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A Poesia do Drible

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

A Poesia do Drible

24
Jan26

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Um golo de café(tero) evitou a azia


Pedro Azevedo

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Há cerca de 1 mês atrás, Flávio Gonçalves foi integrado na equipa principal. Desde aí, a nossa equipa B perdeu 5 jogos consecutivos. Ok, a missão principal das equipas de formação não é ganhar campeonatos, mas sim desenvolver jogadores para a equipa principal, dir-se-á. Só que o Flávio jogou apenas 1 jogo a titular, contra o Vitória e depois saiu (com o resultado favorável de 1-0, no fim perdemos 1-2) e nunca mais voltou a pisar o terreno de jogo. Era uma oportunidade para um menino criado em Alcochete e uma ocasião para justificar a bondade do projecto de modelo centrado na jogador, mas Varandas meteu o projecto na gaveta e de uma assentada foi ao mercado comprar Luís Guilherme e Faye, num investimento conjunto de 20 milhões de euros. Em resumo, não só perdemos a liderança na Segunda Liga e 5 jogos consecutivos como também conseguimos desmoralizar toda uma geração de jogadores made-in Alcochete que certamente prestou atenção ao que aconteceu com o Flávio e agora sabe que precisa de nascer 10 vezes para ter uma oportunidade decente. E para quê? É Luís Guilherme um craque? Até agora não pareceu. É sequer melhor do que o Flávio? Não acredito, tem até um conhecimento muito inferior do jogo interior, só sabendo jogar por fora. Assim, a única diferença "positiva" entre o Luís Guilherme e o Flávio são os 14 (+3) milhões de investimento nos seus direitos económicos (que no Balanço alimentam a rubrica de "Activos Intangíveis") porque em potencial para mim é inferior e certamente está muito menos preparado para o modelo de jogo implementado por Rui Borges. Quanto a Varandas, também fica a perder, na medida em que desperdiçou a oportunidade de mostrar que a ideia do modelo centrado no jogador é para ser levada a sério e não apenas mera propaganda de ocasião. Porque na altura certa mandou às malvas as convicções (se é que as tinha) e foi dar mais uma voltinha no carrossel do mercado. Nada de novo, portanto, apesar das lendas e narrativas. Culpo menos Rui Borges do que Frederico Varandas. Desde logo porque muito poucos treinadores têm o perfil e a ousadia de apostar na formação (Luís Enrique, Leonardo Jardim, Flick...), pelo que se puderem rodeiam-se do máximo de jogadores possível. O que não faz sentido é uma política desportiva que implica ir-se ao mercado gastar fortunas em jogadores de idade equivalente às que temos em Alcochete. Porque ninguém contesta a aposta de mercado em jogadores que já provaram, mas estranha-se o investimento em quem ainda nada provou. Porque não somos um clube da Premier League que pode especular no mercado com aquilo que um jovem jogador se poderá desenvolver (o que muitas vezes é zero), a não ser que o seu custo de aquisição seja residual (e mesmo assim deveremos sempre considerar o custo de oportunidade de tapar um jovem proveniente da Academia).

Se a contratação de Luís Guilherme, à luz da propaganda do modelo centrado no jogador (da Formação) e dos avultados investimentos efectuados em Alcochete, fez muito pouco sentido, Rui Borges ter obrigado toda a linha avançada a rodar de posição em função da colocação de Luís Guilherme na direita (mais tarde regressou à posição inicial na esquerda) não fez sentido nenhum. Com isso, a equipa perdeu ritmo, rotinas e descaracterizou-se. Isso, associado à forma pouco intensa como entrámos para o segundo tempo, esteve na origem do Arouca ter voltado ao jogo, após Suarez ter-nos adiantado no marcador depois de ter iludido 3 adversários numa cabine telefónica. Não sei se Luís Guilherme é bom ou não, nem esse é o ponto. O que sei é que desconhece o país, a equipa e o campeonato português. E está sem ritmo, quase não jogou em Inglaterra. Além de que é muito jovem. Pelo que seria desaconselhável estar a lançá-lo prematuramente. Só que aqui entra na equação o avultado valor de investimento e a necessidade de justificá-lo. E assim, as oportunidades que são dadas a um jogador nestas circunstâncias estão nos antípodas das concedidas a um jogador da nossa Formação. Apesar das obras em Alcochete, dos Power Points e das várias narrativas plantadas nos jornais e nas TVs do costume. As coisas são o que são, e não o que gostaríamos que fossem ou o que quem nos toma por tolos quer nos fazer crer que são. Realidades e percepções, ou a arte da prestidigitação. 

Bom, o jogo caminhava para o fim com um empate no marcador que era um castigo justo para quem tantos erros conceptuais cometeu. Só que apareceu de novo Suarez e resolveu. Foi com a cabeça e o ombro, a fazer lembrar um outro colombiano (Teo Gutierrez) que era perito em marcar com partes do corpo nada ortodoxas. Este Suarez foi um achado, neste caso com mérito total da Estrutura. Com outra maturidade (27 anos), foi uma contratação de menos risco. E é impossível não ficar ainda hoje pasmado com o que trabalha, joga e marca (e falha, mas continua sempre a tentar). Um abono de família! 

Ganhámos, mas não ganhámos para o susto, que os nossos já antecipadamente débeis sinais de vida estiveram por um fio no que respeita à saúde neste campeonato. Já a respirarmos por um ventilador, esta vitória tardia foi uma lufada de ar fresco que pode indicar que a sorte mudou de lado, do norte para Lisboa. A ser assim, não deixaria de ser irónico que esses ventos da fortuna tivessem aparecido logo no momento em que fizemos tudo para que a sorte não nos bafejasse. Mas é assim a vida, e às vezes a sorte aparece quando menos a esperamos (ou merecemos). 

Tenor "Tudo ao molho...": Suarez 

 

18
Ago25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

O Inferno de Dante


Pedro Azevedo

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O inferno de Dante começou quando apanhou Geny pela frente. Entre reviengas para dentro, engodos por fora, túneis escavados por entre as pernas e "cabritos", o pobre do Dante reviveu a visão do inferno de Alighieri, formado por nove círculos (tantos quantas as voltas que deu sobre si próprio), três vales (em termos de maus momentos, depois de Geny, ainda teve de levar com Quenda e Vagiannidis), dez fossos (nem as obras no estádio esconderam a sua depressão profunda) e quatro esferas (aproveitando uma promoção especial, num pequeno desvio ao enredo original, as esferas foram na verdade 6, o equivalente em bolas redondinhas de golo). E se o Sporting ameaçou pela direita, acabou por ser pela esquerda que ficou em vantagem, através de Mangas. Depois. um jogador do Arouca, com os pitões em riste, usou as costas do Inácio como a ranhura de um TPA por onde se introduz o cartão de multibanco e, como débito, além de expulso, deu um penalty ao Sporting que Suarez logo converteu. Não tardaria muito até que Trincão, recebendo um passe de Inácio, marcasse o terceiro. Veio o intervalo, naquele jeito de muda aos 3 e acaba aos 6, e no recomeço o Vagiannidis apareceu no lugar do Fresneda. Os ganhos foram automáticos, no corte de cabelo e na qualidade do cruzamento. Então, mal tocou na bola, o grego aproveitou o facto do Dante estar a pôr 3 leões em jogo e proporcionou a Mangas o quarto da noite em formato de assistência, termo que no dicionário do Fresneda vem descrito como algo equivalente aos 12 Trabalhos de Hércules (Héracles), que por acaso também era grego (isto anda tudo ligado...).. 
Depois, o Quenda pegou na bola pelo meio e serviu no espaço o Suarez. Aquilo que se lhe seguiu poderia ser melhor explicado por praticantes de caça, tal o poder de coice da Browning que o Suarez tem escondida no seu pé esquerdo. O Suarez (é fixe!!!) tem uma espingarda no seu pé esquerdo e o Hjulmand uma máquina de flippers nos seus dois pés, sempre pronta a fazer "tilt" (que jogador!!!). O Harder entrou, e quando o dinamarquês pisa pela primeira vez o relvado a sensação é semelhante à de um touro a entrar numa arena. A vontade é muita, a falta de discernimento também. Por isso, não só perdeu um golo cantado como também não viu o Kocho desmarcado (pelo menos o Kocho não caiu, como naquela anedota com o fanhoso). Bom, mas eu havia-vos dito que isto mudava aos 3 e acabava aos 6, pelo que devem estar à espera do último golo. E ele existiu, às 3 tabelas, cortesia do Trincão , porque se com o Suarez é à lei da bala (já com a cabeça identifica-se muito com o Gyokeres) e com o Hjulmand há flippers, então o Trincão tem todo o direito a usar o taco de bilhar. 

Tenor "Tudo ao molho...": Ricardo Mangas. Hesitei entre ele, o Trincão e o Suarez, mas escolhi o olhanense porque, na comparação com os outros 2, cada golo seu é o equivalente ao preço de um café num jantar de marisco no Gambrinus. 

P.S. Suarez é fixe!!! Assinado: MASG (Movimento de Apoio Suarez a Goleador).

16
Fev25

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Reordenamento do Território e Hospitais de Campanha


Pedro Azevedo

Estamos a assistir nas últimas semanas no futebol português a um reordenamento do território. O período de Natal terminou no Dia de Reis, mas, no Sporting, continuámos a viver sob o signo do Pinheiro. Primeiro, no Dragão, um Pinheiro real, cujas raízes entortaram o campo em nosso desfavor. Depois, na recepção ao Dortmund, passámos do Pinheiro literal para o metafórico, o célebre Pinheiro do Paulo Sérgio. Só que em vez de um Purovic, com quem seria negociável lidar (desde logo por se tratar de um Pinheiro Manso), tocou-nos em sorte um Pinheiro da Guiné, um Pinheiro Bravo, da "griffe" Guirassy (os bons pinheiros têm "griffe" e valor de mercado a condizer). Nestas coisas de reordenanento do território, nada como escutar Gonçalo Ribeiro Telles. Ensina-nos o famoso arquitecto que os povoamentos de uma só espécie constituem um barril de pólvora. Vai daí, ontem, em Alvalade, a flora diversificou-se com Nogueira. É um caminho cujo precursor foi D. Dinis, marido da rainha Santa Isabel, o que faz algum sentido porque, com este Conselho de Arbitragem, para o Sporting ser campeão vai ser necessário um milagre de rosas. Como não há uma limpeza, o risco de se incendiar o ambiente é bem real, o que é potenciado pela ausência de montados de sobro ou de azinho, um tipo de pastagem que raramente arde e regenera com muita facilidade. Mas não só de ecologia vive o Homem e seria até redutor olvidar os erros cometidos naquilo que de nós depende, pelo que sobre isso elaborarei de seguida. 

A equipa do Sporting é um hospital itinerante de campanha com a maior ala de acamados de que há memória em tempos de paz. Em casa de ferreiros, espeto de pau, diz o povo na sua imensa sabedoria, logo uma pandemia de lesões musculares assim (altamente contagiante) não se gere com um presidente-médico. Talvez sim com um presidente-militar, outra valência tipo canivete suiço de Varandas (dispensa-se o corta-unhas... ao leão), uma espécie de um Gouveia e Melo para disciplinar a coisa e dar-lhe uma nova ordem (Deus seria a primeira opção, mas tem uma agenda tão carregada que suspeito não possa estar disponível para milagres como os que fez com Lázaro ou os paralíticos). Depois, há que lidar também com os momentos Monty Python que são uma idiossincrasia que caracteriza a nossa existência: ninguém espera a Inquisição Espanhola, da mesma forma que ninguém suspeita do que passou pela cabeça de St Juste na hora de enviar uma granada pronta a explodir no corpo de Rui Silva - um golo digno dos desenhos animados - ou os momentâneos lapsos de razão que levaram Hjulmand a pôr-se a jeito para um penalty e de seguida fazer-se expulsar. Pelo que, se é para continuar assim, mais vale vender os direitos dos nossos jogos ao Cartoon Network. Depois, há a questão do encaixe das peças. Não sei se é Tetris ou se são tretas, mas esta coisa de o Rui Borges pôr um segundo avançado a jogar a lateral direito é o mesmo que não termos nem segundo avançado nem lateral direito, pelo que começamos logo a jogar em inferioridade numérica. Também seria bom perceber onde anda o verdadeiro Inácio, porque o que vemos em campo é um seu holograma. Do Quaresma é que nem holograma, tanto derivaram o rapaz para a direita que acabou por sair pela linha lateral até acabar no banco de suplentes. "Nesse sentido", como repete até à exaustão o Rui Borges, deixou de contar, um Mistério da Estrada da Alcochete, sem o Eça ou o Ramalho (mais virados para Sintra) para darem consistência à narrativa. Assim, o Sporting vai vivendo da garra de Harder e de Maxi e do virtuosismo de Quenda. Enquanto espera pelo retorno do melhor Gyokeres como quem aguarda por D. Sebastião, na esperança de que não se confirmem as piores notícias que dão também o sueco como perecido em Alcochete-Quibir, local onde alegadamente o Sporting está a perder a cruzada pela Unidade de Performance. 

Tenor "Tudo ao molho": Harder

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15
Set24

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

O Limão-Mecânico


Pedro Azevedo

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Após o interregno necessário para o senhor Martinez (e todos os outros "senhores Martinez" das diversas selecções, ainda que na sua grande maioria muito menos bem renunerados) amortizar em trabalho de campo, e, no caso particular, na recuperação de salvados, uma pequena parte da bagatela dos 4 milhões de euros brutos anuais que a imprensa dá conta de ser o seu salário, regressou a Primeira Liga. O Sporting, líder do campeonato, visitava Arouca, pelo que o tema da semana andou à volta de como se poderia parar Gyokeres e, por conseguinte, o Sporting. O assunto logo à partida não mereceria o ruído que se fez à sua volta, pelo simples facto de que a única forma de evitar que Gyokeres faça estragos ser assegurar que ele fique em casa (e, ainda assim, acorrentado, pelo sim, pelo não...). Além de que levantava um problema: se todos os recursos tivessem de ser alocados ao sueco, que estragos poderiam fazer Pote ou Trincão? No fundo, a velha história da manta curta que ao cobrir os pés destapa a cabeça.  E foi exactamente da cabeça de Pote que nasceu o primeiro golo dos leões, em lance principiado por Gyokeres e continuado por Trincão. Confúcio um dia disse-nos que se um problema tem solução, então devemos concentrarmo-nos na solução, mas, se o problema não tiver solução, nesse caso não haverá razão para nos preocuparmos. Como o problema não tinha solução, os arouquenses iam trocando a bola desde trás, à espera que depois um milagre colocasse a bola num local promissor para um dos seus avançados facturar, mas Cristo foi ser profeta para outra freguesia (Arábia Saudita) e sem ele não houve o milagre da multiplicação dos lances ofensivos arouquenses. Nesse transe, o Sporting foi pressionando cada vez mais o Arouca, asfixiando o seu adversário: um auto-golo a nosso favor foi anulado pelo VAR por uma margem que seria desprezível para o John Holmes. Mas o que o VAR tirou com uma mão deu com a outra, mais uma vez na sequência de uma cabeçada de Pote que embateu num dos membros superiores do japonês Fukui. Chamado a converter, o Vik Thor Gyokeres mandou o guarda-redes para o vazio e a bola na direcção dos 3 pontos. Para o trabalho dos 3 Mosqueteiros ficar completo, só faltava Trincão molhar o bico: eis então que Gyokeres serviu um apoio frontal a Bragança e este logo meteu a bola em Trincão. O que aconteceu a seguir foi um momento de pura magia, em que dois arouquenses procuraram fechar o espaço e o ex-culé não lhes deu tempo, concluindo de forma indefensável. 

A mecanização do futebol do Sporting tem sido insustentável para os nossos adversários. Qual Limão-Mecânico, as rotinas de jogo do leão são altamente aromatizadas e vêm--se revelando amargas para os nossos sucessivos opositores, que têm sentido que a nova pele do leão tem casca dura e é bem difícil de roer. Segue-se o Lille, e com ele a possibilidade de internacionalizar este limão português que em boa hora Amorim desenvolveu num limoeiro mágico sito em Alcochete, local onde não se anda (ainda) propriamente a ver passar os aviões. 

Tenor "Tudo ao molho...": Francisco Trincão 

11
Mar24

Tudo ao molho e fé em Deus

Agricultura desportiva


Pedro Azevedo

Tenho-me batido neste blogue por uma sã cultura desportiva e como a sua existência em Portugal poderia catapultar o nosso futebol para outro patamar, o que nada nem ninguém me preparou foi para o tema da agricultura desportiva. Ainda assim, procurarei em diante estar em conformidade com o que ocorreu ontem no campo das cebolas de Arouca, cidade onde o Sporting plantou as sementes do que se espera ser o título de campeão nacional. Tratando-se de um campo de cebolas, a colheita será lá para Maio, restando perceber se ao descascá-las vamos chorar de tristeza ou de alegria. Eu acredito na aleg(o)ria. E em comê-los (aos rivais) de cebolada. 

Na antecâmara do jogo só dava Arouca. Nas televisões falava-se de um trio, de ataque ou de cozinha (descasca da cebola), temível. De Jason, Mugica e até de Cristo, o que sem dúvida era coisa para meter muito respeito. Ademais, ter Cristo do lado de lá, sem já haver Jesus deste lado para empatar, deixava em aberto a possibilidade de um milagre arouquense de multiplicação dos golos. Enfim, segundo os sábios, a perspectiva para o Sporting não se afigurava nada católica. 


Consultado o Borda d'Agua, constatei ser Março o mês ideal para semear cebolas, o que contrariava a ideia original de que seria mau deslocar-nos agora a Arouca. O Amorim também olhou para o famoso almanaque e forneceu logo as sementes. Ora, se o objectivo com as cebolas é sacar-lhes o bolbo, no futebol a nossa meta é libertar a potência do nosso Volvo. A cavalo da tecnologia sueca, pois claro, ou não tivesse o Gyokeres nascido na pátria dos ABBA. Como o Gyokeres é o sol, com ele as culturas desenvolvem-se viçosas. Vai daí, começámos logo a facturar. 


Com o campo muito pesado, o Quaresma não podia usar a sua óptima progressão com bola e arriscava-se a perdê-la algumas vezes. Inteligente, o Amorim substituiu-o pelo Inácio. Assim começou o segundo tempo, período em que tivemos melhor controlo do jogo. Mas como o controlo é ilusório e o tempo caminhava para o fim, o receio de levarmos com uma batata, plantada ao acaso num campo de cebolas, avolumou-se. Eis então senão quando o Catamo esfregou a lâmpada e soltou o Geny(o). Com o 2-0, pudemos por fim respirar de alívio. Quer dizer, pudemos todos menos os nossos Vikings, que ainda agora estariam a semear se não os tivessem tirado do campo a tempo. Em consequência, o Hjulmand roubou uma bola, o Gyokeres a dividida e o esférico voltou ao dinamarquês para acabar dentro da baliza do Arouca. Mesmo a tempo do anúncio do furacão Chega, que virou tudo à direita (espero que a "desVentura" não prejudique as colheitas). Cá por mim, pedia já um subsídio (afinal, é de agricultura que falamos, não é verdade?). 

Tenor "Tudo ao molho...": Gyokeres

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09
Out23

Tudo ao molho e fé em Deus

Um filho de uma grandessíssima APAF


Pedro Azevedo

Um ou outro jogo desta época havia-me deixado com sentimentos contraditórios. Eu explico: qualquer Sportinguista que se preze está habituado a ser um utente da FAVA - Federação de Apoio à Vítima do Apito -, pelo que a estima recente que eu vinha sentindo pela excelsa APAF só poderia ser proveniente de um Síndrome de Estocolmo provavelmente trazido para Portugal pela mão do Viktor Gyokeres. Ontem, felizmente, tudo voltou à normalidade, cortesia de um nobre filho de uma grandessíssima APAF que nos visitou no José Alvalade. Quem também nos veio ver foi o homem que lançou um tal de Cristiano Ronaldo no futebol profisional, Monsieur Boloni, cujas visitas são sempre uma boa surpresa, a quem me vou socorrer a propósito de um seu comentário a uma arbitragem de um jogo que envolveu o Antuérpia (antigo clube): "Si j'exprime mes sentiments, je vais utiliser un langage que je n'aime pas". Nada melhor então do que enterrar o assunto arbitral, até porque no fim ganhámos e "Je suis content, parce que je suis très content". Ganda campeão, Lazlo!!!

 

À hora em que Portugal já encantava em oval na cidade de ToWin, outrora conhecida como Toulouse, o Sporting entrou em campo para defrontar o Arouca, clube que a muito custo havia conseguido terminar o seu jogo no Dragão na janela das 72h de recuperação para a deslocação a Lisboa. Já se sabe, Sporting e Arouca são clubes que se desentendem até por sinais de fumo e os seus confrontos envolvem números de Circo Cardinali em que não faltam as cambalhotas do Vidigal mais novo. Isto, associado a um jogo europeu que nos correra mal, trouxe-me maus pressentimentos. Se para a azia há o Kompensan, para compensar os maus aúgurios toma-se 1 ou 2 Gyokeres e o assunto fica arrumado. E assim, à meia-hora de jogo, lá tomei a pastilha. Só que, mesmo a terminar a primeira parte, o árbitro pôs a correr o marfim como se de um Diomande em bruto se tratasse, e ficámos a jogar com menos 1. Sussurrei "Oh Trezza! - aonde é que eu já vi isto? -, e fiquei até a gaguejar. (Entretanto, à falta do Vidigal mais pequeno, o Trezza rebolava pelo chão em consequência de uma corrente de ar.)

 

A expulsão do Diomande não valera só por si, tivera também o ónus de perdermos o Edwards, que estava num dia absolutamente sim. Quando o inglês está nesse encantamento, o Sporting entra em piloto automático e o adepto ganha a sensação de que nada pode correr mal. Mas ele saiu e logo o Arouca empatou. O golo dos arouquenses foi um manual de bem descompensar toda sela: o Inácio veio ao limite da área, pelo lado direito, evitar um 2x1 e o Morita ficou para a dobra por dentro, mas o Hjulmand, sem ninguém para marcar num raio de 30m, não recuou para defender a entrada de um dos avançados ao primeiro poste e o Coates teve de deslocar-se para lá, deixando o primeiro avançado nas suas costas. De seguida, o Matheus Reis ficou a marcar o segundo e não dobrou o Coates, o que provavelmente teria acontecido se o Nuno Santos tem fechado ao meio, coberto o segundo avançado e permitido ao Matheus Reis ajudar o Coates. No fim, o Adán levou com a bola por cima da cabeça. Fui logo tomar um (des)Kompensan!  

 

Com menos 1, sem o Edwards e já empatados, o sentimento não era muito positivo. Mas aí jogou a nossa favor o efeito Gyokeres. Com a sua potência, ao pé dele os arouquenses até pareciam ter barriga de freira. E com o melindre, começaram a fazer roscas. (O que uma pessoa não é obrigada a fazer para promover a doçaria regional de Arouca...)  Tantos olhos puseram nele que deixaram o Morita solto para receber um passe adocicado (lá está...) do Pote, que entretanto havia trocado o tino a 2 defesas que giraram como piões. E o nosso Tsubasa não perdoou: 2-1!

 

Com a vitória de ontem, continuamos em primeiro. Depois, lá para o fim do mês, é possível que nos mandem à FAVA, no Bessa. Antes, porém, ainda teremos de ir aos Olivais. Ou Moscavide. Sem esquecer uma saída roscofe, na Liga Europa. De forma que só voltaremos ao José Alvalade no dia 2 de Novembro, para a Faca na Liga, que é aquela competição em que à partida já se sabe quem serão os semi-finalistas e o sorteio está feito à sua medida para tudo aquilo ser um passeio dos alegres a bem da competitividade que o Pedro Proença apregoa, naturalmente (é o que dá ter as meninges impregnadas por 3 camadas de gel, que uma coisa é ser brilhante, outra a brilhantina). Seguem-se mais 2 jogos em casa, um para o campeonato (Estrela), outra para a Liga Europa (Rakow), como tirocínio para o Benfica. Haverá melhor palco para um iluminista como Gyokeres do que o Estádio da Luz? Assim prevaleça a razão (que nos assiste). 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Gyokeres

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