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A Poesia do Drible

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

A Poesia do Drible

26
Nov25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Carta de Brugge


Pedro Azevedo

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Depois do jogo de ontem, em Amesterdão, a contar para a Liga dos Últimos, o futebol português regressou à Champions com a recepção do Sporting ao Club Brugge. De Brugge enviou Pedro, o das Sete Partidas e um dos vultos mais brilhantes da nossa história, uma carta ao irmão, D. Duarte, rei de Portugal. Nela, entre vários conselhos à governação sobre justiça, educação, finanças públicas e administração geral do reino, o infante advertia para a urgência da acção, que "aqueles que tarde vencem, ficam vencidos". Não sei se Rui Borges leu a Carta, mas o treinador do Sporting seguiu o princípio pouco português de que não se deve deixar para amanhã o que se pode fazer hoje, nesse transe praticamente carimbando o passaporte para a fase seguinte da "Liga Milionária". Para isso, na ausência dos salões faustosos da corte do tempo de Pedro, Rui escolheu o relvado do José Alvalade para dar um baile ao treinador do Brugge. Um verdadeiro banho táctico que assentou na atracção à marcação homem a homem, seguida da dissuasão que levou os defesas do Brugge para longe da sua área e abriu espaços nas suas costas para a entrada de jogadores nossos vindos de trás. Se isto é alheira(bol), como dizem os afectados snobs seus detractores (sempre hipervalorizando a forma em detrimento do conteúdo), então foi demasiado indigesta para os da Flandres, não faltando ainda o ovo a cavalo (qualificação quase garantida) e os grelos (que são verdes, a cor da esperança) em vez das batatas fritas que seriam mais do agrado dos belgas (com as "moules", que assim quem se "lixou" foi o mexilhão). 


O Sporting cedo se adiantou no marcador após uma perfuração pela direita de Geny ter sido concluída com um remate deflectido pelo guarda-redes belga para as costas de Quenda, que abriu o baile com um rodopio que fez a bola anichar-se nas redes. Pouco depois, o mesmo Geny aproveitou a desertificação do interior provocada pelo êxodo dos belgas para zonas junto às margens e com uma voltinha isolou Suarez para um golo de grande requinte técnico. Antes do intervalo, o Sporting podia ainda ter ampliado o resultado, mas uma jogada de génio de Trincão terminou com um remate que tirou a tinta ao poste. 

Na etapa complementar, o Sporting procurou essencialmente gerir a vantagem no marcador. Isso acabou por provocar alguns momentos de tensão no nosso último reduto, o que não teria acontecido caso Suarez não tivesse entrado em modo carnavalesco e enfeitado demasiadamente um lance, perdendo um golo cantado. Assim, o Brugge chegou a agigantar-se, mas uma investida de Maxi (o verdadeiro "jogador à Sporting", cheio de raça) encontrou Quenda na profundidade e este centrou para Trincão, num "pas de deux" com Maxi, bailar antes de desferir um remate indefensável. Com o 3-0, o jogo terminou ali. 

Com a vitória de hoje, o Sporting entrou para o lote de 8 primeiros classificados que têm apuramento automático para os oitavos-de-final. Mais importante, tem agora uma vantagem de 4 pontos para o vigésimo quinto classificado (o primeiro excluído) e de 6 pontos para o vigésimo sexto, quando faltam apenas 3 jornadas para terminar a primeira fase. Não estamos ainda matematicamente apurados, se não fizermos fé em Pitágourinho, treinador do nosso rival (para quem 9 pontos serão suficientes), mas demos hoje um passo de gigante para garantirmos a qualificação. E sem o mágico Pote, Ioannidis e Debast, além dos lesionados de longa duração (Nuno Santos e Bragança). 

Tenor "Tudo ao molho...": Trincão (Geny seria uma óptima alternativa), pelas movimentações com ou sem bola que desestabilizaram por completo os belgas. 

 

11
Dez24

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

A Lei de Lavoisier


Pedro Azevedo

Na apresentação de João Pereira, o presidente do Sporting afirmou que iríamos vê-lo num colosso europeu dentro de 4 anos. Logo as más línguas o contestaram, alegando que a afirmação era ousada e até criadora de uma pressão adicional completamente desnecessária, na medida em que o treinador tinha um currículo incipiente e tudo a provar, mas Varandas mais uma vez provou ser um visionário: é que sendo o Guardiola o exemplo a seguir no que toca à tarefa de treinar colossos, o João Pereira está quase a igualá-lo (o catalão perdeu recentemente cinco jogos consecutivos e o JP já vai em quatro). [Ainda vamos descobrir que o treinador Rúben levou consigo o presidente Amorim e que no fim todos ficaram a perder, porque no United o Amorim precisaria de presidir para ter sucesso e no Sporting o Frederico necessitaria que o Rúben treinasse para que ele pudesse brincar aos presidentes sem grande dolo para a instituição.] 

 

A única coisa de que não gostei na referida apresentação foi que o nosso presidente se referisse a outros clubes que não o nosso como colossos. Porque, pelo menos para mim, o Sporting é um colosso. Ou era, até há duas semanas, antes de perder 4 jogos em 15 dias. E, se calhar, voltará a sê-lo, daqui a 4 anos, quando o João Pereira regressar a Alvalade depois de uma passagem pelo Braga como tirocínio para o sucesso. A ser assim, mais uma vez Varandas mostrará ser um oráculo. E as televisões voltarão a repetir ininterruptamente aquele dia em que o nosso presidente anunciou que João Pereira daria treinador. 

Um Sportinguista aguenta quase tudo, mas quando os treinadores começam com a ladainha do "levantar a cabeça" para mim é como se estivessem a anunciar o mau tempo. Vai daí, o Quaresma tanto levantou a cabeça que foi parar ao hospital. Outra coisa que me enerva no clube são as razões de cada um, quando a única razão relevante é a do clube. O problema é quando todos os adeptos têm razão e o clube não. Aí algo terá de ser feito, porque o clube não pode ser o oposto da unanimidade dos seus adeptos. A não ser que se queira um clube sem adeptos, o que é capaz de no fim se traduzir num clube cujos únicos adeptos intervenientes serão só aqueles que o clube não quer ter como adeptos, os não-adeptos, os que continuam a mandar tochas na direcção dos jogadores e assim. Por outro lado, os adeptos sem o clube sentir-se-ão órfãos. Querem ver que depois da orfandade em relação a Amorim, desejam que  sejamos órfãos do nosso próprio Sporting? É que se eu até concordo que o clube não pode ser gerido de fora para dentro, já não estou de acordo que não seja gerido de dentro para dentro e de dentro para fora... [O Amorim já se acabou, o Viana está-se a acabar, Frederico, Frederico, Frederico será que o seu silêncio traz água no bico?]

 

Depois do "levantar a cabeça", só falta ouvirmos que "não deitamos a toalha ao chão". Até a podemos deitar, mas estará lá o grande Paulinho para a apanhar e levantar. Porque por cada leão que cair, outro se levantará. [Não deixa de ser paradigmático de uma certa forma de estar que depois do "Onde vai um, vão todos", que não é mais do que um arremedo de "E pluribus unum", a outra frase mais icónica do mundo Sporting tenha sido proferida por um..  portista.] 

 

Quanto ao jogo, eu gostava de perceber se a ideia de pôr o Quenda a jogar a interior esquerdo, quando o Quenda foi sempre ala direito, obedece a alguma lição de nível III apreendida num livro do Lampedusa ("É preciso mudar alguma coisa para que tudo fique igual"). Mas, também, se há alguma cláusula no contrato do Trincão que o obrigue a jogar 90 minutos, ainda que nesses 90 minutos entregue sucessivamente a bola ao adversário. A não haver, o objectivo deve ter sido treinar a transição defensiva. Ou a paciência dos adeptos, que nesta transição pós-Amorim também já começam os jogos na defensiva. Finalmente, qual a "ambição" desmedida que presidiu a que Harder jogasse 3 minutos? De resto, só quero lamentar que o lesionado crónico St Juste nos intervalos das lesões continue cronicamente a ter paragens cerebrais como no segundo golo dos belgas, em que pôs o marcador do golo em jogo. 

"Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma" - Lei de Lavoisier. E é isto, Sportinguistas, nós não perdemos, estamos só a transformarmo-nos... Não é, Dr Varandas? 

 

A natureza tem horror ao vazio, logo surgem as ervas daninhas... Oh yeah!!!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Gyokeres

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