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A Poesia do Drible

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

A Poesia do Drible

14
Nov24

Amorim contra “Weltschmerz"


Pedro Azevedo

Os adeptos do Sporting passaram décadas com a consciência de que o que o clube demonstrava no campo não estava de acordo com a sua grandeza. Quer dizer, na mente do adepto, o Sporting era o maior, mas depois, na prática, os resultados não se adequavam a esse pensamento. E isso chegou a ameaçar mudar a mentalidade do adepto, tornando-o mais conformista, menos ambicioso, com laivos até de fatalista - um non sequitur, porque o que havia a fazer era mudar os resultados e não a mentalidade. Os alemães, que são pródigos em encontrarem palavras que designam condições, chamam Weltschmerz ao sentimento causado quando o estado físico não permite acompanhar a idealização da mente, e os adeptos Sportinguistas padeceram dessa angústia durante muito tempo. Até que chegou Rúben Amorim, que com o seu optimismo - "E se corre bem?" - , liderança e comunicação, mas também com as suas convicções e inteligência (sistema de jogo inalterado de base, mas sempre sujeito a sucessivas nuances de dinamicas introduzidas com o propósito de o melhorar), devolveu na prática, e não apenas em teoria, o estatuto de grande clube ao Sporting. Com alguns erros pelo meio, como foi o caso dos avançados móveis, mas aprendendo com eles e sabendo evoluir a partir daí. Também, aqui e ali demonstrando alguma azia por o clube não segurar alguns dos seus melhores jogadores em momentos críticos (caso Matheus Nunes), mas de uma forma geral chamando a si a razão dos pontuais inêxitos (os êxitos sempre partilhou com toda a Estrutura) e assim mostrando uma notavel solidariedade com a administração da SAD e a sua entidade patronal. Chegou, por fim, a hora da sua partida, longe de ser a ideal. Mas fica uma obra, um ideário, um roteiro de sucesso que vai servir ao novo timoneiro, cenário bem diferente daquele que Rúben encontrou na sua apresentação em Alvalade. E há também um plantel motivado, com bons hábitos profissionais e que tem um pilar fora e dentro do campo que se chama Hjulmand, não por acaso precocemente elevado a capitão. É sobre estas boas fundações que futuramente assentará o trabalho de João Pereira, e esse parece-me augúrio suficiente de que o caminho de sucesso continuará a ser percorrido nesta temporada. Depois haverão outras, novos plantéis se formarão e com eles novos testes e desafios à liderança de João Pereira, cujo legado é difícil mas bom. Pior seria se fosse mau... E mau será perdermo-nos em sebastianismos que minem o trabalho do novo treinador, o que não significa que não sejamos para sempre reconhecidos por aquilo que Amorim fez por nós, que foi muito e até impensável, observadas as circunstâncias em que encontrou o clube, tendo sido para mim o melhor e mais dedicado treinador que vi ao longo da minha vivência de Sporting. 

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29
Out24

Amorim deve continuar


Pedro Azevedo

A ida de Ruben Amorim para o Manchester United, a concretizar-se neste momento, será um "loose-loose" para ele e Sporting. Primeiro, porque o Man Utd é presentemente um cemitério de treinadores, um clube sem uma estratégia de longo prazo e cujas vagas de contratações são como espuma de ondas que prometem muito até rebentarem com estrondo e assim morrerem na praia. Nesse sentido, é impossível não ver um nexo de causalidade entre o recrutamento de Cristiano Ronaldo e agora a preferência por Ruben Amorim, como se o objectivo fosse apenas o de antecipação ao rival da cidade, o Manchester City, agora que Viana já está certo em Maine Road e Guardiola não é seguro que continue. Ora, todos sabemos como acabou o folhetim Ronaldo em Old Trafford...

 

Para o Sporting, a saída prematura de Amorim, agora que ultrapassámos apenas o primeiro quarto do campeonato, também não seria nada boa. A equipa está muito mecanizada no sistema de jogo que o treinador aportou a Alvalade e embora tal pudesse ser replicado com João Pereira, por exemplo, o carisma e a facilidade de comunicação demonstrados por Amorim dificilmente seriam clonados, assim como os graus de liberdade para a formação do plantel de acordo com as ideias exclusivas do treinador seriam necessariamente diferentes. Acresce que Ruben assumiu no Marquês perante os Sportinguistas o desafio de ganhar o bicampeonato e posteriormente zelou pela manutenção dos principais activos, pelo que a sua saída prematura soaria como uma traição face a um objectivo/compromisso com que Amorim quis propositadamente marcar a agenda leonina para 2024/25.

 

Não sendo de desprezar, obviamente, a ambição do treinador de treinar na Premier League, algo que ficou bem claro e patente aquando do interesse de Liverpool e West Ham, o timing para ele não será o melhor. Desde logo porque terá de esperar por Janeiro para adequar o plantel do United às suas ideias, depois também porque esse reforço poderá passar pelo desfalque do clube que o catapultou para o estrelato. Por todos os motivos, seria mais lógico e prudente que Amorim fizesse essa opção no verão, saindo de Alvalade pela porta grande e dando tempo ao clube para organizar o seu mercado. Mesmo o atractivo de pegar num clube na mó de baixo, correntemente décimo quarto classificado na Premier, não me parece ser sedutor o suficiente. Porque dificilmente Amorim terá a autonomia, poder de decisão e respaldo da administração que tem em Alvalade e ainda terá de contar com alguma desmotivação dos jogadores do United agora que o objectivo principal da época parece perdido e mesmo a qualificação para a Champions se afigura muito complicada. E isso será um risco muito sério, passado o efeito positivo que uma chicotada psicológica sempre tem nos primeiros tempos. 

Claro que Amorim estará agora a pensar que há comboios que não param duas vezes, mas também deverá reflectir se para a sua carreira será melhor apanhá-lo na gare de origem ou num qualquer apeadeiro. Especialmente num clube com tantas estações em que há sempre alguém com vontade de entrar, o que suscita um arranca-e-para cíclico que não permite que se anda à velocidade de um TGV. 

 

P.S. O ciclo vicioso do United pós-Ferguson não é novo: após a saída de outra figura marcante do clube (Sir Matt Busby), o Man U esteve 26 anos sem ganhar o campeonato inglês. E mesmo Ferguson necessitou de 7 anos para vencer, manutenção no cargo que só foi possível porque tinha créditos acumulados pela conquista da Taça dos Vencedores das Taças no Aberdeen (final contra o sempre poderoso Real Madrid). Ora, o último título de campeão do United data de 2013 e desde aí já por lá passaram 7 treinadores...

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27
Abr24

Amorim e o futuro


Pedro Azevedo

Custa muito a crer que aquilo que agora é claro para Amorim não o tenha igualmente sido na segunda-feira. Ou foi o resultado do encontro tido com o West Ham que determinou que a viagem a Londres tenha sido um "erro" ou "asneira"? Em todo o caso, ficou evidente a vontade do treinador em sair. Por vontade de tomar novos desafios ou por entender que, ganhando o campeonato, o seu período em Alvalade estará terminado. Se este último for o caso, então permitam-me elucidar (iluminar) Amorim de que pode estar a deitar para trás das costas a possibilidade bem real de abrir um ciclo virtuoso no Sporting, semelhante ao que o clube viveu entre o final da década de 40 e os primeiros anos da de 50. Porque esse é o cenário que se abre com um Porto presumivelmente a testar uma nova liderança e um Benfica onde a contestação a Rui Costa é crível que aumente na proporção em que treinadores investidos de escudos protectores irão ficando por o caminho. Pelo que é de uma oportunidade histórica de vincar uma era que estamos a falar, algo que não pode deixar de sensibilizar Amorim. Isso acontecendo, será depois questão de a administração da SAD lhe fazer sentir que o núcleo duro da equipa se manterá e que episódios como os que levaram Matheus Nunes a sair inesperadamente não se repetirão. Essas serão as condições ideais ("Goldilocks") para o sucesso e Amorim poderá ser o arquitecto por detrás do ciclo. Uma saída agora, para lá de um risco enorme para si, seria também um risco elevadíssimo para o Sporting, que tem um elenco de jogadores e uma equipa de futebol mecanizados num sistema e dinâmicas com assinatura de autor. Um cenário portanto indesejado e que deve ser evitado pelas partes, criando perplexidade que a SAD tenha sido informada da viagem e não a tenha impedido em nome de um bom-senso que agora Amorim vem reconhecer não ter tido. Nada porém que não lhe deva ser perdoado em nome dos bons serviços prestados ao clube, que para se cometerem erros basta ser humano. Mas, antes, há que voltar a pôr os bois à frente da carroça para que esta ande para a frente, em direcção à meta. Já amanhã, no Dragão. O resto será discutido depois. No silêncio dos gabinetes e sem promessas vãs. O contrário só iria afectar mais a imagem do clube e do seu treinador, este último tendo-se deixado envolver num jogo onde tem sido sistematicamente preterido, quiçá porque as contrapartidas que pede aos clubes interessados, relacionadas com o processo de tomada de decisão em matéria de contratações e filosofia de jogo, só o Sporting está em condições de lhe garantir. Homem inteligente, Amorim não precisará certamente de dar a volta ao mundo para compreender isto, poupando-se assim ao desgaste. Investindo na Europa, mas cá dentro, o que no futuro poderá ser determinante para impôr as suas condições a novos interessados (Mourinho e AVB foram para gigantes europeus depois de terem vencido a Champions e a Liga Europa, respectivamente).

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22
Fev24

A estatística confirma a qualidade do trabalho


Pedro Azevedo

Actualizado o ranking GAP, o que se conclui? Bom, há dois indicadores que saltam logo à vista. O primeiro é que, após 35 jogos, Rúben Amorim conseguiu o número impressionante de 80% de vitórias. O segundo é que Viktor Gyokeres lidera os rankings de golos e de assistências, sendo claramente o nosso jogador mais influente e MVP (Most Valuable Player). E, se do ponto de vista quantitativo, os nomes de Amorim e de Gyokeres se evidenciam, no plano qualitativo é impossível não dar relevo à forma como o Sporting domina os adversários e roda o plantel ou o sueco se destaca na procura da profundidade, serve de pivô para combinações interiores ou demonstra frieza na cara do golo. Por tudo isto, a carreira do Sporting em 23/24 é indissociável da qualidade de jogo apresentada por Rúben e das prestações de Viktor, restando a nós esperar que o foco do treinador e a energia do sueco não se esgotem a fim de que a época se possa concluir com a tão merecida glória. Não esquecendo, claro, a importância da restante equipa técnica e jogadores. Porque ninguém ganha nada sozinho e a qualidade técnica, física, táctica e mental medida individualmente não substitui um colectivo forte e a apontar todo na mesma direcção. 

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