O ausente omnipresente
Pedro Azevedo

Embora qualquer referência ao seu nome tenha estado ausente na generalidade dos comentários da imprensa desportiva, a semana futebolística ficou marcada pela omnipresença de Fernando Madureira. Sim, esse mesmo: Fernando Madureira, o líder dos Super Dragões. Surpreendidos? Eu explico. Na terça feira, na Luz, o Prestianni alegadamente confundiu o Vinícius com o Madureira e a medo denunciou qualquer coisa que fez o árbitro accionar o protocolo (anti-pretoriano) com tanta rapidez e eficácia que até o primeiro-ministro, presente na Tribuna do estádio, ficou com vontade de o convidar para presidir ao SIRESP. A omnipresença do Fernando na Luz foi um autentico "Vini (Jr, no original Veni), Vidi, Vici". Nem o Júlio César ao passar o Rubicão, só mesmo o Fernando ao sair da prisão ... (A Comunicação do Benfica bem podia ter prestado este esclarecimento em vez de explicações tão débeis que mais soaram a falecimento por vontade própria.)
A semana também foi de bate-boca entre Porto e Sporting. Motivo: também Villas-Boas sentiu no Dragão a pressão do regresso de Madureira. Vai daí, logo recuperou aquelas velhas práticas rupestres da instituição que fazem as delícias dos adeptos mais radicais das claques do futebol. Paradoxalmente, um clube que já foi a bandeira da descentralização é hoje o clube da centralização: do vídeo, do ar condicionado, das bolas de futebol... Sempre com a Lei de Lavoisier no pensamento: "Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma". Exemplo: na baliza do Sporting já não entram bolas impulsionadas por apanha-bolas (que agora as escondem). Em compensação, da baliza do Sporting saem uns atoalhados manhosos que caem que nem um luva num daqueles WCs ambulantes que o Porto disponibiliza para a malta das obras, que obra é um adepto prestar-se a ser visita no Estádio do Dragão. É a natureza a transformar-se, o que encontra o hospedeiro ideal naquele princípio liberal de "laissez-faire la nature" que caracteriza os supervisores do futebol português. O problema é que sem regras (ou regras lassas) logo surgem as ervas daninhas e trabalho adicional emerge para quem só joga na relva...
