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A Poesia do Drible

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

A Poesia do Drible

12
Nov25

Uma questão de Física


Pedro Azevedo

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Os árbitros e auxiliares estão habituados a determinadas trajectórias de bola - uma questão da Física, não do apito, mas que serve de apoio a decisões arbitrais (quando na dúvida). A deslocação do corpo (bola) na mente experimentada da equipa de arbitragem (consciente ou inconscientemente, o cérebro vai tipificando determinados padrões) figurava uma deflecção. E ela de facto existiu, simplesmente foi produto do levantamento  de um tufo de relva e não do corte de um jogador do Santa Clara. Já o canto não marcado a favor do Sporting, durante o primeiro tempo, deveu-se ao guarda-redes ter tocado na bola no exacto momento em que esta conectou o relvado, o que dificultou a percepção da equipa de arbitragem, acabando esta por assumir que a mudança ligeira de trajectória  da bola se havia devido ao embate no relvado (irregular) e não ao contacto com a luva do guarda-redes. Também aí se aplica a Física: quando um corpo sofre duas forças simultâneas, o resultado é um movimento que pode ser determinado pela soma vectorial das forças (Força Resultante). A direção e o sentido do movimento serão os da força resultante, conforme descrito pela Segunda Lei de Newton (Lei Fundamental da Dinâmica). Havendo honestidade intelectual, é assim tão difícil de entender as razões pelas quais a equipa de arbitragem errou em ambos os lances? Ou vamos continuar com esta lengalenga narrativa criada pelos dirigentes (e áreas de comunicação) dos clubes?

 

PS: Os jogadores, se jogarem mal, são apupados nos estádios e não têm como se defender, ficam em silêncio; os árbitros idem, com a agravante de receberem normalmente ameaças na sua vida particular. Já os presidentes chutam para o lado, deflectem (vem a propósito) as atenções dos adeptos, vêm a público e põem o odioso sempre em terceiros. Nesse transe, quem é que efectivamente se exime de assumir as suas responsabilidades e mostra não ter capacidade para aguentar a pressão? A resposta a esta questão explica o ruído ouvido este fim de semana. 

17
Out25

O meu louvor a Pedro Henriques


Pedro Azevedo

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O meu louvor para o Pedro Henriques, antigo lateral esquerdo do Benfica e emérito comentador desportivo, que eu já aqui havia destacado anteriormente como um dos três melhores do país. O meu louvor deve-se à imparcialidade que já demonstrava na SportTV e agora mantém na SIC Notícias (o meu apreço é mais lato e atribui-se a uma leitura dos jogos que não anda à boleia do momentâneo resultado nem de preconceitos técnico-tácticos que muitas vezes não reflectem as nuances que se vêem no relvado, bem como à gíria muito própria que emprega nos seus comentários e traz "cor" ao jogo, da qual destaco termos como "alegria nas pernas" ou "partiu a corda", por exemplo). Ontem, perante mais um reacender da fogueira em que se transformou a final da Taça perdida para o Sporting, com Rui Costa e Mourinho desta vez como perpetradores do fogo posto, Pedro Henriques chamou a atenção para o óbvio: independentemente das más acções do árbitro e do VAR que não puniram a inadmissível agressão de Matheus Reis, no lance do penalty, que permitiu ao Sporting reentrar no jogo, o Florentino fez-se ao lance com pezinhos de bailarino, o António Silva foi de carrinho quando devia ter ficado de pé e o Renato Sanches (na área) atirou-ae à bola (ou ao Gyokeres?) qual elefante em loja de porcelana, ainda que a prudência aconselhasse contenção porque Otamendi já vinha no encurtamento. Uma verdade inconveniente para a cartilha benfiquista (eleitoralista, da parte de Rui Costa, que no caso de Mourinho é só uma tentativa de colher frutos no futuro de um passado que nem sequer viveu de águia ao peito), mas que evidencia que os erros não foram apenas da arbitragem, houve leveza a mais, desatenção, desleixo e imprudência na forma como o Benfica deixou-se empatar nos últimos segundos do tempo regulamentar. 

29
Set25

Cá e lá


Pedro Azevedo

Na visita do Arsenal a St James Park houve um claro argumento para que os Gunners reclamassem 3 grandes penalidades não assinaladas a seu favor, todas elas muitíssimo mais nítidas do que aquela putativa que o Benfica reclama ter havido a favor do Estoril (e contra o Sporting). A verdade é que os protestos esgotaram-se durante o tempo do jogo, pelo que os seus ecos não durarão nem servirão para a criação de narrativas conspirativas e de vitimização, independentemente daquele que foi o critério seguido pelo árbitro (e VAR). E porquê? Porque se confia na arbitragem e aceita-se o erro, não há dúvidas acerca da idoneidade dos árbitros e aqueles que não seguem um comportamento ético, ainda que não relacionado com a viciação de resultados, são imediatamente afastados. Mas isso acontece em Inglaterra, o Start-of-Art futebolístico dos nossos dias. Já em Portugal, estamos na Idade Média, para não dizer que no tempo dos cromagnons e suas pinturas rupestres (há comentários que recebo neste blogue e envio imediatamente para o lixo que são menos elaborados que essa arte de caverna). Não se valoriza o futebol, duvido até que se goste de futebol. Gosta-se do clube, isso sim, e de ganhar, seja a que preço for, condicione-se o que tiver que se condicionar (basta analisar as eleições do Benfica e ouvir o que os candidatos dizem sobre essa matéria). No fim, o produto Futebol Inglês é altamente conceituado e o Futebol made-in Portugal, pese embora todo o talento do jogador nacional (os jogadores são o melhor que o futebol tem), não passa da cêpa torta. É o que é - como diria o outro. 

16
Abr25

E a APAF não “referee” isto?


Pedro Azevedo

Em 117 árbitros, auxiliares e VARs escolhidos para o Mundial de Clubes, Portugal ficou excluído do lote de 41 países que far-se-ão representar. Entre estes marcará presença El Salvador, aquele país que aqui há uns dias o Jorge Jesus, na sua proverbial jactância, questionou se teria futebol. É mais um sinal claro e inequívoco da falta de qualidade da arbitragem portuguesa, ainda que muitos queiram agora associar-se ao velório criado a partir da não eleição de Pedro Proença para o Comité Executivo da UEFA. Para essas "viúvas", relembro apenas que já no tempo de Fernando Gomes era frequente os árbitros portugueses ficarem fora das maiores competições internacionais de selecções. E a APAF (e o Conselho de Arbitragem) não "referee" isto? Talvez fosse bom meditar sobre os factos (e não apenas suposições). 

20
Dez23

Chicos-espertos


Pedro Azevedo

Eu, se fosse portista, não teria o descaramento de questionar a arbitragem do último Clássico. Por uma questão de honestidade intelectual, vis-a-vis as circunstâncias em que dois golos foram anulados ao Sporting e a entrada de Varela sobre Geny foi punida apenas com um amarelo (já nem falo da cotovelada de Taremi no Inácio). Porém, Miguel Sousa Tavares consegue questionar a expulsão de Pepe, afirmando que o central portista só quis "sacudir" Matheus Reis e argumentando que o lateral Sportinguista escapou impune e foi o prevaricador. Sobre isto tenho a dizer 3 coisas: em primeiro lugar, se o árbitro tivesse agido correctamente e em tempo real, Matheus Reis teria visto o cartão amarelo e Pepe sido expulso. Como se teve de recorrer ao VAR, Matheus Reis escapou ileso porque eventuais acções sujeitas a amostragem de cartão amarelo não fazem parte do Protocolo da vídeo-arbitragem; segundo, Pepe tem a mão aberta quando é empurrado por Matheus Reis, cerrando depois o punho no momento da colisão, pelo que sacudir foi o que Matheus fez, Pepe simplesmente esmurrou; finalmente, não gosto do tipo de chico-espertices preconizadas por jogadores como Matheus, cujo objectivo visa a reacção do adversário e consequente infração disciplinar. Porém, eu vi com os meus olhos ao vivo nas Antas os jogadores do Sporting serem agredidos e no final o santo do Juskowiak, o Peixe e o Vujacic é que foram expulsos, terminando o Sporting com 8 sob a complacência do árbitro Carlos Valente e dizendo assim adeus ao título (93/94). E recordo igualmente muito bem o que ocorreu em 2001/02, em nova visita às Antas, quando a Paulo Bento (58 minutos), o Pedro Barbosa (75 min.) e o Jardel (84 min.) foram expulsos, conseguindo ainda assim o Sporting um empate (2-2) a jogar com menos 3. Uma vergonha! Arbitrou o senhor Martins dos Santos, o mesmo que em 2013 foi condenado a ano e meio de prisão (com pena suspensa) por tráfico de influências visando a não descida de divisão do São Pedro da Cova. 

 

Estratégico ou não, estou em crer que o silêncio de Rúben Amorim sobre a arbitragem retira a desculpabilização e aumenta a exigência ao plantel do Sporting, contribuindo adicionalmente para que se promova e se discuta essencialmente o jogo e não os árbitros. É, como tal, uma atitude duplamente positiva. Mas não sejamos ingénuos: como a natureza tem horror ao vazio, logo a chico-espertice leva a que esse espaço de abordagem à arbitragem seja preenchido. Nesse sentido, Sérgio Conceição, ainda que o pudor não o tenha deixado ir mais longe, disse qualquer coisa sobre um fora de jogo (quando houve outro, assinalado a Gyokeres, em que o jogador estava no nosso meio campo) e Miguel Sousa Tavares logo extravasou para o caso de Pepe. Pelo que mais uns dias e umas intervenções e ainda chegaremos à conclusão que o Porto foi alvo de um roubo de igreja em Alvalade, passando essa versão à história. É este tipo de coisas que me chateia em Portugal, país onde não se é incentivado a ter uma postura correcta e decente porque é-se logo comido de cebolada. Por chicos-espertos, que inteligência é coisa bem diferente e essa não só não é valorizada como não existe em barda neste país. Talvez por isso vivamos da espuma dos dias, do momento e dos truques, e nos falte visão de longo prazo que traga efectiva prosperidade a todos. 

14
Nov23

Olhar para a árvore e esquecer a floresta


Pedro Azevedo

O futebol tem uma lei que determina que se o árbitro interferir numa jogada deve o jogo ser retomado com uma bola ao ar, que na prática é apenas disputada pela equipa que previamente a detinha. Todavia, se houver interferência nefasta do apito no resultado final de um jogo, nem o árbitro "vai ao ar" (suspenso), a bola regressa ao jogo ou há algo que compense o clube prejudicado. Conclusão: é o que se chama olhar para a árvore e esquecer a floresta, compensando o erro micro e fazendo vista grossa ao macro. Faz-me lembrar aquela história do contrabandista que diariamente passava a fronteira montado numa bicicleta e com um fardo de palha ao colo: todos os dias a Guarda-fiscal inspeccionava o fardo de palha à procura da candonga e o advertia para os perigos de condução com perda de visibilidade, mas o que o homem contrabandeava era bicicletas.

02
Out23

Dia Mundial da Não-Violência


Pedro Azevedo

Na sua newsletter diária, publicada esta manhã, o FC Porto assume haver várias jornadas do campeonato marcadas por erros de arbitragem com impacto na classificação. Como, coincidentemente, hoje comemora-se o Dia Mundial da Não-Violência, gostaria de congratular os azuis-e-brancos pela sua notável capacidade de autocrítica. Só faltou mesmo ilustrar o referido boletim com um mergulho de Taremi. Seria meiguinho.

taremi.png

21
Ago23

Futebol ou Judo?


Pedro Azevedo

Quando Nuno Almeida, o árbitro da recepção do Casa Pia ao Sporting, marcou falta a Gyokeres depois deste ter lealmente disputado um lance na grande área dos gansos com Vasco Fernandes, a fleuma do sueco virou irritação tipicamente latina. Um misto de raiva e de incredulidade se apoderou do jogador, que já anteriormente havia visto o capitão da equipa adversária escapar impune disciplinarmente após agarrão com projecção para o solo - dois lances claros que foram ofuscados pela polémica do off-side não assinalado, mas que mereciam ser passados pelas televisões vezes sem conta para que no final não restassem dúvidas sobre o óbvio: em Portugal demasiadas vezes o crime compensa e o lesado é duplamente penalizado. Só faltou o jogo terminar logo ali, após a carga do Vasco sobre o Gyokeres, e a vitória ser imediatamente dada aos gansos, aplicando-se assim as regras do... judo (ippon)...

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