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A Poesia do Drible

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

A Poesia do Drible

10
Dez25

Tudo o molho e fé em Gyokeres

Orgulho e Preconceito


Pedro Azevedo

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O Einstein, que não era propriamente desprovido de inteligência, dizia que é mais fácil desintegrar um átomo do que destruir um preconceito. No Sporting, o preconceito é a Formação. Todos a elogiamos e dela nos orgulhamos quando é preciso puxar o lustro às carreiras que Cristiano Ronaldo, Luís Figo ou Paulo Futre fizeram, embora na verdade todos se tenham evidenciado muito mais fora do que dentro do clube. Mas, depois, só realmente nela apostamos sem rodeios quando não há dinheiro. Caso contrário, o adepto é comido de cebolada com a ideia de que o jovem está a crescer e ainda não está preparado, razão sine-qua-non para mais uma voltinha ao mercado. Há voltas e voltas. Por exemplo, o Phileas Fogg deu a volta ao mundo em 80 dias. No Sporting, dá-se 80 dias no Verão para dar uma voltinha às segundas divisões de Espanha e Portugal. E vem um Kochorashvili e um Alisson, que sentam o Simões e o Flávio. Entretanto, após perdido o jogo com o Porto e empatado outro contra o Braga, ambos em casa, logo se descobre que afinal o Simões por artes de magia e mestria do treinador já está preparado para a competição do mais alto nível, pelo que sai o Kocho e entra o jovem da nossa Formação e se percebe que em dois meses perdemos 60 dias e talvez o campeonato. Desatamos a ganhar os jogos todos internos, mas quando toca a ir à Luz logo o miúdo volta ao banco e concomitantemente voltamos a não vencer. Será coincidência? 

Quando esta manhã propus que o Flávio Gonçalves, um émulo de Pote, de apenas 18 anos, que cresce em Alcochete e já leva 12 golos marcados esta época, entre equipa B, Youth League e selecções jovens de Portugal, fosse titular em Munique, logo, aqui d'El Rei, houve quem mostrasse a preocupação de que o jogador poderia ficar queimado. Enfim, há quem sinta o Sporting como quem vive a Queima das Fitas, sempre em festa com nova contratação, que um jovem pode ser queimado e não tendo a certeza é melhor jogar pelo seguro, isto é, torrar antes o dinheiro no mercado. Nesses pequenos pormenores percebemos a vantagem do Estado Social e sua providência de serviços de saúde que incluem por exemplo a triagem que é feita antes da inscrição na Unidade de Queimados. No Sporting também há esse Estad(I)o Social. Noutros países, muito menos avançados que nós, as coisas acontecem de outra forma. Por exemplo, na Alemanha, mais concretamente na Baviera, há um "pequeno" clube que dá pelo nome de Bayern onde hoje entrou como titular um miúdo de 17 anos que dá pelo nome de Lennart Karl. Se fosse português, haveria a preocupação de não o queimar. Como é alemão, apesar da idade e dos seus 1,68m distribuídos por 67kg que estão longe da ideia do Adónis jogador de futebol que por cá se tornou obsessão, foi lançado para a fogueira (a nossa é de vaidades). No fim, quem se queimou foi o Sporting, porque o miúdo marcou o golo que deu vantagem aos bávaros. É caso para dizer que o Karl está em boa Kompany (treinador do Bayern)! 

Temos um treinador tacticamente muito competente, super versátil nas dinâmicas que emprega à equipa, com óptima formação humana e extremamente conhecedor do jogo, mas depois falhamos na mentalidade nos jogos grandes e na nossa permeabilidade face ao preconceito. Ora, há que destruir o preconceito antes que ele nos destrua a nós. Ou não, porque cada vez que o preconceito nos destrói logo aparece um Nuno Mendes que se impõe a um Acuña, um Inácio que destrona um Mathieu, um Matheus Nunes que senta um Battaglia ou um Quaresma (o Quaresma tem ainda de viver com um problema que ocorreu na Idade Média ou com os adeptos que ainda vivem na Idade Média e não sabem o que é o Renascimento). E renascemos. E volta o preconceito, qual trabalho de Sísifo que também é um castigo dos deuses imposto aos Sportinguistas. 

Tenor "Tudo ao molho...": João Simões (por uma milha de diferença) 

09
Dez25

Ameaça ou Oportunidade?


Pedro Azevedo

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Quando escrita em chinês, a palavra crise (lê-se "Weiji") é composta por 2 caracteres: um significa "perigo", o outro "oportunidade". Por exemplo, Pelé jogou, encantou e foi campeão do mundo pelo Brasil em 58 na sequência de uma lesão do ponta de lança titular (Mazzola, também conhecido por Altafini, que mais tarde viria a tirar uma Taça dos Campeões ao Benfica) e Zidane só assumiu a batuta da selecção francesa após os castigos ou indisponibilidade de jogadores como Ginola ou Cantona. Por isso, a ausência de um jogador, ainda que da estirpe dos grandes como Pote ou Trincão, não deve ser vista só como uma ameaça, especialmente se existirem boas alternativas a bater à porta da titularidade, como é o caso de Flávio Gonçalves, um miúdo de apenas 18 anos que vem deslumbrando na nossa equipa B, líder da Segunda Liga. Espero assim que Rui Borges crie a oportunidade para este jovem (a alternativa principal seria passar Geny para o meio, manter Alisson a vir da esquerda e lançar Salvador Blopa na direita, mas não me parece a ideal porque Catamo é essencialmente um jogador de ala que quando em zonas interiores revela dificuldade na compreensão do tempo e espaço de execução, a outra passaria por adaptar Simões numa posição mais adiantada em relação a Hjulmand e Morita). O Flávio é, na minha opinião, o maior prospecto actual da nossa Formação. Tem muita coisa do Pedro Gonçalves, na inteligência como se move em espaços curtos e na forma como remata passando à baliza. Por isso, tem de ter a sua oportunidade para crescer e mostrar o seu futebol, quem sabe poupando assim umas dezenas de milhões de euros aos cofres do clube que estavam destinadas às contratações (entretanto falhadas) de Yeremay ou de Kevin. Porque apostar na Formação é também apostar na nossa própria sustentabilidade, e o risco (perigo ou ameaça) é sempre menor quando o objecto dessa aposta é um craque em gestação como o Flávio, internacional sub-19 por Portugal e já com 12 golos marcados esta época entre clube e selecções jovens do nosso país. 

26
Nov25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Carta de Brugge


Pedro Azevedo

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Depois do jogo de ontem, em Amesterdão, a contar para a Liga dos Últimos, o futebol português regressou à Champions com a recepção do Sporting ao Club Brugge. De Brugge enviou Pedro, o das Sete Partidas e um dos vultos mais brilhantes da nossa história, uma carta ao irmão, D. Duarte, rei de Portugal. Nela, entre vários conselhos à governação sobre justiça, educação, finanças públicas e administração geral do reino, o infante advertia para a urgência da acção, que "aqueles que tarde vencem, ficam vencidos". Não sei se Rui Borges leu a Carta, mas o treinador do Sporting seguiu o princípio pouco português de que não se deve deixar para amanhã o que se pode fazer hoje, nesse transe praticamente carimbando o passaporte para a fase seguinte da "Liga Milionária". Para isso, na ausência dos salões faustosos da corte do tempo de Pedro, Rui escolheu o relvado do José Alvalade para dar um baile ao treinador do Brugge. Um verdadeiro banho táctico que assentou na atracção à marcação homem a homem, seguida da dissuasão que levou os defesas do Brugge para longe da sua área e abriu espaços nas suas costas para a entrada de jogadores nossos vindos de trás. Se isto é alheira(bol), como dizem os afectados snobs seus detractores (sempre hipervalorizando a forma em detrimento do conteúdo), então foi demasiado indigesta para os da Flandres, não faltando ainda o ovo a cavalo (qualificação quase garantida) e os grelos (que são verdes, a cor da esperança) em vez das batatas fritas que seriam mais do agrado dos belgas (com as "moules", que assim quem se "lixou" foi o mexilhão). 


O Sporting cedo se adiantou no marcador após uma perfuração pela direita de Geny ter sido concluída com um remate deflectido pelo guarda-redes belga para as costas de Quenda, que abriu o baile com um rodopio que fez a bola anichar-se nas redes. Pouco depois, o mesmo Geny aproveitou a desertificação do interior provocada pelo êxodo dos belgas para zonas junto às margens e com uma voltinha isolou Suarez para um golo de grande requinte técnico. Antes do intervalo, o Sporting podia ainda ter ampliado o resultado, mas uma jogada de génio de Trincão terminou com um remate que tirou a tinta ao poste. 

Na etapa complementar, o Sporting procurou essencialmente gerir a vantagem no marcador. Isso acabou por provocar alguns momentos de tensão no nosso último reduto, o que não teria acontecido caso Suarez não tivesse entrado em modo carnavalesco e enfeitado demasiadamente um lance, perdendo um golo cantado. Assim, o Brugge chegou a agigantar-se, mas uma investida de Maxi (o verdadeiro "jogador à Sporting", cheio de raça) encontrou Quenda na profundidade e este centrou para Trincão, num "pas de deux" com Maxi, bailar antes de desferir um remate indefensável. Com o 3-0, o jogo terminou ali. 

Com a vitória de hoje, o Sporting entrou para o lote de 8 primeiros classificados que têm apuramento automático para os oitavos-de-final. Mais importante, tem agora uma vantagem de 4 pontos para o vigésimo quinto classificado (o primeiro excluído) e de 6 pontos para o vigésimo sexto, quando faltam apenas 3 jornadas para terminar a primeira fase. Não estamos ainda matematicamente apurados, se não fizermos fé em Pitágourinho, treinador do nosso rival (para quem 9 pontos serão suficientes), mas demos hoje um passo de gigante para garantirmos a qualificação. E sem o mágico Pote, Ioannidis e Debast, além dos lesionados de longa duração (Nuno Santos e Bragança). 

Tenor "Tudo ao molho...": Trincão (Geny seria uma óptima alternativa), pelas movimentações com ou sem bola que desestabilizaram por completo os belgas. 

 

05
Nov25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Parábola da Cena Animal


Pedro Azevedo

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Um clube com o oximoro de denominar-se Juventus (juventude) e apelidar-se de "Vecchia Signora" (Velha Senhora) só por si já é de desconfiar, indicando que vem aí matreirice. Deviam por isso talvez chamar-se "Raposas", mas o único outro apodo deles conhecido é "Zebras", um animal da classe dos equídeos que ao contrário do cavalo ou do burro nunca foi domesticado e é conhecido pela velocidade e coice que desenvolveu para fugir do grande predador do seu habitat natural, o leão. Pelo que o desafio entre o Sporting e a Juventus foi uma parábola do ambiente da savana africana, com uma Juve mais veloz e agressiva nos duelos individuais e um Sporting a procurar atacar e ser letal pela certa.

 

Na antecâmara do jogo, não deixei de ficar intrigado ao observar um certo menosprezo da imprensa portuguesa por um adversário que já foi 36 vezes campeão de Itália (recordista da competição, com mais 16 títulos do que o Inter e mais 17 do que o Milão) e duas vezes vencedor da Champions. Pareceu-me uma falta de noção, como aliás o jogo viria a demonstrar. 

Se a Juve já não tem o génio de Platini e mais de meia equipa campeã do mundo em 82 (Zoff, Gentile, Scirea, Cabrini, Tardelli, Rossi), não deixa ainda assim de ter jogadores distintivos como o sérvio Vlahovic, o canadiano Jonathan David, o americano McKennie, o francês Thuram, o neerlandês Koopmeiners ou os internacionais italianos Locatelli, Cambiasso, Gatti ou Rugani. Além do português Conceição, claro. Mas, se valores individuais não faltam, é naquela matreirice táctica tão típica do futebol transalpino que estava o grande obstáculo do Sporting, frequentemente infeliz nas visitas a Itália. 

O jogo nem começou mal para os leões: Pote conseguiu encontrar Ioannidis numa diagonal longa, este amorteceu sumptuosamente de calcanhar para Trincão e a bola seguiu até Maxi que desferiu um remate colocado e inaugurou o marcador. Com o ânimo reforçado, logo Trincão enviou a bola à barra, falhando por pouco o segundo golo. Só que, na primeira parte, o Sporting ficou por aqui. Uma série de perdas de bola colocou os leões em perigo. Com a bola descoberta (sem pressão), um italiano centrou para Vlahovic, de cabeça, proporcionar a Rui Silva a defesa da noite. Seguiu-se novo duelo entre o sérvio e o nosso guarda-redes, agora num remate com o pé. O destino foi o mesmo: bola desviada para canto. Até que a Juve empatou, no aproveitamento de uma série de erros individuais dos jogadores do Sporting: Quenda foi atraído por fora pelo lateral de Turim e deixou Vagiannidis desprotegido, este não leu bem o lance e não fez falta, Hjulmand largou o seu adversário directo e deixou-o galgar metros sozinho e Inácio não encurtou o espaço para Vlahovic e permitiu que este desviasse o centro de Thuram. Com o empate, as equipas foram para intervalo. 

No segundo tempo, as constantes perdas de bola de Quenda e o pouco rendimento de Vagiannidis tornaram-se gritantes e deram um quarto de hora de avanço à Juventus. Valeram-nos Diomande e Maxi, agressivos sobre a bola e sempre bem posicionados. Subitamente, o lateral grego foi descoberto por Inácio sozinho na área da Juventus, mas na hora da definição não ajudou ter um pé chato (ou foi chato não ter um melhor pé). Rui Borges leu bem o que o jogo precisava e lançou Geny e Quaresma, mudando todo o lado direito da sua equipa. Se o moçambicano foi mais associativo e assim melhorou um pouco o nosso desempenho atacante, o português foi um "upgrade" enorme face ao grego, mostrando-se imperial nos duelos e saindo com outra fluidez para o ataque. Assim, o Sporting conseguiu finalmente estabilizar o seu jogo defensivo e com a ajuda das abelhinhas Simões e Hjulmand voltar ao meio campo dos italianos. Suarez entrou para o lugar de Ioannidis e assim reforçar o controlo de bola no meio campo adversário. Faltava ainda uma cartada e Rui Borges jogou-a bem. Em teoria, procurando em Alisson uma profundidade que este na prática ameaçou mas acabou por não dar, fugindo prematuramente da linha lateral e não procurando a linha de fundo, antes indo para zonas interiores congestionadas de tráfego e onde invariavelmente encontrou um sinal vermelho. Morita entrou também para o lugar do exausto Simões, que com um pequeno toque esteve em dúvida até à hora do jogo, mas o japonês, mesmo fresco, está sem explosão e ritmo, pelo que não faz a diferença. Nos últimos minutos, a Juventus surgiu de novo ameaçadora. Era o último assalto, mas Rui Silva não deu hipóteses aos piemonteses. Guardado ainda estava porém um susto: um exausto Maxi provou os danos que a falta de oxigénio pode provocar no cérebro ao intentar fintar três italianos sem ninguém nas costas. Perdeu a bola, houve cruzamento para área, remate, mas a bola deflectiu num jogador do Sporting e acabou por sair por cima. Não havia mais tempo e o jogo praticamente terminou ali. 

Com quatro jogos e sete pontos, o Sporting se vencer o Club Brugge fica com um pé e meio na próxima fase da Champions. Falta-nos uma vitória para cumprir o lema do nosso fundador e não deixa de ser apreciável que o timoneiro desse possível desiderato europeu seja um homem desdenhado por ser originalmente um rural, como diria o presidente Marcelo, se tivesse ao almoço os correspondentes dos jornais estrangeiros a fazerem perguntas sobre o futebol português. Já dizia o Einstein que é mais fácil desintegrar um átomo do que destruir um preconceito, mas a exportação da "Taberna Mecânica" ou "Tiki-Taska" como triunfo da regionalização lusa na Europa ainda é capaz de vir a fazer corar de inveja o muito mais cosmopolita "Special One". Aguardemos então as cenas dos próximos capítulos. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Rui Silva 

23
Out25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

O dia de Rui Borges (La Vie en Rose)


Pedro Azevedo

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O Bertrand Russell dizia que muitos homens cometem o erro de substituir o conhecimento pela afirmação de que é verdade aquilo que eles desejam. Depois de ouvir Rui Borges após a recepção ao Braga, cheguei a temer que isso se estivesse a passar com o nosso treinador. Mas hoje, no pré-jogo, numa mini-entrevista à SportTV, vi Rui Borges reconhecer que deveria ter utilizado o João Simões nesse jogo e percebi que ele retirou ensinamentos do erro. Fiquei aliviado, mais ainda quando vi o miúdo Simões a subir ao relvado como titular. Costuma dizer-se que Deus protege os audazes e o nosso treinador teve hoje um dia de afirmação. Um dia inteiramente merecido, porque uma coisa é a crítica construtiva e outra é o enxovalho. O amor afirma, o ódio nega. Mas por cada afirmação há milhares de negações. Assim o amor é pequeno em face do que se odeia (Vergílio Ferreira). Hoje, Rui Borges conseguiu que isso fosse mentira. E assim chegou à verdade. Com conhecimento. Fazendo substituições decisivas para a vitória, que Geny e Alisson marcaram os golos do triunfo e Ioannidis deu imenso trabalho ao Marselha, a atacar e a defender. Ainda sobre a verdade, a nota de que Simões teve dois raids com bola na primeira parte que fizeram jus ao que muitos comentadores vêm escrevendo por aqui, além de um passe para Suarez que ia dando golo e uma espectacular rotação sobre um defesa que o argentino que guarda as redes do Marselha evitou que só parasse dentro da baliza francesa. E por último, mas não menos importante ("last but not the least"), mais uma verdade, ou melhor, a VARDADE: o árbitro e os seus auxiliares cometeram 3 erros, todos em prejuízo do Sporting (penalty contra nós, golo anulado e expulsão de Maxi) que o VAR inverteu. Com o "plus" de com a anulação do penalty contra ter vindo também o segundo amarelo e concomitante expulsão de um jogador do Marselha, permitindo-nos jogar toda o segundo tempo contra dez (estranhamente, ganhámos, o que deve ter deixado a fazer contas de cabeça o "filósofo" JJ). Foi bom para o Sporting e veio na altura ideal para calar quem parece querer substituir a verdade sujeita a erros ou omissões pela mentira que criou tanta escola que chegou até a ser vista como verdadeira. 


Os jogadores e a equipa não estiveram perfeitos, a noite sim. E esperançosa, também. devido à forma como Rui Borges preparou o jogo e agiu durante o mesmo. Adensou-se porém uma dúvida: no lance do golo do Marselha, Fresneda não só deu muito espaço à recepção de Paixão como depois lhe ofereceu o lado de dentro para rematar, dois erros na mesma jogada que me fizeram questionar se ganhámos alguma coisa ao trocar um terceiro central por um lateral direito convencional. 


Há 50 anos atrás, o Marselha levou-nos o nosso imortal Yazalde. A vingança serviu-se não fria, mas como naqueles congelados da Iglo. Tanto assim foi, que teve de ir ao micro-ondas (do VAR) para se fazer justiça. Três jogos, seis pontos na Champions. Segue-se uma viagem a Turim, capital da região do Piemonte que curiosamente tem uma bandeira muito semelhante à da Dinamarca. Depois da afirmação de Rui Borges, será esse o sinal da reafirmação de Hjulmand (algo alheado esta temporada) no panorama do futebol europeu? Ou será que estou a ver "La Vie en Rose", única consequência positiva que se pode retirar da observação daquele leão (tra)vestido de pantera cor de rosa que mais parece saído de uma comédia do Blake Edwards? (Quem sabe se subliminarmente não nos estão a oferecer a parábola de um Rui Borges como uma espécie de Inspector Clouseau, algo desajeitado e errático no discurso e na acção, mas que no fim leva sempre a sua avante e sai ganhador?)


PS: Estamos a precisar do melhor de Trincão e Pote.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Geny Catamo

02
Out25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

O Príncipe Conte, de Maquiavel


Pedro Azevedo

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Sobre o Reino de Nápoles já dizia o Maquiavel ser difícil de manter quando conquistado por uma potência estrangeira. Referia-se o filósofo e historiador ao Reino de Aragão. Muitos anos mais tarde, já com Nápoles integrado na Itália concebida por Garibaldi, um cidadão natural de Buenos Aires (Diego Armando Maradona) tomou de assalto a cidade e a região, ao ponto de ter posto os napolitanos a torcer pela Argentina contra a Itália durante o Mundial de 90. Idolatrado como mais ninguém no sul de Itália, Maradona a todos conquistou. Mas caiu, arrastando na sua queda o próprio clube, que só se reergueu com outro estrangeiro (Kvaratskhelia), um amontoado improvável de consoantes proveniente da ainda mais improvável Geórgia. De novo a cidade se uniu em torno do seu herói, que certamente não por acaso logo ganhou o apodo de Kvaradona. Mas o georgiano foi atraído para a galáxia do PSG e esperava-se um novo vazio. Até que chegou Conte, e com ele finalmente um italiano tornou-se figura maior no clube e na cidade, conquistando o Scudetto (Spalletti já o havia conseguido, mas a estrela era Kvaratskhelia) e provando a teoria (muito polémica, mas enfim...) de Maquiavel de que um "rei" temido (Conte é conhecido por ser explosivo) é sempre preferível a um rei amado, porque este último acabará sempre por ser traído (Maradona e a história do doping) e o primeiro estará defendido pelo medo que inspira. 

Depois de Maradona e de Kvaradona, o Sporting, sem uma primadona (ou uma prima dona, que o clube ainda é dos seus sócios), foi hoje tentar conquistar Nápoles. Com Simões no onze, finalmente, como há tanto reclamávamos, mas sem Pote e Trincão em simultâneo, o que sempre se desaconselhará. E com Geny na esquerda, o equivalente futebolístico à imagem de um peixe fora de água (mas Rui Borges insiste, insiste...). Apesar da ausência de Suarez e da "omniausência" de desequilíbrios ofensivos por parte de Fresneda, os Leões mostraram uma dinâmica e um equilíbrio nas suas acções que falam por si só sobre o excelente trabalho táctico que Rui Borges vem desenvolvendo. Todavia, dois erros básicos conduziram à derrota do Sporting. O primeiro, na sequência de uma perda de bola de Simões à entrada da área dos italianos, jogada que o nosso jovem podia depois ter matado à nascença, o que Quaresma posteriormente pelo menos tentou, ainda que não tenha conseguido fazer uma falta. O segundo, ao permitir que, num canto curto, o Nápoles ganhasse superioridade de 3 contra 2 e o homem livre fosse logo um super craque como o De Bruijne, que teve tempo para pensar na sua sucessão e lavrar o testamento onde ficou explícito que o Sporting não herdaria quaisquer pontos nesta jornada europeia. Mas pelo meio viram-se muitas coisas boas. Por exemplo, embora a ausência de Diomande se tenha feito notar, ainda mais num momento em que Inácio parece ter caído num buraco meio fundo, o Quaresma aguentou-se muito bem no duelo físico com o Hojlund, um rapaz para o qual o Amorim não viu serventia e a quem Conte prontamente chamou um figo (agora que tem Lukaku, o homem capaz de abanar uma figueira inteira, lesionado). Outro que se destacou, mostrando grande personalidade, foi o Simões, que recuperou do erro e enfrentou com coragem e alta rotação a batalha a meio campo (o que faz sonhar com qual teria sido o seu rendimento, se previamente lhe tivessem sido dados mais minutos). E depois foi possível confirmar que Ioannidis vai ser de grande utilidade, não só ganhando duelos aéreos como também explorando a profundidade com a sua potência, que, como sabemos da física, é força x velocidade. Sem esquecer Alisson, que voltou a surpreender com tomadas de decisão muito boas a este nível superlativo de competição. Pelo que marcámos um golo (Suarez, após penalty cometido sobre Maxi) e ficámos a dever outros dois à contabilidade, um desperdiçado por Pote (que rendeu um até relativamente inspirado Trincão, ao intervalo) e outro superiormente defendido por Milinkovic-Savic (cabeceamento de Hjulmand).

 

Concluindo, ainda não foi desta (segunda tentativa) que conquistámos Nápoles ou tomámos as suas ameias (a meias dividimos o jogo), mas ganhámos seguramente 4 jogadores (Quaresma, Simões, Alisson e Ioannidis) para as longas batalhas que teremos pela frente, doméstica e internacionalmente, mostrando à saciedade que temos plantel em qualidade e quantidade para qualquer desafio. E agora dirijo-me ao Leitor/Comentador: eu prefiro uma derrota assim, que me abre as portas dos castelos que queremos conquistar no futuro (troféus), do que uma vitória à Pirro, um rei grego (Épiro) que um dia se aventurou por Itália e ganhou no presente com perdas que o futuro mostraria serem irreparáveis. (Como um dia disse Maquiavel, e qualquer médico o confirmará, as doenças são para se tratarem no seu princípio, e a rotatividade em qualidade será essencial para prevenir uma onda de lesões semelhante à que quase nos comprometia os objectivos na época anterior.)

Tenor "Tudo ao molho...": Maxi Araújo (de novo!)

19
Set25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

2 Cazaques e motores a 4 tempos


Pedro Azevedo

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O Sporting é um dos clubes mais ecléticos do mundo, e isso é um motivo de orgulho para todos nós, mas quando, no sorteio da Champions, nos calhou em sorte o Kairat Almaty, foi como se para o universo de adeptos leoninos uns "aliena" estivessem para aterrar em Alvalade. Todavia, se tivessem perguntado ao Nuno Dias, ele teria dito conhecê-los muito bem e até funcionarem como um talismã, porque foi contra a versão cazaque curto (futsal) do Kairat que o Sporting venceu a sua primeira final da Champions (2018/19). Hoje, na sua versão cazaque comprido (futebol de onze, para aqueles que não preferem jogar só com dez...), voltámos a jogar com eles. E o que se pode dizer é que, ao contrário do que reza o provérbio popular português (estranhamente não traduzido no Cazaquistão), não foi por o cazaque ser mais comprido que não se destaparam os pés. Os pés de Trincão, por exemplo, mas também os de Quenda ou Pote, que os cazaques tiveram muita dificuldade em tapar. E se Pote ameaçou muitas vezes pintar a manta, Trincão (por duas vezes) e Quenda (numa ocasião), sobretudo estes (o sobretudo aqui a fazer pandã com os cazaques não é inocente), coloriram mesmo o marcador, e com muita pinta (bonitos golos). O jogo, porém, não foi tão fácil como se possa supor: o Sporting exibiu-se aos solavancos, com minutos de alta pressão misturados com outros onde a pressão baixou e assim deixou partir o jogo e gerar vagas (ou ciclones, para condizer com as baixas pressões) de ataques cazaques perante uma cratera no nosso meio campo visível da lua (sem necessidade de utilização do telescópio Hubble). Na origem dessa turbulência esteve o facto da dupla Hjulmand/Kochorashvili não parecer muito compatível, porque o georgiano, que é bom a lançar o ataque em passes na diagonal (não tão bom no passe raso entrelinhas, muito mais letal mas não tão bonito para o público), não é um "8" que entre em progressão no bloco adversário e isso obriga o nosso capitão a jogar fora da sua posição natural ("6"). É certo que Morita ainda não está pronto para 90 minutos, mas fica no ar o mistério que leva Rui Borges a hesitar lançar João Simões, um miúdo da nossa Formação que na época passada mostrou que se pode contar com ele (entrou também muito bem em Famalicão, a justificar continuidade) e tem características que se complementam idealmente com as de Hjulmand. Será que o peso de justificar os novos reforços se sobrepõe àquilo que salta à vista ser o mais adequado? Claro, alguns dirão que não estamos lá dentro, não vemos os treinos e todo esse blá blá blá com que o situacionismo procura amiúde explicar o que não se compreende (e noutras tempos esteve à beira de pôr em causa a nossa sustentabilidade). Até haver resultados, porque, não havendo, o situacionismo move-se para parte incerta, liga a máquina de lavar no programa de centrifugação e é chegada a hora da roupa suja (sempre a do treinador), que é tempo de apoiar quem tomou a decisão de treinador mudar. Ora, o que é que isso nos trouxe no passado? Na maioria das vezes, nada de bom, como em quase todas as revoluções. Por isso, melhor seria se pequenas rectificações evitassem grandes convulsões. E é tão fácil neste momento evitar males maiores... Noutro plano, gostei muito do nosso "Virginia Plain" (ver "Tudo ao molho..." anterior), com 3 boas defesas, duas delas de grau de dificuldade elevado (mas continuo a adorar o Rui Silva). E de realçar ainda a estreia a marcar de Alisson (se for marcando, menos mal), um jogador a quem Rui Borges vai continuar a dar minutos até chegar à conclusão que não tem suficientes "éles", ou seja, profundidade e jogo interior (enquanto isso, o Flávio, da nossa Formação, um talento que podia ir sendo lançado aos poucos, fica à espera). Uma palavra também para Quaresma, que fez um óptimo jogo (no golo do Kairat, ele fez a aproximação suficiente à bola para não deixar descoberto um espaço enorme entre o jogador que cruza em cima de Inácio e o nosso primeiro homem, pelo que é Fresneda que falha no encurtamento face ao cazaque que produziu o remate vitorioso). Nota ainda para Ionnidis, um jogador para já adiado entre não entender a equipa e a equipa não o entender a ele, tantas são as vezes em que ele solicita a profundidade e como resposta vê os colegas pediram-lhe um apoio frontal, como se o grego fosse o Suarez. Assim como um jogo de futebol tem 4 momentos (organização defensiva, transição defensiva, transição ofensiva e organização ofensiva), além da bola parada, também um motor tem 4 tempos (admissão, compressão, combustão e exaustão). Só que, num motor a gasolina, a combustão dá-se na ignição, enquanto num diesel se processa por expansão, o que explica a necessária forma diferente de jogar consoante estiver Ionnidis ou Suarez em campo (Ionnidis explode via passe de ruptura, Suarez expande-se através de combinações do nosso jogo ofensivo). 

Tenor "Tudo ao molho...": Trincão 

29
Ago25

Sorteio da Champions


Pedro Azevedo

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Os sorteios não ganham jogos. Se ganhassem, então nem valeria a pena os jogar, logo, se se joga é porque tudo está em aberto. Como se provou na época passada, em que o obstáculo teoricamente impossível de ultrapassar (Man City) foi superado com distinção (4-1), acabando o Sporting por sucumbir perante um bem mais acessível Club Brugge (derrota por 2-1). Pelo que tudo o que se possa dizer ex-ante não passará de um exercício probabilistico, não dispensando assim o reality-check no relvado. Nesse sentido, os jogos caseiros com Kairat (especialmente este), Marselha e Brugge oferecem a possibilidade de se somarem 9 pontos, precisando o Sporting ainda de amealhar no mínimo 2 pontos nas deslocações a Turim e Bilbau para ter acesso ao play-off que o poderá qualificar para os oitavos de final. Bem mais difícil será marcar pontos na recepção ao PSG ou nas visitas a Nápoles e a Munique. Difícil, mas não impossível, como a última Liga dos Campeões provou. Assim, a minha previsão é a seguinte: PSG (D), Bayern (D), Brugge (V), Juventus (E), Marselha (V), Nápoles (D), Kairat (V), Athletic (E). No total, 11 pontos, que deverão ser suficientes para garantir o acesso à eliminatória de acesso aos oitavos-de-final da Champions. 

19
Fev25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Missão Impossível?


Pedro Azevedo

"Look at the starsLook how they shine for you" - Yellow (Coldplay)

 

Jogar no Signal Iduna Park (Westfalenstadion) é estar num relvado cercado de amarelo por todos os lados. Os adeptos do Dortmund são provavelmente os mais entusiastas da Europa e fazem de cada jogo uma experiência única. O Sporting hoje fez parte dessa experiência, procurando não ser a cobaia. Passar a eliminatória era uma missão à partida impossível, com três teenagers (Quenda, Simões e Harder) a tentarem fazer de Tom Cruise (mais tarde também Alexandre Brito e Afonso Moreira, que Lucas Anjos já tem a enormidade de 20 anos). Muitos jovens a olharem as estrelas do Borussia Dortmund e a sentirem o brilho da Liga dos Campeões. 



Para ainda dificultar mais a nossa missão, muito cedo se percebeu que João Simões e Hjulmand, os dois médios centro do sistema de 3-4-3 que Rui Borges recuperou (com o Arouca, após a entrada de Harder, o Sporting atacou pela primeira vez em 4-4-2, pelo que a escassez de médios promete pôr de lado as várias nuances de 4-3-3 anteriores), tornaram-se as mais recentes vítimas da conspiração universal contra a nossa Unidade de Performance (o "azar"). Se a qualificação para a fase seguinte seria a sorte grande e a vitória no jogo o segundo prémio, o Sporting teve de contentar-se com a terminação (não perder). Ainda assim, valeram-nos as exibições de Eduardo Quaresma e do guarda-redes Rui Silva, dois rochedos que encravaram a engrenagem da máquina alemã. Quaresma esteve soberbo, imperial até. Foram inúmeras as vezes em que desarmou adversários dentro ou nas imediações da área leonina, assim como incontáveis as ocasiões em que surgiu como pronto-socorro a equilibrar o que já estava desordenado. Se não calar hoje a boca de analistas tão condescendentes e coniventes com a mediocridade e simultaneamente tão obstinados em lhe apontar o dedo ao mínimo erro, então isso simplesmente nunca ocorrerá. Mas teve uma única falha, na leitura da linha de fora de jogo, e isso deverá servir de bálsamo à usual narrativa de quem embirra com ele. Uma coisa é certa, no 1x1, por ele ninguém passou, foi um colosso, tanto que meteu o Gittens no bolso e este já nem voltou do intervalo. E é, indiscutivelmente, um grande jogador, um jogador à Sporting, com muita técnica, velocidade e força nos duelos, à espera de finalmente ser uma aposta consistente de um treinador leonino para se afirmar definitivamente. Em grande esteve também o Rui Silva, que até um penalty defendeu, entre outras três paradas de grau de dificuldade elevado. Temos "Keeper"! Fora deste duo, a equipa revelou limitações. Por exemplo, o "Menino do Rio", formado no Fluminense e proveniente do Bahia, mostrou um futebol que se esgota dentro de uma caixa de fósforos, sem acesso à parte de fora para causar uma fricção capaz de fazer lume - um(a) Biel(a) incapaz de dar vida a um motor. Esgaio empenha-se séria e profissionalmente mas é curto, Inácio está em muito má forma e falha muitos passes, Harder viu-se sozinho e teve de lutar muitas vezes contra 2 ou 3 adversários. Os substitutos estiveram bem melhor: Alexandre Brito, após um início nervoso, fez o nosso primeiro remate com perigo, Afonso Moreira revelou personalidade com bola e bons pormenores técnicos, Lucas Anjos deu-se à luta como se estivesse a jogar com o 1º de Dezembro e Maxi mostrou a qualidade habitual com bola e uma boa noção dos tempos de jogo. 

Enfim, não foi a "Missão Impossível", mas pelo menos não houve "O Silêncio dos Inocentes". A longa-metragem a que assistimos teve título e sub-título intermédios, uma "Missão para Inocentes" (jovens) atrapalhada pelo "Silêncio Impossível" que pode haver à volta da catadupa de lesões que nos assolam. Ainda assim um filme com um razoável "box office", aquele que com 1 ponto conquistado é garantido pela UEFA. 

Tenores "Tudo ao molho...": Eduardo Quaresma e Rui Silva, ex-aequo. 

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30
Jan25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Portugal na CEE


Pedro Azevedo

Estávamos no início dos anos 80 e os GNR cantavam "Portugal na CEE": "Na rádio, na TV, nos jornais, quem não lê..." A CEE mais tarde deu lugar à União Europeia. E alargou-se, dispersando os seus membros, de uma forma diferente da antiga Taça dos clubes Campeões europeus, que se transmutou na Liga dos Campeões que hoje conhecemos, concentrando o poder nas grandes ligas. Por isso, a Champions é hoje uma competição sui-generis, por conter uma maioria de clubes que não foram campeões (dos 24 clubes apurados para a próxima fase, só 9 venceram o campeonato do seu país na época anterior e alguns, como a Atalanta ou o Brest, nunca foram sequer campeões nacionais na sua história). Mas o negócio dita a lei, os patrocinadores querem ver as melhores equipas no momento, pelo que se atropela o conceito básico, mistura-se com uns pózinhos de perlimpimpim do Zadok the Priest (Handel) para dar solenidade à coisa e coroa-se assim o fim de clubes históricos como o Anderlecht, o Ajax, o Estrela Vermelha ou o Steaua de Bucareste, muito periféricos para a alta-roda dos milhões que a UEFA quer explorar até ao tutano, que o osso fica para os orfãos deste modelo de "desenvolvimento". 

 

Calhou o sortilégio do sorteio que o futuro de Sporting e Benfica na competição estivesse dependente do seu desempenho contra equipas italianas: o Benfica ia a Turim tentar trocar três passes seguidos para saltar à próxima fase e assim o Lage poder fazer a sua festa de garagem, o Sporting precisava de ratificar um Tratado de Bolonha que conviesse a ambas as partes. A tarefa dos Leões não era fácil, que recentemente, haviam trocado Alcochete por Alcoitão, que é como quem diz um centro de estágio por outro de medicina de reabilitação. Já se sabe que tirar um curso superior tendo por companhia um par de muletas em vez de manuais pode ser incomodativo, mas a realidade era essa e os Leões teriam de procurar o melhor aproveitamento. Sem três dos seus quatro melhores "estudantes" (Gyokeres, Pote e Morita de fora, só Hjulmand foi a exame) e com um "cábula" como Fresneda a baixar a média geral da turma - aos 2 minutos, num canto, deixou-se antecipar por Sam Beukema e a bola foi à trave; aos 17, Samuel Iling fez o que quis dele e cruzou com muito perigo; aos 20, novo canto, Beukema novamente vence-o nos ares, Hjulmand já não chega a tempo para o compensar, a bola sobra para Pogeba e golo do Bolonha (Israel ficou como habitualmente entre os postes, como se estes para si representassem um cativeiro do qual fosse impossível libertar-se) - , o Sporting precisou de recorrer aos alunos mais jovens (Simões e Quenda) para obter um suficiente na prova. 

 

A entrada do miúdo João Simões permitiu criar um par de combinações pela esquerda com Maxi, conjuntamente com Diomande um dos mais inspirados em campo, que desestabilizaram os italianos. E de uma jogada que deve ter deixado orgulhoso o nosso Jorge Theriaga, decano do bilhar às três tabelas leonino, Simões passou a Harder (outro adolescente) e este fez uma carambola do seu pé esquerdo para o direito que pôs a bola no "saco" e o quezilento Bolonha (29 faltas!!) finalmente no bolso (pocket). O miúdo quase repetiu a proeza momentos depois, optando desta vez por um passe atrasado, mas o lance perder-se-ia por interferência de um bolonhês. 

 

Como o Benfica ganhou à Juventus, os dois clubes portugueses entraram no play-off. Há agora 24 clubes ainda em prova, sendo que apenas 6 pertencem a países periféricos que resistem ao jugo das ligas alemã, inglesa, espanhola, italiana e francesa. Nesse particular, Portugal rivaliza com os Países Baixos (também com 2 clubes, PSV e Feijenoord), os outros são Escócia (Celtic) e Bélgica (Club Brugge, o último apurado). 

 

"E agora que já lá estamos, vamos ter tudo aquilo que desejamos: um PA p'ras vozes e uma Fender. Oh, boy, é tão bom estar na CEE! Quero ver Portugal na CEE, quero ver portuga na CEE." - as vozes ficam para o Lage, a nós compete-nos ter unhas (garras de leão) para tocar esta guitarra. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": João Simões

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