Tudo ao molho e fé em Gyokeres
Angústia para o jantar
Pedro Azevedo

A insistência pode ser vista como persistência inteligente ou como resistência (teimosia) cega. Para encaixar Luís Guilherme de uma forma produtiva e assim justificar o elevado investimento na sua contratação, Rui Borges colocou-o à direita. Foi a quarta titularidade do brasileiro em outros tantos jogos domésticos, o que indica bem a aposta do treinador leonino nele, uma coisa impensável de acreditar poder ocorrer com um jogador da nossa equipa B (em que as convicções são ténues). Individualmente a coisa correu bem, mas colectivamente não. E porquê? Porque Trincão, o melhor jogador do Sporting neste momento (Pote ainda está a recuperar a melhor forma), foi deslocado para a ala esquerda, perdendo assim o Sporting aqueia porta giratória de onde o antigo jogador do Barcelona parte para atacar o adversário pelo centro do terreno. No centro jogou Bragança, também ele deslocado da sua posição de médio. E voltou a não correr bem, à semelhança do já ocorrido em Bilbau. Refiro-me à fluidez do nosso jogo ofensivo e à sua prestação face ao que Trincão nos costuma dar nessa posição, porque em termos do impacto do Daniel no resultado final as coisas poderiam ter sido bem diferentes, nomeadamente se aquele seu desvio após cabeceamento de Suárez tem entrado na baliza em vez de embatido na barra ou se o VAR tem chamado o árbitro para marcar um penalty a nosso favor e não desvalorizado uma ofensa gritante à masculinidade do médio formado em Alcochete, um facto que escapou a Narciso e nunca deveria ter escapado logo a um Narciso, que já se sabe ser alguém muito preocupado com a sua aparência física.
Adicionalmente, com Hjulmand muito abaixo do seu valor, Kochorashvili dentro da bitola meã a que nos habituou, Vagiannidis alternando o bom com o péssimo, Mangas num registo menos ofensivo e o sempre vertiginoso Quaresma desta vez claramente limitado no jogo aéreo (condicionado pela máscara), o Sporting nunca conseguiu sufocar o AVS. Pelo que, apesar dos dois golos de vantagem que entretanto havia logrado alcançar, o Sporting foi sempre dando razão aos avenses para acreditarem poder voltar ao jogo. E assim aconteceu, primeiro após uma mão na área de Hjulmand que me pareceu erradamente interpretada pelo VAR, depois na sequência de um abalroamento infantil de Vagiannidis a um avançado avense, lance desta vez muito bem analisado pelo vídeo-árbitro. E assim dos serviços mínimos passámos a um estado de alerta e até de emergência. E a um indesejável prolongamento em vésperas de deslocação ao Dragão. Já sem Trincão, entretanto substituído pelo festejado regresso do infortunado Nuno Santos, repetindo Rui Borges o mesmo erro que cometeu na meia final da Taça da Liga. Até que Catamo, respeitando o AvisoPROCIV que recomendava que os indivíduos se afastassem das margens, "bolinou" para dentro e marcou um golaço de Geny(o). Um alívio tardio, ainda que reconfortante, porque a noite podia ter acabado em sobressalto se em cima do fim do tempo regulamentar um isolado avançado avense tem acertado bem na bola. Mas não acertou, o Sporting ganhou e para o Dragão se moralizou. Foi como terminou um jogo em forma de assim (O'Neill), que em forma de assim também é aquela coisa a que dão o nome de AVS (ou AFS, ou lá o que é). Vamos!!!
Tenor "Tudo ao molho...": Geny Catamo


