Tudo ao molho e fé em Gyokeres
Rumo ao Tri !!!
Pedro Azevedo

Caro Leitor, gostei muito da dinâmica do Sporting, esta noite, em Rio Maior. A crítica implica com o desejo de Rui Borges deixar a sua impressão digital no jogo do Sporting, mas esquece-se que esse cunho pessoal, a julgar pelas suas iniciais (fui consultar a Tabela Periódica, que as aulas de Química afinal serviram para alguma coisa), traduz-se em Rubídio (Rb). Rubídio? - Perguntará o Leitor. Sim, Rubídio, um elemento de número atómico 37, usado como propulsor em viagens de foguetão. O Sinatra cantava "Fly me to the moon" e o Rui Borges promete mesmo levar-nos lá. Por mim, está perfeito, desde que lá não cheguemos em Quarto Minguante. Nos jornais e nas televisões interpretam-se as tácticas de Rui Borges como quem lê um manual de instruções de um móvel do IKEA em sueco, sem o Gyokeres ao lado para traduzir. O resultado é uma monumental dor de cabeça, uma noite mal dormida e um acordar cheio de olheiras, ou alheiras, ou lá o que é.... (Como a tradução é muito pior do que a acção em si, este quadro clínico, se conjugado com uma toma diária de xarope de Rui Malheiro ou de Tomás da Cunha, pode mesmo tornar-se mortal.)
O número 37 não é inocente, na verdade até é magico. Divida-se um número com 3 dígitos iguais pela soma desses dígitos e o resultado será sempre 37. Exemplos: 111/(1+1+1), 222/(2+2+2), ... , 999/(9+9+9). Pelo que, ainda que não saibamos explicar bem porquê, há algo de magia na aura que acompanha Rui Borges, mesmo que não seja crível vê-lo a serrar pessoas como o Luis de Matos ou o Copperfield (será mais fácil vê-lo a "serrar presunto", no banco, na altura das substituições). Aplicado às tácticas, esse número mágico poderia realizar-se através de um sistema de 3-3-3, ainda que para isso tenhamos de jogar com menos um, o que pouparia aos comentadores a maçada de atirar ao calhas onde colocar o jogador a mais, se na defesa (4-3-3) ou no meio campo (3-4-3).
O Sporting entrou muito bem no jogo. Hjulmand tem uma máquina de flippers nos pés, com ele a bola está sempre a ser metida no meio, passe raso, entrelinhas, com intensidade. Depois, há Pote e Trincão, dois magos da bola. Foram eles que combinaram para o primeiro golo, com Pote a esperar até ao derradeiro instante para oferecer a Trincão as melhores condições para marcar. Na génese da jogada esteve um passe tremendo de Diomande, de cerca de 40 metros. Não desgostei de Suarez. Não tem o "killer instinct" de Gyokeres, não marcará os mesmos golos, mas luta muito peia bola e combina ao primeiro toque. O único senão que lhe aponto, além de ter falhado na finalização, é não entender que por vezes é necessário segurar a bola de costas até chegar um colega a quem a passar. Também apreciei a estreia de Mangas, um cavalo na ala esquerda, que acabou por substituir competentemente o grande jogador que é Maxi Araújo. Pelo que além da exibição apagada de Fresneda, de lamentar apenas as lesões de Diomande e de Maxi.
Após a forma como a nossa equipa se exibiu, quem achava que o campeonato para Benfica ou Porto seriam "favas contadas" vai ter de repensar os cálculos. Ou, então, "ir à fava", que brindes já nem a ASAE permite no bolo-rei. E nós? A gente vai continuar. Rumo ao tri!!!
Tenor "Tudo ao molho...": Francisco Trincão




