O que os ecos da Luz nos dizem
Pedro Azevedo

Considero os ecos do jogo da Luz e nomeadamente o desagrado dos nossos adeptos com a exibição (mais do que com o resultado) como um sinal muito positivo, de exigência mas também de evolução. Empatámos na Luz, onde ontem o campeão italiano e líder do seu campeonato perdeu, e perdemos em Munique pelo mesmo resultado que o campeão do mundo Chelsea foi derrotado e contra uma equipa que já nesta edição da Liga dos Campeões havia vencido em Paris o actual detentor do troféu maior do futebol europeu. Como consequência, houve muitas críticas. Mas isso é bom, na medida em que não se vai longe pensando pequeno. Ademais, os adeptos só têm essa exigência para com a equipa porque ela já provou ser capaz de jogar um bom futebol, na minha opinião o mais elaborado tacticamente entre os clubes portugueses. E isso é também produto do muito mérito de Rui Borges, um treinador muito forte no trabalho de campo e que tem uma bela ideia de jogo, a quem só faltará uma outra conscencialização da sua própria competência (por vezes a humildade em excesso do líder, que é um valor que enobrece qualquer indivíduo, limita o colectivo que está à sua volta e a prossecução de objectivos mais ambiciosos) e a destruição de certos preconceitos com a idade dos jogadores da Formação, alguns deles a já mereceram mais oportunidades. [ Para jogar no espaço entrelinhas onde Pote é rei, Flávio Gonçalves é muito melhor opção do que Alisson porque replica muito melhor os movimentos do habitual titular da posição, enquanto Alisson é essencialmente um jogador que estica o jogo no corredor mas não compreende tão bem o jogo por dentro. A consequência de Flávio não vir eventualmente a ser testado será mais uma corrida ao mercado e um investimento de umas dezenas de milhões de euros, ficando-se sem perceber se a solução não estaria em casa.]
