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A Poesia do Drible

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

A Poesia do Drible

05
Nov24

E se corre bem?


Pedro Azevedo

Um Sporting mais realista do que há 2 anos atrás, definindo a zona de pressão sobre a linha de meio campo e não em cima da área do City, pode fazer um brilharete, hoje, no nosso José Alvalade. 

É essencial não permitir ao City construir desde trás porque tal significaria deixarmos demasiados homens à frente da bola e inúmeros espaços para os ingleses explorarem, um erro notório aliás ocorrido há 2 anos, quando a nossa equipa esticou sem bola o harmónio, oferecendo ao seu adversário um latifúndio entrelinhas para que cavasse a diferença entre as equipas. É preciso evitar a todo o custo, nomeadamente, as penetrações verticais de Kovacic, que quebra linhas com uma facilidade incrível em sprints de 10-20 metros e logo cria desequilíbrios a quem defende. 

Importante e decisivo será também controlar bem as movimentações da ala direita do City, onde Bernardo e Foden alternam para baralhar marcações e ainda há Walker para explorar o comprimento. Aqui talvez tenhamos o problema mais bicudo a resolver. Porque Matheus Reis poderia ser uma solução conservadora na nossa ala esquerda, equilibrando assim mais a equipa, mas devido à lesão de Inácio deverá jogar a central pela esquerda, pelo que Maxi terá aqui uma prova de fogo à sua maturidade táctica. A não ser que Debast jogue como central pela esquerda e entrem St Juste ou Quaresma para a direita, solução que não é da minha preferência pelo seguinte: o holandês muitas vezes deslumbra-se com a facilidade dos seus recursos técnicos e tem paragens cerebrais que lhe afectam a concentração, Quaresma é excelente, traz igualmente velocidade e saída de bola em progressão, mas vem de lesão prolongada e poderá estar sem o ritmo certo. 

Não sei se a opção de Amorim para fazer companhia a Hjulmand no meio campo passará por Morita ou Bragança. Se jogar o português, a ideia será ter mais bola, escondendo-a do City. Mas será isso realista dada a pressão que os ingleses exercerão? Talvez a melhor solução passe por tentar roubar a bola e rapidamente a endereçar a Gyokeres para que ele explore em transição a "profundidade"  e abra espaços para Pote ou Trincão aproveitarem as segundas bolas e uma eventual momentânea desorganização defensiva do City. Creio que essa deverá ser a melhor opção de jogo do Sporting. 

Na esquerda do ataque do City deverá aparecer o nosso velho conhecido Matheus Nunes. Todos conhecemos a sua qualidade de transporte de bola em velocidade e isso exigirá ao nosso ala direito que controle esses movimentos. O problema é que Guardiola irá pedir largura a Matheus, obrigando Geny ou Quenda a deslocarem-se para junto da lateral e assim abrindo muito espaço entre si e o central pela direita. Além de que por vezes Debast será obrigado a dobrar o seu ala, não tendo a velocidade de um Quaresma para o fazer. Aqui penso que um dos médios terá de ajudar a mitigar o espaço que se abrirá, evitando a entrada de jogadores entre o nosso ala e o central pela direita. 

Com bola, o Sporting terá numa primeira fase de ser rápido de processos. Se conseguirmos explorar a "profundidade", depois, numa segunda fase, caso não se gere o caos e não surja uma oportunidade para uma segunda bola, poderemos introduzir a nossa organização ofensiva, o nosso jogo de triângulos que visa isolar jogadores nas oblíquas da área contrária. É possível ferir o City nessa situação. Acresce que Aké e Akanji não são tão fortes na marcação quanto Dias ou Stones, o que poderá dar algum espaço livre na área para Gyokeres ou Pote. Por outro lado, esta dupla de centrais é mais competente na defesa do espaço, mais rápida, pelo que teremos de criar algum engodo de forma a não se concentrarem exclusivamente em Gyokeres e assim mais facilmente o abafarem quando este procurar o comprimento do campo. 


Em resumo, não será fácil ganhar este jogo, mas não é de todo impossível. Necessitaremos de realismo, pragmatismo e conhecimento daquilo que são as nossas melhores qualidades. As lesões e a falta de ritmo de algumas potenciais soluções que mais se adequariam ao que será preciso fazer no sector defensivo não ajudam e poderão ser decisivas a nosso desfavor. De como o Sporting conseguirá camuflar isso, dependerá em grande parte o sucesso ou insucesso da gigante empreitada que terá pela frente. 

 

PS: não mencionei Haaland... Este não pode receber a bola na área. Mesmo de costas, com aquela envergura é letal. E é um perigo na resposta aos cruzamentos laterais e um faról nos apoios frontais que dá, algumas vezes servido directamente pelo pontapé longo de Ederson.

city.jpg

07
Ago24

Eles que paguem as favas


Pedro Azevedo

IMG_3349.jpeg

Após uma derrota traumatizante, mais até pela forma como ocorreu, nada melhor do que jogar logo a seguir. Jogar é terapêutico, o melhor remédio contra a dúvida, a ansiedade e a depressão. Do outro lado vai estar o Rio Ave, uma boa equipa mas a anos-luz do potencial do Sporting. Por isso, não podemos passar da euforia incontida para a depressão mais profunda, da vertigem de, qual Hummer, passarmos todos os adversários a ferro para o pânico de sermos atropelados pela carrinha de gelados da Olá (para refrescante já chegou o balde de agua fria que levámos em Aveiro). Pelo que então joguemos, joguemos e façamos recair sobre os vilacondenses a frustração do nosso desaire anterior, que é como quem diz, eles que paguem as favas. Que são verdes, uma das cores históricas do nosso equipamento (a outra é o branco), agora tricolor por imposição dos marketeers. E o Rio Ave nada? Não, dos rioavistas devemos esperar luta, ousadia e intrepidez próprias de quem se lança ao mar todos os dias sem saber se regressa. Assim é a sua natureza, e a natureza não mente nem se desmente. Então, não duvidemos nós da nossa natureza, do nosso ADN de leão, de um clube que nasceu para ganhar, e mostremos aos vilacondenses e ao mundo a raça de que somos feitos e a qualidade do nosso futebol. E, já agora, a qualidade também dos nossos jogadores, que só precisam de voltar a acreditar em si próprios, não se deixarem corroer pelo pessimismo e sentir o apoio e estímulo da melhor massa associativa do mundo. Marquemos então o reencontro com a nossa história para Sexta-feira, que o fim de semana passado foi apenas uma triste nota de rodapé numa história gloriosa e que se pretende que continue viva mais nos relvados do que no museu. 

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