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A Poesia do Drible

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

A Poesia do Drible

15
Fev24

Oxímoros

As desventuras do Boaventura


Pedro Azevedo

As mais recentes desventuras do nosso futebol incluem um Boaventura, ou não fosse o luso ludopédio um solo fértil por onde germinam todo o tipo de contradições e de... oxímoros. Nesse particular atente-se na culpa inocente do Benfica em todo o processo, no silêncio ensurdecedor do Sporting e na voz tonitruante de um Porto provavelmente esquecido do "calor da noite", outro oxímoro ou antítese empregue para dar nome a uma boite de alterne descrita por Carolina Salgado como um jardim de infância povoado de inocentinhas criaturas quando comparada com os bastidores do futebol português. 

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08
Set23

Áudios do VAR


Pedro Azevedo

É tudo muito bonito, o senhor João Ferreira, vice do CA, teve uma óptima prestação televisiva, mas os adeptos de futebol não querem refogados com um mês de panela. O que o público quer é a divulgação dos áudios em tempo real, durante os jogos, sem cortes ou qualquer tipo de tratamento posterior. À semelhança, aliás, daquilo que já se passa no rugby. Isso, sim, será um serviço em nome da transparência. E ajudará o espectador a acreditar na integridade das competições. Já viram o que seria para um Sportinguista ouvir reverter um golo como o do Ronny?  Até parece que escuto um senhor João Ferreira de ocasião a declarar ao VAR: "vou anular o golo por mão flagrante do avançado do Paços. Obrigado!". Obrigado eu. 

audiovar.png

15
Ago23

Os deuses devem estar loucos


Pedro Azevedo

Movo-me pelo amor às coisas, nunca fui propriamente anti fosse o que fosse e obviamente até reconheço ao Benfica a sua contribuição histórica para a grandeza do Sporting (e vice-versa), mas a derrota de ontem dos encarnados não deixou de me dar um certo gozo. Não pelo desaire do clube em si, que eu estou mais focado é nas vitórias dos nossos, mas pelos ecos permanentes de uma imprensa que nos transmitia que o Campeonato, tal como a pescada, antes de o ser já o era, ou seja, tratar-se-ia de uma mera formalidade em que os demais competidores se ajoelhariam à passagem do andor vermelho. Então, não é que o clube maravilha, dos jogadores de cento e tal milhões e das mil e uma noites de glória (no Dubai, onde o Mendes dá prémios todos os anos), do astro Cai-Maria e companhia, levou um xeque-mate no tabuleiro do Bessa? Os deuses devem andar loucos!!!

 

De modo que o meu titubeante Sporting, das contratações que tardam ou chegam depois da hora, dos mil e um hara-kiris e das centenas de desilusões, da incerteza e sobressalto permanentes, lhe leva 3 pontinhos de avanço. Com um ponta de lança que a imprensa nunca deixou de frisar ser proveniente de uma segunda divisão, o que para o Darwin, atendendo certamente à evolução das espécies - eles também têm a Girafa (Luisão) - , nunca foi um problema. Contrariando até o proverbial fado com um golo tardio, minuto que curiosamente se viria a revelar fatal para o seu rival de sempre. Os deuses andam mesmo loucos!!!

 

Bem sei, a procissão ainda vai no adro, mas, enquanto a poeira não assentar e o mau tempo nos canais (televisivos) continuar, sabe bem sentir esta loucura no ar. E ler as explicações dos aturdidos fazedores de opinião, que vão do bater de asas da borboleta (Teoria do Caos) até à Lei de Murphy, que um mal nunca vem só e há males que não só não estão nos livros (ou cartilhas) como até desafiam o racional. Quanto ao passional, há 6 milhões de benfiquistas por alegrar, o PIB por incrementar e um país por salvar, pelo que algo terá de ser feito com prontidão. Enquanto tal não se torna realidade, os comuns mortais não-escarlates unem-se aos deuses e gozam o prato. Muito.

04
Ago23

Assim vai o futebol português


Pedro Azevedo

A eliminação do Vitória aos pés dos eslovenos do Celje demonstra bem a macrocefalia do campeonato português, onde a diferença entre os 4 que lutam pelo título e todas as outras equipas é cada vez maior. Algo necessita urgentemente de ser feito em sede da Liga de Clubes, porque, caso contrário, os pontos perdidos pelos clubes portugueses na Liga Conferência continuarão a penalizar o ranking de Portugal nas provas europeias e a afectar o número de equipas lusas que participam na Champions. A reformulação do formato competitivo dos campeonatos profissionais continua por fazer, em parte devido à resistência dos clubes pequenos por inexistência de um pára-quedas financeiro que amorteça putativas descidas de divisão, em outra parte porque há alianças tácitas entre grandes e pequenos que visam reforçar o poder dos grandes em troco de algumas concessões. 

Entre visões curtas dos clubes e a omissão do presidente da Liga - sempre preocupado em vender ilusões e escamotear que o rei vai nu por falta de acção concreta e renovadora - , assim vai o futebol português. A título profissional, porque a nível do futebol amador e semi-profissional a criação da Liga 3 por parte da FPF é um caso de sucesso. 

03
Jul23

Porta giratória


Pedro Azevedo

É, no mínimo, inconcebível que se contrate um número significativo de jogadores para os dispensar por tuta e meia na época seguinte. A sustentabilidade do futebol também passa pela correcta noção do perfil de jogador que nos interessa e uma avaliação certeira da sua valia quando se avança para a contratação. Más assumpções irão sempre acontecer, desde logo porque o erro é humano e há sempre margem para imponderáveis (lesões, inadaptação, concorrência interna forte), mas pede-se uma ainda maior convicção nas compras quando os recursos são escassos, os competidores levam avanço e a janela de oportunidade europeia está a fechar-se. Não esquecer nunca que por muito que as vendas de jogadores contabilisticamente beneficiem as sociedades desportivas (as compras não vão a Resultados no ano da sua celebração pelo seu valor integral, antes são periodificadas por via de amortização pelo nº de anos de contrato do jogador), a rúbrica de Fornecedores não esconde a realidade presente. Com a janela a fechar-se, escancarar a porta de entrada não me parece uma (boa) solução, antes configura mais um problema. 

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