Vender gato por lebre
Pedro Azevedo
Quem paga o jogo são os espectadores, por via dos bilhetes de época, ingresso jogo a jogo ou direitos que as televisões adquirem com base nos clientes que subscrevem o serviço. Ora, algo vai mal quando quem paga o jogo não tem salvaguardado o direito básico de escrutínio sobre o que se passa no relvado. Foi isso que, flagrantemente, ocorreu no último fim de semana. Primeiro na SportTV, que apresentou umas imagens provavelmente transmitidas a partir de uma qualquer nave espacial da NASA que em nada clarificaram um mimo que Tiago Djaló alegadamente terá dado a Harder no interior da área do Porto. E assim voltou a acontecer no dia seguinte, quando foi necessário recorrer a um vídeo-amador para perceber que Florentino jogou pelota basca, ao usar o braço como clava para deflectir um cruzamento do Moreirense dentro da área benfiquista. Conclusão: anda-se a vender gato por lebre a quem paga. Identifique-se então quem são os "veterinários" que habitam por cima do "restaurante chinês", sendo certo que o caso da BenficaTV é paradigmático de um país que não tem qualquer sensibilidade à prevenção de situações passíveis de conflito de interesses, vivendo o futebol sob a égide de uma Liga de Clubes que assobia para o ar.
P.S. Ao contrário do telespectador, o VAR tem acesso a todas as câmaras instaladas no recinto de jogo. Mas quem é que escrutina as decisões do VAR, se as imagens mais clarificadoras não chegam a casa dos subscritores do(s) serviço(s)?


