É difícil encontrar palavras que fujam a lugares-comuns para descrever o desempenho do nadador Diogo Ribeiro no Mundial da especialidade que está a decorrer no Qatar. Após a brilhante medalha de ouro conquistada nos 50m mariposa, o "golfinho português" apurou-se agora para a final dos 100m mariposa, uma prova que fará parte do programa olímpico. De destacar que o nadador, nascido em Coimbra há 19 anos (representa actualmente o Benfica), não só foi o mais rápido entre todos os semi-finalistas como bateu o recorde nacional que já era seu (1 de Abril de 2023, Funchal), melhorando-o em 15 centésimos de segundo para um tempo final de 51,30s. Na final, agendada para Sábado (16h42), Diogo terá como opositores o polaco Jakub Majerski (medalha de bronze no Campeonato da Europa de 2022), o austríaco Simon Bucher (medalha de bronze nos 4x100m estilos, Europeu de 2022), o espanhol Mario Molla Yanes (6º classificado nos 50m mariposa em Doha), o bulgaro Josif Miladinov (medalha de prata no Europeu de 2020), o holandês Nyls Korstanje (medalha de ouro em 4x100m estilos mistos no Europeu de 2022), o americano Zach Harting (medalha de bronze em 200m mariposa no Pan-Pacífico de 2018) e a grande estrela sul-africana Chad le Clos (campeão olímpico nos 200m mariposa em Londres 2012, prata olímpica nos 100m mariposa em Londres 2012 e Rio 2016 e duas vezes campeão mundial nos 100m mariposa).
Nem o facto de alguns nadadores se terem reservado para os Jogos Olímpicos, que também decorrerão este ano, não querendo assim comprometer o seu pico de forma para o objectivo primordial da época, tira mérito aos feitos do nadador luso, desde logo porque, antes dele (prata em Fukuoka), na história da natação portuguesa só Alexandre Yokochi havia conseguido estar presente numa final em campeonatos do mundo (7º lugar). Além de que a redundância de mundiais em ano olímpico não é virgem e ainda assim nunca um nadador português havia logrado esta repercussão. Boa sorte então para o Diogo amanhã e o meu voto de que a sua carreira continue a evoluir neste patamar que tanto dignifica a natação e o desporto em Portugal, ambos carentes de figuras deste quilate que chamem a atenção dos media e atraiam mais praticantes motivados por este exemplo. Depois do grande Carlos Lopes e da não menos relevante Rosa Mota, de Évora ou Fernanda Ribeiro, uma nova geração de desportistas em Portugal ganha relevância na canoagem (Fernando Pimenta), judo (Telma Monteiro e Jorge Fonseca), ciclismo (João Almeida) ou natação, provando que foi dado um salto qualitativo no desporto português. Agora fica a faltar mais cultura desportiva neste país que leve estado e privados a apostar estrategicamente nas modalidades, de forma a que a qualidade de topo que se vai vendo se possa traduzir em maior quantidade de atletas laureados.
P.S. E não é que o Diogo voltou a ganhar a medalha de ouro? E desta vez frente a um campeão olímpico, numa prova que fará parte dos Jogos de Paris 2024. Com um novo recorde nacional (51,17s).
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