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A Poesia do Drible

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

A Poesia do Drible

08
Ago25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Rumo ao Tri !!!


Pedro Azevedo

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Caro Leitor, gostei muito da dinâmica do Sporting, esta noite, em Rio Maior. A crítica implica com o desejo de Rui Borges deixar a sua impressão digital no jogo do Sporting, mas esquece-se que esse cunho pessoal, a julgar pelas suas iniciais (fui consultar a Tabela Periódica, que as aulas de Química afinal serviram para alguma coisa), traduz-se em Rubídio (Rb). Rubídio? - Perguntará o Leitor. Sim, Rubídio, um elemento de número atómico 37, usado como propulsor em viagens de foguetão. O Sinatra cantava "Fly me to the moon" e o Rui Borges promete mesmo levar-nos lá. Por mim, está perfeito, desde que lá não cheguemos em Quarto Minguante. Nos jornais e nas televisões interpretam-se as tácticas de Rui Borges como quem lê um manual de instruções de um móvel do IKEA em sueco, sem o Gyokeres ao lado para traduzir. O resultado é uma monumental dor de cabeça, uma noite mal dormida e um acordar cheio de olheiras, ou alheiras, ou lá o que é.... (Como a tradução é muito pior do que a acção em si, este quadro clínico, se conjugado com uma toma diária de xarope de Rui Malheiro ou de Tomás da Cunha, pode mesmo tornar-se mortal.)

 

O número 37 não é inocente, na verdade até é magico. Divida-se um número com 3 dígitos iguais pela soma desses dígitos e o resultado será sempre 37. Exemplos: 111/(1+1+1), 222/(2+2+2), ... , 999/(9+9+9). Pelo que, ainda que não saibamos explicar bem porquê, há algo de magia na aura que acompanha Rui Borges, mesmo que não seja crível vê-lo a serrar pessoas como o Luis de Matos ou o Copperfield (será mais fácil vê-lo a "serrar presunto", no banco, na altura das substituições). Aplicado às tácticas, esse número mágico poderia realizar-se através de  um sistema de 3-3-3, ainda que para isso tenhamos de jogar com menos um, o que pouparia aos comentadores a maçada de atirar ao calhas onde colocar o jogador a mais, se na defesa (4-3-3) ou no  meio campo (3-4-3). 

O Sporting entrou muito bem no jogo. Hjulmand tem uma máquina de flippers nos pés, com ele a bola está sempre a ser metida no meio, passe raso, entrelinhas, com intensidade. Depois, há Pote e Trincão, dois magos da bola. Foram eles que combinaram para o primeiro golo, com Pote a esperar até ao derradeiro instante para oferecer a Trincão as melhores condições para marcar. Na génese da jogada esteve um passe tremendo de Diomande, de cerca de 40 metros. Não desgostei de Suarez. Não tem o "killer instinct" de Gyokeres, não marcará os mesmos golos, mas luta muito peia bola e combina ao primeiro toque. O único senão que lhe aponto, além de ter falhado na finalização, é não entender que por vezes é necessário segurar a bola de costas até chegar um colega a quem a passar. Também apreciei a estreia de Mangas, um cavalo na ala esquerda, que acabou por substituir competentemente o grande jogador que é Maxi Araújo. Pelo que além da exibição apagada de Fresneda, de lamentar apenas as lesões de Diomande e de Maxi. 

Após a forma como a nossa equipa se exibiu, quem achava que o campeonato para Benfica ou Porto seriam "favas contadas" vai ter de repensar os cálculos. Ou, então, "ir à fava", que brindes já nem a ASAE permite no bolo-rei. E nós? A gente vai continuar. Rumo ao tri!!! 

Tenor "Tudo ao molho...": Francisco Trincão 

09
Mar25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

O Paizão Borges


Pedro Azevedo

Após a saída de Rúben Amorim, os jogadores do Sporting sentiram orfandade. Para resolver o problema, Frederico Varandas lembrou-se de chamar um irmão mais velho. O problema dos irmãos mais velhos é que são muitas vezes contestados pelos mais novos, especialmente se estes tiverem "pêlo na venta" e sentirem que o mais velho está a introduzir alterações ao anteriormente estipulado por uma figura de maior autoridade, Assim, o João Pereira foi num instante da A a Z, recuperando posteriormente até à B em tirocínio para um gigante europeu (uma letra que ainda não foi inventada pelo presidente), e Varandas não teve outro remédio se não arranjar um pai de adopção para o plantel. Veio o Rui Borges. No início, o Rui Borges quis impor o seu sistema. Mas, com poucos ovos (médios) para a omelete (sistema), cedo estropiou os poucos jogadores existentes. Por isso, o lema "onde vai um, vão todos", de Amorim, virou um "onde vai um, vão todos... para a enfermaria". Até que não sobrou um médio para amostra. Ora, a realidade pode ser mascarada em percepções da mesma até ao momento em que choca de frente connosco. "É o que é", diz o Rui (assim como quem está "feito ao "bife", com "nesse sentido" como o ovo a cavalo), pelo que voltou atrás e adoptou o sistema de Amorim. Mas com uma nuance: como pai de fortes raizes transmontanas, Rui Borges é um conservador. Logo, em vez de 3-4-3, Borges joga num 5-2-3, que uma coisa é ter Quenda e Maxi (ou Geny) nas alas, outra é jogar com Fresneda e Matheus Reis (para Amorim já só contava como central pela esquerda). E, nessas condições, lá fomos nós a Rio Maior jogar com um Casa Pia que, paradoxalmente, anda com a casa às costas, o que deve pesar ainda mais um bocadinho por ser um Duplex (Tchamba). 

O jogo começou bem para nós e logo o Trincão falhou um golo cantado após o vendaval que Gyokeres soltou na esquerda. Não tardou até que o Gonçalo Inácio inaugurasse o marcador pelo segundo jogo consecutivo, novamente de cabeça, na sequência de um belo cruzamento da direita do Quenda. A partir daí, e durante largos minutos, o Sporting só conheceu uma táctica: bola para o mato e o Gyokeres que nos ganhe o campeonato. Ainda assim, o sueco recolheu uma bola despejada por Hjulmand para a entrada do meio campo do Casa Pia, junto à linha lateral do lado esquerdo, flectiu para dentro e disparou para o segundo. Com o golo, a equipa desacelerou ainda mais. Mas o jogo estava controlado, assim como controlados estavam os avançados casapianos. Acontece que nos escapou o Esgaio, um ponta de lança especialmente letal com a canela. E o Casa Pia reduziu, em cima do intervalo. No segundo tempo, a toada manteve-se. Valeram-nos uma enorme defesa de Rui Silva (52 minutos) e um falhanço incrível de Esgaio, em nova canelada que rasou o poste (o Esgaio é o pessimista típico de que falava o Oscar Wilde, aquele que, podendo escolher entre dois males, opta pelos dois). Em termos atacantes nada fazíamos, a não ser chutões na direcção de Gyokeres. como quem lança um osso a um perdigueiro e espera que de volta ele traga um lingote de ouro. Até que o Rui Borges decidiu-se e lançou o Morita, passando o meio campo a ter um jogador de penetração e não só de passe. A melhoria foi quase automática. Seguiu-se um novo golpe de asa do Rui,  ajudando a dar a manchada final no jogo, colocando em campo o Maxi por troca com o Matheus. Tendo que se preocupar também com a esquerda, o Casa Pia foi abrindo buracos. E assim se arranjou um penalty que o Gyokeres logo encarregou-se de converter. 

Com uma reprimenda aqui e um colinho acoli aos seus "filhos", a verdade é que o Rui Borges lá vai levando a água ao seu moinho. Bom homem, o Rui parece estar na sua cadeira de sonho mesmo quando a famosa Unidade de Performance acidentalmente a puxa para ele cair. Mas ele resiste, como todo o pai que quer ser um (bom) exemplo para os seus filhos. 

Tenor "Tudo ao molho...": Vik "Thor" Gyokeres. Menções honrosas: Rui Silva e Gonçalo Inacio. 

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06
Out24

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

O niilismo casapiano


Pedro Azevedo

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Friedrich Nietzsche escreveu um dia: "Desde que me cansei de procurar, aprendi a encontrar. E depois de um vento me ter oposto resistência, passei a velejar com todos os ventos." Não sei se Amorim leu Nietzsche, mas esta equipa do Casa Pia foi o teste que mostrou que vale mais uma carta de marinheiro que mil cursos do IV nível do senhor José Pereira.

Apesar de uma ousada e enganadora inicial (primeiro minuto) migração para sul, cedo os gansos se dispuseram num conservador "V"  (6-3-1). Ora, a ideia da formação em "V" destina-se conceptualmente a oferecer resistência ao vento, e vendaval era o que os casapianos, durante o vôo, poderiam esperar de Gyokeres e seus pares. Só que os gansos ainda andarão a mudar de pena e assim não podem voar, logo ficaram em terra, estacionados em metade do seu meio campo, cobrindo assim apenas um quarto do terreno. Como consequência, o Sporting teve no primeiro tempo uma posse de 87%, um número que seria de esperar somente num jogo que opusesse um candidato ao título máximo do futebol português a um clube dos distritais. 

Durante o primeiro tempo, o Sporting cansou-se de procurar o espaço. Mas a maior parte dos espaços estava ocupada por casapianos, sempre em contra-vapor. E a parte menor, a que não estava ocupada por casapianos, era pertença de Harder. Pelo que só um movimento de Trincão que aliou velocidade de execução a precisão de relojoeiro permitiu desbloquear o marcador. 

No segundo tempo, o Casa Pia continuou cá atrás, como quem espera pelo quase encerramento do casino para tentar uma cava de roleta. Só que o Amorim foi esperto. E substituiu Harder por Morita, trocando ter alguém a ocupar um espaço por outro que surgisse de trás a descobrir esse espaço, agora vazio. No fundo, cansando-se de procurar e aprendendo a encontrar. Com paciência, os espaços foram aparecendo em maior quantidade. E duma dessas nesgas de espaço para um homem comum o Gyokeres fez um latifúndio, ganhando um penalty que com alguma sorte foi convertido, cortando assim praticamente as asas a uns gansos que doravante procuraram voar mas só o fizeram baixinho. Baixinho como o nível futebolístico deste primodivisionário, ontem exibido em Alvalade, em que a falta de crença e de convicções dos casapianos os aproximou de um futebol destrutivo ao jeito da mesma doutrina filosófica que invadiu a literatura, arte, ética ou ciências sociais e teve como grande protagonista... Nietzsche. Porque é de niilismo que falamos, movimento que ao longo dos anos divide os especialistas em o classificar como positivo ou negativo. Eu vejo-lhe coisas positivas (início do texto) e outras profundamente negativas (postura do Casa Pia). Aplicando ao futebol, não pode treinar quem não acredita na finalidade do jogo, no porquê da sua existência, ou seja, o golo. 

 

Seguimos líderes!!!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Trincão 

30
Jan24

Tudo ao molho e fé em Deus

Levantados do chão (com molas)


Pedro Azevedo

Quem me lê há algum tempo sabe que a minha primeira recordação do Sporting é de um jogo no José Alvalade contra o Oriental que ganhámos por 8-0 (5-0 ao intervalo), em que o Yazalde (meu primeiro ídolo) marcou 5 golos a um guarda-redes da equipa de Marvila chamado Azevedo (sim, por coincidências da vida, houve um homónimo a encaixar oito bolas associado à minha primeira memória futebolística e do Sporting). Esse jogo vivi-o pela telefonia, que ainda não tinha idade para ir ao futebol, pelo que o que começou numa onda média (da rádio) só se transformou verdadeiramente num tsunami (de emoções) quando entrei no nosso estádio pela primeira vez (5-1 ao Porto, época de 75/76). Pois bem, quis o sortilégio que ontem, data do meu aniversário, o Sporting me brindasse com um presente de dimensão em tudo igual à do supracitado jogo de 73/74, evocando-me, 50 anos depois, a memória dessa onda (verde) em crescendo. Uma obra também do Gyokerismo, a doutrina que o sueco trouxe para Portugal e que a todos no Sporting parece estar a tomar de encantamento. 

 

Se existe o paradigma de um novo normal em Alvalade que se pode associar a Gyokeres, outras coisas há que são cíclicas. Como o central de lança Coates, o nosso capitão, que ontem reapareceu para desbloquear o marcador e tornar fácil aquilo que de outro modo poderia ter-se complicado. Aberta a rolha do champagne, no refluxo o Pote recebeu um passe de ruptura (magnífico) do Inácio, isolou-se na meia esquerda e serviu em bandeja de prata o Gyokeres para o segundo. Depois, o Hjulmand desmarcou o Pote e este deu uma raquetada na bola que passou o guarda-redes. Seguiu-se um momento de Gyokeres que fez lembrar uma jogada do Eusébio contra a Coreia do Norte, tal a demonstração de técnica, força e velocidade. Como no Mundial de 66, a coisa acabou em penálti, que convertido (pois claro!) pelo próprio daria o quarto da noite. Destaque para o túnel prévio escavado por Nuno Santos que fez desabar por completo as pretensões dos Gansos. E antes do intervalo ainda houve mais um golo, com o Trincão a mostrar que estes são como o ketchup e a chutar com o pé mais à mão (o direito), depois do Edwards ter fintado dois dentro de uma cabine telefónica antes de chocar com a porta de saída. 

 

Com cinco golos de vantagem, terá havido quem pensasse que no segundo tempo o Sporting tiraria o pé do acelerador. Mas não, a equipa queria vingar a derrota na Taça da Liga e emitir um "statement" destinado à concorrência, pelo que não abrandou. (Não sei se o Amorim será milagreiro, mas não se via uma recuperação assim desde que Jesus ordenou a Lázaro que se levantasse e andasse.)

 

Levantado do chão, com molas, o Sporting continuou a procurar a baliza do Casa Pia. Nesse sentido, o Geny entrou para alargar a margem. Sábio, o Rúben lançou também o Paulinho. Mas aí o motivo foi a contenção dos danos infligidos aos casapianos, que o Coates e o Trincão estavam imparáveis e era preciso evitar a todo o custo que o Sporting atingisse o duplo digito e com isso ficasse na lua e pudesse não voltar a assentar os pés em terra firme. A missão era difícil, desde logo porque o Gyokeres fumegava que nem um touro enraivecido e não parava de correr. A solução foi começar a lançar o Paulinho em profundidade ou solicitar a sua comparência ao primeiro poste para encostar, tudo coisas que no fundo não favorecem o seu associativismo. Pelo que a custo lá ficámos nos 8, o número da sorte para os chineses, o infinito ali de lado, que de infinitas possibilidades se fazem os sonhos em que tudo é possível. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Viktor Gyokeres

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19
Ago23

Tudo ao molho e fé em Deus

Odin, cernelhas e o fado da arbitragem


Pedro Azevedo

A Oeste nada de novo...

 

A noite foi contraditória para Gyokeres: conscientes da sua influência na dinâmica do Sporting, os casapianos imprimiram o nome Valhala nas suas camisolas, recordando-lhe a mitologia do seu povo, na esperança de que assim aliciado fosse levado pelas valquírias para ir viver com Odin, a aspiração máxima de qualquer guerreiro viking nobre e destemido como ele. Para o ajudar, puxaram, empuraram e pontapearam-no sem piedade durante os 90 minutos do prélio, seguros de que morreria em batalha, a condição sine-qua-non para o ingresso nesse salão que funciona como um olimpo para os nórdicos. No entanto, um erro foi cometido pelo seu capitão: ao expô-lo à tão portuguesa arte taurina, nomeadamente na sua versão pega de cernelha, acabou por fazer florescer no sueco a curiosidade sobre as nossas ancestrais tradições e um apego à terra lusitana que o mantiveram vivo e afastado do seu presumível destino. Até quando conseguirá sobreviver não sabemos, sendo certo que, pelo menos a avaliar por aquilo que se observou no Oeste, não deve esperar grande protecção destes juízes que trocam o martelo pelo apito para acabarem a apitar a martelo (do VAR de ontem falaremos no fim). Enfim, faz tudo parte do processo de aculturação a Portugal... (Sugere-se como requisito básico para o Gyokeres dar troco aos seus oponentes, e assim também poder fazer corpo sem que os árbitros considerem tal comportamento como faltoso ou digno de admoestação, o ingresso no Grupo de Forcados do Aposento do Barrete Verde. Além de verdes, também ficam em Alcochete, poupando-se na deslocação e podendo assim o sueco realizar uns moderníssimos treinos integrados.)

 

Se há ideia que aos olhos dos adeptos parece consolidada é a de que Paulinho rende muito mais com Gyokeres como ponta de lança em campo, podendo assim adicionar golos e dividir as tarefas de associativismo, multiplicando a sua influência no jogo e diminuindo a ansiedade dos adeptos. Em suma, tornando-se um avançado algebricamente indiscutível. Já a parceria Morita+Pote está longe do recomendável, abrindo ontem auto-estradas do Oeste por onde transitaram frequentemente as motos casapianas. E, se não há pressão sobre o portador da bola, as linhas de passe não são bem fechadas por deficiente posicionamento e existe tempo e espaço para a bola ser endereçada com critério, então corremos real perigo. A catástrofe segue-se quando a restante defesa não respeita a linha de fora de jogo definida pelo central do meio - noutro aspecto desastrado no passe à distância (tal como Inácio) -, e deixa um adversário isolado perante Adán. A solução poderá ser a entrada de Hjulmand. Porém, os sinais de ontem foram pouco animadores: muito metido entre os centrais, houve momentos em que nos recordou o Gudelj do tempo de Peseiro, embora sem o rabo de cavalo. Ademais, não antecipou a maioria dos lances, parecendo reactivo mais do que activo, pelo que, irónicamente, acabou por impressionar mais pela sua postura articulada com bola. Porém, não esqueçamos que acabou de chegar e não conhece nem colegas nem rotinas de jogo, pelo que se espera que possa vir a render bem mais no futuro. 

 

C'um Catamo(!), com o Edwards e o Trincão totalmente "fora dela", pergunto-me por que razão o Geny não tem uma oportunidade como interior. Assim não me faria aflição vê-lo a jogar de pé trocado na defesa. Seja como for, ontem o rapaz justificou mais oportunidades. Se as tiver e fizer por continuar a merecê-las, então comercialmente haverá um mundo de oportunidades. É que não sou só eu a torcer por ele, há toda uma nação (Moçambique) pronta a ir para a rua para o celebrar. 

 

Uma nota final mais séria que muito teria gostado de não fazer: deixei para o fim a análise ao erro do VAR que validou o nosso primeiro golo. Considero-o inaceitável e revelador da ausência de um zelo mínimo exigível, desde logo porque o recurso à tecnologia, embora ainda sujeito a intervenção manual - o que torna o processo necessariamente moroso a fim de ser fiável -, visa exactamente eliminar o erro humano, pelo que a bem da credibilidade deste instrumento tão importante à verdade desportiva o responsável directo pelo erro de ontem deverá imediatamente ser objecto de um processo disciplinar que vise a exoneração das suas funções. [Acresce a esta intolerável suspeição que, na minha opinião, já no passado o senhor e o próprio Conselho de Arbitragem não foram cuidadosos o suficiente ao não considerarem aquilo que eu penso ter sido uma flagrante incompatibilidade, não prevenindo conflito de interesses e permitindo a Hugo Miguel dirigir jogos do Sporting e de outras equipas cujos equipamentos eram à época de uma marca para a qual o árbitro, hoje VAR, (foi tornado público que) trabalhava. Não é que eu pense que o Sporting tenha sido beneficiado, pelo contrário recordo-me sim de termos sido afastados quase definitivamente do título de 21/22 por uma sua decisão de acatar uma chamada de atenção do VAR em lance pouco ou nada claro, de interpretação, e que portanto deveria ter ficado fora do protocolo. Lembro a todos que o Sporting vencia o Braga, em casa, por 1-0 e que dessa decisão resultou um penálti que permitiu aos arsenalistas empatarem o jogo (viriam a ganhá-lo por 1-2). Simplesmente, à mulher de César não basta ser séria, deve também parecê-lo, e nada dessa vez foi feito para defender esse princípio e as boas práticas de gestão. Assim, espero que nesta ocasião se tomem as decisões correctas que se impõem.] Não está em causa a honorabilidade do senhor Hugo Miguel (ao contrário do julgamento sobre a sua competência para a função), e quero deixá-lo bem claro, mas sim a credibilidade da ferramenta do VAR, do Conselho de Arbitragem e do próprio futebol português. Siga-se então o bem maior, por muito que nos custe o afastamento de alguém, que há erros que podem fazer desabar conquistas importantes em nome da integridade das competições e da eliminação de ruído que não contribui para a promoção do produto futebol português.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Paulinho

 

P.S. O peso que o Paulinho tem carregado aos ombros ao longo destes 3 anos é tão grande que não admira que o Hugo Miguel tenha posto aí as linhas...

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