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A Poesia do Drible

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

A Poesia do Drible

16
Out24

Tudo ao molho e fé em Ronaldo

Futebol sem alma


Pedro Azevedo

A Escócia invoca-me os Highlanders, a verde paisagem, a bruma mítica e intemporal, as famosas destilarias de whiskey, os Waterboys, o rugby em Murrayfield com prefácio de um "Flower of Scotland" entoado para arrepio dos corpos e apoteose das almas, os castelos, kilts e as gaitas de foles, Mary Stuart e o Mel Gibson como William Wallace em Braveheart. Com uma história rica, futebolísticamente a Escócia vive actualmente um período pobre, sem craques de um outro tempo como Dalglish, Souness, Strachan, Gemmill ou Andy Gray, o que ontem obrigou o seu seleccionador Clarke a contrapôr o Realismo a todo o Romantismo envolto em qualquer olhar que se tenha sobre a nação. Defendendo muito e bem, com os seus 11 jogadores atrás da linha da bola e protegendo maioritariamente o eixo central, a Escócia impediu o jogo interior português e obrigou os lusos a encontrarem espaço somente nas alas. Só que raras foram as combinações 2x1 que nos permitissem chegar com jogadores isolados na diagonal da pequena área, com Diogo Jota sempre a querer vir para dentro sem bola e Chico e Cancelo a privilegiarem cruzamentos de longe e por alto que sistematicamente beneficiavam o bom posicionamento defensivo escocês. Pelo que só uma entrada de (Rafael) Leão no segundo tempo criou dificuldades aos pupilos de Clarke, tudo o resto (os "innuendos", as tímidas aproximações à área, a incontida posse estéril) foi uma perda de tempo, num jogo tão em forma de soporífero que até conseguiu calar as vozes no outrora barulhento Hampden Park. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Rafael Leão

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08
Set24

Tudo ao molho e fé em Ronaldo

Ronaldodependência


Pedro Azevedo

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O jogo de hoje permitiu retirar duas conclusões: a primeira, a de que a Selecção é dependente de Cristiano Ronaldo; a segunda, a de que a Selecção é independente de Roberto Martinez. Ronaldo, nos 45 minutos em que esteve em campo, marcou 1 golo, atirou duas bolas aos postes, assistiu magistralmente (de calcanhar) João Félix para um desperdício na cara do guarda-redes e ainda recuperou belíssimamente duas bolas. Martinez é um exímio encantador de serpentes, essa qualidade ninguém lhe retira, mas de resto a sua utilidade resume-se a pouco mais do que ser um placebo que faz crer a jogadores e adeptos que existe um treinador a zelar por eles no banco. Senão vejamos: enquanto Seleccionador anuncia com pompa e circunstância um novo ciclo e a renovação. Mas depois, na prática, não passa daquele nobre do "Leopardo" que entredentes afirma que é preciso mudar alguma coisa para tudo ficar exactamente na mesma. Já como treinador de campo, as suas substituições oscilam entre desorganizar completamente a equipa e a redundância de substituir jogadores por outros de perfil idêntico (retirar Palhinha para meter Ruben Neves pouco sentido fez e obrigou a queimar mais uma substituição para a entrada, essa sim com sentido, de João Neves). Além de que começa a ser insustentável a presença constante de Bernardo Silva no onze titular, jogador que na Selecção apresenta um rendimento inferior ao verificado no Man City. Enquanto isso, Pote, o jogador português depois de Ronaldo com melhores números no cômputo de golos e assistências nas últimas 4 temporadas, não teve direito a mais do que escassos minutos de tempo de compensação no primeiro jogo desta jornada dupla, para não faiar de Trincão e de Quenda que serviram na perfeição a uma narrativa vazia e oca de substância. Em compensação, António Silva e João Félix continuam o seu processo de reabilitação, com a Selecção como programa de Novas Oportunidades. 

O jogo não foi bom nem mau, antes pelo contrário (se no primeiro jogo se homenageou com toda a justiça o Pepe, por que não aproveitar esta crónica do segundo para homenagear o  decano do comentário futebolístico nacional, o igualmente eterno Gabriel Alves?). A Escócia joga pouco, já se sabia. O que se desconhecia é que Portugak fosse capaz de jogar tão mal. Não é que Portugal tenha o naipe de jogadores de elevadíssima craveira que muita gente reivindica - temos bons valores, sim, mas por exemplo a um atleta com as qualidades físicas e técnicas de Leão falta-lhe o cérebro de Pote para ser um fenómeno e a inteligência e visão de jogo de Bernardo seriam ainda melhor potenciadas se o jogador tivesse  explosão - , mas uma equipa que pode contar com a segurança defensiva de Ruben Dias, a potência de Nuno Mendes, a facilidade de remate de Bruno Fernandes e a excelência de Ronaldo tem de ganhar com facilidade a uns escoceses que de destaque que os afaste da mediania pouco mais têm que o lateral Robertson. Simplesmente, o nosso grande problema é que o treinador não acrescenta, diminui, é incapaz de um golpe de asa, está amarrado ortodoxamente a um determinado grupo de jogadores e é "toxicodependente" de uma ideia de jogo que é pouco mais do que uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma, a que pomposamente chama de "flexibilidade táctica ". Ainda assim ganhámos os dois jogos, porque a qualidade média dos nossos jogadores é muito superior à dos nossos adversários e isso faz vencer desafios, esteja no banco Roberto Martinez, este vosso humilde escriba ou um homem ou mulher vendados a disparar dardos sobre um alvo onde figure o lote dos jogadores selecionáveis. 

Terminada a pausa no futebol a sério para esta brincadeira das Nações com que a UEFA vai robustecendo os cofres, regressa o campeonato português e os jogos do nosso Sporting. O próximo é em Arouca. Em rodagem, o nosso Gyokeres marcou por 3 vezes pela Suécia. Está uma fera, e a boa notícia é que o mercado fechou e só reabre em Janeiro. Depois, com o novo ano, regressarão as dores de cabeça e lá se esgotará o stock de Ben-U-Ron. Até lá, só teremos de temer a intensidade dos defesas sobre o Gyokeres, seja por via de golpes de Gyo-Jitsu ou Vikboxing, o que já não será propriamente pouco. 

Tenor "Tudo ao molho...": Cristiano Ronaldo 

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