Tudo ao molho e fé em Gyokeres
Xeque ao Rei
Pedro Azevedo

O Sporting entrou no jogo como em tantos outros jogos quando do outro lado está outro grande: o Leitor imagine uma dona de casa que liga a máquina de lavar, coloca lá dentro a roupinha de algodão, põe a temperatura a 60 graus, acciona o ciclo de lavagem mais longo e posteriormente a secagem à temperatura mais elevada possível. Como consequência, a roupa encolhe. Assim também tem sido o Sporting de Rui Borges nestes jogos: encolhido (o algodão não engana). Aqui fica um exemplo: a primeira linha de pressão costuma situar-se à saída da área do adversário. Pois neste jogo ela estava pouco acima da linha divisória do meio campo, como se estivéssemos a jogar com o PSG, o City, o Bayern ou o Barcelona. Mas estes clubes que referi não queimam tempo, não procuram quebrar o ritmo de jogo, não o param mesmo para que os seus treinadores possam chamar os jogadores à linha lateral para proceder a ajustes tácticos como o Porto faz abundantemente, jogam à bola. Por isso, na minha opinião, o Sporting deveria preocupar-se mais com os seus princípios de jogo e menos com a falta de princípios do jogo que Farioli implementa no Porto. Um Porto de combate, sem dúvida, mas que joga poucochinho, se não quisermos confundir futebol com wrestling. Assim, além das acções individuais de William Gomes, pouco mais Porto houve a nível ofensivo. Por isso, a partir do momento em que Maxi (estrondosa segunda parte) acertou a marcação ao brasileiro, o ataque do Porto desapareceu, com a honrosa excepção de uma "bisca" de longe de Alan Varela. Antes, o Porto deveria ter ficado reduzido a 10 elementos quando Alberto Costa entrou num "tackle" deslizante sobre Geny e lhe acertou em ambas as pernas de uma só vez. O árbitro não viu e o VAR não accionou o mesmo expediente usado na época passada em Aves para expulsar o Diomande com um segundo amarelo, uma chico-espertice à portuguesa que consistiu numa violação do protocolo à conta de uma alegada infracção para cartão vermelho que toda a gente na altura viu que seria excessiva. Adiante...
Se no primeiro tempo pouco se jogou, na etapa complementar o Sporting conseguiu impôr o seu jogo. Com Hjulmand e Morita a controlarem as operações a meio campo, Trincão finalmente a encontrar espaço entrelinhas e Suárez a conseguir libertar-se da marcação apertada dos centrais do Porto, os leões tomaram conta do jogo. E, apesar de uma definição sofrível dos lances no último terço do campo, chegariam ao golo depois de uma exuberante jogada de Suárez pelo lado esquerdo ter visto Fresneda conseguir acertar no poste a 1 metro da linha de baliza. Felizmente, a bola sobrou para Hjulmand e este foi abalroado por Fofana, pelo que não restou opção ao árbitro que não assinalar um penalty que Suárez converteu em golo. Até ao fim, o Sporting poderia ter ampliado a vantagem, mas, mesmo partindo à frente, o motor do Mini de Bragança afogou-se perante os cavalos a mais de Pêpê e a oportunidade perdeu-se.
Perdido o jogo, logo André Villas-Boas e Farioli se destacaram pelo seu mau perder. Sobre o treinador italiano, que goza das boas-graças da boazinha e subserviente imprensa portuguesa, abro uma excepção para dizer o seguinte sem meias palavras: é um sonso, um "pintoso" armado ao fino, um "pinga a azeite" cujo Princípio de Peter ficou evidenciado quando trocou a profissão de treinador de guarda-redes (na equipa técnica de De Zerbi) pela de treinador principal. Porque enquanto treinador de guarda-redes estimulava o jogo à mão que é comum a modalidades como o andebol ou o basquetebol onde os descontos de tempo fazem parte das regras do jogo. No futebol profissional, não fazem (como caso de estudo sobre a hipocrisia ficou a distinta lata de se ter pronunciado sobre os alegados 5 minutos adicionais que o Sporting se terá demorado a mais no balneário ao intervalo). Rui Borges pode ter origens humildes, mas ao pé de Farioli é um senhor. E também bem menos provinciano do que aqueles que aceitam como bom o comportamento execrável deste italiano que veio para Portugal falar "ingalês" apoiado numa suposta ironia "brutânica" com que vai criticando árbitros, jogadores. os seus pares treinadores e instituições deste país que lhe dá guarida, ele que de fracasso em fracasso pelo mundo veio encontrar no norte do nosso país um último Porto de abrigo. Até ao dia em que lhe acenem com um "Arribederci", com sotaquezinho nortenho e trocando os "v" pelos "b", assim que o oxigénio acabe, a superioridade física da sua equipa se desvaneça (tomem nota do que ocorreu em Nottingham) e fique ainda mais evidente para todos a vacuidade da proposta futebolística que trouxe consigo para Portugal. Joguem à bola!!!
Ja o Sporting, mesmo que a jogar xadrez por muito mais tempo do que eu gostaria, acaba por sair deste "match" com um xeque ao rei (líder actual do campeonato). No Dragão haverá mate (nem que o Maxi o traga de casa). [O mate é uma bebida típica do Uruguai.]
Tenor "Tudo ao molho...": Hjulmand









