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A Poesia do Drible

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

A Poesia do Drible

03
Nov25

A estrelinha do Porto


Pedro Azevedo

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O resultado de um jogo de futebol é inquestionável, assim não se verifiquem forças estranhas ao mesmo como o enviezamento flagrante das regras do jogo causado por uma equipa de arbitragem ou um golo marcado, por exemplo, por um apanha-bolas. Nesse sentido, há que dizer que a vitória do Porto sobre o Braga foi justa, na medida em que marcou mais 1 golo do que o adversário. A matemática é uma ciência exacta, os números não podem ser questionados. Todavia, quem viu o jogo não pôde deixar de sentir que o Porto teve sorte. Se foi circunstancial ou já estrelinha de campeão será prematuro dizer, mas que a vitória portista pareceu obedecer a um plano superior escrito nas estrelas disso poucos terão dúvidas. Não me recordo nesta temporada de uma equipa ter manietado tanto o Porto como o Braga o fez. É certo que o Forest ganhou ao Porto, mas não dominou com tanta expressividade como o Braga. E no Dragão, o que realça ainda mais o que ocorreu. Com as linhas de passe bloqueadas, os portistas perderam inúmeras bolas e estiveram quase sempre a ver o Braga jogar. Com uma posse de bola avassaladora (69%), os minhotos não se limitaram a trocá-la em zonas recuadas. Não, foram-na circulando de fora para dentro e de dentro para fora do bloco portista, com os seus jogadores sempre em circulação, ameaçando constantemente o último reduto dos comandados por Farioli, manietando por completo as zonas de pressão do seu adversário. O Porto chegava sempre tarde à bola e com o tempo foi baixando o seu bloco até procurar defender o melhor possível a sua baliza, naquele espírito de que é melhor perder os anéis do que os dedos. Estávamos a chegar ao final do primeiro tempo quando um remate de longe e condenado ao fracasso de Samu defiectiu no jovem Rodrigo Mota e traiu Hornicek. Aconteceu futebol, talvez o desporto mais democrático e mais atreito a sortilégios capazes de desafiar a lógica. Pensou-se que um golo sofrido na compensação da primeira parte iria destruir o moral dos bracarenses e reforçar o dos portistas, mas não foi isso que ocorreu na etapa complementar. Bem pelo contrário, o Braga intensificou ainda mais a pressão e sufocou o Porto. Empatou o jogo e teve uma soberana oportunidade de passar para a frente quando Fran Navarro falhou um remate na pequena área. Mérito porém seja dado ao Porto que foi sempre resiliente, não se desorganizou por ser obrigado a correr constantemente atrás da bola, procurou e conseguiu fechar espaços na sua área e assim evitar males maiores. Foi realista e a substituição operada por Farioli, ao retirar William por Rosário, disso foi ilustrativa. Não podendo ganhar, o treinador portista afirmou assim que pelo menos queria garantir 1 ponto. Até que um erro defensivo bracarense - Victor Gomez não atacou um bola chutada na sua direcção , ficou expectante e deixou-se antecipar por Borja Sanz - permitiu ao Porto vencer um jogo que já ficaria satisfeito por empatar. 

Não sei se a história final deste campeonato ficará escrita pelo que foram os jogos dos grandes contra o Braga. Sei, isso sim, que o Sporting perdeu dois pontos com os bracarenses nos descontos e que o Porto obteve contra eles pelo menos mais 2 pontos do que deveria, o que produz uma diferença de 4 pontos entre os dois que é superior ao actual "gap" verificado no campeonato. Sem querer tirar mérito ao Porto, que é uma equipa organizada e difícil de bater, os campeonatos não se vencem sem estrelinha de campeão. Evidentemente, não há estrelinha se não houver uma boa preparação que permita aproveitar uma oportunidade concreta, e este Porto está bem preparado. Perante este tipo de sortilégio que parece levar o Porto ao colo deve o Sporting baixar os braços? Não, de todo, bem pelo contrário. A máquina portista não parece tão bem oleada nesta fase da época e o facto de tanto necessitar do elemento sorte neste período ainda prematuro da temporada deve ser visto como um sinal de esperança de que a qualquer momento os ventos da fortuna poderão mudar e a ordem estabelecida inverter-se. Assim continuemos o nosso percurso sem vacilar, acreditando no processo e não perdendo de vista a competência em tudo o que dependa exclusivamente de nós. Há que não perder o ânimo e acreditar sempre. Se o fizermos, tarde ou cedo o momento de darmos o xeque-mate neste campeonato chegará, estou certo disso. 

07
Fev24

Vamos lá a ver se nos entendemos


Pedro Azevedo

O nosso objectivo é ganhar o próximo jogo. E depois o seguinte (e assim sucessivamente). Declarações noutro sentido só criam desenfoque do essencial, como a bravata de queremos chegar a Famalicão com o primeiro lugar, mesmo que com menos 1 jogo disputado (o único objectivo de médio-prazo deve ser vencer o campeonato, o que dependerá da eficácia no ljogo a jogo"). O povo, na sua imensa sabedoria, tem aquela expressão de "grão a grão enche a galinha o papo" que ilustra bem o que deve ser o nosso compromisso: com o próximo jogo. O resto não acrescenta. Por isso não nos devemos dispersar ou ceder à tentação de reagir ao engodo da conversa de termos perdido a liderança. Na prática, nada mudou, o único atraso que temos é de 1 jogo que falta disputar. 

01
Jan24

Curiosidades sobre o Campeonato


Pedro Azevedo

Chegados ao novo ano, eis algumas curiosidades sobre o Campeonato:

 

1) O Braga (4º classificado) é a equipa mais goleadora (39 golos);

 

2) O Famalicão (7º) é a equipa menos goleadora (13 golos);

 

3) O Benfica (2º) tem a defesa menos batida (10 golos);

 

4) O Chaves (18º) tem a defesa mais batida (39 golos);

 

5) O Benfica tem a melhor diferença de golos (18);

 

6) O Sporting é a equipa com mais pontos (37), apesar de só ter a 4ª melhor defesa. Isto vem contrariar a ideia generalizada que as melhores defesas ganham competições;

 

7) Na classificação, logo após os 3 Grandes encontram-se 4 equipas do Minho (Braga, Vitória, Moreirense e Famalicão), o que repercute a força do tecido produtivo da região;

 

8) Em termos de forma recente (últimos 5 jogos), o Braga lidera, seguido por Porto, Benfica, Estoril, Arouca, Vitória e Moreirense. O Sporting é apenas 8º;

 

9) O Sporting tem o melhor desempenho em casa (24 pontos), seguido por Vitória (18), Benfica (17), Porto (16) e Gil Vicente (15). Curiosamente, todos os pontos do Gil foram conquistados em casa. O Casa Pia tem o pior desempenho caseiro, provavelmente por "andar com a casa às costas" (5);

 

10) Fora de casa, o Braga tem o melhor desempenho (19 pontos), perseguido por Benfica (19), Porto (18), Moreirense (15) e Sporting (13); 

 

11) Entre os 10 maiores goleadores constam apenas 2 portugueses (Horta e Paulinho). Depois há 3 espanhóis (Hernandez, Mujica e Cristo), 1 congolês (Banza), 1 francês (Essende), 1 sueco (Gyokeres), 1 brasileiro (André Luis) e 1 eslovaco (Bozenik).

02
Nov23

Tudo ao molho e fé em Deus

Quarto Crescente


Pedro Azevedo

Cumprido o primeiro quarto do Campeonato, é chegado o tempo de um 1º balanço. Quer dizer, o rigor matemático impede-me de prosseguir sem antes ressalvar que, sendo o 1º quarto de um Campeonato com 34 jornadas um número não inteiro (8,5), um dado não intelegível para uma fracção de comentadores naturais destas matérias (reais ou imaginários), preferi concentrar o balanço após o seu cumprimento (9ª jornada) e não antes (8ª jornada). Uma espécie de quarto crescente, em detrimento de um quarto minguante, com a vitória no Bessa só por si a justificar este epíteto, independentemente de luas ou da aritmética simples. 

 

Estava eu a dizer que havia terminado o 1ºquarto. E o Sporting vai à frente.  Escrevi-o assim, a modos como quem sussura: baixinho. Porque é preciso não assustar a caça. Então, se o PIB caiu duas décimas no terceiro trimestre do ano só com o xeque-mate que o Benfica sofreu no Bessa, imaginam o que poderá acontecer se o Sporting for à Luz ganhar os 3 pontos? Não se lembram do 0-3 do tempo do Vitória vs JJ? Não, o melhor é esperar um empatezinho. Corrijo, mais do que esperar, devemos querer mesmo um empate. Senão, como hoje em dia já há VAR, deixará de haver economia: o PIB irá (des)acelerar por aí abaixo, da General Norton de Matos até à Pontinha, e depois lá se verá uma Luz ao fundo do túnel chamada FMI. Algum Sportinguista informado deseja o FMI? Eu não. 

 

Já em relação ao Porto também é requerida prudência. Aqui o risco não é o FMI, mas sim a PDI (a quem também se pagam juros elevados por desvarios passados). É que se tal se tornar demasiado notório em PdC e companhia, podem sempre perspectivarem-se 2 ou 3 candidatos mais jovens e tão ou mais diligentes em matéria de fruta importada que o velho crocodilo. Também aqui um empatezinho seria o ideal, caso contrário, entre outras coisas, até podemos deixar de ter o privilégio de ver o inefável Dr Fernando Gomes apresentar contas (à Eurocabe). Mas aqui confio numa ajudinha do Sérgio Conceição, que já deu provas de ser capaz de pegar numa equipa (e não só) pelos colarinhos, com melhores ou piores jogadores, e levá-la até ao fim. 

 

O ideal será assim estar lá, em primeiro lugar, mas sempre como quem não quer a coisa, sem levantar muitas ondas, serviços mínimos. Um bocado como o Professor Cavaco quando foi à Figueira fazer a rodagem da viatura: quando o Dr. João Salgueiro deu por ela, já ele estava entronizado. Assim também deverá proceder o Sporting, indo até ao Estoril inspirar-se de iodo, para depois receber cheio de saúde as Chaves do título em Alvalade, na última jornada. Sem ondas, que o único autorizado a levantá-las é o Gyokeres. No relvado, bem entendido. De acordo?

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