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A Poesia do Drible

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

A Poesia do Drible

08
Nov23

Que(n)da para o drible


Pedro Azevedo

Geovany Quenda é a mais recente coqueluche de uma ilustre casa de extremos que já desenvolveu talentos como Futre, Figo, Ronaldo ou Nani. O que mais impressiona em Quenda é a sua tomada de decisão, facto singular num jovem de apenas 16 anos, o que torna um paradigma comum os lances em que se envolve terminarem em remate ou passe, raramente se perdendo em ínterins. Dotado de um pé esquerdo magnífico, alicerçado numa velocidade vertiginosa com ou sem bola, tanto podemos ver Quenda a recrear-se contra o mundo em drible como a mostrar visão de jogo na interacção com a restante equipa. Nesse sentido, o golo a Marrocos, pela Selecção de sub-17, em que iludiu 5 adversários sempre em progressão até finalizar em golo, terá sido o pináculo da sua ainda jovem carreira e deixou água na boca quanto ao futuro. Esses são bons augúrios, mas é preciso não esquecer os perigos: dada a sua juventude, o risco de deslumbramento é real, pelo que todos os cuidados serão poucos para que tão extravagante talento não se perca pelo caminho. Como sempre, Academia (tem a grande responsabilidade de saber lapidar um diamante de tão exclusivo quilate), família e o próprio jogador serão decisivos na evolução deste jovem prodígio. É que não faltam por aí exemplos de promessas nunca concretizadas que contrastam com a história das mil e uma noites de Ronaldo, pelo que o foco do jogador não deverá estar no estrelato mas sim no trabalho requerido a quem quer tocar no firmamento do futebol mundial. Boa sorte, Geovany Quenda, e que a sua estreia não seja um fim mas sim o princípio de uma história de encantar! Sempre com humildade e muito trabalho.

 

P.S. De notar que na equipa principal não existem posições de extremo, comuns ao sistema de 4-3-3 posto em prática nos escalões da Formação, o que cria uma dificuldade adicional para jovens como Quenda. Este ter-se-á assim de adaptar a ala/lateral ou interior. A recente inovação praticada por Amorim no Bessa, em que um central fechou na ala direita e Geny jogou mais adiantado, como se de um extremo se tratasse, pode ser a solução. 

PS2: Há 4 anos que a equipa principal joga em 3-4-3. Faz sentido os escalões de Formação ainda terem como sistema o 4-3-3? Como é que se desenvolve eficazmente um jogador - Modelo centrado no indivíduo - , se depois o sistema em que cresceu e aprendeu competências é diferente do praticado na equipa principal? Existindo já o natural abismo entre futebol de jovens e o patamar do futebol profissional, esta dificuldade adicional não será areia a mais na engrenagem? Será coincidência que apenas Gonçalo Inácio, que na Formação oscilou entre central e lateral esquerdo e portanto estava especialmente habilitado para se adaptar a um sistema de 3 centrais, e Nuno Mendes, um lateral de forte propensão atacante, tenham singrado na equipa principal nos últimos 4 anos? 

geovany_quenda.jpg

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