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A Poesia do Drible

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

A Poesia do Drible

06
Fev26

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Angústia para o jantar


Pedro Azevedo

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A insistência pode ser vista como persistência inteligente ou como resistência (teimosia) cega. Para encaixar Luís Guilherme de uma forma produtiva e assim justificar o elevado investimento na sua contratação, Rui Borges colocou-o à direita. Foi a quarta titularidade do brasileiro em outros tantos jogos domésticos, o que indica bem a aposta do treinador leonino nele, uma coisa impensável de acreditar poder ocorrer com um jogador da nossa equipa B (em que as convicções são ténues). Individualmente a coisa correu bem, mas colectivamente não. E porquê? Porque Trincão, o melhor jogador do Sporting neste momento (Pote ainda está a recuperar a melhor forma), foi deslocado para a ala esquerda, perdendo assim o Sporting aqueia porta giratória de onde o antigo jogador do Barcelona parte para atacar o adversário pelo centro do terreno. No centro jogou Bragança, também ele deslocado da sua posição de médio. E voltou a não correr bem, à semelhança do já ocorrido em Bilbau. Refiro-me à fluidez do nosso jogo ofensivo e à sua prestação face ao que Trincão nos costuma dar nessa posição, porque em termos do impacto do Daniel no resultado final as coisas poderiam ter sido bem diferentes, nomeadamente se aquele seu desvio após cabeceamento de Suárez tem entrado na baliza em vez de embatido na barra ou se o VAR tem chamado o árbitro para marcar um penalty a nosso favor e não desvalorizado uma ofensa gritante à masculinidade do médio formado em Alcochete, um facto que escapou a Narciso e nunca deveria ter escapado logo a um Narciso, que já se sabe ser alguém muito preocupado com a sua aparência física. 

Adicionalmente, com Hjulmand muito abaixo do seu valor, Kochorashvili dentro da bitola meã a que nos habituou, Vagiannidis alternando o bom com o péssimo, Mangas num registo menos ofensivo e o sempre vertiginoso Quaresma desta vez claramente limitado no jogo aéreo (condicionado pela máscara), o Sporting nunca conseguiu sufocar o AVS. Pelo que, apesar dos dois golos de vantagem que entretanto havia logrado alcançar, o Sporting foi sempre dando razão aos avenses para acreditarem poder voltar ao jogo. E assim aconteceu, primeiro após uma mão na área de Hjulmand que me pareceu erradamente interpretada pelo VAR, depois na sequência de um abalroamento infantil de Vagiannidis a um avançado avense, lance desta vez muito bem analisado pelo vídeo-árbitro. E assim dos serviços mínimos passámos a um estado de alerta e até de emergência. E a um indesejável prolongamento em vésperas de deslocação ao Dragão. Já sem Trincão, entretanto substituído pelo festejado regresso do infortunado Nuno Santos, repetindo Rui Borges o mesmo erro que cometeu na meia final da Taça da Liga. Até que Catamo, respeitando o AvisoPROCIV que recomendava que os indivíduos se afastassem das margens, "bolinou" para dentro e marcou um golaço de Geny(o). Um alívio tardio, ainda que reconfortante, porque a noite podia ter acabado em sobressalto se em cima do fim do tempo regulamentar um isolado avançado avense tem acertado bem na bola. Mas não acertou, o Sporting ganhou e para o Dragão se moralizou. Foi como terminou um jogo em forma de assim (O'Neill), que em forma de assim também é aquela coisa a que dão o nome de AVS (ou AFS, ou lá o que é). Vamos!!!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Geny Catamo 

14
Dez25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

O melhor do mundo e de Mirandela


Pedro Azevedo

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Se um treinador se medisse só pelo seu modelo de jogo e qualidade das dinâmicas nele empregues, o Rui Borges seria provavelmente o melhor treinador do mundo e arredores e também de Mirandela (o pleonasmo aqui usado foi só para que a Sofia Oliveira não se chateasse, que ela tem o preconceito de que atrás dos montes há um micro-cosmos onde só existem tabernas e uma obsessão com a imagem do Rui Borges à mesa a escrevinhar tácticas em toalhas de papel manhoso enquanto manda abaixo uns penáltis... de verde). Sendo isso o essencial, não é tudo. Há depois que fazer correctas escolhas de jogadores (o elenco para a época e para cada jogo), manter a personalidade da equipa independentemente da adversidade (ou adversário, ou currículo do treinador adversário) e saber comunicar para dentro e fora [no caso do Sporting implica ser muitas vezes treinador-presidente, as mesmas em que o presidente se ausenta para tratar da fisiatria dos portugueses ou para servir o país, na Junta de Freguesia, em Kandahar ou simplesmente jogando à sueca (fomento das relações bilaterais entre 2 países).]


Durante a semana acalentei a esperança de que o Flávio Gonçalves ocupasse o lugar do Pote. Fi--lo não olhando ao bilhete de identidade, mas tão somente à semelhança de características que unem o Flávio ao Pedro e às boas prestações recentes do primeiro na B, Youth League e selecções jovens de Portugal. Mas o Rui Borges não me fez a vontade (raramente a faz quando se trata de jovens) e apresentou Mangas de entrada. Ora, toda a gente sabe que Mangas nem para entrada, nem para prato principal, só mesmo para sobremesa, pelo que logo aí se percebeu que a escolha foi bizarra. Não contente, o Rui lançou mais tarde aquele rapaz que fomos desencantar à "(Mo)town" de Leiria, o desconcertante Alisson, que, pelo razoável desconhecimento do jogo e simultaneamente forma electrizante como se entrega ao mesmo, a gente vê mais a entoar o "What's Going On?" do Marvin Gaye ou a fazer de duplo do James Brown no frenético "Night Train" do que efetivamente a jogar à bola. E assim, num jogo que dava para tudo, desperdiçou-se a oportunidade de também dar mais minutos ao Salvador. O Kochorashvili também jogou. Se o futebol para Javier Marías é a recuperação semanal da infância, a utilização do georgiano serve o propósito de nos recordar semanalmente porque perdemos 5 pontos contra o Porto e o Braga. Não é mau jogador, claro, mas ou evolui muito ou será sempre curto para o Sporting, qual Kocho amputado do "rashvili" (só sobrou o rabo de cavalo). 

 

Quando não lhe esfregam durante uma semana o currículo do Mourinho na cara, o Rui Borges pode concentrar-se naquilo que é muito bom: aprimorar o seu formidável modelo  de jogo e preparar a próximo encontro. Foi o que aconteceu antes da recepção ao AVS, um clube com um nome em forma de assim, que em forma de assim também é um campeonato em que o Casa Pia joga em Rio Maior e onde um nome sem clube lá dentro (B SAD) jogou durante anos no Estádio Nacional, assim mesmo, Nacional, para que o paradoxo da situação fosse inequivocamente bem português. E assim, contra um clube com um nome feito na hora, à hora de jogo já o seu desfecho estava mais do que feito. Na verdade até antes, que os primeiros golos vieram em trio, como nas corridas de touros, com um picanço inicial sob a forma de tércio de varas, seguido por um tércio de bandarilhas, para terminar num tércio de capa e espada. Tudo em acelerado, que, como consequência, o AVS morreu na arena (relvado) em 5 minutos. A coisa poderia ter ficado por aí, mas quando se tem um jogador como Maxi Araújo todos os jogos são para serem levados a sério, não há tempo para brincadeiras. (O uruguaio por vezes parece um bebé com raivinha nos dentes, num desassossego permanente, nesse transe não deixando dormir quem esteja à sua volta.) Suarez, Maxi e Catamo marcaram na primeira parte e voltaram a fazê-lo no segundo tempo, ao jeito de uma peladinha que muda aos três e acaba em meia-dúzia. E mais não foram porque Rúben Semedo, outro produto da nossa Formação, não permitiu, deixando-nos a amarga sensação do seu presente (em Aves) não ser mais aquilo que o passado chegou a augurar para o seu futuro. Por falta de cabeça, como outros com igual ou até superior talento. 

Tenor "Tudo ao molho...": Maxi Araújo 

23
Fev25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Como subverter um silogismo aristotélico


Pedro Azevedo

Dada a hecatombe de lesões no seu plantel, o Rui Borges precisou de complementar o curso de treinador certificado (ISO) pela ANTF com uma pós-gradução como cabo-maqueiro. De seguida, por um daqueles imperativos de força maior típico das hecatombes, teve de suspender a sua carteira profissional para abraçar a carreira de cientista e descobrir uma vocação, a de "Padre Américo" ("não há rapazes maus", a não ser que se chamem St Juste). O Rui agora é o Professor Pardal, a quem o Hugo Viana num último suspiro (estão caros, os suspiros) juntou o Lampadinha (assim se justificando plenamente a contratação do Biel). À medida que os nossos médios foram caindo em combate contra a conspiração universal que se abateu sobre a nossa Unidade de Performance, o Rui Borges foi inventando novos sistemas tácticos: o Bragança caiu em combate? Lançou o Harder e passámos a jogar em 4-4-2. O Hjulmand foi expulso? Ficou o João Simões sozinho no meio e jogámos em 4-3-2. Não tínhamos 3 médios para jogar? Na 4ª feira chamou um padre daqueles que no futebol não têm aspas e o sistema de 4-3-3 recebeu a Extrema Unção que neste Domingo um médico legista certificou. De seguida,, ressuscitou o 3-4-3 (com 2 médios e 2 alas). E hoje, não havendo simultaneamente o Hjulmand, o Bragança, o Simões, o Morita e o Pote, a fim de evitar estrear um 5-0-5, na segunda parte apresentou uma tese candidata ao Prémio Nobel da Física que se baseou nas batalhas de trincheira da 1ª Guerra Mundial - Jogo Directo: "Como usar a bola como uma granada a fim de que esta sobrevoe um meio-campo deserto de jogadores nossos e caia em cima da área do adversário". Uma estratégia em que não pudemos contar com o apoio de St Juste, um jogador conhecido por espoletar granadas dentro da sua própria trincheira.

 

Até aí, tudo bem, esse Rui Borges que desculpa tudo aquilo que está a seu montante e encontra soluções onde outros veriam problemas merece os maiores encómios, quiçá até ir a Estocolmo receber o Prémio Nobel da Paz. O único problema para o qual o Rui Borges parece não encontrar solução é quando chega a vez de ser ele próprio o problema. Gerindo as segundas partes com filosofia de treinador de equipa pequena, procedendo a substituições desastrosas e mostrando um discurso permissivo (versão Padre Américo) com uma quantidade perfeitamente anormal de erros individuais e de indisciplina que revelam um défice de concentração competitiva e/ou um estado psicológico instável de vários jogadores. Como hoje  de novo aconteceu, após uma primeira parte em que o Sporting impôs-se desde o início, marcou cedo, ampliou o "score" e chegou ao intervalo a pedir o terceiro golo. 

O segundo tempo do jogo foi marcado pela autofagia, ironia do destino e inovação. A autogagia foi leonina, claro, ao pedir a despenalização de um jogador que não era suposto estar em campo hoje e nos viria a custar a vitória em dois momentos desconcertantes. A ironia do destino prendeu-se com o facto de Varandas, na sexta-feira, ter pedido mais independência e equidade do VAR no sentido de reverter globalmente maus juízos dos árbitros e ter visto exactamente isso hoje acontecer e em seu desfavor. Já a inovação foi do VAR. Quer dizer, eu sempre parti do princípio que o protocolo do VAR seria um instrumento da verdade desportiva, mas nunca suspeitei que a violação da filosofia desse protocolo servisse ainda melhor essa verdade desportiva, nem que para isso fosse necessário usar o expediente de sugerir ao árbitro um cartão vermelho a fim de que um segundo amarelo fosse correctamente atribuído ao jogador prevaricador. Pelo contrário, o segundo golo do Sporting atentou contra a verdade desportiva (na origem do lance, Fresneda recebeu a bola em fora de jogo), mas não ofendeu o protocolo (tendo havido uma segunda fase de ataque, o VAR não pôde considerar o ocorrido anteriormente). Conclusão: o Sporting teria ganho o jogo sem VAR ou com um VAR que tivesse cumprido a filosofia do protocolo, mas empatou-o em nome da verdade desportiva cuja defesa conduziu à criação do VAR. Confusos? Eu também... [Ou como a subversão de um silogismo aristotélico (o VAR ajuda à verdade desportiva, o protocolo é um instrumento do VAR, logo o protocolo ajuda à verdade desportiva) pode não ser ilógica no contexto de um jogo de futebol.]

 

Ah(!), e o Gyokeres voltou aos golos. Lógico!!!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Maxi Araújo

 

P.S. Porque é que Quaresma saiu ao intervalo? Gestão física? Lesão? Opção técnica? A verdade é que essa alteração mexeu com 3 posições.

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