Maneater United
Pedro Azevedo

Alex Ferguson, aquando da sua reforma (2013), deixou-a presa numa bigorna em Old Trafford e nenhum treinador até agora foi capaz de levantar a Excalibur como um facho e afirmar-se como o herdeiro legítimo do escocês. Atraídos pela vaidade e ambição de serem o escolhido, os putativos sucessores ("Artures") têm vindo, um a um, a cair, triturados pela devoradora máquina do Manchester United. Que já foi um Ferrari, mas hoje é um Mini. Todo artilhado, com pneus de perfil baixo, jantes de competição, motor aditivado e estofos de pele de zibelina com acabamentos a ponto de pérola, mas sem deixar de ser um Mini. Ruben Amorim é a mais recente vítima desse logro competitivo que é o Man U. Também por culpa própria, que o timing que escolheu para se associar ao projecto foi desastroso. Não foi por falta de aviso sobre os riscos de abraçar a equipa a meio da época, sem tempo para treinar uma mudança de sistema táctico, que o tecnico português deu o sim aos ingleses. Mas, impulsivo e com medo que a oportunidade não voltasse a passar-lhe pela frente, tomou o risco. O resultado está à vista: depois de uma época desapontante, uma das piores da história do clube, o início desta temporada não está a ser melhor, com um empate e uma derrota na Premier, a que se soma a humilhante eliminação de ontem à noite, para a Carabao Cup (Taça da Liga), aos pés do Grimsby Town, um clube da League 2, o quarto escalão competitivo inglês, que curiosamente equipa à "Varzim". Não é só o facto de a equipa partir-se muitas vezes em campo, os erros individuais subsistem desde o primeiro dia. E parecem faltar jogadores capazes de fazer a diferença, o que intriga face aos milionários valores de transferência de Matheus Cunha, Mbeumo e Sesko. Além disso, a atitude colectiva é deplorável, os jogadores parecem descrentes e a equipa precisa constantemente de encaixar 1 ou 2 golos para ter uma postura competitiva minimamente admissível. A inferioridade numérica a meio campo também não ajuda, mas disso Amorim teimosamente não está disposto a abdicar. Depois, produz-se o paradoxo quando, após elevadíssimo investimento em avançados, o mais letal atacante da equipa é um defesa (Maguire) que nem sequer é particularmente bom. Enfim, um pesadelo sem fim à vista e que nos alerta para a importância do timing nas decisões que tomamos na vida. Deixando aqui o meu lamento, porque não só simpatizo com Amorim como o United é o meu clube em Inglaterra desde que o Best me apareceu à hora de almoço de um Sábado ou Domingo (não consigo precisar a esta distância) a ensinar futebol através do ecrã da televisão (RTP), era eu ainda um menino de babete.
