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A Poesia do Drible

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

A Poesia do Drible

24
Mar25

Tudo ao molho e fé em Ronaldo

Trincão deu asas ao sonho na Vespa de Jota


Pedro Azevedo

Ao contrário do que por vezes Roberto Martinez nos quer fazer crer, uma Selecção não pode ser vista como um clube mais ou menos enclauserado em estágios, na medida em que a experiência e momento de forma de um jogador provêm essencialmente da sua utilização no(s) clube(s) e não na Selecção. Só assim aliás se explica aqui a teoria da Tábula Rasa, do filósofo John Locke, que defende que o Homem nasce como uma folha em branco e todo o seu conhecimento deriva da experiência, tentativa e erro. Por isso, tanto Ronaldo, o decano nestas andanças da Selecção, como Trincão, um neófito, mostraram serem conhecedores e foram importantes no resultado final, tendo o Sportinguista sido mesmo absolutamente decisivo ao marcar dois golos e idealizado outro, servindo esta dicotomia para provar o quão errado tem estado Roberto Martinez ao excluir das primeiras opções jogadores como Pote, Gonçalo Ramos ou Quenda com o argumento de que não estiveram em alguns estágios ou têm pouca experiência na Selecção. Porque se a experiência na Selecção do Cristiano Ronaldo é equivalente a todos os tomos da Enciclopédia Luso-Brasileira, a do Trincão era até ontem igual à de uma folha de papel cavalinho ainda por preencher. O curioso é que, se Ronaldo comprovou a teoria de Locke ao falhar primeiro (tentativa-erro) para depois evoluir com dois golos (um anulado por fora de jogo milimétrico anterior de Leão) e um par de outras oportunidades negadas por boas defesas de Kasper Schmeichel, mostrando que mesmo aos 40 anos continua a adquirir um conhecimento que depois lhe permite dar a volta a situações adversas, já o Trincão não precisou do erro, pois concretizou todas as tentativas, pelo que o seu conhecimento adveio essencialmente da experiência acumulada no Sporting.  

Portugal deu 1 hora de avanço à Dinamarca devido a Martinez ter mantido em campo um jogador sem compromisso como Rafael Leão em detrimento de Diogo Jota. Além da moto, Jota trouxe intensidade nos duelos ofensivos e defensivos. Enquanto Leão pedia a bola no pé e sem ela alheava-se do jogo, Jota procurou o espaço, foi buscar metros de comprimento nas costas da defesa nórdica e envolveu-se em inúmeras batalhas pela posse da bola (meão e com uma cinturinha de vespa, é incrível a luta que dá aos adversários). No dia em que Bernardo Silva (excelente exibição) realizou o seu centésimo jogo pelo seleccionado português, Gonçalo Inácio foi um dos melhores em campo, sobreponde-se mesmo a Rúben Dias (teve um erro comprometedor) como patrão da nossa defesa. Bom jogo também de Nuno Mendes, mas o destaque individual tem de ir para Trincão, que se revelou exímio na definição, quer no passe que isolou Jota no quinto golo como nos remates que primeiro nos voltaram a colocar dentro da eliminatória e depois nos puseram por cima. Tudo isto porém não teria sido possível se Diogo Costa não tem ganho tempo na Dinamarca para que Portugal, em Alvalade, pudesse dar a volta aos Vikings.

Uma nota especial para Cristiano Ronaldo: foi um verdadeiro capitão. Na Conferência de Imprensa que antecedeu o jogo, enquanto esteve em campo (exortando frequentemente o apoio das bancadas) e após ter sido substituído (estimulando sempre os colegas), continuando a fazer tábula rasa aos "haters". 

Portugal não foi a única selecção a necessitar de prolongamento para carimbar a passagem à fase decisiva da Taça das Nações, pois Espanha (contra os Países Baixos) e França (face à Croácia) precisaram até de ir a penáltis, mas acabou por ser a que passou com maior margem de golos. Segue-se a Final Four, na Alemanha, com uma meia-final em que defrontaremos a equipa da casa, uma nova prova de fogo para Martinez porque não haverá uma segunda oportunidade para deixar uma boa impressão final.  

Tenor "Tudo ao molho...": Trincão 

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21
Mar25

Tudo ao molho e fé em Ronaldo

Bob, o Construtor... de ilusões (ou a depressão Martinez)


Pedro Azevedo

O Roberto Martinez nunca comete o mesmo erro duas vezes. Não, pelo contrário, descobre sempre novos erros para cometer. Se insistisse no mesmo erro seria um teimoso, assim é um criativo. Da asneira. A equipa não foi intensa, perdia a bola com facilidade, na frente os jogadores pediam a bola no pé e não no espaço, ninguém se desmarcava, mas, ainda que constatando tudo isso, o senhor Martinez diz que houve atitude. Estamos muito mais descansados! Para Martinez, o Vitinha é o melhor médio da Europa e o Ronaldo um dos melhores pontas de lança actuais. Depois há o Nuno Mendes, um dos melhores laterais esquerdos do mundo, Bruno Fernandes, um médio extremamente goleador, Ruben Dias, um xerife da defesa, e João Neves, grande revelação do futebol mundial dos últimos anos. Então, porque é que Portugal joga tão pouco, ao ponto de Diogo Costa ter sido o melhor em campo? Não será pelos jogadores, certamente. Também não será crível que a culpa possa ser assacada ao médico ou fisioterapeuta. Nem ao roupeiro. Mesmo o Pedro Proença, que sempre achei fraco, não teve ainda tempo suficiente no cargo de presidente da FPF para cometer erros (um situacionista foge da audácia como um gato da água, não vá a ousadia impedir que salve o pêlo), apesar de eu ter estranhado em véspera de um jogo importante os jornalistas terem perguntado aos jogadores sobre José Mourinho. Assim, a resposta parece-me tão óbvia quanto as consequências da Depressão Martinho (ou será Martinez?): o maior culpado chama-se Roberto Martinez. Ele vê coisas que mais ninguém enxerga. Mas não é visionário quem quer, só quem pode, algo estritamente reservado a génios. Ora, génio é coisa que o sedutor Martinez, sempre tão desejoso de agradar, não é. Por isso, o nosso avançado mais fiável que joga lá fora e com melhores números em campeonatos dos Big 5 (Diogo Jota), um explorador por natureza do espaço, na Selecção do senhor Martinez tem como destino a suplência. Da mesma forma que o médio com maior participação em golos em Portugal nos últimos 4 anos (Pote) quase nunca calçou. Para não falar de outro patinho feio para o Seleccionador (Matheus Nunes), cuja envergadura, aceleração com bola e capacidade de quebrar linhas são características desprezadas por Bob, o Construtor... de ilusões. Enfim, admita-se, não é um titular indiscutível do City, mas então por que razão o Félix tem lugar cativo nas escolhas de Roberto? Aparentemente, porque faz muito bons estágios. Tal como um bom whiskey, pelo que daqui a uns 12 ou 15 anos estará no ponto. No malte, ou Malta, depois de todos os treinadores que insistiram ad-nauseam nele terem tido de empenhar os anéis para salvarem os dedos. Esses estarão todos errados, o Martinez é que está certo. Lembro-me de ver algo semelhante na tropa, em que o passo trocado era sempre de todos os outros e nunca do próprio. Ainda assim, face ao ocorrido em Copenhaga, a derrota pela diferença mínima foi um bom resultado, na medida em que deixa em aberto para Alvalade a possibilidade de uma reviravolta. Apesar de Martinez. Pelo que terão de ser os nossos jogadores a dar dois passos atrás e não um à frente na direcção do precipício. Até porque já não há o João Pinto é só ele sabia como flutuar sobre o vácuo ou atirar a bola contra o próprio poste para evitar um canto. Canto do cisne? No Domingo se verá. Mas há qualidade para melhor. Muito melhor. De preferência, sem estágios onde os nossos jogadores desaprendam o que sabem. Se é para jogarmos como na Dinamarca, então eu prefiro o Ramos, abstinente em estágios mas competente nos apoios frontais e na procura da profundidade, uma muleta ideal para o Jota. E o Quenda. Porque ninguém está errado por fazer as coisas certas, mas Martinez nunca estará certo se continuar a fazer tudo errado. Por muito que tenhamos grandes jogadores, que um fraco rei (Momo) faz fraca a forte gente. Já dizia o Camões, um visionário a quem bastou um olho para ver o que Martinez não descortina com os dois olhos bem abertos. 

 

"A cada bela impressão que causamos, conquistamos um inimigo. Para ser popular é indispensável ser medíocre." - Oscar Wilde

 

Tenor "Tudo ao molho...": Diogo Costa

 

P.S. Ao contrário de alguns, eu creio que o Ronaldo ainda pode ser útil à Selecção, O que não entendo é que Martinez, mais ainda após ter dito ver o Ronaldo actual como um avançado estritamente de área, depois lhe peça para descer entre-linhas e construir a partir daí. 

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18
Mar25

Eu show Roberto


Pedro Azevedo

A Selecção de Portugal regressa ao activo e essa é uma grande oportunidade de voltarmos a ouvir o senhor Roberto Martinez. Confesso que é um momento que, aguardo com o mesmo estado de espírito com que espero o programa semanal do Ricardo Araujo Pereira. Porque é humor a valer, um non-sense ao nível do melhor que se faz em Inglaterra, a pátria que imortalizou o género com os seus Monty Python, Rowan Atkinson ou Benny Hill. O que eu me ri quando o Roberto afirmou que a Selecção servia para recuperar jogadores (Cancelo e Félix) para os clubes ou que um jogo a feijões não proporcionou a estreia de Quenda! Ou que o melhor médio da Liga em 4 anos consecutivos (Pote) "teve azar" e o João Félix "é muito forte nos estágios". Como Deus também tem imenso sentido de humor, em consonância o Pote ficou em casa e o Félix falhou o penalty que nos afastou no Europeu. Nada porém que demovesse ou tivesse feito pensar o sr. Martinez. Desta feita viémos a saber que o Tomás Araujo estava fora da convocatória por ter uma "lesão crónica". Poucos dias depois jogou pelo Benfica, em Vila do Conde, pelo que talvez a lesão seja da honra (do Seleccionador). Se será crónica ou não, só o futuro o dirá. Vamos ver então o que valerá este estágio de Março nas contas finais da Liga das Nações, sabendo nós que o de igual mês do ano passado foi determinante para o elenco final do Euro-2024. Mas o mais provável é que o nosso Seleccionador venha a criar uma outra narrativa, que o seu sentido de humor dificilmente não prevalecerá sobre a coerência na justificação dos critérios que presidem às suas escolhas. Segue-se então a Dinamarca, pátria de um certo cavaleiro que inspirou Shakespeare. Nada que preocupe Martinez, certamente mais próximo do género Blackadder ou Em Busca do Cálice Sagrado, que montado num lote de jogadores invejáveis decerto confiará que os nórdicos não farão Hamlets sem ovos tão bons como os nossos. A caminho da Final Four, uma nova oportunidade para assistir ao show do Roberto. bob3.jpg

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