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A Poesia do Drible

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

"Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse aquém..." - excerto de "Quasi", de Mário de Sá Carneiro

A Poesia do Drible

03
Dez25

Eficiência ou eficácia?


Pedro Azevedo

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As características distintas de Luís Suarez e de Viktor Gyokeres mostram-nos a diferença entre eficiência e eficácia, conceitos que parecem idênticos mas não o são. O colombiano é eficiente, no sentido em que tem rendimento: trabalha muito, combina bem com os colegas, a bola com ele parece mais redonda a por isso fica a sensação de que o jogo é mais bonito. Por outro lado, o sueco sempre foi eficaz, na medida em que aproveitava mais do que falhava as oportunidades de que dispunha, muitas delas criadas pelo próprio. Se o Suarez é um jardineiro, que planta as sementes, escolhe os adubos e dá à rega, o Gyokeres era um caçador. Por isso, com ele, o Sporting tinha um perdigueiro sempre à procura de abocanhar a sua presa. (Autónomo, ele era também o sol sem o qual as plantas murchariam por falta de fotossíntese e não haveria boas colheitas.) Mas, como quem não tem cão precisa de caçar com gato, Suarez tem à sua volta Pote, que na última época pouco pôde ajudar, Trincão na melhor forma da sua vida, Quenda mais desequilibrador do que nunca, um Geny ímpar no 1x1 e o leão de raça uruguaio que o Sporting foi descobrir no México (Maxi), com quem se entretém a desfiar a novelo do futebol da equipa, todos ancorados na máquina de flippers que Hjulmand transporta nas botas e no GPS que Inácio tem nos pés, os jogadores que habitualmente colocam a bola naquele espaço entrelinhas, que faz lembrar as trincheiras usadas nas Grandes Guerras, onde o Sporting estabelece a linha de (des)montagem que vai desenovelando o seu jogo. Por isso, a discussão entre Suarez e Gyokeres é também o debate entre eficiência e eficácia. Se é certo que, com Gyokeres, o Sporting foi sempre campeão, o que atesta em favor da eficácia (factos são factos, o que prevalece sobre percepções), não é menos correcto dizer-se que só contam os que cá estão (Gyokeres já foi), ou seja, que temos de depositar a fé na eficiência, esperando que ela também nos conduza ao desígnio maior do futebol doméstico (esperando que a máquina continue bem oleada no derby da Luz). Até lá, a dialéctica continuará em aberto. 

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