Uma questão de Física
Pedro Azevedo

Os árbitros e auxiliares estão habituados a determinadas trajectórias de bola - uma questão da Física, não do apito, mas que serve de apoio a decisões arbitrais (quando na dúvida). A deslocação do corpo (bola) na mente experimentada da equipa de arbitragem (consciente ou inconscientemente, o cérebro vai tipificando determinados padrões) figurava uma deflecção. E ela de facto existiu, simplesmente foi produto do levantamento de um tufo de relva e não do corte de um jogador do Santa Clara. Já o canto não marcado a favor do Sporting, durante o primeiro tempo, deveu-se ao guarda-redes ter tocado na bola no exacto momento em que esta conectou o relvado, o que dificultou a percepção da equipa de arbitragem, acabando esta por assumir que a mudança ligeira de trajectória da bola se havia devido ao embate no relvado (irregular) e não ao contacto com a luva do guarda-redes. Também aí se aplica a Física: quando um corpo sofre duas forças simultâneas, o resultado é um movimento que pode ser determinado pela soma vectorial das forças (Força Resultante). A direção e o sentido do movimento serão os da força resultante, conforme descrito pela Segunda Lei de Newton (Lei Fundamental da Dinâmica). Havendo honestidade intelectual, é assim tão difícil de entender as razões pelas quais a equipa de arbitragem errou em ambos os lances? Ou vamos continuar com esta lengalenga narrativa criada pelos dirigentes (e áreas de comunicação) dos clubes?
PS: Os jogadores, se jogarem mal, são apupados nos estádios e não têm como se defender, ficam em silêncio; os árbitros idem, com a agravante de receberem normalmente ameaças na sua vida particular. Já os presidentes chutam para o lado, deflectem (vem a propósito) as atenções dos adeptos, vêm a público e põem o odioso sempre em terceiros. Nesse transe, quem é que efectivamente se exime de assumir as suas responsabilidades e mostra não ter capacidade para aguentar a pressão? A resposta a esta questão explica o ruído ouvido este fim de semana.
