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A Poesia do Drible

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

A Poesia do Drible

26
Mai24

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

O sobe e desce do Elevador de St Juste


Pedro Azevedo

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(Pela sombra projectada por guarda-redes e bola, parece-me golo.)

 

Potemkin, Trincone e Santorini estão em campo. Potemkin beija a bola, marca um canto a que St Juste corresponde com uma cabeçada indefensável para Diogo Costa ! Na Tribuna, pálido e com os olhos embaciados, Bob lamenta a sua sorte: infelizmente, o ucraniano, o italiano e o grego têm em comum não serem elegíveis para a nossa Selecção, e Martinez sente-o com uma grande desolação. Ao seu lado, Fernando Gomes pocura animá-lo, consolá-lo de tanto azar, mostrando-lhe o outro lado, o copo meio-cheio, a oportunidade de com Chico Conceição internacionalizar o arraial tuga ou com Pedro Neto promover o nosso Serviço Nacional de Saúde, para não falar do efeito positivo para a nossa balança comercial (e orgulho luso) de exportação de um agora beduíno, recém-naturalizado, de faca permanentemente nos dentes, como contraposição aos nómadas digitais que anualmente de mansinho invadem o nosso país e nos encarecem o custo de vida. Bob parece ganhar de novo cor, ao visualizar o seu papel nessa exótica mostra europeia. Sedento de partilhar essa visão, logo se apressa a ligar ao Horta. 

 

Enquanto isso, no relvado, Potemkin lidera a rebelião Sportinguista contra os czares que dominam o futebol português. Mas o Porto começa a pôr a bola nas costas dos centrais do Sporting e Geny, com os apoios trocados, amortece-a em forma de assistência para Evanilson. Pouco depois, St Juste, que marcara um golo inesperado, falha onde não é expectável: é ultrapassado em velocidade por Galeno e depois abalroa-o à entrada da área. O árbitro ainda dá penalty, depois revertido pelo VAR, mas o holandês não se livra da expulsão e o Sporting de ficar a jogar com 10. Quaresma, que deveria ter sido titular e acabou por ser o melhor dos nossos, entra, mas sai Morita (o único capaz de dar à substituição uma expressão de olhos em bico) e não um interior e com isso o Sporting entrega o jogo ao Porto. 

 

O que se segue são vagas constantes de ataque do Porto que só Quaresma e/ou Diogo Pinto vão conseguindo repelir. O jogo, de sentido único, vai para prolongamento. O Porto nada consegue fazer do lado direito da nossa defesa, mérito indiscutível de Quaresma, mas no flanco oposto Chico Conceição cria sucessivo perigo. Até que chega mais uma previsível bola nas costas do nosso lado esquerdo e Diogo Pinto primeiro hesita e quando sai da baliza abalroa Evanilson. Penalty e 2-1. Até ao final o Sporting ainda esboça uma reacção que fica à porta da rulote onde o VAR bebe a essa hora umas bejecas, pelo que o resultado não sofre alteração. 

 

Vitória justa do Porto, hoje claramente a melhor equipa, com José Pedro como o melhor homem em campo em virtude de ter secado Gyokeres. E assim a dobradinha não veio para Alvalade, o que em matéria de culinária nos põe em inferioridade com um Porto sobejamente conhecido pelas tripas e um Benfica que há muito se alimenta da mão de vaca (quando não de Vata). 

 

Enquanto os portistas já festejam nas imediações do Jamor, Bob abandona o estádio. Não evita porém uma última paragem no seu gabinete na sede da Federação, antes do regresso a casa. Com nostalgia contempla a sua secretária de trabalho. As viagens pelo mundo haviam-lhe trazido mais olheiras do que propriamente actividade de olheiro. O cansaço inerente a um jogo a cada 3 meses deixara-o exausto. O que vale é que para arrepio de algum esgotamento já tinha a convocatória para o Euro pronta mesmo antes de aceitar o cargo de seleccionador em Portugal. Era então chegado o tempo de tirar umas férias. Consulta o mapa e escolhe. Destino: Alemanha. Liga o piloto automático, que é como quem diz, ao Cristiano Ronaldo e ao Bruno Fernandes, e marca a viagem. 

 

Boas Férias (de bola) !!!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Eduardo Quaresma (por uma milha de diferença)


24
Mai24

Eduardo Quaresma


Pedro Azevedo

Gosto muito do Quaresma, começo por dizer. A sua compostura com a bola e a velocidade com que corre para trás permitem-nos adequar mais o nosso jogo ao da equipa grande que somos. Com a sua saída em progressão há uma alternativa ao passe de Inácio, duas formas diferentes de quebrar linhas que tornam o nosso jogo mais imprevisível para qualquer adversário. Também a sua rapidez nos ajuda e muito, permitindo-nos subir linhas até quase o meio campo adversário. 

Custa muito a entender como um jovem desta categoria, com atributos que podiam fazer dele um Beckenbauer ou um Baresi, ainda não é um titular indiscutível no Sporting. A razão talvez resida num complexo qualquer de Peter Pan de que padecerá: olha-se para ele e parece uma criança. Ainda que um bom menino, note-se. Alguém de bem com a vida, alegre, em suma, feliz. Não sei se isso colide com a imagem que se espera de um "activo" do futebol negócio, cinzento e aparentemente compenetrado da sua tarefa, mas a cor que o Quaresma traz para o jogo é um espectáculo, reconcilia-nos com o futebol dos bancos da escola e com a nossa juventude. Não foi por isso que aprendemos a amar o jogo? Então, muitos parabéns ao Sporting por ter prolongado o vínculo do Eduardo (até 2028), um jogador que, mais do que admirado, precisa de ser compreendido.

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23
Mai24

Aí Leões !!!


Pedro Azevedo

É tempo de atalhar caminho, deixar o tema da Selecção para mais tarde e recuperar o foco no Jamor. O que não nos mata, torna-nos mais fortes, e a melhor resposta que Pote, Trincão e Nuno Santos podem dar face aos "azares" de que padeceram recentemente é dentro do campo. Como diria o saudoso António Silva: "Aí Leões !!!". Estamos todos convosco, unidos contra a arbitrariedade e, por que não assumi-lo, a injustiça. 

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22
Mai24

Eficácia de Remate


Pedro Azevedo

Num estudo do Observatório do Futebol (CIES) envolvendo 54 campeonatos espalhados pelo mundo e 900 clubes, o Sporting figura em segundo lugar no que concerne a eficácia de remate. O pódio é completado por PAOK (Grécia, 1º) e Roma (Itália, 3º). O estudo, que se baseia na diferença entre golos marcados por jogo e golos esperados por jogo (oportunidades de muito perigo), mostra o Sporting com um índice de 0,59 (2,75-2,16). Na Primeira Liga, o Moreirense, com 0,32 (1,04-0,72) e o Arouca, com 0,31 (1,64-1,33), completam o pódio. De referir que o Benfica tem o segundo pior registo entre os clubes nacionais, com um índice de -0,19 (2,28-2,47). Analisando estes dados, conclui-se que o Benfica cria mais oportunidades reais de golo mas marca menos do que o Sporting, o que é explicado em grande parte pela diferença de eficácia entre os avançados de cada um dos clubes, com os do Sporting a destacarem-se inclusivé por marcarem a partir de "meias-oportunidades".

 

The 455th CIES Football Observatory Weekly Post ranks teams from 54 leagues around the world according to their shooting efficiency. The latter was measured from the residuals of a statistical model explaining 78% of the differences in goals scored per team (not including penalties) on the basis of three variables produced by Wyscout: the number of expected goals according to the dangerousness of the chances created (also not including penalties), the number of shots on target and in total.

 

Editors:
Raffaele Poli
Roger Besson
Loïc Ravenel
Thomas Gonzalez

With 0.69 more non-penalty goals than expected per game, Greece’s PAOK FC have the most positive gap in absolute terms, reflecting judicious shooting decisions, as well as particularly effective finishing. Portugal's Sporting CP (+0.59) and Italy’s AS Roma (+0.52) complete the podium. The Italians outrank Inter and Arsenal in the five major European leagues, followed by Bayern MunichBayer Leverkusen and Valencia.

In terms of the most negative gaps, with 0.63 fewer goals than expected per game, Melbourne City top the list, ahead of four particularly inefficient big-5 league teams: OGC Nice (-0.56), Olympique Lyonnais (-0.49), Rayo Vallecano (-0.48) and Montpellier (-0.47). Everton and Köln are the least effective clubs in the other leagues of the European big-5, Go Ahead Eagles in the Dutch Eredivisie, Vizela and Benfica in the Portuguese Primeira Liga, as well as RSC Charleroi in the Belgian Pro League.

20
Mai24

Bonita homenagem


Pedro Azevedo

Ainda não era nascido quando Fernando Mendes levantou a Taça dos Vencedores das Taças em Antuérpia e no regresso a comitiva do Sporting a veio entregar a casa de Hilário, o capitão, convalescente de uma lesão contraída pouco tempo antes. Foi um momento certamente bonito. Por isso senti-me comovido ao ver Frederico Varandas e Viktor Gyokeres deslocarem-se hoje ao quarto de hospital do grande capitão Manuel Fernandes para lhe mostrar o troféu de campeão nacional, um título que ele tanto viveu. Nesse momento fez-se Sporting, naquilo que representamos enquanto princípios e valores como os de respeito pela nossa história e solidariedade, e isso é o que deve ser pedido a um presidente do clube. Sendo insuspeito de proximidade a Varandas, aqui lhe deixo o meu aplauso. E um forte abraço ao Manel, o capitão da minha adolescência, aquele que basta a menção do seu nome para imediatamente associar umbilicalmente ao Sporting. Eternamente. 

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19
Mai24

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Festa real em placebo de jogo


Pedro Azevedo

Há jogos de campeonato de fim de época que não estão no calendário para serem jogados, antes são para despachar o mais rapidamente possível a fim de dar lugar à festa. Uns porque são campeões, outros por garantirem a Europa, alguns por obterem a melhor classificação ou recorde de pontos, a maioria por se manter na Primeira Liga, no fim muitos clubes têm motivos de comemoração. Pelo que o jogo em si deixa de ser o prato-forte e passa a ser um aperitivo, um "amouse bouche" que prepara as papilas degustativas - fazendo crecer "água na boca" - do adepto para o que virá a seguir.  Um jogo assim não é para ser levado a sério, como sério não é o VAR intervir em lances de interpretação do árbitro - puxão do braço de Trincão por Vasco Fernandes ou pretensa falta discutível de Coates - ou não ser dada a compensação devida por inúmeras paragens de jogo. Enfim, uma brincadeira em forma de jogo e um árbitro em forma de assim, em consonância. Com uma excepção: Viktor Gyokeres. O homem que não sabe brincar, na observação acutilante de Neto, um dos nossos capitães e voz sábia e filosofante no nosso balneário, que ontem se despediu de nós. Por isso vimos o sueco à beira de uma apoplexia (já não lhe bastava o Pote e o Neto quererem bater o penalty) de cada vez que o jogo tinha uma interrupção e quando foi dado o tempo extra. Porque ele quer sempre mais, tem fome de mais: mais golos, mais assistências, mais correrias, mais suor na camisola. E de gente assim se fez o campeão. (Ou como um "underdog" à partida é à chegada um CÃOpeão, importante escalada numa cadeia alimentar onde não faltam as piranhas.)  

 

Se o jogo foi uma brincadeira, os números de stand-up comedy entre o árbitro anafadito e o inefável VAR Rui Costa foram o ponto alto da diversão: as caretas, hesitações e falta de convicção geral de Manuel Oliveira de cada vez que foi chamado a ver o vídeo constituíram um momento de humor a jeito do sketch "A Ponte da Morte" de "Em Busca do Cálice Sagrado", assim como teve alguma graça a rebeldia demonstrada aquando da expulsão de um flaviense que não foi ao VAR - "Não, não me voltarás a julgar", terá pensado o árbitro enquanto fazia alegadamente ouvidos moucos ao Costa que o azucrinava no auricular pela quarta vez durante a primeira parte. Pelo que o jogo valeu essencialmente por dois momentos característicos de van Basten, curiosamente interpretados por 2 diferentes jogadores: a rotação de costas para o defesa, de Gyokeres, na origem do segundo golo, e o pontapé em volley de Paulinho para o terceiro. No resto do tempo pouco se jogou, entre paragens para entrada do massagista e médico do Chaves, bombeiros, INEM, peritos de avaliação de sinistros e de cotação de salvados e análise das câmaras de vídeo-vigilância. (Ou como trocámos uma época com um ponta de lança que se associava com os companheiros por outra com dois pontas de lança em associação com o golo.)

 

Feitas, as contas, o Sporting terminou este campeonato com uma dezena de pontos sobre o proto-campeão Benfica e dezoito pontos acima do Porto, estabelecendo um novo recorde pontual do clube na competição (90 contra os 86 de JJ). Quem acompanhou a pré-época e leu os jornais da altura,  sabia que o campeonato seria um pró-forma, um caminho que serviria unicamente para glorificar e incensar o Grande Benfica, do Rui Costa e do Schmidt, do Di Maria, Rafa e Otamendi e do puto maravilha. Uma coisa em forma de pescada, que, antes de o ser, já o era. Só que não, o Rúben Amorim, o Gyokeres e todos os nossos ignoraram as "postas de pescada" nas previsões de outros e não o quiseram assim. E embora perdendo de goleada na sondagem junto das cassandras apressadas, no fim levantaram o caneco. Seguir-se-ão a Taça e mais uma pré-época com o Benfica campeão. Depois, rolarão a bola e, quem sabe, algumas cabeças... A caminho do 25 !!! [À semelhança do ocorrido com as Ligas Experimentais, há sempre a hipótese de futuramente a Federação passar a considerar os títulos (de jornais) de pré-época do Benfica. Tudo em nome do PIB nacional, que, já se sabe, ninguém pára o Benfica e, portanto, Portugal.]

 

Tenor "Tudo ao molho...": Viktor Einar Gyokeres (who else ??)

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14
Mai24

Tudo ao molho e fé em Gyokeres (especial)

Punching Bag


Pedro Azevedo

Desde que o Gyokeres chegou ao Sporting, os jogos que envolvem a nossa equipa passaram a não ser exclusivamente de futebol. Quer dizer, também há futebol, e do bom (entenda-se), nomeadamente nos poucos intervalos da pancadaria a que o sueco é submetido, mas essencialmente praticam-se artes marciais. Tal é aceite com a maior candura por parte de árbitros e comentadores da bola. Por exemplo, no Estoril não faltaram loas na televisão à "compostura" do Pedro Álvaro, após cada intervenção sua ter inevitavelmente terminado com o Gyokeres descomposto (decomposto?) no chão. Para o efeito, o Pedro Álvaro foi-nos apresentado como um gentleman, um ser delicado e até meigo, quiçá um Vicente (o tal que "secou" o Pelé, sem nunca cometer uma falta) dos tempos de hoje. Talvez por isso, envolveu inúmeras vezes os seus braços e cotovelos em redor do pescoço do Gyokeres em fofinhos diplomata-leão. Não obstante, o Pedro revelou-se muito adaptativo e inovador nas artes, usando uma projecção de Gyo-Jitsu ali, uma biqueirada de Vikboxing acoli. E o árbitro deve ter apreciado as suas técnicas, porque nunca o admoestou. O que vale é que o Gyokeres foi muitas vezes ao tapete(?), mas, sem nunca ser nocauteado, acabou por ganhar aos pontos (3). Pelo que agora seguir-se-á o Chaves, a caminho do ringue do Jamor (e do "Dá fundo")...

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14
Mai24

O "Killer Instinct" voltou


Pedro Azevedo

Recordo-me do tempo em que o então nosso treinador Bobby Robson sentenciou faltar ao Sporting "killer instinct". Robson tinha toda a razão. Imagino, pelas estatísticas disponíveis e conversas com os mais antigos, que esse instinto predador era o nosso paradigma no tempo de Peyroteo e dos 5 Violinos, mas foi coisa que nunca tinha realmente visto no Sporting, mesmo quando campeão (exceptuando talvez na época 1973/74, temporada que no entanto não contraria a minha premissa inicial na medida em que foi por mim ouvida na rádio e não vista no estádio). Até que chegou Gyokeres. O nosso jogador Neto, ontem, em bate-boca no programa "Titulares" da SportTV, afirmou que o sueco "não sabe brincar", dando como exemplo as correrias desenfreadas que empreendeu após entrar num jogo de Taça contra o Dumiense, quando o resultado já estava 4-0. Ora, o que Neto nos trouxe, e todos pudemos comprovar com os nossos olhos, é demonstrativo da tal atitude que há muitos anos andava arredada de Alvalade e contraria a esmerada arte de perdoar que era até aí paradigma do Sporting quando o nosso adversário estava de joelhos, o que não só nunca nos trouxe respeito como ainda nos deu alguns dissabores. E isso finalmente alterou-se, muito por causa do empenho contagiante de Gyokeres e da sua fome indomável de (mais) golos. Como consequência, após um primeiro período em que houve mais Gyokeres do que Gyokerismo, a doutrina passou, a máquina oleou e as goleadas apareceram em catarse. Senão vejamos: 8-0 ao Casa Pia e ao Dumiense, 6-1 ao Boavista, 5-0 ao Braga, 5-1 ao Estoril, 4-0 ao Gil Vicente e ao Tondela, 5-2 ao Vizela, além de sete vitórias por 3-0. Foi este querer sempre mais que elevou a capacidade competitiva da equipa e o seu ritmo de jogo, deixando para trás aquelas segundas partes sensaboronas que ao longo das épocas foram o nosso padrão após garantirmos uma vantagem folgada no marcador. Com o prego sempre a fundo, o "killer instinct" regressou, cortesia de um "assassino" sueco que veio do frio para nos aquecer os corações. Parece paradoxal, mas o único paradoxo foi o longo hiato em que o Sporting não se deu ao respeito. 

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11
Mai24

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

O Grande Ano


Pedro Azevedo

Caro Leitor, mais do que um leão, esta época em cada Sportinguista houve um ornitólogo. Um ornitólogo? - perguntará o Leitor. Sim, um zoólogo dedicado ao estudo aprofundado das aves. Senão vejamos: começámos por observar com sucesso uns gansos fora do seu habitat natural, largados em Rio Maior. Mais tarde, quisemos vê-los mais de perto, pelo que os desviámos de Pina Manique e atraímos até Alvalade. Acabámos por os classificar como espécie de... goleada. Seguidamente, contemplámos as águias, sempre muito furtivas, fanfarronas e com nomes como Vitória e assim. Precavidos, já sabíamos de cor os seus costumes e modos de vida. Para as controlar, enviámos um sueco perito em ornitologia, que logo tratou de as anilhar e lhes cortar as unhas. Para o efeito, bastou deixá-las pousar, que no nosso clube não resolvemos os problemas à chumbada e a única coisa que chumbamos mesmo são algumas práticas do futebol português. Com o sucesso desta missão, veio a festa. Que começou no Pombal, onde dezenas de milhares de Sportinguistas se reuniram a testemunhar, e chegou hoje ao lar dos canarinhos. Tudo isto depois de meses e meses a fio a vermos o Adán e o Israel a aviar frangos e perus... E já para não falar dos urubus do apito! Não é incrível? Pelo que nem Aristóteles ou "Plínio, o Velho", Pierre Belon ou Francis Willyghby, ninguém conhece tão bem as aves como um Sportinguista. Bom, talvez o Borda d'Água conheça, pelo que se calhar não era má ideia aproveitarmos outras dicas constantes do famoso almanaque a fim de conseguirmos colheitas anuais estáveis. 

Se um canarinho numa mina de carvão pode ser um sinal de falta de oxigénio, numa mina de ouro (para o imobiliario) como o Estoril é apenas um sinal de prosperidade. Pelo que lá fomos gozar a nossa prosperidade recente ao Estoril. Quem diz Estoril, diz canarinhos, diz Escrete, que é homófono de discreto, condição de quem não é pato-bravo, um tipo de ave diferente que gostaríamos que fosse pelo menos de arribação. Como andar na linha é coisa a que o Sporting se habituou desde a sua fundação, a ida à Amoreira foi como se jogássemos em casa. 

 

O jogo foi uma coisa em forma de assim, como diria o O'Neill. Quer dizer, não foi um jogo mas sim uma batalha. De wrestling. Nesse sentido, o Gyokeres foi várias vezes projectado ao chão pelo Pedro Álvaro e pelo Basso, que não é baço e pelo contrario tem maus figados. Quando não pegado de cernelha pelo Vital. Enquanto isso, do outro lado do campo, o João Marques batia por trás em tudo o que mexia. Paralelamente, o árbitro ia contemporizando, forma de procrastinação que se admite, que o dia era de sol e toda a gente sabe que o Estoril é Praia. Pelo que o jogo andou ali num rame-rame até que o Amorim trocou as pedradas para a área do Matheus pelos cruzamentos precisos do Nuno Santos. E chegámos ao golo, numa cavalgada do Gyokeres terminada com um passe no tempo exacto para o Nuno, que depois centrou para o espaço onde apareceu o Paulinho, também ele em campo há poucos minutos, a concretizar com o pé mais à mão - tempo e espaço, os fundamentos do futebol. Até ao fim, o Sporting esteve sempre mais próximo do segundo golo do que o Estoril do empate.

 

Depois do título da semana passada, agora concretizámos o recorde de pontos (87) do Sporting no campeonato. Pelo que para a semana o objectivo - todos os jogos têm de ter um objectivo, uma forma de motivação a fim da equipa não se perder em festejos e chegar muito relaxada ao Jamor - será atingirmos os 100 golos na competição, ainda que isso obrigue a marcar por 7 vezes a um já despromovido Chaves. Não será fácil, mas a acontecer daria um novo significado à expressão "guardado a sete chaves". 

 

Duas notas finais para a estreia de Pinto (Diogo), que talvez pela sua juventude não deu à luz nenhum frango, e para o debute do menino Menino, o nosso André ao quadrado (Vitória), que no entanto parece já ter guia de marcha. Que um dia possa regressar em beleza!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Francisco Trincão. Nuno Santos e Paulinho seriam boas opções.

 

P.S. Nós já percebemos os pássaros, mas daria jeito termos alguém que voasse sobre os centrais como o Jardel. 

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