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A Poesia do Drible

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

A Poesia do Drible

25
Mar24

O mito Gyokeres


Pedro Azevedo

Séneca escreveu duas peças sobre ele e Shakespeare nele se inspirou em mais de trinta obras. Falo-vos de Hércules, para os romanos, ou de Héracles, para os gregos. Na mitologia leonina, o seu nome é Gyokeres. Na sua pele de leão, cada seu pontapé e como uma bastonada de uma clava para os seus adversários. Dono de uma força e velocidade incríveis, Gyokeres é a nossa representação alegórica do herói greco-romano: um mito leonino com a potência de um semi-deus. Em oposição ao que experienciou com outros craques como Maradona ou Messi, com ele a bola não adormece no pé ou troca galanteios, antes vive constantemente num vórtice de acelerações e travagens súbitas que desafiam a leitura do GPS e estimulam o uso do ABS, obrigando-a a aprender o código da estrada e a ter conhecimentos sobre filas de espera (o projecto Gertrudes de sinalização do trânsito) e a localização dos radares que detectam o excesso de velocidade. Enquanto isso, o espaço aguarda-o, chama por ele como uma sereia no mar canta a um marinheiro prestes a naufragar. Mas ele, senhor de ventos e marés, tem tudo sob controlo. E vai em frente. Na "profundidade", que o Neptuno não mora aqui.  

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23
Fev24

Tudo ao molho e fé em Deus

As pequenas coisas


Pedro Azevedo

Daqui a alguns anos, quando olharmos para o ranking UEFA, não nos vamos lembrar deste empate contra o Young Boys. E, contudo, é à conta de deslizes assim - o Leitor recordar-se-á do Skenderbeu e dos jogos com o LASK... -, e da atitude de alguma indiferença que foi havendo perante a sua acumulação ao longo dos anos, que o Sporting tem poucos pontos na Europa e não participará no próximo Campeonato do Mundo de clubes (2025). Porque, se o diabo está nos detalhes, as pequenas coisas acabam por no fim fazer toda a diferença. Como foi ontem o caso do desacerto na finalização, que nos custou uma vitória mais do que certa. E por goleada. Amorim sentiu-o, muito, quando se apresentou na flash-interview a deitar fumo por dentro, sem necessidade de recorrer a truques circenses. Fez bem em dar esse sinal, porque o Sporting conseguiu o mais difícil, que foi manter um ritmo alto durante todo o tempo, e tinha de ter ganho o jogo. 

 

Entre tantos falhanços à frente da baliza, difícil será destacar qual foi o mais bizarro ou caricato,  desde o pé direito de Edwards que travou o remate de pé esquerdo de... Edwards que se encaminhava para a baliza deserta até ao pontapé desferido por Bragança na pequena área que acertou no único pedaço de baliza coberto pelo guarda-redes suiço, para já não falar do traço de humanidade revelado pelo deus Gyokeres no momento em que falhou uma grande penalidade ou de uma outra perdida clamorosa do Daniel. 

 

Ainda assim houve um golo, um grande golo, marcado por Gyokeres num movimento soberbo em que rodou sobre 2 adversários e rematou de forma indefensável, por alto. No resto do tempo, a boa dinâmica leonina foi alargando os buracos no queijo suiço por onde surgiram as tais grandes oportunidades. Mas na hora de comermos o queijo, a gula demasiada levou a que a sofreguidão se impusesse ao discernimento e acabámos por cear mal e ir dormir com fome, que comer de penálti também não ajuda à correcta ingestão dos alimentos. (Continuamos sob o signo da temporada de 73/74: depois de uns 8-0 ao Casa Pia que evocaram igual resultado contra o Oriental, este jogo fez-me recordar a aziaga recepção ao Magdeburgo.)

 

Seguem-se os Oitavos e de novo a Atalanta. Um reencontro, pois então. E a possibilidade de corrigir velhas falhas para não incorrer em novos erros (Confúcio). Para que no fim a dor de partir não emerja sobre a alegria de um reencontro bem sucedido. A fazer lembrar a igualmente (à de 73/74) épica época de 63/64 (sempre a acabar em 4), em que dois jogos não bastaram para pôr fora do caminho a briosa equipa de Bérgamo no nosso rumo até Antuérpia (finalíssima), cidade onde levantámos por fim o caneco. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Viktor Gyokeres

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22
Fev24

Gyokeres no topo da Europa


Pedro Azevedo

Segundo o jornal espanhol A Marca, em artigo com o título de "Os outros dois Mbappé", Viktor Gyokeres, do Sporting, reparte com Kylian Mbappé e Luuk de Jong a liderança europeia dos jogadores com mais participações directas em golos. Em boa verdade, o sueco até deve ser considerado como o único líder, na medida em que os seus números foram conseguidos em menos minutos de utilização (2519 min. de 31 jogos, contra os 2619 min. do jogador do PSG e os 2828 min. do futebolista do PSV): Gyokeres tem actualmente 39 participações directas, resultantes de 28 golos e 11 assistências, exactamente os mesmos parciais do holandês de Jong. Já o francês Mbappé marcou mais (32 golos), mas foi menos influente a nível das assistências (7).

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22
Fev24

A estatística confirma a qualidade do trabalho


Pedro Azevedo

Actualizado o ranking GAP, o que se conclui? Bom, há dois indicadores que saltam logo à vista. O primeiro é que, após 35 jogos, Rúben Amorim conseguiu o número impressionante de 80% de vitórias. O segundo é que Viktor Gyokeres lidera os rankings de golos e de assistências, sendo claramente o nosso jogador mais influente e MVP (Most Valuable Player). E, se do ponto de vista quantitativo, os nomes de Amorim e de Gyokeres se evidenciam, no plano qualitativo é impossível não dar relevo à forma como o Sporting domina os adversários e roda o plantel ou o sueco se destaca na procura da profundidade, serve de pivô para combinações interiores ou demonstra frieza na cara do golo. Por tudo isto, a carreira do Sporting em 23/24 é indissociável da qualidade de jogo apresentada por Rúben e das prestações de Viktor, restando a nós esperar que o foco do treinador e a energia do sueco não se esgotem a fim de que a época se possa concluir com a tão merecida glória. Não esquecendo, claro, a importância da restante equipa técnica e jogadores. Porque ninguém ganha nada sozinho e a qualidade técnica, física, táctica e mental medida individualmente não substitui um colectivo forte e a apontar todo na mesma direcção. 

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16
Fev24

Tudo ao molho e fé em Deus

Sintético a dobrar


Pedro Azevedo

Caro Leitor, isto de ser analítico a comentar o sintético já de si é uma contradição nos termos. Acresce que sintético não foi só o relvado, artificial. Não, sintético foi também o Rúben Amorim na dosagem de esforço dos mais utilizados, gerindo a condição física dos jogadores e simultaneamente a disposição anímica do balneário. Doravante, socorramo-nos então do dobro do sintético para nos aproximarmos de algo que se assemelhe a uma análise, substituindo a relva e o Amorim por Kant e Hegel em busca de uma síntese filosófica que explique o que se passou ontem em Berna.

 

A síntese filosófica é um processo que deriva do simples para o composto, do elemento para o todo, das causas para as consequências, com o objectivo último de defender uma ideia através da argumentação. Como tal, comecemos pelo mais simples, o elemento, o jogador: Coates e Paulinho foram poupados a um piso demolidor para as articulações e ficaram em Lisboa. Trincão, que pegou de estaca e muito tem jogado (e jogado muito, também) desde que o novo ano brotou, e Morita, em acção recente na Taça de Ásia, não iniciaram o jogo por gestão da sua condição física. Se estas foram as causas, tudo isto conjugado deu a oportunidade a Edwards, Bragança, Matheus Reis e, mais tarde, aos estreantes Nel e Koba de jogarem, solidificando a união do balneário, pelo que a única consequência negativa para o todo (a equipa) foi um desempenho menos bom do nosso meio-campo. Tratou-se de um risco, creio que calculado, que o nosso treinador assumiu correr, mas a verdade é que a dupla Bragança-Hjulmand não funcionou, não conseguindo controlar os tempos de jogo e dando demasiado espaço (por vezes, avenidas) aos nossos adversários no miolo do terreno. Então, o que nos valeu? Bom, desde logo a excelente acção dos nossos 3 centrais, em especial de Eduardo Quaresma e de Gonçalo Inácio, que numas vezes deram o corpo ao manifesto e noutras fizeram valer a antecipação para evitarem males maiores. E depois a acção de Edwards e de Gyokeres na frente (Pote esteve muito activo, mas desinspirado na definição), que puserem sempre em sentido as pretensões helvéticas de avançar mais as suas linhas, com o "plus" do sueco ter arrancado desde cedo um cartão amarelo ao seu marcador directo (quando mais tarde ficámos a jogar contra 10, senti-me como um voyeur a espreitar o que é jogar como o Benfica), ele que foi carregado à margem das leis tantas vezes quantas as que ousou transformar a defesa do Young Boys num queijo suíço. [Emmental (que até é de Berna), meu caro Watson.]

 

No fim, gerindo até ao limite (os nossos dois melhores jogadores, Gyokeres e Pote, foram descansar com um quarto de hora mais descontos por cumprir), Amorim venceu a triplicar: o jogo, a condição física dos jogadores e o balneário. Especulou e foi feliz, que o controlo esteve à beira de se descontrolar em momentos como o do "frango" de Adán ou dos golos anulados ao Young Boys e o golo inaugural do jogo foi na realidade um auto-golo. Não que o Sporting não fosse muito superior aos suiços, mas porque Amorim quis ganhar em Berna a pensar em Moreira de Cónegos. Legítimo, evidentemente, mas não necessariamente sinónimo de uma menor ambição europeia, espera-se. Pelo menos a fazer fé no lema do nosso fundador: "TÃO GRANDES COMO OS MAIORES DA EUROPA". 

 

Um dia, num treino do Varzim, o Joaquim Meirim, que tinha tanto de filósofo como de psicólogo e louco, disse a um guarda-redes espanhol que lá treinava, Jose Luis de seu nome, que era o melhor da Europa. Quando este então o inquiriu sobre a razão por que não jogava, Meirim respondeu-lhe que o Benje era o melhor do Mundo. O Sporting pode até ganhar a Liga Europa, mas a condição de melhor equipa da Europa paradoxalmente não lhe garante o título máximo doméstico. Por isso há que fazer pela vida, externa e internamente. E ser objectivo, que é como quem diz, sintético. Serve como análise? (Deu para "dobrar" os suiços.) 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Eduardo Quaresma. Edwards, Inácio e Gyokeres estiveram em bom plano. 

P.S. (Sobre o excesso de futebol nas televisões.) À hora a que termino esta crónica está a começar mais um jogo no 11, canal sempre na vanguarda da promoção do futebol exótico. Parece que é em casa (casota?) do São Bernardo. Não ouvi o adversário, mas suspeito que seja o Pastor Alemão. Ou então o Serra da Estrela, o que daria um belo clássico de montanha.

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08
Fev24

Tudo ao molho e fé em Deus

O Estádio Policial e os Calcanhares de Aquiles


Pedro Azevedo

O jogo de futebol era muito simples na minha meninice: num rectângulo, nem sempre relvado, dispunham-se duas equipas de 11 jogadores, 1 trio de árbitros, duas balizas e uma bola. À medida que fui crescendo, adicionou-se complexidade: o nº de jogadores, de balizas e de bolas curiosamente permaneceu o mesmo, contudo a equipa de arbitragem foi aumentando, primeiro com o 4º árbitro, depois com VAR, AVAR, técnicos especializados, cabos hertzianos, equipamentos vídeo e uma roulotte anormalmente não nómada porque sita na Cidade do Futebol. Até que na semana passada me dei conta de que, em Portugal, o XV da Polícia também ia a jogo. Ou, mais precisamente, que quando o XV não quiser, não haverá jogo. Conclusão: o futebol português vive num "Estádio Policial". [Um dia o ladrão, sindicalizado, entrará em greve por falta de condições de trabalho e todos acharão bem que lute pelos seus direitos e lhe sejam facultadas melhores condições. Até que, com tanto respeito pelos direitos de todos, no fundo nada nem ninguém no país será respeitado, sendo esse o calcanhar de Aquiles de um mal (perda de autoridade do Estado) sem direito a protesto.]

 

 

Aquiles era filho de Peleu, o rei dos mermidões (Tessália). Um dia, sua mãe, Tétis, banhou-o no rio Estige a fim de torná-lo imortal. Só que ao segurá-lo pelo calcanhar, este ficou vulnerável. Em consequência, morreu na Guerra de Tróia após uma flecha disparada por Páris lhe ter acertado aí. Gyokeres tem a mesma pinta de guerreiro mítico, tanto que muitas vezes é comparado a Thor, o filho do deus nórdico Odin. A sua vulnerabilidade é o jogo de cabeça, diz-se, mas ontem marcou 2 golos com a testa que mostram que o sueco está gradualmente a transformar essa fraqueza numa força. Pelo que tendo nós o nossa Tróia, que curiosamente se situa na mesma península (de Setúbal) que Alcochete e o Seixal, para o futuro cresceu a esperança de que esse calcanhar de Aquiles não se venha a tornar mortal às nossas aspirações ao triunfo nesta "Guerra  Peninsular" que se perspectiva até ao final da temporada. 

 

 

O Sporting ganhou ao União de Leiria por três bolas a zero. Desses três golos, o Gyokeres marcou 2 e assistiu em outro. Mas não ficou satisfeito. Pelo menos a avaliar pelos seu protestos para com o árbitro na sequência deste só ter dado 1 minuto de desconto e assim violado o seu direito de correr mais e de tentar obter um hat-trick. Com trabalhadores destes, arriscamo-nos a ganhar sempre o próximo jogo. Ou o outro a seguir, se a Polícia não deixar fazer o primeiro. (Vamos jogo-a-jogo que a Polícia deixar fazer.)

 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Viktor Gyokeres. (Pote muito bem, Hjulmand idem e Quaresma também. Nuno Santos esteve em 2 golos e Morita regressou ao seu nível.)

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19
Jan24

Tudo ao molho e fé em Deus

O Fantasma da Oprah


Pedro Azevedo

Caro Leitor, a noite passada tive uma branca (e verde), um momento digno dos contos do imprevisto, uma visão paranormal e hitchcockiana imprimida no meu cérebro ao jeito de um quadro de Dali (havia também pelo menos um rinoceronte que levava tudo à frente) que me transportou para uma janela nas minhas sinapses que eu julgava estar calafetada e subitamente se abriu. Pelo que não sei se sonhei, se estava acordado, ou até se sonhei acordado, mas juro que vi o Bryan Ruiz em Vizela. Sim, só podia ser ele, pois na minha memória recordo ainda aquele remate de baliza aberta em que a bola não entrou, reminiscência de um outro mais antigo atribuído a ele que ainda hoje me causa pesadelos. Agora, se era o Ruiz em carne e osso não sei, a mim pareceu-me mais o fantasma do Bryan. Mas também há que dizer que há fragmentos da primeira parte para mim confusos, tanto que por causa do Esgaio estivemos a Soro e só mesmo nas urgências se começou a resolver o problema. De forma que quando voltei a olhar para o ecrã já não vi mais o Ruiz, era o Gyokeres que eu conheço que estava a marcar um grande golo e a festejar de máscara. Um golo em forma de swing, que abriu novas perspectivas, tal como uma boa tacada de abertura de um buraco por parte de um golfista. [A alusão ao golfe aqui não é dispicienda, porque o que Gyokeres rodou o seu corpo nesse lance teria sido de fazer inveja ao Tiger Woods que conhecemos antes das múltiplas operações às hérnias discais e à ciática, handicap que dizem as más linguas ter sido provocado por múltiplos embates com mulheres de grau de dificuldade (sinuosidade) superior ao par do campo.]

 

Estava eu ainda a recompor-me daqueles achaques do primeiro tempo que alimentariam um bom programa da Oprah (Winfrey) quando o Gyokeres assustou o guarda-redes do Vizela. Diz-se do medo que este é paralisante, e o pobre do Buntic provou-o ao ficar quedo perante a iminência da aproximação do colosso sueco. O resultado foi que a bola entrou directa, impelida por um renascido Trincão. O mesmo que pouco depois serviu Paulinho na perfeição para o terceiro. (Pausa para checar a pulsação, para ver se era mesmo verdade aquilo que os meus olhos diziam e a razão não queria acreditar.) Após este último golo veio uma quebra de adrenalina. O Amorim também descomprimiu e tirou o Hjulmand do relvado antes que este fosse expulso. Não que este receio encontrasse lógica na acção do jogador, mas devido à habilidosa dualidade de criterios do árbitro. Um árbitro que no entanto se mostrou particularmente judicioso no que respeita a Gyokeres, sempre preocupado em testar os seus sinais vitais após cada novo embate com Anderson, um defesa abençoado pelos deuses do apito ao ponto de ter permanecido em campo os 90 minutos. Até que o Essende lá fez umas das suas diagonais, o Quaresma (mais um grande jogo!!!) desta vez não estava por perto para fazer de SOS e o Coates ficou a pedir uma falta de pernas e a ver a bola entrar na nossa baliza. Logo se reavivaram os fantasmas do passado, as perdidas do Ruiz e a derrota no União da Madeira, um bate-boca com o consócio ao lado sobre o vício do desperdício e os porquês da saída do dinamarquês e assim. Foi curto porém esse revivalismo, porque o nosso capitão foi à área contrária mostrar que o que não lhe falta é cabeça e voltou a alargar a nossa vantagem. E depois o Gyokeres mandou mais uma pedrada e igualou o seu melhor registo goleador no Coventry, quando ainda vamos a meio da temporada. 

 

Cinco golos marcados, 3 anulados (2 a Gyokeres e 1 a Paulinho) e inúmeros falhados depois (mais uns tantos penaltis a favor por assinalar) - além do supramencionado, aquele em que o Pote se isola, hesita em chutar e falha o passe para o Gyokeres é também digno daqueles apanhados de fim de ano - , o Sporting segue líder do campeonato. Com o Gyokeres individualmente em grande evidência mas também muito importante pelo efeito de contágio que anima a própria equipa. É que com o Gyokeres em campo os adversários concentram-se nele e abrem espaços para os demais. Além de que com a sua atitude e comprometimento aumentou o nível de exigência para todos os outros, colocando a fasquia muito alta e projectando assim o Sporting para outros vôos. Porque com o Gyokeres veio também o Gyokerismo, uma nova doutrina que seria importante para o futuro que fizesse escola em Alcochete. Isso, sim, seria holístico. [E mais produtivo do que os habituais desabafos desiludidos de sofá (da Oprah) à conta de fantasmas do passado.]

 

Tenor "Tudo ao molho...": Viktor Gyokeres

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12
Jan24

Baia deu um "frango"


Pedro Azevedo

Neste triste futebol jogado em Portugal, sempre nivelado por baixo, apareceu agora o Vitor "Baliza" a dizer que o Gyokeres deveria ser expulso mais vezes. Num país que abomina o mérito individual e quer nivelar toda a gente por uma exasperante mediocridade, onde abunda a concorrência desleal e escasseiam os princípios e valores, tais declarações não causam espanto. Surpreendente seria um dirigente de um clube rival compreender que Gyokeres veio elevar o nível da liga portuguesa e que tal poderá ser benéfico para todos.

 

"Baliza" faz parte de uma geração mais instruída de futebolistas a quem a experiência além fronteiras deu "mundo" e contactos de alto nível no futebol internacional. Pelo que dessa geração se esperava que um dia assumisse as rédeas do dirigismo do futebol nacional. Rui Costa é o presidente do Benfica, Figo há muito procura um palco que lha console a sua desmedida ambição, Paulo Sousa colaborou com o Sindicato dos Jogadores mas acabou por optar pela carreira de treinador. Pelo que, quando o Quarto Mosqueteiro dessa chamada Geração de Ouro assumiu a pasta de dirigente do FC Porto, houve quem legitimamente esperasse uma nova e agradável aragem no futebol nacional. Uma aragem de que a nossa liga, liderada por um homem que é mais brilhantina do que brilhante, bem necessitaria. Infelizmente, declarações como esta mostram à saciedade que "Baliza" é mais do mesmo fedor que tudo conspurca à sua volta. Ajudando a nivelar por baixo aquilo que deveria ser promovido e valorizado. Como ele, aliás, foi, merecidamente, em contra-regra, por uma imprensa desportiva que não lhe regateou méritos nem quando a sua carreira empalideceu em Barcelona. Porque craques como Gyokeres, tal como Yazalde, Balakov, Valdo, Aimar, Madjer ou Cubillas no passado, engrandecem a nossa liga e serão sempre bem-vindos. No caso particular também porque traz com ele a lealdade e o respeito pelos valores do jogo e um elevado profissionalismo. Por isso todos os amantes do jogo o querem ver em campo. Com a excepção do "Baliza", que o preferiria observar na bancada ou em casa. Para quê? A fim de ser mais fácil ao Porto atingir os seus objectivos. Quem pensa assim, miudinho, não acrescenta nada, vem para diminuir. E, sendo assim, está a mais. É preciso mudar mentalidades.

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