11
Fev25

Vender gato por lebre


Pedro Azevedo

Quem paga o jogo são os espectadores, por via dos bilhetes de época, ingresso jogo a jogo ou direitos que as televisões adquirem com base nos clientes que subscrevem o serviço. Ora, algo vai mal quando quem paga o jogo não tem salvaguardado o direito básico de escrutínio sobre o que se passa no relvado. Foi isso que, flagrantemente, ocorreu no último fim de semana. Primeiro na SportTV, que apresentou umas imagens provavelmente transmitidas a partir de uma qualquer nave espacial da NASA que em nada clarificaram um mimo que Tiago Djaló alegadamente terá dado a Harder no interior da área do Porto. E assim voltou a acontecer no dia seguinte, quando foi necessário recorrer a um vídeo-amador para perceber que Florentino jogou pelota basca, ao usar o braço como clava para deflectir um cruzamento do Moreirense dentro da área benfiquista. Conclusão: anda-se a vender gato por lebre a quem paga. Identifique-se então quem são os "veterinários" que habitam por cima do "restaurante chinês", sendo certo que o caso da BenficaTV é paradigmático de um país que não tem qualquer sensibilidade à prevenção de situações passíveis de conflito de interesses, vivendo o futebol sob a égide de uma Liga de Clubes que assobia para o ar.

 

P.S. Ao contrário do telespectador, o VAR tem acesso a todas as câmaras instaladas no recinto de jogo. Mas quem é que escrutina as decisões do VAR, se as imagens mais clarificadoras não chegam a casa dos subscritores do(s) serviço(s)? 

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11
Set23

Menos toxicidade, mais boas referências


Pedro Azevedo

Há muito mais além do futebol no mundo do desporto. Por exemplo, neste fim de semana pudemos testemunhar 3 grandes momentos desportivos: na Vuelta, uma das 3 competições ciclísticas por etapas mais reconhecidas mundialmente, o português Rui Costa, ex-campeão do mundo, venceu brilhantemente na chegada a Lekunberri; em Marselha, no decurso do Mundial de Rugby, tivemos um exemplo de bom-senso e autoridade arbitral (que não deve ser equiparada a autoritarismo, porque no desporto da bola oval o árbitro evita ser protagonista) no África do Sul - Escócia e de desportivismo e fair-play dos jogadores no tremendo Gales - Fiji; finalmente, no ténis, no Open dos EUA (um dos 4 torneios do Grand Slam), Djokovic impôs-se a Medvedev num confronto épico em que a qualidade de jogo e a força mental de cada um dos protagonistas esteve em evidência. Foi o 24º título em Majors para o sérvio, que aproveitou a coincidência do número para homenagear o Black Mamba, Kobe Bryant, lendário antigo jogador dos Lakers falecido em acidente de aviação. 

 

No final da etapa da Volta a Espanha, Rui Costa foi elogiado pelos rivais Kamna e Buitrago, não havendo azedume por parte do colombiano pelo facto de o português não o ter ajudado na montanha. No rugby, as comunicações do VAR foram audíveis para todos a bem da transparência, um árbitro interrompeu uma escaramuça com um discurso que logo pôs em sentido os jogadores e o fijiano Botia teve um detalhe que produziu toda a diferença ao sinalizar o árbitro no sentido de que a bola lhe caíra das mãos e assim não deveria sancionar um ensaio de que Fiji desesperadamente necesitava para ainda dar a volta ao marcador. No ténis, o respeito entre os contendores ficou bem expresso nas declarações públicas de cada um no final do jogo. Conclusão: o futebol tem muito a aprender com as melhores práticas de outros desportos. Menos toxicidade precisa-se no desporto-rei, mais espaço urge para outras modalidades que no seu alto rendimento têm atletas e procedimentos que são uma referência para o desporto e, por que não dizê-lo(?), para a vida. 

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