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A Poesia do Drible

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

A Poesia do Drible

09
Dez23

Tudo ao molho e fé em Deus

Faróis médios e de nevoeiro


Pedro Azevedo

O Álvaro Pacheco é um castiço, no seu estilo bonacheirão, com a protuberante barba branca e a icónica boina negra a condizerem com as cores do emblema que representa. (Apesar da boina, não caiu no futebol como um pára-quedista. Nada lhe foi oferecido, teve de trabalhar muito.) Dado o ar que aparenta, em época natalícia imaginamo-lo um Pai Natal vimaranense, pelo que não resistimos a simpatizar com ele. Se muitos intuiram que a boina lhe serviria para esconder a calvice, o treinador sempre assumiu que a usava como um sortilégio. Ou, por outra, a boina serviria para que não lhe descobrissem a careca, não num sentido literal mas sim em figurado, evitando assim que fossem revelados os seus segredos. Ora, um desses segredos são os seus dotes de mago, hoje evidenciados quando terminou o jogo a executar um hat-trick sobre Rúben Amorim. Só que em vez de um coelho, o Álvaro fez reaparecer e cair sobre nós a espada de D. Afonso Henriques que se julgava perdida por D. Sebastião em Alcácer-Quibir. A alusão a D. Sebastião não é inocente, porque foi num momento sebastiânico que João Pinheiro, um árbitro com olhos equipados com faróis de nevoeiro, descortinou um penálti que qualquer ortopedista garantiria ser uma impossibilidade biomecânica: Adán, de gatas, escorrega até onde a relva molhada lhe permite e depois pára. A partir desse momento não lhe é mais possível locomover o seu joelho esquerdo (o tal que Pinheiro "viu" provocar o penálti) sem o levantar, o que fica claro nas imagens não ter acontecido. Adicionalmente, o seu joelho direito está à frente do esquerdo e não tocou no jogador vimaranense, pelo que a ter havido embate ele teria sempre de ser provocado pelo futebolista do Guimarães. Finalmente, sendo certo que a bola é cabeceada anteriormente por um vimaranense, subsistem muitas dúvidas se Mangas não seriam compridas demais, isto é, se o jogador do Vitória não estaria em fora de jogo. A verdade é que Pinheiro e o VAR Hugo Miguel não tiveram dúvidas, e em cima do gongo para o intervalo o Guimarães empatou o jogo. [Os árbitros com olhos equipados de faróis de nevoeiro são um problema para nós desde o inferno de (Alder) Dante vivido nas Antas, quando um apanha-bolas, a coberto da bruma, introduziu a bola na nossa baliza e o árbitro validou o golo.]

 

Antes, o Sporting havia-se adiantado no marcador, quando Morita recuperou as ancestrais técnicas dos samurais (Budô e Bujutsu) e com um moderno golpe de karaté isolou Gonçalo Inácio para o primeiro golo do jogo. Só que foi tudo sempre sofrido, muito devido à inferioridade numérica a meio-campo. Sendo os jogadores do miolo os faróis de uma equipa, o Vitória soube aí colocar 3, 4 ou mesmo 5 jogadores (contra os nossos 2) que bloquearam a nossa acção e fecharam os caminhos para que a bola encontrasse os 3 avançados situados entre-linhas. Com os alas igualmente controlados, restaria ao Sporting colocar a bola na frente directamente através dos centrais ou criar dinâmicas em que os alas jogariam mais por dentro, mas Esgaio não logrou fixar o adversário directo e ligar uma única vez com Geny, Inácio, apesar do golo, deve ter feito o pior jogo que lhe vi de verde e branco e os alas nunca passaram de... alas. Restou então Diomande, claramente a nossa melhor unidade do sector defensivo, mas mesmo a sua boa saída de bola nunca encontrou quem lhe desse seguimento, com Pote a perder inúmeros lances por má recepção ou pouca simplicidade de processos. Com Edwards também a nunca conseguir dar continuidade às poucas bolas que recebeu em posição frontal, Gyokeres ficou sozinho e à mercê de 2 dos 3 centrais do Vitória que o vigiavam de perto, superando muitas vezes o primeiro e sucumbindo ao segundo. (Por artes do Pinheiro, Borevkovic conseguiu chegar ao fim do jogo sem um cartão amarelo, apesar das inúmeras faltas sobre o sueco.)

 

Com a deriva de Diomande para central pela direita, Geny pôde finalmente ser servido a preceito. Porém, a sua inspiração foi pouca ou nenhuma, não conseguindo os desequilíbrios de que a equipa precisava. Para piorar, Amorim fez a equipa implodir com as substituições: Paulinho e Trincão não trouxeram nada de novo, pouco ou nada aparecendo, e o recuo de Pote e concomitante saída de Hjulmand partiu a equipa em dois. Porque Pote começou a pedir a bola junto à banda esquerda, afastando-se do centro do jogo e ficando em zona onde não poderia reagir eficazmente à perda de bola, mas também na medida em que a Inácio lhe parou o cérebro, curto-circuito bem visível no segundo golo vimaranense, quando, com tempo, incompreensivelmente  não fechou o espaço para o jogador do Vitória que recebeu isolado (defesa de Adán) antes da recarga. Estaria ainda ligado ao terceiro golo do Guimarães, reagindo tarde à tabelinha entre dois vitorianos, em lance onde Adán não fechou o lado do poste e não ficou igualmente nada isento de culpa. Pelo meio o Sporting ainda marcou, com Nuno Santos a aproveitar um passe de Pote após a melhor jogada colectiva do Sporting durante o jogo. [Amorim também fez um truque à David Copperfield, o de fazer desaparecer o meio-campo, lançando para o efeito um jogador invisível (Trincão) e recuando Pote.]

 

Com a derrota de hoje, o Sporting não só não logrou aproveitar o deslize do Benfica de ontem como se viu apanhado pelo FC Porto no topo da classificação. Segue-se a recepção aos portistas, um jogo em que se espera que os nossos médios não venham a ser encandeados pelos faróis de máximos nortenhos e que Rúben não volte a falhar nas substituições. E a melhor maneira de não falhar será não ter de as fazer, o que geralmente ocorre quando se acerta na equipa que vai a jogo.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Diomande

amorim guimarães.jpg

04
Set23

Tudo ao molho e fé em Deus

Caça Grossa no Dragão e Pedreira


Pedro Azevedo

Começo a escrever esta crónica enquanto aguardo pelo desenlace do jogo no Dragão, confronto que só se iniciou há precisamente 19 horas e 25 minutos, pelo que é muito provável que entretanto o Porto venha a marcar através do 37º penálti assinalado a seu favor na sequência de mais um mergulho do Taremi ou, caso o Arruabarrena continue obstinadamente a não estar pelos ajustes, por via de lance com claro fora de jogo e interferência activa por parte do infractor, assim ultrapassando Sporting e Boavista e isolando-se na liderança do campeonato. A razão do atraso nesta publicação deveu-se a um problema técnico na bateria no meu computador, aVARiada, que afectou a comunicação com os Leitores. Sempre na vanguarda da verdade desportiva, procurei contornar a situação através do uso do telemóvel, mas temi o Vosso protesto devido às partidas que o corrector ortográfico do meu iPhone me costuma inflingir, coisas do género de trocar o farsi (do Taremi) pela farsa. Assim, na esperança de não ter de repetir esta crónica, aqui vai finalmente o meu testemunho sobre Caça Grossa, o safári da moda em que a presa é o Gyokeres, ontem em exibição na Pedreira:

 

Diga-se em abono da verdade que o guia Niakité nos procurou proporcionar belas imagens, cutucando o "Búfalo" no fito de assim suscitar a sua ferocidade. Só que o bom do Gyokeres, mais preocupado com uma bola que andava por ali, não lhe ligou nenhuma, ainda que o Niakité lhe tenha tentado despertar a atenção com malabarismos circenses do género de enrolar-se no chão com ou sem bola como se de uma foca se tratasse e o palco fosse o Zoomarine. Entretanto, aproveitando os radares apontados ao Gyokeres, o Diomande foi progredindo sem marcação pela savana bracarense até encontrar o Pote. O que aconteceu a seguir foi mais um momento de pura magia de um génio a quem um dia talvez venha a ser concedido o privilégio de vestir a mesma camisola das quinas que essa estrela do firmamento futebolístico que dá pelo nome de Toti Gomes, habitual suplente do Wolves, usa. Residem porém dúvidas sobre a legitimidade do lance, na medida em que o Matheus se interpôs com a baliza. Como procurou, mas não conseguiu, evitar a marcha da bola, só podia estar claramente em fora de jogo posicional... De seguida, marcámos o segundo. Foi do Hjulmand, em tiro raso e sem hipóteses. Mas o VAR apontou baterias (uma novidade!!!) à anulação. Justificação: um fora de jogo passivo, o que, dada a jurisprudência do Dragão, ficámos a saber ser bem mais grave do que um fora de jogo activo. Alegadamente, o Matheus não viu a bola partir. Eu diria que nem a viu chegar, tal a potência do disparo. Mas, enfim, aceitar-se-ia em termos absolutos, que não relativos (Dragão). E como uma competição se joga em vários campos... (Sobre o ângulo de visão do guarda-redes talvez não fosse má ideia os árbitros do CA fazerem uma reciclagem com os pilotos de F1, que têm de conduzir com um halo que tem um veio à frente dos seus olhos. Se não aprendessem nada, pelo menos sempre seriam despachados a grande velocidade.)

 

O jogo estava a correr-nos de feição. Ora, quando algo parece bom demais para ser verdade, nós tendemos a complicar. E foi isso que mais uma vez aconteceu. Perdendo-se inúmeras transições com o Braga perfeitamente à nossa mercê. Ligando o complicómetro, com os inefáveis Edwards e Trincão mostrando a sua total inconsequência. E com Amorim a ajudar, nas substituições. Como quando lançou Bragança no relvado. Quer dizer, é impossível não gostar do toque refinado do Daniel, ideal num 4-3-3. Mas nós jogamos só com dois médios centro, razão pela qual se pede físico e intensidade a esses jogadores. O Bragança não os tem e procura compensar esse défice com alma. Já se sabe, a alma faz falta, e o Daniel é useiro em fazê-las, algumas delas à entrada da nossa área. Não é um dado novo. Ontem, de uma delas resultou o golo do Braga. Marcado pelo Álvaro Djaló, que curiosamente entrou mais ou menos ao mesmo tempo que o Trincão, que substituiu o Pote para executar um livre idêntico: concentradíssimo, ajeitou a melena para a esquerda e para a direita num momento Pantene que deixou os Sportinguistas pelos cabelos,  disparando para a bancada. Pelo que o momento do jogo foi o minuto 72, em que o Braga mexeu bem e o Sporting mal a partir do banco. 

 

O CA fez um novo Comunicado. Novamente 3 pontos nesse Comunicado, que a juntar a outros 3 de um jogo do Sporting dão um total de 6. A manter esta média (1,5 pontos/jogo) é natural que não desça de divisão, que é como quem diz de categoria, o que será uma lástima para o futebol português. Depois do Casa Pia, agora o Casa (ou caso) Pilha. Assim vai o futebol português. [No Dragão, o CA esclarece que não havia corrente eléctrica na única tomada acessível na área de revisão do árbitro e o gerador (UPS) não tinha bateria.]

 

Tenor "Tudo ao molho...": Diomande

pote braga.jpg

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